↫─☫ Capítulo 06.2
↫─☫ Koschei, um solitário – 06.2
— Fazer o quê?
Repetiu a pergunta, como se tivesse ouvido errado. Gentilmente, disse de novo: pedra, papel ou tesoura. Empurrou para o lado o tabuleiro de xadrez e as peças espalhadas sobre a mesa.
Um riso involuntário escapou, tamanho o absurdo. Zhenya tinha ficado remexendo no depósito por um bom tempo até desenterrar aquele xadrez, e assim que perdeu, propôs de imediato outra modalidade — e ainda por cima algo tão simplório quanto “pedra, papel e tesoura”.
— Dessa vez é decisão única. Se é homem, é no punho.
Sacudiu o punho levemente cerrado, provocando Zhenya, que não se movia nem um pouco. Arregalou os olhos, gritando para que ele aceitasse logo. Zhenya balançou a cabeça, mas a contragosto levantou a mão. Kwon Taekjoo apressou-se a anunciar “pedra, papel, tesoura”. A voz, carregada de determinação, ressoou pelo ambiente.
Os dois fizeram pedra. Ao confirmar o empate, Kwon Taekjoo soltou o fôlego que prendia. Sacudiu também a mão dolorida de tanta força. Por que estava tão tenso por causa de uma coisa dessas? Aproveitou o desinteresse de Zhenya para gritar o comando rapidamente de novo.
— De novo, pedra, papel, tesoura!
Novamente pedra contra pedra. Empatando outra vez, Kwon Taekjoo se levantou de um salto. Virou de costas, como se estivesse tenso, e respirou fundo repetidas vezes. O resultado dependia puramente da sorte, mas ele estava gastando energia além do necessário.
Observou Kwon Taekjoo, que ficara de costas esfregando as mãos com afinco. Logo, recuperando a compostura, ele se virou de novo.
— Pedra, papel, tesoura…!
Fechou os olhos com força, incapaz de assistir. Zhenya apenas observava com indiferença o resultado que se desenrolava diante de si.
Kwon Taekjoo, após soltar um longo suspiro, ergueu as pálpebras devagar. Comparou as duas mãos postas lado a lado com um olhar cauteloso. Zhenya, do início ao fim, nunca havia mudado de gesto. E a mão de Kwon Taekjoo estava completamente aberta.
Será que ele tinha ganhado? De verdade?
Mesmo vendo com clareza, não conseguia acreditar. Só depois de beliscar a própria pele é que começou a rir, tarde demais.
— Ganhei.
Comemorou, cerrando o punho com força. Diante daquela alegria por ter vencido um simples jogo de pedra, papel e tesoura, como se tivesse conquistado o mundo, Zhenya também sorriu de leve.
— Certo, qual é o desejo?
— Quero sair desta ilha.
Respondeu sem hesitar. Esperava certa perturbação, mas Zhenya, inesperadamente, apenas assentiu com tranquilidade.
— Alguma outra condição?
— Sozinho, com saúde, pelas minhas próprias pernas.
— E mais?
Por algum motivo, estava lhe dando total abertura. Ficou desconfiado, mas sem se fazer de rogado, enumerou os itens necessários. Não importava se aquele desgraçado o achasse atrevido.
— Preciso de roupas de reserva, passaporte, uma Colt também… e acho que vou precisar de dinheiro em espécie.
Zhenya balançava a cabeça como se estivesse disposto a atender a tudo. A facilidade excessiva o deixava ainda mais desconfiado. A única restrição que ele impôs foi:
— Mas você sai quando amanhecer.
— …Qual é a intenção?
— Você perdeu a aposta do xadrez. Mesmo que vá embora, isso precisa ser acertado direito.
Diante do olhar de suspeita constante de Kwon Taekjoo, Zhenya jogou algo para ele. Ao pegá-lo sem entender direito, percebeu que era a chave de ignição do helicóptero.
