Capítulo 66
O hospital virou um caos.
Hayul rangeu os dentes enquanto dirigia até o hospital com Pavel, mas acabou sendo barrado logo na entrada. Funcionários da recepção, pacientes e profissionais de saúde cobriram a boca e fugiram assim que os viram.
Parecia que um ataque de gás tóxico havia ocorrido de repente. Não dava para culpá-los; era efeito dos feromônios. O próprio Hayul, carregando Pavel nas costas, já estava no limite. Mesmo inconsciente, Pavel continuava liberando uma quantidade absurda de feromônios.
A equipe médica veio correndo logo em seguida. Provavelmente eram Alfas, relativamente imunes aos feromônios de Pavel. Sem nem se darem ao trabalho de examinar o estado de Pavel, começaram a repreendê-lo.
— Como você pode trazer um Alfa Real em rut para um hospital?
Pouco depois, o médico responsável por Pavel apareceu correndo.
— Senhor Kirov!
Ao se aproximar de Pavel, arregalou os olhos.
— Meu Deus… O rut dele começou estando nesse estado? Mesmo inconsciente ele está liberando toda essa quantidade de feromônio. Como seria se ele tivesse lúcido? Eu sou um Alfa dominante e já estou com dificuldade para respirar.
Hayul também sentia que estava morrendo por causa dos feromônios de Pavel, mas o médico continuava falando de outra coisa.
— Tratem-no primeiro. Desse jeito vocês vão acabar matando o paciente. E eu também.
Hayul implorou com uma voz quase sem vida. O médico se assustou e perguntou:
— Você é um Ômega?
— Sim. E eu também estou no cio.
— O quê? Então por que não estou sentindo seus feromônios?
— Porque apliquei supressores. Três doses.
— Você está bem?
— Eu pareço bem?
Estava tão exausto que não conseguia nem forçar um sorriso. Ele estava prestes a desmaiar, mas se mantinha de pé com uma força sobre-humana. O médico responsável gritou para a equipe reunida:
— Levem esses pacientes para a ala de isolamento agora!
Depois disso, tudo aconteceu rapidamente. Os profissionais colocaram Pavel na maca e o levaram às pressas para a enfermaria de isolamento. Só depois de vê-lo sendo levado em segurança, Hayul finalmente desabou. Caído no chão do hospital, ouvindo os médicos gritarem ordens em meio à correria, Hayul perdeu a consciência.
— Hyung. Jin Hayul.
Uma voz chamou seu nome. Era a voz de Pavel.
Quando abriu os olhos lentamente, Hayul viu Pavel sentado ao lado de sua cabeceira. Com seu belo rosto sorridente, Pavel acariciou o rosto de Hayul.
O rosto de Pavel, que antes estava pálido como um cadáver, agora brilhava com um tom perolado. Seus dois olhos, tingidos de violeta, pareciam ametistas.
— Você está bem?
Pavel respondeu com um sorriso. Então abaixou a cabeça e encostou os lábios na testa de Hayul.
— Hyung. Vamos ter um filho.
Ao ouvir o sussurro dele, Hayul caiu na risada. A primeira coisa que ouvia ao abrir os olhos era Pavel falando em terem um filho.
— Pelo jeito, você está bem, já que está dizendo essas bobagens.
Pavel riu baixinho. Os lábios encostados à testa de Hayul vibraram suavemente. Depois deslizaram para baixo e cobriram os lábios de Hayul. O beijo era quente e macio. Com a agradável sensação, Hayul soltou um longo suspiro e estendeu a mão para abraçar o pescoço de Pavel.
— Eu te amo, hyung.
Uma confissão que nunca cansava, não importa quantas vezes ouvisse. Uma voz que fazia seu coração disparar sempre que era ouvida. Mas Hayul percebeu.
Isto é um sonho.
O aroma cítrico de Pavel não estava presente. Além disso, não era possível que o homem que estava à beira da morte aparecesse tão saudável daquela forma.
— Hyung. Você também me ama? Diga que me ama.
Como Hayul não respondeu, Pavel mordeu de leve seus lábios. Mesmo sendo um sonho, a dor era perfeitamente real. Pavel cobriu os lábios de Hayul com os seus e os mordiscou suavemente.
— Diga que me ama, hyung.
Enquanto lambia e acariciava com os lábios o lugar que havia mordido, Pavel insistia por uma resposta. Mesmo sendo apenas uma pessoa dentro de um sonho.
