Capítulo 02.2
🩸 Blood Poker 02, Parte 02
O treinamento prático, realizado em um local que reproduzia fielmente o interior do Onicubo, consumiu mais tempo e energia do que o normal. Ao terminar o banho, já passava das dez da noite. Jaeil, vestindo roupas de treino leves, estava secando o cabelo com uma toalha enquanto organizava seus pertences.
Ele não estava de bom humor. Embora não tivesse muitos dias bons, hoje ele estava particularmente desanimado.
O motivo principal era Ji Seunghyun. O homem que, pela manhã, insistira para que dormissem juntos hoje, recuara em meio dia dizendo que não estava bem, e era impossível não se preocupar. Ele saíra com uma expressão tão instável que parecia prestes a explodir, transmitindo apenas o desejo de fugir dali. Jaeil acabara deixando-o ir como ele queria. O arrependimento de não tê-lo segurado veio logo, mas, por azar, ele tivera compromissos de treino a noite toda.
Sendo mais lento que os outros recrutas, Jaeil era o único no vestiário. Enquanto mexia no celular e revisava a lista de chamadas de Seunghyun, seu dedo hesitou sobre o botão de discagem.
Nesse momento, dois homens entraram fazendo barulho. Pareciam ser os primeiros a chegar da Equipe 3, que acabara de encerrar o treino. Separados de Jaeil pelos armários, os homens conversavam em voz alta. Eles não perceberam a presença silenciosa de Jaeil.
— Ah, eu não te contei isso. Sabe aquele guia Classe A que veio do Distrito 13? Ele veio fazer um guiding hoje.
A luz voltou às pupilas de Jaeil, que estava sentado imóvel olhando para o celular.
— Oh, recebendo um guiding de luxo de um Classe A.
Tanto o que falava com empolgação sobre o guiding Classe A quanto o que concordava eram de escalão baixo. Um era Joo Seungse e o outro era um Esper do mesmo nível.
— Foi só um parceiro de treino. Enfim, achei que era uma boa chance e perguntei tudo o que eu queria saber.
— O quê?
— Como ele fez o guiding do Sargento Ha Jaeil.
Houve um breve silêncio. Logo, a risada dos dois homens ecoou pelo vestiário.
— Você é louco, cara.
— Não, mas sério, o Esper mais difícil de lidar no Centro recebeu o guiding dele em menos de um mês. Honestamente, isso não é material de pesquisa? Todo mundo no Centro sabe que o Sargento Ha não gosta de contato físico nem de *sub-guiding*, então como ele controlou um surto com o método tradicional? Você acha que isso faz sentido? Eu queria ouvir, mesmo que não fosse em detalhes. Só por cu-rio-si-da-de. Sabe? No final, eu ia até elogiar ele.
O Esper que ouvia as palavras de Seungse soltou uma risada leve.
— E então, aquele gu…
O olhar do Esper, que ia perguntar mais alguma coisa, fixou-se em um ponto e ele parou de falar abruptamente. No momento em que percebeu quem era o homem à sua frente, ele ficou boquiaberto, com o rosto tomado pelo pavor. Aproveitando aquele instante, Jaeil soltou uma frase seca:
— O que você disse?
— O que eu disse… mas quem é que fala de forma tão poli… — Seungse, que espiou por trás do armário, também perdeu a cor do rosto.
— Sar… Sargento.
Tão assustado que esqueceu de saudar, Seungse recuou meio passo, pressionado pela aura intimidadora de Jaeil. O colega de Seungse, ao lado de Jaeil, já estava em posição de sentido, com a coluna ereta.
Jaeil encostou a cabeça levemente no armário. Seu rosto, coberto pela toalha, estava parcialmente na sombra.
— Então. — Embora seu rosto estivesse indiferente, beirando a aridez, a energia que ele emanava era fria o suficiente para congelar aquele ambiente. — O que você disse?
— …
— Não estou perguntando?