Tudo aquilo o deixava atordoado. Se podia escapar tão facilmente assim, por que havia sofrido tanto até então? Os esforços e o trabalho em vão do passado passaram como um flash diante de seus olhos. Foi bastante desolador, mas, já que o que desejava havia se realizado, pouco importava. Em seu coração, já estava em casa, deitado na própria cama, tendo entrado no país em segurança.
Mas o êxtase não durou muito. Foi porque Zhenya se levantou de repente e se aproximou sem mais delongas.
— Por quê.
Recuou, já em guarda. Zhenya não respondeu e foi encurtando a distância aos poucos. Kwon Taekjoo, retrocedendo aos tropeços, esbarrou na cama e caiu. Zhenya subiu naturalmente sobre seu corpo caído. Sem dificuldade, prendeu o braço que tentava empurrá-lo, dizendo “sai”.
— Falei que te deixo ir quando amanhecer, não falei?
Sussurrou com malícia e, sem hesitar, abriu a camisa de Kwon Taekjoo para os dois lados. Os botões arrebentaram sem resistência. Enquanto pressionava os lábios no pescoço exposto, arrancou também a calça de uma vez. O corpo que rapidamente ficou nu já exibia inúmeras marcas deixadas por encontros sexuais anteriores. Não havia mais espaço para novas marcas de beijo. Mesmo assim, mordendo obstinadamente a pele já manchada, arrancou como se rasgasse a última peça de roupa íntima que ainda restava. Também agarrou sem cerimônia a perna que, mantida ereta, atrapalhava a aproximação.
— Ugh…
O peso se deslocou de repente para a cabeça e os ombros, fazendo o sangue subir todo de uma vez. O rosto ficou vermelho como se fosse explodir, e os olhos se fecharam com força. Quando se debateu por causa da posição desconfortável, Zhenya ergueu a perna de Kwon Taekjoo sobre o próprio ombro. A parte de trás da coxa encostou no peito dele, dobrando o corpo completamente ao meio. Zhenya, apoiando-se na cama com os dois punhos, encostou o baixo-ventre exposto de encontro às nádegas de Kwon Taekjoo, agora expostas.
Sem perceber, o membro já ereto de Zhenya se esfregava nas nádegas. Diante da catástrofe iminente, agarrou com força o lençol inocente da cama.
Lambendo a panturrilha de Kwon Taekjoo, esticou longamente a cintura. A glande, molhada de fluido pré-seminal, roçava de leve na abertura macia. Rapidamente, as dobras ao redor umedeceram. Pressionando a cintura para baixo, penetrou devagar o interior de Kwon Taekjoo.
— Aauhh…
Um gemido de dor escapou entre os dentes cerrados. Mesmo tendo feito bastante na noite anterior, a parede interna ainda assim se apertava firmemente ao redor do membro. Franzindo o cenho com o aperto rígido, não desviava o olhar do rosto de Kwon Taekjoo. Então curvou o tronco mais fundo e lambeu, com delicadeza, os cílios que tremiam de dor. Os beijos suaves que se estendiam por todo o rosto eram de um amante carinhoso, mas o membro que remexia a abertura, vasculhando-a com força, não passava de um tirano.
A abertura, já amolecida pelo ato sexual anterior, se abria e fechava sem descanso. Peles diferentes se enroscavam com sons úmidos, provocando repetidamente os ouvidos. A cada investida, o peso do próprio corpo se somava, aumentando a pressão. Parecia que um buraco acabaria se abrindo dentro do abdômen.
— Aah, um pouco…
Sem perceber, agarrou o braço de Zhenya. Diante do tom quase suplicante, Zhenya parou momentaneamente os movimentos e olhou para Kwon Taekjoo. De jeito nenhum saía a palavra “vai devagar”. Abriu a boca, mas voltou a fechá-la. Virou até o rosto para o lado.