O beijo, antes suave como uma pluma, tornou-se áspero. Diante daquele beijo arrebatador, como os de sempre, Hayul respirou ofegante. Com uma mão, envolveu o pescoço de Pavel; com a outra, puxou sua nuca para mais perto e correspondeu ao beijo.
Sim. Eu te amo. Eu te amo, Pavel Kirov.
As palavras que não conseguiram se transformar em voz permaneceram dentro de sua boca e desapareceram.
— Jin e Pavel estão bem.
Uma voz desconhecida surgiu de repente, fazendo Hayul despertar de imediato. A voz continuou:
— Bem, Pavel não está exatamente bem. Parece que Jin desmaiou devido ao choque causado pelas injeções de supressores. O que foi? Senhor Oleg, o senhor está mais preocupado com Jin do que com seu neto?
Hayul abriu os olhos e examinou o ambiente por um instante. Parecia ser um quarto de hospital, e ela viu Viktor parado ao lado da cama. Ele parecia estar ao telefone com Oleg Kirov, que estava na Rússia.
— Pavel entrou em rut e parece que Jin também entrou em seu período de cio. Por causa disso, Pavel foi para a sala de cirurgia e voltou. As máquinas da sala de cirurgia pararam de funcionar por causa dos feromônios dele. Acho que vai ser difícil os dois voltarem para casa até o rut e o cio deles terminarem. Pavel já é um problema, mas também não sabemos o que pode acontecer com Jin.
Victor, que estava no meio da conversa com Oleg, encontrou o olhar de Hayul.
— Ah, Jin acordou. O quê? Sim. Entendido.
Victor levou o celular até o ouvido de Hayul. Pelo visto, Oleg havia pedido para falar com ele. A voz poderosa de Oleg Kirov explodiu pelo telefone.
— Meu filho! Você está bem?
A voz era tão alta que o ouvido de Hayul chegou a ficar dormente.
— Sim. Eu estou bem. Mas o Pavel…
Hayul interrompeu a frase e seu rosto se contorceu de repente.
Era uma dor no peito completamente desconhecida, algo que nunca havia sentido na vida. Uma dor como se seu coração estivesse sendo espremido, acompanhada pela sensação de que sua garganta havia sido completamente fechada. Hayul agarrou a região do peito e começou a tremer violentamente.
— Querido! Jin? Jin!
— Jin. O que aconteceu de repente?
A voz de Oleg continuava saindo do telefone, enquanto Victor também chamava Hayul, sem saber o que fazer. Mas Hayul não conseguia responder.
‘Hyung. Hayul hyung.’
Um zumbido ressoou dentro de seus ouvidos. Era a voz de Pavel chamando por ele. No instante em que o zumbido surgiu, a dor no peito desapareceu e sua respiração voltou ao normal. Seu coração começou a bater com força.
Tum. Tum.
A cada batimento, um calor intenso envolvia todo o corpo de Hayul. Como se tivesse acabado de mergulhar em meio às chamas.
— Tem alguém aí? O paciente começou a ter convulsões de repente!
Victor correu às pressas para fora do quarto para chamar a equipe médica. Do celular de Victor, que havia ficado jogado sobre a cama, a voz aflita de Oleg Kirov continuava saindo.
‘Hayul hyung. Venha aqui.’
O zumbido em seus ouvidos voltou a ressoar. Seu corpo se moveu por conta própria, contra a sua vontade. Hayul se levantou, arrancou a agulha do soro que estava presa nas costas de sua mão e a jogou fora. Em seguida, desceu da cama e saiu andando descalço, sem sequer calçar os chinelos.
Victor, que estava do lado de fora do quarto, ficou surpreso e bloqueou seu caminho.
— Jin. Você está bem? Pode se movimentar assim de repente?
— Pavel está me chamando.
— O quê?
— Pavel está me chamando. Eu preciso ir até ele.
— Espere, só um instante. Jin!
Hayul empurrou Victor para o lado e seguiu caminhando a passos largos. O médico responsável por Pavel chegou correndo depois de receber o chamado, mas não ousou se aproximar de Hayul. Ele era um Alfa. Pelo jeito, a maioria das pessoas que prendia a respiração e recuava enquanto Hayul passava também deveria ser Alfa.
Hayul estava em pleno ciclo de calor. O efeito das injeções de supressor que ele tomou de uma só vez já devia ter passado. Ele sabia muito bem que tipo de efeito seus feromônios durante o cio exerciam sobre os Alfas. Também sabia perfeitamente o que os Ômegas no cio podiam sofrer nas mãos dos Alfas.
Mas Hayul era um Ômega que já tinha um cônjuge designado a ele. E não era qualquer cônjuge: ele carregava o nome da família Kirov.
Além disso, estavam dentro de um hospital, não em território inimigo. Embora fosse um hospital estrangeiro, o local estava cercado pelos membros de elite da segurança da família Kirov. Ali dentro, ninguém ousaria tocar em Hayul.
Como esperado, ninguém bloqueou seu caminho. As pessoas simplesmente se afastaram e abriram passagem.
Hayul avançou pelo corredor do hospital, movendo com dificuldade as pernas que mal tinham forças. Ele precisava chegar até Pavel. Aquele desgraçado estava chamando por ele. Hayul nem precisava perguntar onde Pavel estava. Sabia exatamente para onde ir. O aroma dos feromônios de Pavel o guiavam.
Victor e os seguranças seguiram Hayul, que caminhava como se estivesse hipnotizado por alguma coisa. Toda a equipe responsável pela segurança de Hayul era composta por Betas. Pavel jamais colocaria Alfas como guarda-costas de Hayul. Eles também não tentaram impedi-lo. Sabiam que seria inútil tentar fazê-lo parar.
Um Alfa Real em rut havia chamado seu parceiro, que também estava no cio. Essa atração não era algo que pudesse ser controlado pela força de vontade, assim como o polo norte de um ímã inevitavelmente atraía o polo sul.
Quanto mais avançava, mais o aroma cítrico de Pavel se intensificava. Seu corpo esquentava cada vez mais, e o suor escorria como água. Até respirar era difícil, e seu corpo estava tão sensível que caminhar se tornara doloroso. Sentiu algo escorrer por suas coxas.
Como usava apenas um avental hospitalar, o líquido que pingava em suas pernas deixou manchas no chão do corredor.
Finalmente, Hayul chegou diante do quarto onde o aroma dos feromônios de seu parceiro estava concentrado. Não havia ninguém por perto. Talvez não ficassem profissionais de saúde permanentemente na ala de isolamento, ou talvez Pavel tivesse sido isolado sozinho por causa dos feromônios. Os feromônios estavam claramente fora de controle, pois escapavam do quarto e chegavam até o corredor.
Com as mãos trêmulas, Hayul abriu a porta. Por ser uma ala de isolamento, deveria ser necessário um cartão para entrar, mas, estranhamente, a porta se abriu com facilidade. Assim que Hayul entrou, a porta se fechou automaticamente.
No instante em que entrou, uma onda de feromônios, semelhante a chamas, envolveu Hayul. O cheiro que havia sentido do lado de fora não era nada comparado àquilo. A dor no peito, como se seu coração estivesse sendo espremido, voltou.
Hayul segurou o peito e respirou profundamente por alguns instantes. A diferença daquela vez era que, junto com a dor no coração, uma onda de calor também se espalhou repentinamente por seu ventre.
Não era um calor que pudesse ser controlado pela razão. Suas pernas tremiam, sua bunda se contraía violentamente e um líquido lubrificante jorrava em abundância. O fluido que escorria por suas coxas formava uma poça no chão entre suas pernas. Seu pênis ereto se destacava nitidamente através do avental hospitalar.
Seu corpo estava tão sensível que até o tecido áspero do avental contra a pele se tornava um estímulo. Cada vez que respirava, o tecido roçava seus mamilos, causando irritação.
Ofegante, Hayul caminhou com dificuldade até a cama. Pavel estava deitado imóvel sobre o leito, com o rosto pálido.
Não havia nenhum dos equipamentos normalmente encontrados em uma ala de isolamento ou em uma UTI. Afinal, os feromônios que Pavel liberava inconscientemente provavelmente fariam os aparelhos apresentarem falhas. Não havia sequer uma agulha de soro presa às mãos dele. Apenas um curativo envolvia seu ombro.
Talvez por isso, Pavel, de olhos fechados e deitado tão imóvel, lembrasse um cadáver dentro de um caixão. Mas ele estava vivo. Seu peito subia e descia em um ritmo regular. Pavel definitivamente não era do tipo que morreria primeiro, deixando Hayul para trás.
Hayul jogou o cobertor que cobria o corpo de Pavel para o lado e subiu na cama. Abriu as pernas entre o torso de Pavel, ajoelhou-se no colchão para se acomodar e tirou o avental hospitalar. O pênis de Hayul saltou para fora, apontando para o céu.
Uma pontada de ansiedade passou por sua mente — alguém poderia entrar e vê-lo naquela situação — mas logo se dissipou. A vergonha, o pudor, tudo foi embora. Dominado pelo desejo de se conectar o mais rápido possível, Hayul puxou a calça do pijama de Pavel para baixo. Assim como ele, Pavel não usava cueca, então seu membro ereto saltou para fora.
Seu pênis ereto era como o de uma fera, mas o rosto adormecido de Pavel era como o de um anjo. Era até sagrado.
Hayul engoliu em seco ao sentir o forte aroma masculino que emanava da parte inferior do corpo de Pavel. Sua bunda, encharcada, pulsava de antecipação. O fluído escorria entre as pernas abertas de Hayul, molhando o abdômen de Pavel.
‘Parece que estou estuprando esse desgraçado.’
Pensando nisso, Hayul agarrou o pênis de Pavel com uma das mãos e baixou os quadris lentamente. A ponta afiada abriu a entrada enxarcada e começou a penetrar devagar.
— Haa…
Um gemido ofegante escapou dos lábios de Hayul com a sensação de plenitude que preenchia seu interior. Mesmo tendo sido penetrado há pouco, o tamanho ainda era imenso. Diferente da pressão de baixo para cima, a mucosa se contraía, sugando o membro de Pavel.
Mas aquilo ainda não era suficiente. Apenas a ponta havia entrado. Para uma estimulação mais intensa, Hayul abaixou mais o quadril. A haste grossa rasgava a mucosa que se contorcia — a sensação era vívida demais. Um prazer elétrico, diferente das estocadas violentas e rápidas, percorreu todo o seu corpo. Era uma satisfação que o fazia tremer por inteiro.
‘Realmente, não pode ser ninguém além dele.’
Hayul soltou um longo suspiro quente enquanto pensava nisso.
‘Acho que não conseguiria viver nem um dia sem Pavel.’
Seu corpo estava completamente domado por ele. Se Pavel desaparecesse, era certo que ele nunca mais conseguiria fazer sexo com ninguém pelo resto da vida.
Ele achou que seria impossível inseri-lo completamente até a base, mas, enquanto baixava os quadris lentamente, o pênis de Pavel o penetrou completamente antes que ele percebesse. A sensação de plenitude até o fundo do ventre o deixava sem fôlego. Hayul tremia, apoiando as mãos no abdômen de Pavel, tentando se segurar.
Imóvel, como se estivesse empalado num espeto, ele apenas ofegava com o membro enterrado em seu interior. Mas não sentia vontade de levantar o quadril para tirá-lo. A mucosa, completamente excitada, se contorcia de prazer, envolvendo firmemente a haste do membro.
A sensação era boa. Droga. Era incrivelmente boa, de verdade.
Uma onda de prazer tomou conta de sua mente.
— Pavel.
Hayul chamou o nome do parceiro com a voz trêmula. Em circunstâncias normais, Pavel teria respondido com um sorriso, mas ele ainda mantinha os olhos fechados.
— Pavel Kirov.
Ele chamou novamente. Ao inspirar e expirar, seu ventre se contraiu e a abertura se apertou. Com a onda de prazer, suas nádegas e lombar tremeram, e ele abriu a boca novamente.
Com a voz misturada a gemidos, ele cuspiu as palavras que Pavel tanto ansiava ouvir. Montado sobre Pavel, ferido e adormecido. Ele não tinha escolha. Eram palavras que jamais conseguiria pronunciar em sã coinciência.
— Eu te amo, Pavel Kirov.
Embriagado de prazer, mais uma vez, Hayul murmurou a confissão com uma voz desprovida de emoção. Talvez aquela declaração, arrancada com tanto esforço, tivesse provocado um milagre.
As pálpebras de Pavel estremeceram e ele abriu os olhos lentamente. Suas pálpebras finas se ergueram, revelando pupilas como ametistas brilhando com um tom púrpura. Ainda com o olhar enevoado de alguém que acabara de despertar, Pavel encarou Hayul.
— Isso é um sonho?
Murmurou como se falasse consigo mesmo e então abriu um sorriso sonolento.
— Sonhar que estou sendo estuprado pelo meu hyung… Que sonho maravilhoso.
Pavel falou em voz baixa e ergueu a mão para acariciar o quadril e as coxas de Hayul. Hayul estremeceu diante do toque sobre sua pele já extremamente sensível. Como estavam unidos, Pavel certamente sentiu o tremor de Hayul. Sua expressão se contraiu levemente.
Pavel murmurou baixinho enquanto levantava a mão e acariciava as nádegas e coxas de Hayul, que estava montado nele. Hayul estremeceu com o toque em sua pele extremamente sensível. Como estavam unidos, o tremor de Hayul certamente foi sentido por Pavel também. Seu rosto se contraiu levemente.
— Então não é um sonho.
— Não.
“Você ficou tão excitado a ponto de atacar um paciente de hospital? ”
— Você está… no cio agora.
É, eu estou no meu ciclo de calor. O que significava que nós dois estamos em pleno ciclo de acasalamento. Mas não conseguia dizer isso. Em vez disso, lançou a Pavel um olhar fulminante, como se tudo aquilo fosse culpa do rut dele.
— Ah, é mesmo.
Pavel murmurou como se estivesse falando de outra pessoa, enquanto passava as mãos lentamente pelas coxas de Hayul. Será que ele havia tomado alguma injeção para suprimir os feromônios de alfa? Mesmo estando em rut, Pavel continuava calmo demais. Era humilhante estar daquele jeito sozinho enquanto o outro permanecia tão tranquilo. O rosto de Hayul ficou vermelho de vergonha.
Como se não tivesse sido ele quem, desesperado, tirara as roupas e subira em cima de Pavel.
— Você ficou excitado, veio até mim e está fazendo isso comigo por causa do cio? Que fofo, de verdade.
Droga. Para de me provocar. E tudo isso é culpa de quem? Tremendo de vergonha, Hayul ergueu as nádegas. O membro que estava dentro começou a sair. Quando estava quase metade fora, Pavel de repente apertou com força suas nádegas que vinha acariciando, puxando-o para baixo, e ergueu os quadris com violência. O membro, que estava meio fora, penetrou novamente até a base.
— Ah!
Um gemido escapou da boca de Hayul, e suas costas se arquearam violentamente.
— Ah, você é realmente fofo. Estou ficando maluco. Por que você é tão fofo e tão sexy, hyung?
O aperto nas nádegas de Hayul era imenso, assim como a força com que Pavel impulsionava os quadris repetidamente, batendo-os contra ele com um baque seco. A força era tão intensa que fazia alguém se perguntar se ele era um paciente. Hayul não teve tempo de fechar a boca. Um gemido profundo irrompeu como um grito. Ele nem pensou em tentar abafar o som. Ele gemeu como uma fera, tremendo enquanto era penetrado.
Por estar montado sobre Pavel, Hayul não tinha onde se apoiar com as mãos, então seu corpo tombou para trás. Pavel envolveu sua cintura com os braços e ergueu a parte superior do próprio corpo. Agora os dois estavam abraçados, frente a frente, conectados como um só.
Pavel puxou Hayul mais perto de si, fazendo a penetração se aprofundar ainda mais. Tremendo, Hayul passou os braços ao redor do pescoço de Pavel para não cair para trás e enterrou o rosto em seu ombro. Do ombro dele vinha o cheiro de antisséptico misturado ao odor de sangue.
Hayul ficou preocupado, pensando que o ferimento de Pavel poderia voltar a se abrir nesse ritmo, mas, naquele momento, estava mais preocupado com a própria condição física. Tinha a sensação de que morreria de ataque cardíaco se não aliviasse aquela luxúria que fervia dentro dele.
Pavel acariciou a bochecha de Hayul com uma das mãos e chupou o lóbulo de sua orelha. Depois deslizou a língua pelo pescoço, aproximou o nariz e inspirou seu aroma.
— Acho que vou enlouquecer. Seu cheiro hyung.
Como aquela era a região do pescoço onde permanecia a marca, até mesmo o simples toque de sua respiração provocava uma sensação elétrica.
— É um cheiro que deixa qualquer pessoa louca. Como pode ser tão doce e perfumado?
Murmurando em voz baixa, Pavel encostou os lábios na nuca de Hayul e a lambeu antes de mostrar os dentes e mordê-la com força.
— Ugh.
Com a dor eletrizante, Hayul se contraiu bruscamente. Parecendo satisfeito com a contração, Pavel riu enquanto lambia seu pescoço.
— Você se contrai quando gosta e também quando dói. Que safado, hyung.
— Cala a boca…
Pavel riu baixinho enquanto lambia a área mordida do pescoço com a língua. Depois de lamber, morder e chupar por um longo tempo, deixando a nuca coberta de saliva, ele afastou os lábios e sussurrou no ouvido de Hayul.
— Acho que ouvi você dizer que me ama.
Hayul desviou o olhar, mantendo o rosto enterrado no ombro de Pavel. Ele viu os olhos violeta de Pavel olhando para ele. Olhos úmidos que brilhavam como pedras preciosas. Como seu rosto ainda estava muito pálido, ele chegava a parecer uma criatura sobrenatural.
— Você disse que me ama, não disse?
Os feromônios de Pavel, agora ainda mais intensos, o envolveram. A expressão de Hayul se contorceu, sua boca se abriu involuntariamente, soltando suspiros. Mesmo com Pavel dentro de si, Hayul ainda sentia o líquido quente escorrendo.
— Diga mais uma vez que me ama.
A voz suplicante era doce. O belo rosto o encarava fixamente. O corpo que envolvia Hayul era duro como uma pedra. Um alfa real que possuía tudo no mundo, estava abraçando um ômega mutante como ele e implorando desesperadamente por amor.
Antes de Pavel abrir os olhos, Hayul conseguira dizer “eu te amo” com tanta facilidade. Então por que era tão difícil repetir a confissão agora? As palavras simplesmente não saíam.
— Por favor.
Pavel continuou implorando, a voz carregada de desespero. Hayul franziu a testa e, com enorme dificuldade, separou os lábios.
— Pavel.
— Hum.
— Pavel Kiroov.
— Hum.
— Eu te amo.
Hayul conseguiu finalmente deixar escapar aquelas três palavras com uma voz quase inaudível. Seu rosto ardia. O olhar de Pavel vacilou levemente. As pupilas violetas ondularam como ondas. Como tinta espalhando-se na água, um sorriso se espalhou pelo rosto de Pavel.
— Pode dizer mais uma vez?
— Eu amo… Droga. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo, Pavel Kieerov.
Ele elevou a voz, gritando porque a situação era ridícula: ele estava agindo todo envergonhado com o pau do desgraçado enfiado em sua bunda, depois de já terem feito de tudo. Tudo é difícil na primeira vez, mas fica bem mais fácil depois da segunda.
— Hahaha.
Pavel riu alto e abraçou Hayul com força, esfregando o rosto contra seu pescoço.
— Estou tão feliz. Loucamente feliz. Acho que poderia morrer agora sem arrependimentos.
Ele agia como um cachorro grande, se jogando todo para demonstrar carinho, mas sua parte de baixo não tinha nada de fofa. Sem aviso, Pavel começou a se mover de repente.
Ele começou a mover os quadris como um louco, como se tivesse se excitado repentinamente. O pênis inserido por trás bateu com força contra o interior de Hayul novamente. Ele o penetrou com fúria, rasgando suas entranhas e golpeando sem parar. Hayul só conseguia balançar para frente e para trás, agarrado ao pescoço de Pavel.
Mesmo ferido, era impressionante como ele conseguia se mover com tanta energia.
— Ah, haa, aaah… p-porra… é tão bom… tão bom… acho que vou enlouquecer. Acho que vou perder a cabeça. Aaah…
Pavel mordeu os lábios de Hayul enquanto ele gemia. Hayul também sugava os lábios de Pavel com avidez enquanto ele os mordiscava. Respirando com dificuldade apenas pelo nariz, Hayul deixou que as lágrimas escorrerem sem parar.
— Eu te amo. Eu te amo, Jin Hayul.
— Eu te amo… te amo. Porra, eu te amo.
Diante das repetidas declarações de Pavel, Hayul também respondeu sem pensar. Enquanto mordiscava alternadamente o lábio superior e o inferior de Pavel, que dizia “eu te amo”, murmurou com a voz embargada:
— Eu te amo. Eu também te amo.
Agora as palavras “eu te amo” saíam com facilidade.
Por que tinha sido tão difícil dizer aquilo? O que havia de tão vergonhoso e constrangedor para que ele tivesse insistido tanto em não dizer sequer uma vez que amava Pavel? Fora tão idiota. Poderia ter feito isso desde o começo.
Mas o arrependimento não durou muito. Embriagado pelos feromônios de seu parceiro, Hayul sentiu até a própria mente derreter. Todos os pensamentos desapareceram.
Aquele era o momento de se entregar aos próprios instintos. Era um momento em que era permitido fazer isso. Hayul abriu todo o seu corpo e alma, e aceitou Pavel. Unido como um só ao marido com quem estaria até seus últimos instantes da sua vida. Entre gemidos, lágrimas e soluços, finalmente deixou escapar, sem reservas, todas as palavras de amor que havia guardado por tanto tempo.
°
°
Continua…