↫────☫────↬
Deitado na cama, Seunghyun observava com olhos curiosos o celular que vibrava com o nome do homem. Ele achava que deixara claro que hoje não daria, então por que ele ligaria àquela hora?
Até teve o impulso de fingir que estava dormindo até a vibração parar pela terceira vez. Seunghyun acabou se sentando. Pelo temperamento do homem, ele deveria ter desistido após tantas tentativas, mas a vibração continuava mesmo após várias chamadas perdidas. Estava estranhamente persistente. O pensamento de que algo poderia ter acontecido passou por sua cabeça. Seunghyun apertou rapidamente o botão de atender.
— Alô. É Ji Seunghyun.
[ … ]
*Será que ele ligou errado?* Após tanto tocar, o outro lado da linha estava em silêncio. Seunghyun apurou o ouvido.
— Alô?
[ Desça. ]
— … — Sem entender de imediato as palavras do homem, Seunghyun perguntou: — Para onde?
[ Estou embaixo do dormitório. ]
— Ah… Esper, eu disse antes que…
[ Saia. ]
Diante daquela ação repentina de falar apenas o que queria e desligar unilateralmente, Seunghyun ficou apenas piscando os olhos. Por que ele estava agindo assim? Ele tentou adivinhar o motivo enquanto segurava o cabelo bagunçado e mal seco. Não encontrou a resposta. Após ficar estático com uma expressão abobalhada, ele finalmente vestiu um casaco.
Ao sair, o homem estava parado no lugar de sempre. A diferença era que, desta vez, ele não estava de costas, mas olhava fixamente para Seunghyun saindo do prédio.
Com as mãos nos bolsos e apoiado em uma perna, a expressão do homem parecia estranhamente distorcida. O vento noturno estava gelado. Seunghyun, fechando o casaco sem botões, aproximou-se dele. O olhar descontente de Jaeil percorreu o rosto de Seunghyun.
— Aconteceu… alguma coisa?
Ele abriu a boca com cautela, mas o cenho de Jaeil não relaxou. Ele olhou para o nada, frustrado, antes de voltar a encarar Seunghyun. Seu olhar estava ainda mais sombrio.
— De agora em diante.
— …?
— Não minta para mim.
Como alguém que de fato mentira, Seunghyun sentiu um baque forte no peito e apenas engoliu em seco. Ele nem conseguiu desviar o olhar, sentindo-se desmascarado.
— Vamos.
— …Bem…
Seunghyun, que ainda precisava de tempo, demonstrou ansiedade ao segurar a lateral da calça. Ele fritou o cérebro em busca de outra desculpa. Nesse momento, a mão do homem se estendeu subitamente. Ele tocou levemente o abdômen de Seunghyun e disse algo inacreditável:
— Eu preciso receber.
Dito isso, o homem passou à frente com passos largos. Atrás dele, Seunghyun esfregou a bochecha ardente com as costas da mão. O local onde a mão dele tocara formigava.
Trazendo Seunghyun quase à força para sua casa, Jaeil serviu-lhe um chá quente antes de se sentar no sofá oposto. Diante da ameaça silenciosa para que bebesse tudo, Seunghyun pegou a xícara relutante.
— …
— …
O calor transmitido pela xícara era acolhedor. Após dar um gole e pousar a xícara, Seunghyun olhou de relance para o homem. O homem apenas o observava em silêncio. Seunghyun tomou mais um gole de chá. O aroma que subia pelas narinas pareceu-lhe subitamente agradável. Quando Seunghyun baixou o olhar calmamente, o homem finalmente falou:
— Guia.
— …
Tenso com o que estava por vir, Seunghyun bebeu o chá fazendo um barulho de sorver. Uma sobrancelha de Jaeil arqueou.
— Você precisa desenvolver mais a habilidade de distinguir o que é importante do que não é.
Seus dedos, que envolviam a caneca, moveram-se inquietos. *Mas não há nada que eu faça melhor que isso.* Parecia que o homem não o conhecia bem.