Aproveitando a oreha exposta, contornou-a com a ponta da língua. Então, de repente, enfiou a ponta da língua no canal auditivo e retomou o movimento de quadris que havia interrompido. Coxas e nádegas se chocavam com sons molhados, roçando ferozmente. A orelha, encharcada de saliva, sugava avidamente aquele som obsceno.
Trabalhava com afinco a mucosa, estimulada a noite toda, que vibrava só de ser tocada de leve. Zhenya mirava com precisão o ponto especialmente sensível de Kwon Taekjoo e o golpeava sem piedade. A cada investida forte, os dedos dos pés se curvavam. A visão se espalhava em amarelo brilhante.
— Aahh, ha, aa… ah! Ugh… ah, aan…!
Escapavam sons de dor que nem pareciam seus. Zhenya, levando-o ao limite, bateu com força o interior. Depois, esfregando o baixo-ventre profundamente nas nádegas de Kwon Taekjoo, inclinou a cabeça. Seu rosto ficou logo acima do rosto contorcido de Kwon Taekjoo.
— …ah.
— Se puder sair, vá em frente, quantas vezes quiser.
Torceu os cantos da boca em um sorriso presunçoso. Teve o pressentimento triste de que aquela noite também seria longa, sem remédio.
Zhenya não soltou Kwon Taekjoo até o raiar do dia. Sempre que ele desmaiava por um instante e acordava, Zhenya, sem falta, continuava a vasculhá-lo por baixo. Chegou a espremer o membro de Kwon Taekjoo, induzindo-o a ejacular repetidas vezes. Depois de gozar umas quatro ou cinco vezes, não tinha mais força nem para mexer um dedo. Recebia Zhenya, indefeso, completamente exausto. Da garganta já rouca, só escapavam gemidos metálicos e respirações vazias.
Só recuperou a consciência depois de muito tempo. Ergueu as pálpebras com dificuldade, como se tivessem pedras penduradas. Por causa da tontura, a visão ondulava. Fechou e abriu os olhos de novo, mas continuava igual.
— …ugh.
Levantou o corpo com esforço. A sensibilidade da cintura para baixo havia sumido, e as pernas não obedeciam de jeito nenhum. Parecia que a parte inferior do corpo estava paralisada. Apoiando o tronco nos cotovelos, olhou ao redor. Mesmo assim, sua cabeça só pensava em uma coisa: precisava sair dali logo.
Procurou às pressas a chave de ignição do helicóptero. Logo encontrou a chave, pousada calmamente na mesinha ao lado da cama. Ao esticar a mão sem pensar, segurou a cintura e gemeu. Um suor frio escorreu pela coluna.
— Quando você vai sair? Vai acabar o dia.
A voz de Zhenya surgiu de repente. Ao virar bruscamente a cabeça, viu-o sentado com tranquilidade na cadeira atrás. Bebendo o copo com calma, observava o sofrimento alheio.
Deveria ter percebido quando Zhenya aceitou tão facilmente o resultado do jogo. Desde o início, ele não era do tipo que soltava facilmente a presa que havia capturado. A menos que se cansasse de brincar à vontade, ou que a presa se estragasse primeiro.
Ainda assim, tendo conquistado aquela oportunidade com tanto esforço, não queria se deixar dominar facilmente. Decidiu que sairia com dignidade, diante do olhar dele. Cerrou os dentes e reuniu todas as forças. O braço, tremendo ao sustentar o corpo, parecia prestes a ceder a qualquer momento. Os músculos, doloridos de tanto sofrimento durante a noite, provocavam pontadas agudas com o menor movimento. Saiu quase que rastejando da cama. Esticou a mão e pegou a chave sobre a mesinha. Mas então perdeu o equilíbrio e caiu no chão.
— …aai.
O impacto se espalhou pelo corpo inteiro. Uma dor indescritível subiu do interior das nádegas, onde algo parecia ter sido seriamente afetado. Segurou a cintura de novo, tentando conter a dor. O rosto, e logo o corpo inteiro, rapidamente se cobriram de suor. Ofegando pesadamente, encarou Zhenya com raiva e, agarrando a cama, levantou-se aos poucos.
Os joelhos tremiam. Assim que deu um passo, o sêmen acumulado dentro do corpo escorreu, lambendo a coxa. A coxa, já manchada de fluidos indefinidos, ficou reluzente de novo. Cerrou os lábios com firmeza e suportou aquela sensação terrível.
Apoiando-se na parede, deu passos hesitantes. Não conseguia deixar de lamentar o fato de a casa ser tão grande. Não havia tempo para um banho. Nesse estado, até chegar ao terraço já era um aperto.
Chegou com dificuldade ao início da escada. Apressado, deu o primeiro passo sem cuidado e caiu de joelhos. Estava tão exausto que nem gemido saiu. Segurou o corrimão e apenas respirou. Peito e ombros arfavam com dificuldade.
Zhenya, que o seguira sem perceber, observava de braços cruzados. Não importando o que ele fizesse, tentou se levantar segurando o corrimão, mas os joelhos cederam de novo.
— Faltam menos de trinta minutos para o pôr do sol.
Que gentileza. Sem forças nem para retrucar, simplesmente ignorou.
As pernas continuavam tremendo demais, então decidiu mudar de método. Talvez fosse melhor rastejar com os dois braços mesmo. Como esperado, era bem mais fácil. Os cotovelos doíam de tanto se arrastar, mas ao menos não corria o risco de bater os joelhos ou cair feio. Zhenya continuou a segui-lo. A sombra dele, projetada por trás, avivava a ansiedade.
Ao chegar ao patamar do segundo andar, recuperou o fôlego. Talvez porque os pulmões estivessem comprimidos, a respiração ficava difícil, e a cabeça girava. A visão se despedaçava em fragmentos, incapaz até de captar direito a chave na mão. Nunca tinha adoecido durante todo aquele tempo, mas desta vez parecia estar seriamente mal.
— Hã, hã…
Balançando a cabeça com irritação, subiu a escada de novo. A cada movimento do corpo, escapavam gemidos sofridos. Por fim, a visão começou a rodar diante de seus olhos.
Lutando entre a vida e a morte em direção ao terraço, o sol começou a se pôr. O poente vermelho pousava sobre o corpo encharcado de suor. Agora realmente não havia mais tempo.
Zhenya observava em silêncio Kwon Taekjoo, que lutava desesperadamente para se libertar. Normalmente teria assistido com prazer, mas por algum motivo o rosto foi se enrijecendo.
Chegou com dificuldade à porta do terraço. Do portão de ferro que sua mão tocou, sentiu o ar frio vindo de fora.
Finalmente, finalmente.
O rosto, até então crispado, relaxou. Sem tempo nem para comemorar, esticou o braço apressadamente em direção à maçaneta. Mas Zhenya foi mais rápido. Ao vê-lo segurar a maçaneta primeiro, pensou “o que é isso”. Logo ficou atordoado, pois a janela já havia escurecido de repente.
— Tempo esgotado, Zainka.
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Zhenya passou a manhã inteira ocupado com os preparativos para sair. Kwon Taekjoo, que havia dormido feito morto o dia inteiro, apenas jazia sem forças na cama. Zhenya, já vestindo o casaco de pele e prestes a sair, virou-se de repente.
— Vai levar uns dois dias.
Informou o cronograma do nada. Desde quando ele passou a avisar essas coisas direitinho? Sem reagir, virou-se de costas, girando o corpo.
Pouco depois, ouviu-se o som das hélices girando. O ruído, que ecoava alto sobre a cabeça, foi ficando cada vez mais distante. Zhenya havia partido de novo, e na ilha só restava Kwon Taekjoo. Até quando teria que repetir aquela vida tediosa?
Estava entediado demais. Não estava acostumado a passar o tempo sem fazer nada de útil. Sentia que, dia após dia, ia se transformando em um pedaço de carne inútil. Aquela sensação de impotência era algo inédito.
O que aconteceria se continuasse abandonado naquele lugar cheio de neve para todo lado? Acabaria enlouquecendo. Seria uma sorte se não se matasse antes disso. Cada vez mais, tanto a noção de tempo quanto a de realidade pareciam ficar embotadas. Queria escapar antes que a cabeça piorasse ainda mais. O desejo se tornava cada vez mais desesperador, mas o caminho para realizá-lo permanecia distante.
Puxou o cobertor até cobrir a cabeça, com nervosismo.
Saiu da mansão no final da tarde. Estava decidido a tomar um pouco de ar. Caminhando sem destino específico, acabou chegando ao mar. Sentou-se numa pedra relativamente seca. E ficou contemplando em silêncio o horizonte distante.
Sentia-se como se tivesse caído em outra dimensão completamente diferente. Não tinha nenhuma forma de saber o que estava acontecendo lá fora, nem como a situação se desenrolava. Nunca imaginou que ele mesmo viveria uma vida tão sem rumo e desamparada.
Levantou-se suspirando. Decidiu caminhar pela praia enquanto alongava o corpo ainda dolorido. Já havia se acostumado bastante com o vento cortante do mar.
Depois de caminhar um pouco, avistou um galho balançando nas ondas. Pegou-o na hora, pois percebeu que era, na verdade, um palito de madeira descartável. De onde teria vindo, arrastado pela correnteza? Da China? Talvez da Coreia. De algum jeito, sua própria situação parecia pior do que a daquele palito.
Usou o palito para fazer um grande rabisco na areia. Aproveitou também para juntar conchas e pedrinhas ao redor e colocá-las por cima. Assim se completou a mensagem: “S.O.S”, um sinal de socorro. Se tivesse sorte, algum navio ou avião que passasse por ali poderia ver. Ou não.
Depois disso, deitou-se de qualquer jeito no chão. A neve grossa acumulada envolvia o corpo inteiro como um cobertor macio. Ao fechar os olhos, só restaram o som das ondas e o vento. Um silêncio infinito. Sentia que, mesmo se desaparecesse ali, nada mudaria. A consciência afundava lentamente no abismo.
Não sabia quanto tempo havia se passado. Um barulho repentino ecoou em seus ouvidos. Tão desesperado por aquilo, chegou a pensar que fosse zumbido de ouvido.
Levantou-se de um salto. Vasculhando o entorno em pânico, avistou um helicóptero se aproximando de longe. A forma era completamente diferente daquele que Zhenya usava. Talvez pudesse ver seu sinal de socorro. Com esse pensamento, agitou os braços desesperadamente.
— Aqui! Ei, aqui!
Chegou a pular no lugar. Mas o helicóptero, sem notá-lo, passou reto. Incapaz de desistir assim, correu até a mansão. Se agitasse a roupa de um lugar mais alto, certamente seria visto.
Subiu ao terraço de uma vez e agitou a camisa. Gritou com toda a força também, se esforçando para chamar atenção. Talvez a sinceridade tenha funcionado: o helicóptero fez uma curva ampla e se aproximou da mansão. O rosto de Kwon Taekjoo se encheu de júbilo.
Afastou-se para o lado para que o helicóptero pudesse pousar em segurança. Ele desceu ao terraço levantando um vento forte. As hélices, que emitiam um som mecânico imponente, foram diminuindo aos poucos até parar. Só então conseguiu abrir os olhos.
Correu rapidamente até perto do helicóptero. Logo a porta se abriu, e apareceu um homem de terno preto. Enquanto ele estendia o braço para bloquear a aproximação de Kwon Taekjoo, uma jovem desconhecida desceu logo atrás.
— …o quê, é isso?
Foi uma reação de decepção inexplicável. Depois disso, a mulher continuou a rodear Kwon Taekjoo, examinando-o minuciosamente.
— Achei que era algo mais impressionante, já que ele guardava escondido só para si.
Não fazia ideia do que aquilo significava. Quem seria aquela mulher, afinal? Parecia bem mais jovem do que ele. Suas feições, particularmente nítidas, pareciam lembrar alguém, e ao mesmo tempo não. Era bastante bonita, mas parecia sem cor, talvez cansada da longa viagem.
Kwon Taekjoo cruzou os braços firmemente diante da mulher que o avaliava como se fosse mercadoria. A mulher também parou e encarou aquele olhar. Era um olhar atrevido.
— Quem é você?
Mesmo diante do tom desagradável, ela sorriu, os olhos se curvando. Estendeu a mão sem hesitação.
— Prazer. Sou Olga.
Olga. Onde teria ouvido esse nome antes? Sentiu um estranho déjà vu. O rosto era estranho, mas o nome soava bastante familiar.
Olga acrescentou mais uma coisa, resolvendo a dúvida de Kwon Taekjoo. Aquilo era também o motivo pelo qual ela havia vindo até ali.
— Olga Visarionovna Bogdanova.
Ficou sentado em confronto silencioso com Olga por um bom tempo. Ela havia dito que tomariam um chá, e por isso desceram juntos, mas nenhum dos dois tocou sequer um gole de água durante todo aquele tempo.
Olga estava sentada na cadeira que Kwon Taekjoo havia cedido, olhando-o fixamente, como se quisesse atravessá-lo. Digna de ser irmã daquele desgraçado, nem se dava conta do constrangimento. Kwon Taekjoo, ainda de braços cruzados, encarava aquele olhar ardente.
Não havia informações conhecidas sobre Olga, a única filha de Visarion. Nenhuma foto, nenhuma data de nascimento conhecida, nenhuma escola frequentada, nenhuma pista sobre onde ou o que ela fazia. Não se sabia se a diferença em relação aos irmãos era simplesmente por ela ser mulher.
— O que você tanto gostou naquele homem?
Olga tomou a iniciativa. O tom era sutilmente ríspido. Era difícil captar a real intenção, a ponto de duvidar se havia ouvido corretamente. Diante do silêncio, ela deu de ombros e complementou.
— É que eu simplesmente não entendo. Nunca vi ninguém tentando ficar perto daquele homem.
“Aquele homem” certamente era alguém que tanto Olga quanto Kwon Taekjoo conheciam. Só havia um sujeito que lhe vinha imediatamente à mente, mas a pergunta soava estranha. O que ele tinha de tão bom assim? Aquilo soava como se Kwon Taekjoo estivesse ali por vontade própria, por gostar dele.
— Acho que você está enganada.
— Enganada?
— Não é porque eu gosto que estou enfiado num lugar desses.
— Então?
— …
Estava prestes a responder na hora, mas voltou a fechar a boca. Não sabia por onde nem como explicar. Também não havia motivo para expor toda a sua situação a uma estranha. De qualquer forma, ela estava do lado dele.
Balançou a cabeça como quem diz “deixa pra lá”. Mesmo assim, Olga, que continuava especulando por conta própria, de repente se assustou.
— Não me diga que você foi sequestrado?
— Se…
Ficou sem palavras. Não era uma suposição totalmente equivocada. Mas dizer que fora realmente sequestrado também soava ambíguo. Olga interpretou o silêncio de Kwon Taekjoo como uma confirmação tímida e não conseguiu conter um suspiro. Murmurou também para si mesma: “Aquele louco realmente…”
O olhar cauteloso de Olga em relação a Kwon Taekjoo suavizou de repente. Ela segurou a mão dele com firmeza e se desculpou por sua falta de educação.
— Desculpe a grosseria. Achei que vocês dois tinham se envolvido de verdade… Como ele fugiu com o terrorista que destruiu a casa toda, achei que era um caso de “dormir com o inimigo”, sabe? De qualquer forma, me desculpe por ter pensado assim. Imaginar que existiria um idiota apaixonado por aquele homem… E eu vim até aqui à toa, sem saber de nada.
A última frase mais parecia um monólogo. Parecia que ela tinha vindo para se divertir observando um macaco de zoológico. Segundo as próprias palavras dela, procurava “o idiota que fugiu com aquele Zhenya numa fuga romântica”. Era absurdo demais.
— Então, você veio aqui para…
— Vim me recuperar.
Mesmo tendo acabado de ouvir claramente o contrário, ela mentia descaradamente. E, ignorando o olhar de protesto de Kwon Taekjoo, mudou de assunto.
— Aliás, pelo visto você estava só esperando ser resgatado, escrevendo aquele sinal de socorro idiota mais cedo?
Seria assim com todo aquele tipo de gente que nunca se importou com a opinião alheia desde que nasceu? Nem ele nem a irmã tinham qualquer filtro na hora de falar.
— Sei lá. Talvez algum idiota tenha pena e venha me resgatar.
— …ah, não quis dizer que você é o idiota.
— Que consolo.
— Aliás, qual é o seu nome? Ainda nem nos apresentamos direito.
— Nem se dê ao trabalho de perguntar. Não posso dizer.
— Que tipo de resposta é essa? Como não vou ficar curiosa se você não me conta?
— Não pode, ponto final. Já sofri o suficiente aqui, não quero perder o emprego também.
Manteve-se firme. Olga, insatisfeita, franziu os lábios. Kwon Taekjoo certamente não havia explodido a mansão dos Bogdanov sem motivo, e, ao dizer que trabalhava em algo que não podia revelar sua identidade, provavelmente ela já conseguiu deduzir grosso modo sua verdadeira identidade.
Mudou de pergunta rapidamente.
— Então, como aquele homem te chama?
— Za…
Estava prestes a responder sem pensar, mas fechou a boca de novo. Não conseguia mencionar “Zainka” com a própria boca. Fosse para lhe causar ainda mais humilhação, Zhenya usava aquele apelido sem falta. Desde o início havia sido assim. Dizia para ele ficar bem escondido na toca, ou para ficar de orelha em pé.
Olga, com os olhos brilhando, demonstrava intensa curiosidade. Já estava inclinada para o lado de Kwon Taekjoo. Era incômodo.
— Se não vai me ajudar, não fica perguntando tanto?
— Não posso ajudar. Se ele descobrir, vou levar uma bronca.
De algum modo, aquele “levar bronca” não parecia se referir à repreensão comum de um mais velho a um mais novo. Aquele homem violento não pareceria poupar ninguém só por ser mulher, mas também nunca havia visto Zhenya tratar uma mulher com brutalidade.
Bem, isso à parte. Se Olga não fosse ajudá-lo, continuar a conversa era inútil. Saiu da cozinha com um rosto entediado. Olga o seguiu, saltitando.
— Que quarto eu devo usar?
— Quartos sobram, use qualquer um.
— Hum, então acho que prefiro aquele.
Olga passou por Kwon Taekjoo rapidamente. Atravessou a sala com lareira e se dirigiu ao quarto mais interno. Kwon Taekjoo, que a observava distraidamente, de repente se assustou e correu atrás dela. Alcançou-a de imediato e se colocou diante da porta. Olga fez uma expressão de estranheza.
— Hm? Por quê?
— Esse já tem dono.
Não havia outra desculpa adequada. Olga espiou o quarto por entre os braços de Kwon Taekjoo e assentiu.
— Parece mesmo o quarto daquele homem.
Sem olhar com atenção, ninguém perceberia que era um quarto compartilhado pelos dois. Enquanto se esforçava para racionalizar assim, o coração batia forte sem se acalmar. Preocupava-se se em algum canto do quarto não haveria algo que lembrasse os momentos íntimos com ele. O suor frio já brotava por antecipação.
Apesar da tentativa de dissuasão de Kwon Taekjoo, Olga, que continuava a examinar o quarto por todos os lados, deu um sorriso estranho. Soltou também um “aah” revelador.
— Parece que, mesmo sem coração, o corpo se entende bem, não é?
Zombando dele com um sorriso maldoso, ela se mudou para outro quarto antes mesmo que ele pudesse se justificar.
Virou bruscamente a cabeça. No travesseiro sobre a cama, ainda restavam vestígios claros de alguém que havia deitado ali. No chão, dois roupões estavam enrolados um no outro. O lençol da cama, junto com uma almofada, estava semicaído. Também via sua própria cueca, virada e abandonada. Nada daquilo parecia comum.
Ficou sentado na cadeira, sem foco. Fora assim desde o momento em que Olga saiu do quarto. O que ele mesmo estava fazendo ali? Comia, dormia, e servia a Zhenya. Era a rotina que a maioria das pessoas repetia diariamente. A diferença era que elas usavam aquele ciclo como impulso para atividades produtivas. Ao menos, não ficavam à toa, sem vontade ou pensamento próprio, apenas comendo o que outros lhes davam.
Por que não fugia com mais afinco? Teria se adaptado a Zhenya por falta de outro lugar a que se adaptar? Não sentia desejo por ele. Podia jurar que jamais havia se excitado ao vê-lo.
Mas quando os corpos se enroscavam, a história era outra. O corpo respondia fielmente a Zhenya, e agora até um sexo quase violento o derretia sem falta. Em algum momento, havia deixado até de resistir. Aprendeu que, de qualquer forma, isso só provocava mais a excitação dele, resultando em algo pior.
Talvez tivesse se acomodado com a resignação de que não podia escapar dele, racionalizando sempre a situação como inevitável. Fazendo desculpas patéticas de que não havia jeito, apenas tentando facilitar as coisas para si mesmo. Não era à toa que, mesmo depois de ser estuprado, ouvia aquele absurdo de “como isso pode ser estupro”. Que patético.
Balançou a cabeça com irritação. Algo estava definitivamente errado. Havia negado para Olga, mas seu comportamento nos últimos dias não era diferente do de uma amante. Permanecia na mansão que só Zhenya frequentava, usava a mesma cama que ele, fazia sexo sempre que ele tinha vontade. Sobrevivia com a comida que ele trazia, passando o tempo juntos sob o pretexto de uma aposta. Estar no mesmo espaço que ele, receber a manhã juntos, já não era mais novidade ou motivo de tensão. Não era à toa que Olga, ao encontrar aquele vestígio, tivesse dado aquele sorriso zombeteiro.
Com a chegada de uma terceira pessoa, os pensamentos turvos ganharam clareza objetiva. Quando estava a sós com Zhenya, não percebia, mas agora aquele relacionamento contraditório, que talvez ele mesmo desejasse, se revelava de forma crua. Pensando bem, o comportamento de Zhenya também havia mudado sutilmente desde o início.
Aquele que costumava contestar qualquer aposta proposta, em algum momento havia ficado dócil. Passou a rir alto às vezes, e no sexo, que antes se resumia à penetração e ao clímax, também aumentaram os pequenos gestos de carinho. Sempre que voltava de uma saída, trazia comida coreana sem falta, e o número de vezes em que ficava sério visivelmente diminuiu. E não era só isso. Hoje, antes de sair, chegou até a informar quando pretendia voltar.
De repente, seu rosto e pescoço ficaram quentes. O coração começou a bater de forma desagradável. Não era hora de brincar de casinha. Sem perceber, estava acompanhando o ritmo dele. Cerrou o punho com força.
Isso não pode continuar assim.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna