Capítulo 67
Desta vez, o cio de Pavel foi longo, intenso e avassalador. Como Pavel estava ferido, não conseguia controlar os próprios feromônios, que explodiam incessantemente durante todo o período do cio. No fim, ele foi expulso do hospital e precisou ser isolado em uma pequena clínica de repouso nos arredores.
Durante todo o período de rut de Pavel, Hayul também passou por um ciclo de cio terrível.
Devido aos intensos feromônios de Pavel, nenhuma pessoa tinha permissão para entrar, então os dois ficaram presos na clínica como um casal de recém-casados em lua de mel, sem fazer nada além de comer, dormir e fazer sexo. Não era exagero; era exatamente assim.
Durante todo o dia não faziam outra coisa.
A vida cotidiana havia se tornado impossível. Embriagados pelos feromônios um do outro, bastava abrirem os olhos para acabarem novamente entrelaçados. Não havia sequer tempo para se vestirem direito. Durante todo o ciclo de calor, Hayul não conseguiu usar roupa íntima. Mesmo que vestisse alguma, ela logo ficava molhada e suja.
Mesmo quando comiam por fome, Pavel o penetrava antes mesmo de seu sêmen secar. Eles se contorciam violentamente até a hora de dormir, o que frequentemente resultava em Hayul desmaiando e caindo inconsciente. Pavel então enfiava seu pênis diretamente em seu traseiro e adormecia.
Eles eram praticamente animais dominados pelo cio, privados de qualquer traço de humanidade e guiados apenas pelos instintos. Posição social, dignidade, tudo isso havia sido deixado de lado. Entre os dois, não havia necessidade de racionalidade.
No máximo, os médicos ainda conseguiam entrar ocasionalmente por causa do ferimento de Pavel. Eles entravam usando até trajes de proteção, tratavam os ferimentos de Pavel e saíam correndo. Viktor e os seguranças também não podiam se aproximar da clínica e precisavam permanecer à distância, nos arredores.
De qualquer forma, nenhum tolo ousaria atacá-los depois de detectar os feromônios de Pavel emanando de todas as direções. Pavel era uma arma humana capaz de matar pessoas explodindo suas cabeças apenas com seus feromônios.
E, como sempre, o rut de Pavel e o cio de Hayul terminaram abruptamente. Exatamente dez dias depois de serem isolados na clínica. Assim que o rut terminou, Pavel foi levado novamente ao hospital, onde precisou passar por uma segunda cirurgia.
***
— É aqui.
O chefe da equipe de segurança parou o carro perto de uma floresta. Eles haviam levado duas horas desde o hospital onde Pavel estava internado até o local onde estavam.
Depois de deixarem o carro na entrada da floresta e caminharem para dentro, avistaram uma cabana em ruínas entre os arbustos. Seguranças armados vigiavam os arredores da cabana. Ao reconhecerem o chefe da equipe e Hayul, eles acenaram com a cabeça em cumprimento.
Ao abrir a porta da cabana e entrar, Hayul viu um homem amarrado a uma cadeira. Era Igor Kuzmin. Ele estava curvado na cadeira, mas ao ver Hayul, ele ergueu a cabeça e abriu um sorriso torto.
— Então você é a fêmea dos Kirov.
Aquilo foi ainda mais chocante e desagradável do que ser chamado de Sra. Kirov. Igor inflou o peito e respirou profundamente.
— O cheiro de fêmea está impregnado por todo lado. Quem diria que o Anjo da Morte se tornaria uma cadela no cio. Se eu soubesse que você era um ômega, teria pedido ao Marco para providenciar seus serviços para mim há muito tempo.
— Cala a boca.
Igor soltou uma risada rouca, misturada a um ruído metálico. Parecia completamente fora de si.
— Então, e seu marido? Por que a esposa veio sozinha a um lugar tão miserável como este?
— Se Pavel tivesse vindo, você já estaria morto.
As sobrancelhas de Igor se contraíram.
— Parece que a senhora Kirov veio negociar.
Como esperado, ele era perspicaz.
— Sinto muito pelo que aconteceu com seu filho.
— Poupe-me dessas falsas condolências e vá direto ao ponto.
Como ele havia dito, Hayul foi direto ao assunto.
— Pouparei sua vida se você prometer não machucar minha família novamente.
— Por que eu faria isso? Eu perdi meu filho.
— Você também precisa sobreviver.
— Está com pena de mim?
— Não. Só não gosto de matar pessoas sem necessidade.
Igor deu uma risadinha e continuou:
— O Anjo da Morte não gosta de matar?
— Eu nunca matei ninguém além dos meus alvos designados. Agora estou farto desses conflitos sangrentos. Preciso de paz.
— Que engraçado.
Igor riu, mas Hayul não achou graça nenhuma.
— Talvez você tenha largado essa vida, mas o Kirov continua sendo um cão louco que vive de sangue. Se queria desesperadamente uma vida tranquila, não deveria ter se envolvido com ele.
’Como se eu tivesse escolhido me envolver com ele.’ Igor não conhecia os detalhes e parecia acreditar que Hayul havia escolhido voluntariamente ficar com Pavel. Estava meio errado e meio certo. Afinal, fora Hayul quem escolhera Pavel. Mas não pretendia ficar explicando todos aqueles detalhes.
— Decida-se, Kuzmin.
— Quando alguém nos ataca, nós retribuímos em dobro. Essa é a regra da nossa família.
Os olhos de Igor brilharam intensamente ao encarar Hayul.
— Eu jamais perdoarei os Kirov. Vou despedaçar e matar você, Pavel Kirov, Oleg Kirov e tudo o que estiver relacionado aos Kirov.
O olhar maníaco e debochado desapareceu, substituído por uma intenção assassina ardente em seus olhos. Ele não mudaria de ideia. No fim, continuaria sendo um cão de caça que sobreviveria até o último instante para cravar os dentes no pescoço de Pavel. Um pai que perdeu o filho era capaz de qualquer coisa.
Como Jülich havia dito, Pavel não deveria ter matado o filho de Igor. Fora um assassinato impulsivo, completamente diferente de seu comportamento habitual. Pavel sempre perdia a razão quando algo envolvia Hayul.
Isso também significava que ele era a causa de todos aqueles acontecimentos. Agora, Pavel estava cego pelo amor que nutria por Hayul. É por isso que Hayul estava ali, plenamente consciente de sua responsabilidade.
— Não há o que se possa fazer.
Hayul soltou um breve suspiro. Tirou a pistola de dentro da roupa e apontou-a para Igor. Ele abriu um sorriso e encarou Hayul com os olhos injetados de sangue.
— Você vai ter que atirar direito, Sra. Kirov..
Mesmo com a cabeça prestes a ser estourada, Igor soltou uma risadinha. Hayul desviou a mira que estava apontada para a cabeça de Igor e puxou o gatilho. Bang! A bala atingiu seu ombro. O estampido ecoou pela cabana, seguido pelo grito de Igor.
Olho por olho, dente por dente. Como havia deixado um buraco no ombro de Pavel, Hayul fez o mesmo com o ombro de Igor.
— Entreguem Igor vivo às autoridades russas.
— Como? Mas o senhor Kirov disse que cuidaria pessoalmente dele…
— A minha vontade é a vontade de Pavel.
‘Minha ordem é a ordem dos Kirov, então faça o que estou mandando’.
O chefe da equipe de segurança, que era perspicaz, apenas assentiu, dizendo que havia entendido.
Pavel era assim. Não queria que as mãos de Hayul fossem manchadas de sangue. Hayul também pensava da mesma maneira. Ele odiava o cheiro de sangue que emanava de Pavel. Mesmo que fosse inevitável, queria que Pavel derramasse o mínimo possível de sangue com as próprias mãos.
O sangue de Alexei Kuzmin era um sangue que não precisava ter sido derramado. E o de Igor Kuzmin também. Hayul não queria mais que Pavel cometesse assassinatos desnecessários. As autoridades russas cuidariam de Igor Kuzmin.
Hayul guardou a pistola no peito e saiu da cabana, onde o cheiro de sangue e pólvora ainda impregnava o ar.
Assim que saiu, ouviu nitidamente o canto dos pássaros e o som do vento. No meio da brisa úmida que soprava suavemente, pareceu sentir um aroma fresco cítrico. O cheiro de Pavel, de que sentia tanta falta.
Depois de passar pela segunda cirurgia em um hospital alemão, Pavel precisou permanecer internado por bastante tempo.
Pavel provavelmente havia ficado sabendo do que acontecera com Igor Kuzmin por meio do chefe da equipe de segurança, mas não perguntou nada diretamente a Hayul. Hayul não sabia se a equipe de segurança havia entregado Igor às autoridades russas conforme sua ordem. Pavel também não tocou no assunto, e Hayul deliberadamente não o mencionou. E assim o tempo passou.
Como a internação de Pavel se prolongou, Hayul acabou fazendo turismo pela Alemanha. Viktor o arrastava para todo lado, dizendo que não era todo dia que se tinha uma oportunidade dessas. Acompanhado por Viktor e os seguranças a tiracolo, Hayul visitou praticamente todos os pontos turísticos famosos da Alemanha.
Viktor, que tinha bastante interesse por obras de arte, também não deixou de fazer um tour pelos museus. Enquanto acompanhava Viktor, Hayul encontrou no museu uma escultura de que gostou bastante. Era uma estátua de um anjo que ficaria perfeita no saguão principal do castelo dos Kirov.
— O que você está olhando com tanta atenção?
— Acho que ficaria bonita se fosse colocada no castelo.
Hayul apenas respondeu à pergunta de Viktor, que havia se aproximado, mas ele imediatamente fechou o semblante e falou com seriedade:
— Não faça isso, Jin.
— Não faça o quê?
— Não vá falar para Pavel que gostou da escultura que viu hoje no museu. É a única obra póstuma de Max Kollwitz. Não vá fazer ele contrabandear uma obra de arte de outro país.
— Por que eu faria isso?
— Mesmo que você não peça, o Pavel é do tipo que te daria qualquer coisa que você quisesse. Aquele cara compraria um jato de combate se você dissesse que quer um.
Pensando bem, Pavel era mesmo capaz de fazer algo assim. Hayul não conseguiu negar o que Viktor dizia. Certa vez, enquanto navegava na internet, Hayul viu uma notícia sobre uma arma nova e comentou que queria testá-la. Pavel imediatamente comprou a arma e a colocou no arsenal.
— Então nem sequer mencione isso. Entendido?
Viktor o aconselhou mais uma vez. Hayul apenas soltou uma risadinha e deixou o assunto de lado.
Quando Hayul começou a se cansar dos passeios turísticos e das visitas aos museus, os níveis de feromônios de Pavel se estabilizaram.
Apesar de ter sido mantido internado por mais de quinze dias e submetido a tratamento intensivo, Pavel recebeu alta com uma aparência extremamente saudável. Dali, ele seguiu direto para o aeroporto com sua comitiva, embarcou no jatinho particular de volta para a Rússia e finalmente retornou para sua amada casa, onde foi recebido calorosamente pelos empregados.
Assim que soube do retorno de Pavel e Hayul, Natasha também correu para visitá-los. Ao ouvir que eles haviam passado juntos pelo cio na Alemanha, ela os bombardeou com perguntas e fez uma série de exames.
— Este ciclo de calor foi tranquilo? Ouvi dizer que o rut foi intenso. Deixe-me ver… Os níveis de feromônios estão normais.
— Ah, Natasha. Desta vez senti uma dor parecida com um ataque cardíaco.
— É mesmo? Sua frequência cardíaca e sua pressão estão normais. Como os níveis de feromônio de Pavel estavam extremamente instáveis, é possível que você também tenha apresentado alterações fora do habitual. Você sabe, Jin, você não é um ômega comum. Aconteceu mais alguma coisa estranha?
— Bem… ouvi uma espécie de telepatia.
— O quê? Que maluquice é essa?
Ao ver a expressão dela, Hayul preferiu se calar. Ele decidiu não contar que tinha ouvido a voz de Pavel chamando por ele. Até aquele momento, ainda não havia sido esclarecido se a voz de Pavel que ecoara em sua cabeça naquela ocasião tinha sido uma alucinação ou se, de fato, Pavel o havia chamado.
’Será que foi mesmo telepatia?’
No fim das contas, o que importava se tinha sido uma alucinação ou telepatia? O simples fato de ter se transformado em ômega já era um milagre. Hayul tinha certeza de que nem ficaria surpreso se, de repente, Pavel adquirisse o superpoder de voar.
— Considerando toda a confusão pela qual vocês passaram, tanto Pavel quanto Jin estão surpreendentemente bem. Pavel ainda vai, já que ele é praticamente um monstro, então até dá para entender. Mas você, Jin, por que está tão bem?
— Não deveria estar?
— Você não teve nem um choque de feromônios?
— Não. Depois que meu ciclo de calor terminou, fiquei sem energia e tomei uma injeção nutricional, mas foi só isso.
Realmente, Hayul não havia sofrido nenhum choque de feromônios. Na verdade, Pavel havia sido levado diretamente para a sala de cirurgia, enquanto Hayul descansava profundamente por cerca de um dia e, já no dia seguinte, fora procurar Igor Kuzmin.
— Isso é estranho. De qualquer forma, venha ao hospital em breve para fazer um exame completo.
Com essas palavras, Natasha pegou sua maleta médica e foi embora.
Depois de retornarem à Rússia, Pavel ficou ainda mais ocupado, sendo chamado para todos os lados. Fora isso, a vida cotidiana seguia como sempre. Os dias passavam em uma rotina tão pacífica que chegava a ser entediante. Se nada de especial acontecesse, provavelmente receberiam a primavera exatamente naquele mesmo clima.
Até que, certo dia, durante o café da manhã, o estômago de Hayul se revirou de repente.
— Ugh.
Ele não conseguiu conter a ânsia e rapidamente levou a mão à boca. Bebeu água às pressas, mas até o gosto da água lhe causou repulsa, fazendo-o cuspir tudo de uma vez enquanto continuava a ter ânsias. Era uma sensação de enjoo que nunca havia experimentado na vida.
— Jin!
— Querido?
Pavel e Oleg correram ao mesmo tempo até Hayul, perguntando se ele estava bem, mas ele não conseguia responder enquanto continuava com as ânsias. No fim, Hayul precisou cobrir a boca e se levantar de um salto para correr até o banheiro.
Depois de vomitar tudo o que tinha no estômago no vaso sanitário, ele se levantou ofegante, enxaguou a boca e virou a cabeça. Uma empregada com quem era bastante próximo estava parada diante da porta do banheiro. Ela fechou a porta, entrou e tirou alguma coisa do bolso do avental, estendendo-a cuidadosamente para Hayul.
— Senhor Jin. Faça isso antes de sair.
— O que é isso?
— Um teste de gravidez.
O rosto de Hayul se contorceu violentamente.
— Por que eu teria que fazer isso?
— Não pergunte nada. Faça o teste e saia. Depressa.
Dizendo isso, a garota colocou o teste de gravidez na mão de Hayul e saiu do banheiro.
’Isso é ridículo! Ela quer que eu faça isso?’
Hayul olhou com raiva para o teste de gravidez em sua mão. Com certeza devia ser apenas uma indigestão. Talvez tivesse comido alguma coisa que lhe fez mal. Mas quando tentou ignorar, a mesma náusea voltou. Ele segurou o vaso rapidamente, mas felizmente não vomitou.
’Isso já aconteceu comigo alguma vez?’
Mesmo tendo sofrido todo tipo de ferimento, era a primeira vez que sentia uma náusea daquele tipo.
Hayul encarou a caixa do teste, que havia deixado cair no chão, e decidiu tentar. Não faria mal nenhum verificar. Seguindo as instruções, molhou a tira do teste com a urina e o deixou agir por alguns minutos. Nesse intervalo, lavou o rosto e escovou os dentes. Então voltou para conferir o resultado.
Duas linhas vermelhas nítidas haviam aparecido. De acordo com as instruções, isso significava que estava grávido.
Foi como se tivesse levado uma pancada na nuca.
Enquanto Hayul permanecia atordoado pelo choque, a empregada, que esperava do lado de fora, bateu na porta e entrou.
— Como foi?
Em vez de responder, Hayul mostrou o teste.
A empregada pegou o teste com as duas linhas vermelhas bem nítidas e levou a mão à boca, soltando um pequeno grito:
— Aah!
— S-s-santo Deus! Senhor Jin, as duas linhas estão tão nítidas! O senhor está grávido! Parabéns!
A jovem, transbordando de alegria, segurou as mãos de Hayul e as balançou animadamente, comemorando.
Hayul, porém, ainda não conseguia acreditar.
’Isso é possível? Esse teste é confiável?’
Todos os médicos haviam dito a mesma coisa. Que seria impossível engravidar.
Outra ânsia subiu de repente, interrompendo seus pensamentos. Hayul se agachou diante do vaso sanitário e vomitou até o suco gástrico. Não havia mais nada para colocar para fora, mas seu estômago continuava embrulhado e ele ainda estava tonto.
— Pelo que sei, os ômegas masculinos costumam ter enjoos matinais muito fortes. Mesmo assim, deve melhorar depois de algum tempo.
Enquanto falava, a empregada dava leves tapinhas nas costas de Hayul Não havia nada de reconfortante naquelas palavras.
’Enjoos matinais. Gravidez.’
Era horrível. Tudo aquilo era horrível.
***
Oleg e Pavel ficaram radiantes de alegria assim que souberam da notícia. Oleg chegou a dar uma gargalhada e ergueu Hayul nos braços, girando-o no ar.
— Hahahaha! Grávido! Um filho! Você é mesmo o nosso amuleto da sorte!
Provavelmente estava fazendo aquilo por pura felicidade, mas, para Hayul, era um sofrimento. A náusea que ele havia acabado de controlar voltou e ele começou a ter ânsias. Oleg imediatamente o colocou no chão. Assim que Oleg o soltou, Pavel abraçou Hayul com força.
— Estou feliz. Muito feliz.
Pavel, ao contrário de Oleg, não fez nenhum alarde. Disse apenas uma frase e ficou abraçado a Hayul em silêncio. Mesmo sem dizer nada, era possível sentir seus feromônios oscilando intensamente. Os braços que envolviam Hayul também tremiam de leve.
— Eu também vou ter um bisneto. Quem diria que eu viveria para ver uma coisa dessas.
Oleg Kirov acabou até derramando lágrimas. Aquele homem que parecia um tigre velho tirou um lenço do bolso e enxugou os olhos úmidos. Locke, que estava ao seu lado, o consolou.
Todos comemoraram sinceramente a gravidez de Hayul. Oleg, Pavel e todos os empregados da mansão estavam genuinamente felizes. Mas Hayul, por sua vez, ainda não conseguia assimilar aquilo e permanecia atordoado. Mesmo quando foi ao hospital com Oleg e Pavel, que haviam cancelado todos os compromissos daquela tarde, ele continuava em estado de choque.
— Meu Deus. É mesmo uma gravidez!
Até Natasha, que realizava a ultrassom, murmurar:
— Não pode ser! Jin, você realmente está grávido.
Foi como uma sentença final. Ele ainda tinha dúvidas se aquilo era verdade, mas, afinal, estava realmente grávido. Mesmo deitado, Hayul sentia como se estivesse tonto.
— Olhe. Está vendo o saco gestacional?
Hayul olhou para a tela, mas não conseguia distinguir nada. Se aquilo era o saco gestacional, então devia ser.
— Haha. Como isso foi possível? Seu corpo não deveria ser capaz de engravidar. Você tem justamente o tipo de corpo em que uma gravidez não deveria acontecer. Mas como o sêmen de um Alfa Real conseguiu implantar? Você nem sequer é um Ômega Real, e seu corpo é tão instável… Este deve ser o primeiro caso no país, não? Mesmo olhando, olhando e olhando, ainda não consigo acreditar. Não é à toa que tive um sonho tão estranho ontem.
Natasha não parou de resmungar durante todo o exame, não se importando com os pensamentos de Hayul. Depois de terminar o exame, ela sorriu para ele.
— Parabéns por ter se tornado a segunda mãe milagrosa do mundo. Os esforços do senhor Pavel deram resultado. Você é realmente uma pessoa incrível.
Era uma saudação diferente de um típico parabéns por sua gravidez.
— Por que está com essa cara? Você é a pessoa que realizou um milagre com o próprio corpo.
— Eu preferia dispensar esse tipo de milagre.
Hayul murmurou com uma expressão azeda, e Natasha deu um forte tapa em suas costas.
— Não se preocupe. Eu mesma vou trazer seu bebê ao mundo direitinho. Não vá para outro hospital! Eu vou garantir que essa criança nasça, custe o que custar. Entendeu?
Os olhos dela brilhavam com uma estranha vitalidade enquanto repetia aquilo várias vezes.
E assim, Hayul voltou para casa após ser diagnosticado com cinco semanas de gestacional. No carro, a caminho de casa, Oleg Kirov ficou olhando para a imagem do ultrassom do saco gestacional de Hayul o tempo todo. Pavel, sentado ao lado de Hayul, segurava sua mão.
Ao contrário da mãe de Hayul, que fora obrigada a fugir enquanto carregava no ventre o filho de um Alfa Real, aquela era uma gravidez abençoada por todos. Uma notícia milagrosa que deixava todos felizes. Mas, milagre ou não, Hayul estava tão enjoado que não conseguia pensar em nada.
Era o começo do inferno dos enjoos matinais, que continuariam durante os primeiros sete meses da gravidez.
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Continua…