— Mas eu sou bom nisso.
Ao responder de forma um pouco ranzinza, o homem inclinou levemente a cabeça.
— Bom em quê…
— Por que você está bravo?
Quando Seunghyun o interrompeu com a pergunta, foi Jaeil quem se perturbou e desviou o olhar.
— Não estou com essa droga de raiva.
Agir daquela forma, falando como se desse um esporro e ao mesmo tempo dizendo que não estava bravo, era contraditório. Seunghyun murmurou, estufando as bochechas. Ele não conseguiu fazer contato visual porque ficou com um pouco de medo.
— Você me disse para não mentir… então por que o Esper está mentindo?
— …
Um olhar afiado foi disparado. Parecia que ele ia explodir a qualquer momento dizendo para não falar bobagens. Seunghyun rapidamente moveu os dedos no ar, como se contornasse o rosto do homem.
— Veja só. Está claramente bravo, mas diz que não está.
Parecendo incapaz de negar o que era óbvio para os olhos de um guia, Jaeil cerrou os dentes silenciosamente. Seunghyun decidiu aproveitar o momento para liberar o que estava em seu coração. Vendo o homem tão irritado, era muito provável que ele tivesse ouvido ou visto algo. Mesmo que não tivesse a ver com o fato que ele não ousava mencionar, agora que fora trazido até ali, ele precisava organizar as coisas.
O peito de Seunghyun estava cheio de sentimentos em relação ao homem. Ele respirou fundo.
— Eu fui muito teimoso ultimamente.
— …
— Eu também sei ser cuidadoso. Sabe. Se me disser para não fazer, eu posso não fazer ou aguentar. Eu realmente não tive a intenção de forçar algo que você odeia. Apenas…
Ele queria que o outro não sentisse dor. Mas se fora um erro cometido apenas por pensar nisso, ele precisava se desculpar. Mesmo que fosse tarde, ele queria fazer isso.
A mão que segurava a caneca teve um espasmo involuntário. Daniel supunha que o homem tocara seu subconsciente, mas Seunghyun pensava diferente. Era o seu próprio subconsciente que era obcecado. Ele, que ficara psicologicamente abalado por querer curar alguém, agarrara-se à consideração daquele homem gentil e não a soltara.
— Desculpe por ser ganancioso. Eu fui extremamente egoísta até agora. Pensando bem, eu não tenho vergonha na cara…
As palavras de Seunghyun, que murmurava olhando para o chão, perderam a força. Algo parecia estranho. Ao erguer os olhos sem querer, Seunghyun ficou horrorizado com o que viu. Ele ficou tão surpreso que seus ombros subiram junto com a inspiração.
— …!
A energia do homem, que tinha o rosto bonito totalmente contorcido, estava transbordando e fervendo. Era algo assustador que fazia o coração vacilar. Por que a energia dele estava assim, se não era momento para ela estar descontrolada? A energia do homem costumava ser sombria e escura, mas desta vez estava vermelha como brasa. Ardia como se tivesse pegado fogo. Pousando a caneca na mesa, Seunghyun caminhou em direção a ele como se estivesse hipnotizado.
— O que é isso? Por que você está assim?
Assim que Seunghyun entrou em seu raio de alcance, o homem o puxou pelo braço. Ele envolveu o corpo de Seunghyun, que perdera o equilíbrio e se inclinara para frente, com o outro braço de forma firme, fazendo-o sentar em seu colo.
Ele, que não deveria usar força contra civis, puxou Seunghyun de forma arbitrária. Seunghyun foi levado sem conseguir oferecer resistência. A palma da mão grande que bloqueava suas costas, como se o proibisse de sair, parecia uma parede.
— …
— …
Sentado de frente para ele, com as mãos nos ombros de Jaeil, Seunghyun acabou apenas calando a boca.
Não era porque o outro o tratara sem cortesia. Normalmente, ele deveria envolver os ombros do homem ao se apoiar, mas suas mãos estavam fechadas em punhos. Devido à compulsão tola de que não deveria tocá-lo, ele acabava se retraindo. Ele não gostava daquilo, mas não tinha escolha. Seunghyun não conhecia as intenções do homem e não tinha coragem de perguntar.
— …
— …
*Sabe, se você tivesse me dado um tempo para pensar, teria sido bom. Me trazer assim sem aviso e me repreender… eu não sei nem por onde começar.* Um sentimento de mágoa subiu do estômago.
Enquanto hesitava para escolher as palavras, seus olhos ficaram marejados. Com o queixo rígido e apenas movendo as pupilas, Seunghyun finalmente abriu a boca. Ele retirou, dentre todas as coisas acumuladas, a maior e mais dolorosa:
— Você tem pena de mim?
— Ah…
Jaeil soltou um suspiro e encostou a testa perto da clavícula de Seunghyun. Ele o abraçou com força pelas costas e aspirou seu aroma. Seus ombros imponentes relaxaram subitamente.
— Parece que o guia me vê como uma pessoa melhor do que eu realmente sou.
— Mas é a verdade.
— …Idiota.
Seunghyun franziu o cenho ao ouvir o comentário sussurrado. Quando os dedos que envolviam suas costas aplicaram força, seu peito colou no do homem. As mãos que estavam nos ombros deslizaram e tocaram o sofá. A mão grande de Jaeil subiu, segurou a nuca de Seunghyun e o puxou lentamente. A respiração do homem atingiu o seu ouvido.
— Não fale por metáforas, faça a pergunta diretamente.
— …
Limpando as lágrimas com as costas da mão antes que caíssem, Seunghyun finalmente assentiu. Seus lábios tremeram várias vezes antes de deixarem escapar uma voz melancólica:
— Posso te tocar?
— Sim.
— Você não odeia?
— Sim.
As lágrimas voltaram a se acumular. Seunghyun as conteve com a ponta dos dedos antes que caíssem e soluçou com uma voz abafada:
— Posso… te usar?
— Sim. Pode fazer isso.
Quando as palavras sinceras do homem foram transmitidas por sua voz e pelo seu peito, Seunghyun sentiu como se o nó que estivera apertado o dia todo se desizesse. Ele pensou consigo mesmo que já sabia que seria assim, sentindo um imenso alívio.
— Tape os ouvidos e feche os olhos para as outras coisas.
— …
— Quero que ouça apenas a mim.
Era o pedido do homem para que ele distinguisse o que era importante. Seunghyun assentiu com a cabeça, prometendo que faria isso. Ele deixara sua razão ser abalada por palavras sem importância e desperdiçara um dia inteiro. Até tivera uma briga emocional com o homem sem necessidade. O pensamento de que fora lamentável passou por sua mente, mas agora nada mais importava. Ele sempre fora impotente, insuficiente e anormal. Enquanto o homem acariciava suavemente a sua nuca, Seunghyun limpou as pálpebras com a manga e assoou o nariz com ela também.
Controlando o soluço a muito custo, Seunghyun disse, fungando com o nariz vermelho:
— Agora preciso fazer o guiding. Isso está me incomodando demais.
Ao afastar o cabelo do homem como se quisesse limpar a energia, as sobrancelhas marcadas e o olhar lânguido ficaram expostos. O homem, observando as pestanas úmidas de Seunghyun, umedeceu os próprios lábios.
— Então… vamos fazer do meu jeito.
A ponta da língua do homem tocou os lábios de Seunghyun, que estavam feridos de tanto serem mordidos. Assim que aquela área menor que uma unha se tocou, floresceu um calor ardente. Surpreso com a temperatura nítida, Seunghyun baixou os olhos e lambeu o próprio lábio inferior. Olhando alternadamente para o nariz proeminente e para a linha firme do pescoço, ele pensou que era muito estranho como aquele calor também residia na ponta da língua. As mãos eram quentes, a língua era quente e o olhar era quente. Seunghyun sugou o que fora transmitido pelo homem com os dentes superiores e desviou o olhar, sentindo-se em apuros. Suas pálpebras úmidas tremularam levemente.
— Se beijarmos logo de cara, não vamos praticar?
— Faça isso depois.
A força que puxava sua cintura de forma indiferente para frente era sutilmente provocadora. O tom dele, dizendo para deixar aquilo para depois e apenas lhe dar a energia, era igualmente firme.
Fazer o que ele pedia não era difícil, mas o constrangimento e o embaraço eram inevitáveis. Seunghyun estendeu a mão para trás, tateando o medidor do homem. Antes que pudesse verificar o valor, seu pulso foi agarrado com firmeza pela mão do homem.
— Não precisa disso.
— Por que, ugh…
Abaixo da bochecha virada, a língua que o homem deslizou para cima tocou-o de forma longa. O corpo de Seunghyun deu um sobressalto. Era uma sensação extremamente erótica para se sentir durante um guiding. Seunghyun logo ficou com uma expressão aflita e moveu o pulso. Mas o outro parecia decidido a não soltá-lo a menos que ele pedisse para ser liberado.
Como Seunghyun hesitava em agir, a mão que segurava sua nuca moveu-se para frente e percorreu amplamente o rosto de Seunghyun. O toque carinhoso e sólido logo envolveu seu queixo. O polegar do homem, que penetrou suavemente entre seus lábios, pressionou os dentes inferiores, indicando que ele deveria abrir a boca.
A atmosfera era densa demais para ser chamada apenas de guiding. Seunghyun virou o queixo como se cuspisse o polegar que pressionava seus dentes.
— Eu…
Em contraste com o desespero de Seunghyun, os olhos do homem, calmamente baixos, capturavam cada ação passiva dele. Quando o homem inclinou o queixo e o beijou, Seunghyun encolheu o pescoço e murmurou:
— Não sei se o Esper está acostumado com isso, mas para mim é a primeira vez fazendo isso com um homem.
— É a primeira vez com um homem.
Seunghyun encarou o homem com os olhos arregalados. Não entendia por que ele enfatizara aquele ponto. Sentindo uma ponta de injustiça sem saber o motivo, Seunghyun girou o pulso e se soltou. A mão do homem, que apertava com força a ponto de deixar marca, soltou-se inesperadamente de forma dócil e voltou a envolver amplamente as costas de Seunghyun. Seunghyun, que não estava acostumado com nada daquilo, deixou escapar uma voz forçadamente calma:
— Então, vamos começar.
Ele segurou o rosto do homem com as duas mãos e o beijou. Colocou a língua na boca que se abria sem hesitação, como se estivesse à espera. Mas durou pouco. Seunghyun deu um sobressalto nos ombros e recuou o corpo novamente.
Certamente o beijo de alguns dias atrás não fora assim; aquele movimento de esfregar a base da língua de forma viscosa parecia vir de outra pessoa. Até parecia que ele passara algo na saliva, pois o formigamento era realmente estranho. Quando Seunghyun se afastou bruscamente, o homem franziu o cenho.
— O que você está fazendo…
— Mmph.
O homem endireitou o corpo de repente, inclinou levemente o queixo e uniu os lábios de forma ainda mais profunda. A carne que antes era esfregada de forma passiva agora se entrelaçava profundamente. Ele deveria fazer a energia fluir, mas estava perdendo os sentidos. Era um problema sério. Os estímulos que o homem dava eram todos tão peculiares que sua mente ficava atordoada.
Suas mãos desceram hesitantes e apoiaram-se nos ombros do homem. Em contrapartida, a mão do homem subiu e segurou o queixo de Seunghyun. Metade de seu rosto foi facilmente capturada na palma da mão grande.
— Mmm…
Gemidos escapavam involuntariamente e um som de sofrimento borbulhava em sua garganta. A mão que estava em suas costas deslizou habilmente por baixo da camiseta. Já em um estado sensível, o toque desconhecido na pele nua fez sua cintura saltar involuntariamente. Por mais que ele reagisse demonstrando surpresa, o homem não se abalava. Dobrando o antebraço firme, ele envolveu todo o seu dorso. Seunghyun teve a ilusão de estar preso dentro do calor do homem. Todos os pontos de contato ardiam.
Enquanto recebia a língua dele, Seunghyun fechou os olhos com força. Quando a carne macia revolveu seus lábios, língua e o interior da boca sem distinção, seu baixo ventre formigou. Ou melhor, repuxou dolorosamente. O sangue afluiu com impaciência. As pontas dos dedos de Seunghyun, que empurravam o homem, tremiam freneticamente.
— …Es, mmph, Esper. Is-isso não está certo.
Aquilo não era guiding. Ele não tinha cabeça para dar energia. Seunghyun virava a cabeça para um lado e para o outro, tentando um tipo de resistência, mas o homem, parecendo não gostar da interrupção do fluxo, soltou um rosnado baixo.
— …
— …
O olhar do homem, que apoiava o rosto enviesado no ombro de Seunghyun, estava lânguido e cheio de calor. Ele puxou o queixo dele novamente.
— Vamos… nos concentrar.
— …
Era uma voz tão baixa e ameaçadora que parecia rasgar qualquer opção de recusa. Seunghyun, levado docilmente pelo toque do homem, abriu a boca e, embora tremesse, aceitou a língua dele.
A sensação de força em seu baixo ventre não era o processo de mover o receptáculo para dar energia ao homem. Seunghyun conhecia bem aquela sensação. Sendo homem, era impossível não saber. Embora não quisesse admitir, sua parte inferior estava reagindo apenas por ser beijado por aquele homem. Ter uma ereção durante esse ato sagrado de dar energia purificada. E vindo do guia, não do Esper.
Balançando a cabeça negativamente, Seunghyun quase choramingou:
— Esper, eu não consigo me concentrar, mmph, não consigo.
— Por quê?
A voz que penetrava em seu ouvido era absurdamente obscena. Seunghyun segurou apressadamente a orelha que formigava e, ao mastigar os lábios, o sangue brotou. O olhar do homem fixou-se no líquido vermelho que surgia e ele usou os dentes para cobrir os lábios dele. Seguiu-se um beijo mais intenso que o anterior. Seunghyun estava desesperado e pressionou com força a região da virilha, que já estava apertada. Sentia que seria descoberto se continuasse assim.
A língua do homem percorreu o céu da boca e puxou a base da sua língua. Ele chegou a empurrar a língua tão profundamente que a bochecha de Seunghyun estufou. Era como se sua boca estivesse sendo possuída. E no momento em que seu lábio inferior foi mordido, Seunghyun encolheu o corpo.
— Ah…!
Os dedos que invadiram sua roupa de baixo arranharam os pelos pubianos e penetraram sem hesitação. Os olhos de Seunghyun se arregalaram e ele agarrou apressadamente o pulso do homem. Seu membro ereto e rígido foi envolvido pelos dedos do homem. Sua visão ficou turva.
— Uh, uuh. Esper.
— Você disse que era a primeira vez.
Seunghyun assentiu vigorosamente e olhou para o homem com desespero. Seu rosto parecia que ia chorar de verdade.
— Sim, pri… primeira vez. Acho que isso não é guiding.
O homem baixou o olhar como se pensasse por um momento, e logo em seguida disparou um olhar penetrante para Seunghyun. Um forte descontentamento transparecia em seu rosto.
— E se eu disser que é, você vai continuar?
— O quê?
Franzindo profundamente o cenho, ele soltou uma voz baixa:
— Então finja que é.
— …!
Diziam que Espers e guias travavam inúmeras batalhas psicológicas durante o guiding. Se um dos lados vencesse e o resultado fosse decidido, o perdedor teria que atender aos pedidos do vencedor. Parecia que ele fora completamente dominado pela aura do homem. Se não fosse por isso, ele não estaria sendo submetido àquilo sem conseguir mover um dedo.
— Agh!
Quando o que envolvia o corpo do membro começou a subir e descer, sua visão desmoronou. Ele cerrou os dentes com força. Sons estranhos escapavam de sua garganta, como se ela estivesse derretendo com o calor do homem. Ao mesmo tempo em que percebia que o fôlego lhe faltava, seu coração batia como se fosse explodir. Seunghyun estava em pânico, mas não conseguia afastar a mão do homem. A mão que segurava o próprio coração fechou-se em um punho sobre a roupa, como se estivesse irritada. Quando o punho fechado pelo estímulo agudo tocou o ombro do homem, o tecido da roupa subiu, revelando metade do abdômen definido dele.
— Ha, eu… também não consigo. Uuh. Ngh!
Longe de fazer a energia fluir, ele não conseguia nem absorvê-la. Quem fora o idiota que dissera que aquilo era um guiding eficaz? O som da fricção entre os dedos e o membro era nítido. Entre as batidas estrondosas do coração, sensações agudas o atingiam sem parar.
Seunghyun baixou os olhos. Lágrimas surgiram nos cantos de seus olhos, que se focaram involuntariamente na parte de baixo. Nas costas da mão onde veias saltavam, entre os dedos, seu membro estava sendo esmagado. Apenas olhar para aquilo fazia a sensação de ejaculação explodir. Era puro prazer. Gemidos de sofrimento eram mal contidos entre seus lábios cerrados.
*“Seunghyun.”*
— …!
Com o som que penetrou subitamente em seu ouvido, a parte inferior do corpo de Seunghyun ficou rígida. Era a voz característica do homem, baixa e firme, mas, para ser exato, não era um som físico. Fora transmitido pela pele, pelo coração, e o cérebro apenas o reconhecia como som. Era mais próximo de uma energia e estimulava agudamente todas as suas habilidades.
Naquele instante, a energia do homem avançou como uma explosão e, simultaneamente, Seunghyun foi sugado por ele. No entanto, Seunghyun não tinha condições de controlar aquilo. Os dedos que esfregavam abaixo da glande o estavam levando à loucura. A forma como ele tocava, manipulando a linha tênue entre dor e prazer, era uma tortura. O limite chegou de forma avassaladora.
— Uh, uuh…!
Com um estremecimento do corpo, o processo de clímax foi capturado integralmente pela visão turva de Seunghyun. O que saía em ondas era espesso o suficiente para transbordar pelos dedos do homem. Sem tempo para sentir o rescaldo, sua consciência começou a oscilar. Tremendo as coxas em êxtase, Seunghyun piscou os olhos antes de desfalecer sem forças.
— …
— …
Com o rosto caído sobre o ombro de Jaeil, os lábios do homem pousaram suavemente em sua orelha. Pouco depois, um suspiro profundo caiu sobre ele como vapor d’água.
↫────☫────↬
Ao perder os sentidos e entregar-se totalmente a Jaeil, uma das coxas de Seunghyun relaxou lentamente. Não fora apenas pela ejaculação. Seu corpo fora sobrecarregado pelo alto nível de guiding que até então fora impossível. Parecia não ter suportado a energia excessiva e o prazer simultâneo.
Jaeil, encostando os lábios na orelha e na bochecha que ainda emanavam calor, soltou um suspiro tão profundo que seu peito estufou. Esfregando simultaneamente a carne que amolecia e o sêmen, ele enterrou o nariz na nuca de Seunghyun. O espaço entre seus dedos estava úmido e escorregadio. Os diversos odores corporais que Seunghyun emanava misturavam-se, estimulando seu olfato. Não havia nada que não fosse doce e erótico naquilo.
— …
Contudo, não deveria ter pressionado tanto. Não deveria ter imposto sua vontade de forma unilateral. Ao afastar a névoa vermelha que envolvia sua mente e corpo, o arrependimento finalmente surgiu. Jaeil agira de uma forma que seu eu habitual jamais agiria, e aquilo continuava mesmo após Ji Seunghyun ter fugido para o subconsciente. Enquanto o arrependimento, o sentimento de fracasso e a autoculpa bagunçavam sua mente, ele aplicou força para não deixar Seunghyun se afastar.
Onde ele perdera a razão? Ao revisitar as memórias, os pontos de perigo não foram poucos. Teria sido quando Seunghyun mencionara atrevidamente a “primeira vez”? Ou quando sentira o cheiro de sangue e vira aquele rosto em pranto? Ou talvez pela noite a sós adiada devido a um mal-entendido pessoal?
— …
Ele retirou a mão que estava entre as pernas de Seunghyun e o abraçou profundamente pelas costas com as duas mãos. Seus dedos úmidos grudaram na roupa de Seunghyun, mas Jaeil não se importou. Já que estava suja, bastava trocá-la pelas suas próprias roupas depois.
Dizer que os momentos em que perdera a razão não foram poucos era o mesmo que dizer que era difícil encontrar o ponto decisivo. Talvez fosse irrelevante. Para alguém que destruíra as paredes que ele construíra solidamente por anos assim que o conhecera, e para si mesmo, que nunca deixara de ser influenciado por ele, encontrar esse momento não traria a resposta.
O simples fato de Seunghyun ter adiado o compromisso lhe trouxera uma ansiedade desagradável, e o pedido para tocá-lo, a fala de que o usaria, acabaram por explodir seus desejos. Ji Seunghyun abalara completamente aquele que não se deixava levar nem por guias experientes.
— Uh, uuh. Esper.
Fora um desejo reprimido desde o momento em que Seunghyun o abraçara e se entregara a ele de forma imprudente. Como ele nem percebera que estava se contendo, a reação fora intensa. Como Seunghyun ainda era inexperiente e não sabia de nada — sem contar qualquer passado que ele pudesse ter —, ele apenas se tornava obcecado pela energia de forma melancólica; por isso Jaeil recuara meio passo por consideração, mas acabou ignorando seus próprios desejos.
Ele pensava que guias eram algo que realmente não queria mais, mas diante de um corpo que se inflamava com uma facilidade absurda, foi uma sorte ele não tê-lo devorado imediatamente, mandando o autocontrole para o inferno.
Incapaz de se satisfazer apenas com o cheiro de sangue, ele usou o guiding como desculpa. Já era a segunda vez que cometia um ato infame com aquele novato que acabara de aprender o guiding. Quando sentiu o gosto de sangue na ponta da língua, conteve a custo o desejo de morder seus lábios. Cobrindo a inocência dele com sua própria luxúria, Jaeil percebeu claramente o quanto estava no cio por aquele homem.
— Acho que isso não é guiding.
A voz desesperada molhava sua razão novamente. Jaeil mordeu o lábio inferior com força antes de soltar um suspiro.
— Ah…
A mão do homem, que poderia envolver metade da cintura de Seunghyun se estendesse os dedos, desceu. O ato de segurar e puxar a nádega de Seunghyun foi bastante rude. Sem qualquer espaço, as frentes de seus corpos se pressionaram, com os membros em temperaturas diferentes se tocando através do tecido.
Seunghyun, preso nos braços de Jaeil, moveu-se inquieto e murmurou:
— Não quero…
O olhar escuro e profundo disparou contra a bochecha de Seunghyun. Ele sabia que fora uma fala de sono devido ao incômodo, mas não pôde evitar que seu humor azedasse.
O medidor, tocado duas vezes, piscava o número 10,9%. Era um valor que, se Ji Seunghyun visse, o faria sorrir de orelha a orelha e perguntar várias vezes se era verdade.
O futuro parecia sombrio. Ele não sabia como liberar aquele calor que aumentava como uma reação inversa conforme o grau de amplificação caía. Jaeil enterrou a testa na nuca dele e soltou seu terceiro suspiro.
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna