Capítulo 01.4
🩸 Blood Poker 01, Parte 04
Ji Seunghyun disse que queria devolver a energia. Rowan encarou o semblante dele com indiferença; o rapaz parecia ansioso, temendo que Rowan o proibisse.
Normalmente, a energia purificada é devolvida simultaneamente ao guiding, mas isso era um processo que exigia longo treinamento. Acima de tudo, o fato de ele ter criado um recipiente e purificado a energia era algo louvável. Mesmo que o tempo estivesse um pouco desencontrado, não haveria problema. “A propósito, ele é realmente rápido.” Rowan se perguntava de onde surgira aquele sujeito.
Independentemente de quem, onde ou quando guiasse, aquilo dependia da mente e do critério do guia. E ele estava ali, pedindo permissão para isso. Ele era excessivamente humilde para sua habilidade. Provavelmente era porque ele estava sendo pressionado a aumentar suas habilidades antes mesmo de entender a cultura dos guias. Rowan pensou que teria que ensiná-lo gradualmente quando ele terminasse de aprender o guiding, enquanto encarava novamente aquele olhar suplicante.
Sentindo que precisava dar uma permissão, mesmo que não houvesse obrigatoriedade, Rowan soltou:
— Certo. Entregue.
O rosto de Seunghyun iluminou-se como se tivessem acendido uma luz. No entanto, ele logo começou a ficar confuso.
— Mas… como…
Ji Seunghyun parecia alguém que cresceria bem sozinho, mas ao mesmo tempo agia como se tivesse montanhas de coisas para aprender. Rowan não pôde evitar um sorriso leve. Rowan, que achava o papel de mentor um fardo, sentia-se agora grato a Joy por tê-lo envolvido. Eram tipos de emoções que ele não costumava experimentar. Estava sendo uma boa experiência para ele também.
— Apenas empurre de volta pelo mesmo caminho que recebeu.
— …….
Os olhos grandes e sem pálpebra dupla piscaram, pedindo um pouco mais de explicação.
— Existe o canal, não existe? Empurre o que está no seu recipiente por ali. Quando você tentar, vai sentir que é isso.
— Sim.
— Quanto mais rápido você devolver, melhor. No futuro, quando for guiar, peça compreensão e pratique.
— Certo.
— E você guia quando quiser. Não precisa de permissão.
Seunghyun, que parecia concordar, pegou o celular no bolso.
— Vou fazer uma ligação e já volto.
— …Certo.
Observando a silhueta que desaparecia apressadamente, Rowan manteve um olhar desconfiado. “Esse sujeito não vai ligar para o Ha Jaeil agora, vai?”
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Seunghyun voltou para o quarto após conversar com Rowan e estava de muito bom humor. Ele ligou para Jaeil pensando em sugerir a ideia, já que Rowan dissera que quanto mais rápido devolvesse, melhor, e recebeu uma resposta inesperada. Ele achou que o silêncio prolongado fosse por Jaeil não conseguir dizer “não”, mas não era isso.
“Se houver algo que você queira comer, eu comprarei. Vamos jantar juntos.”
Como não conseguiu pensar em nada na hora, ele disse que comia de tudo, e o homem perguntou sobre comida apimentada ou crua. A pessoa que não tinha expressão no rosto e falava de forma rígida era indescritivelmente atenciosa em suas ações. Seunghyun, sentindo-se simplesmente radiante, disse que comeria qualquer coisa que ele comprasse.
Após assistir a um filme, chegou uma mensagem de Jaeil dizendo que havia chegado. Mesmo sabendo que o veria em breve, Seunghyun deixou a porta do quarto aberta e, não satisfeito, ficou perambulando pelo corredor. Pouco depois, o homem em trajes de treino apareceu. Em uma das mãos, trazia uma sacola de papel com comida.
Ao ver Seunghyun caminhando em sua direção, ele diminuiu o passo e parou, coçando a testa. As ações de Ji Seunghyun o deixavam confuso por vários motivos.
A comida era um combo de acompanhamentos leves. O homem disse que queria comprar algo especial, mas ficou com medo de que ele passasse mal novamente. Diante da justificativa suave, Seunghyun ficou feliz como uma criança, dizendo que ele fizera uma boa escolha.
Após o jantar, Seunghyun fez Jaeil sentar-se na cama e subiu também. Diante do homem que mantinha as costas eretas e os braços cruzados, Seunghyun disse com uma postura igualmente correta:
— Eu quero devolver a energia para o Esper.
— …….
Embora não tenha dito nada, Jaeil entendeu a intenção e estendeu o pulso que usava o dispositivo. O valor que subira lentamente durante o dia era de 35%.
— Provavelmente você se sentirá mais revigorado ao receber.
— …….
— Se isso funcionar bem…
Seunghyun sorriu abertamente, sem terminar a frase. Ele parecia estar realmente feliz só de pensar.
— O Esper não sentirá dor.
— …….
Embora o sorriso ainda estivesse presente em seu rosto, havia uma melancolia diferente de antes.
— Eu conto com você.
O homem soltou a frase como se cortasse à força os pensamentos negativos de Seunghyun.
— Sim.
O olhar baixo voltou-se novamente para Jaeil.
Aproximando-se um pouco mais, Seunghyun ajoelhou-se na frente de Jaeil. Como seria falta de educação ficar agarrando o pescoço do homem todas as vezes, ele pretendia tentar na posição correta hoje. Quando ele colocou a mão sobre o coração do homem, o olhar de Jaeil fixou-se na bochecha de Seunghyun. De repente, a energia subiu de forma afiada e brusca. Seunghyun apenas considerou que a energia ficara temporariamente mais forte.
— Então, vou começar.
— …….
— Ponha de volta o que você tem aí. — Seunghyun repetiu as palavras de Rowan e empurrou com todas as suas forças o que estava alojado em seu abdômen. Não era fácil. Parecia que, embora a energia que atormentava o homem tivesse sido purificada, a personalidade dela não mudara; era extremamente obstinada. Assim como o balão pesado que vira em seu sonho, ela se recusava a ser movida de primeira. No entanto, Seunghyun não pretendia recuar. Não importava o quão exaustivo fosse, ou se ficasse doente de novo, ele queria ter sucesso. No momento em que Seunghyun, com o cenho franzido, soltou um gemido de esforço e empurrou em direção à passagem…
— Cof, cof.
Jaeil tossiu de repente. Seunghyun arregalou os olhos.
— Não foi nada. Continue.
Jaeil acenou com a mão e fechou os olhos. Seunghyun, momentaneamente assustado, relaxou os ombros e voltou a se concentrar. Mas, em poucos minutos, o homem tossiu novamente. Respirações pesadas e entrecortadas escapavam sucessivamente.
— …
— …
O olhar preocupado de Seunghyun pousou no cenho franzido do homem, que parecia não suportar a pressão. Percebendo que algo estava errado, os olhares dos dois homens se cruzaram de forma desajeitada, e um silêncio pesado se instalou.
— Quer tentar de novo?
— …
Foram as palavras ditas pelo homem enquanto fixava o rosto de Seunghyun. Contudo, Seunghyun já exibia uma expressão repleta de decepção.
— Sim. Vamos lá.
Tentando recompor o ânimo, Seunghyun assentiu vagamente. Ele pensou que aquela seria a última tentativa e tentou ser o mais delicado possível, mas falhou novamente. De que adiantava empurrar com tanto afinco? Não entrava na abertura. E, se tentava forçar, o homem parecia sentir dor.
— …
— …
Reconhecendo que aquilo estava além de suas capacidades, a mão de Seunghyun finalmente se afastou do coração de Jaeil. A mão, que caiu sobre a cama, agarrou o lençol com força, frustrada.
O olhar do homem percorreu os arredores de Seunghyun. Nos ombros caídos e no topo da cabeça dele, transbordava uma sensação de derrota que ia além da decepção. Jaeil, que o observava em silêncio por um longo tempo, estreitou os olhos.
*Será que ele está chorando?*
No momento em que Jaeil estendeu a mão para afastar a franja que cobria a testa de Seunghyun, este se curvou bruscamente e coçou a cabeça.
— …Parece que hoje não vai dar.
— …
Parecia que ele queria chorar, mas estava se contendo à força. Os cantos de seus olhos estavam avermelhados. Jaeil ficou impressionado com a obstinação dele.
— Quanta ambição.
— É… você tem razão.
A forma como ele admitiu prontamente também não combinava com Ji Seunghyun. Assim como Seunghyun, Jaeil também exibia um semblante bastante desconfortável. Apoiando as mãos nos joelhos e erguendo o tronco, Jaeil olhou fixamente para o rosto de Seunghyun, franzindo e relaxando o cenho repetidamente.
— Na próxima vez, vai dar certo.
— …
Eu queria tanto entregar isso a ele. Como recebi muito, queria dar a ele como um presente, mas parecia que hoje teria que desistir. Mesmo sentindo-se melancólico, frustrado e até injustiçado, havia coisas que simplesmente não tinham jeito.
— Obrigado por dedicar seu tempo…
Seunghyun fungou, limpando o nariz com as costas da mão, e no momento em que virou o corpo para descer da cama…
— …?
A mão do homem se estendeu e puxou o braço de Seunghyun. Com os olhos intrigados, mas deixando-se levar sem resistência, Seunghyun ajoelhou-se novamente à frente dele. Como Seunghyun estava em uma posição mais alta, o olhar do homem subiu lentamente.
— Desta vez.
— …
A mão que segurava seu braço estava quente. O calor intenso era transmitido através do pijama hospitalar longo. Era um contato inesperado. O homem, olhando fixamente para os olhos vacilantes de Seunghyun, franziu levemente o nariz. O espaço entre suas sobrancelhas, que se contraía e voltava ao lugar, era atraente.
— Vamos tentar do meu jeito.
— …
Dedos grossos e longos seguraram o queixo de Seunghyun. Em seguida, ele sentiu ser puxado para baixo. Seunghyun apoiou as mãos nos ombros largos que surgiram à sua frente. Suas mãos subiram por reflexo devido à proximidade repentina, mas as ações do homem foram implacáveis.
Sem qualquer resistência, algo se tocou com uma facilidade quase fútil. Uma pele mais quente que as mãos pressionou lentamente os lábios secos de Seunghyun. Olhos lânguidos estavam a um palmo de distância. Aquelas íris de significado indecifrável capturavam apenas a ele.
— Hm!
Assim que percebeu que o homem o estava beijando, a visão de Seunghyun ficou branca. Ele arregalou os olhos e tentou inclinar o tronco para trás em um solavanco, mas era tarde demais. A mão que segurava seu queixo deslizou pela bochecha e foi para a nuca. O homem, agarrando com certa firmeza o pescoço que ficara rígido, deixou escapar uma voz firme e baixa:
— Tente de novo.
— …
— Eu vou esperar.
Acompanhando a inspiração assustada, a língua dele invadiu.
— …!
Algo macio e volumoso tocou a ponta da língua paralisada de Seunghyun. Seus olhos, ainda úmidos, encararam o homem antes de se fecharem com força. Em vez de entender e aceitar aquela situação inusitada, Seunghyun preferiu a fuga mental.
Mesmo sentindo a textura nítida do que estava acontecendo, Seunghyun não conseguia interpretar aquele ato. Como as coisas chegaram a esse ponto? Ele queria devolver a energia ao homem e ficou profundamente magoado por não conseguir. Como se esforçara por dias, a sensação de impotência foi grande. De onde vinha aquela confiança de que não falharia? Não querendo mostrar que chorava pateticamente, tentou fugir, mas seu braço foi capturado. Ao vê-lo puxando-o suavemente como água morna, Seunghyun se perguntou o que ele pretendia fazer.
Jamais imaginou que o método do homem seria um beijo. Ele sabia bem que o contato físico era o mais eficaz para o *guiding*, mas que o homem tomaria a iniciativa…
— Mmm…!
Um gemido contido borbulhou na garganta de Seunghyun. A língua que entrou de forma impudente, como se aquele fosse o seu lugar original, era levemente áspera. A carne úmida de saliva esfregava-se contra a sua própria língua.
Ele precisava enviar aquela sensação estranha para algum lugar. Não havia onde aplicar força. Apenas os dedos apoiados nos ombros do homem ficavam brancos.
— …
Como em câmera lenta, as pálpebras do homem se fecharam e se abriram devagar. A voz dele infiltrou-se pela pequena fresta dos lábios úmidos que se afastaram. Era tão calma que chegava a parecer indiferente.
— Guia.
— …
Como Seunghyun não conseguia responder e apenas ofegava, o homem o observou intensamente com olhos profundos. Não era uma bronca, nem uma pressa. Por não conseguir entender o significado, era difícil reagir de qualquer forma.
Quando Seunghyun tentou baixar os olhos novamente para fugir, a mão que apoiava suas costas o puxou para um abraço repentino. Era um toque dual: gentil, mas com um senso de imposição. Sem equilíbrio, as mãos de Seunghyun agarraram-se apressadamente aos ombros do homem.
— Me dê.
Faça de novo, eu vou esperar, me dê logo. Já que usaremos esse método drástico de trocar fluidos corporais, não se decepcione e termine o trabalho. Seunghyun, processando rapidamente as palavras do homem, mordeu o lábio inferior. Com o rosto do homem a centímetros do seu, ele afastou a mão bruscamente e esfregou a bochecha quente. A hesitação foi curta. Embora o método fosse um tanto erótico, era a consideração que ele sempre demonstrara. Parecia que, desta vez, ele queria acolhê-lo assim.
O único problema era que Seunghyun não tinha a menor ideia de como fazer aquilo. Ele soltou o lábio que mastigava e resmungou de forma hesitante:
— Eu… não sei como fazer desse jeito.
— …
O olhar do homem permaneceu silencioso nas bochechas e orelhas avermelhadas. Com um rosto que não transparecia emoções facilmente, o homem mergulhou em pensamentos e não disse nada. Como o silêncio se prolongou, Seunghyun, incapaz de encará-lo, acrescentou:
— Se você… me ensinar.
Ao ouvir as palavras balbuciadas, uma das sobrancelhas de Jaeil arqueou. O rosto imperturbável foi momentaneamente tingido pela surpresa, mas, ao contrário de Seunghyun, ele recuperou a compostura rapidamente. O leve rubor nas bochechas também voltou logo ao normal.
— Não existe um método específico.
— …
— É apenas mais fácil transferir a energia ao trocar fluidos corporais.
Assentindo, Seunghyun segurou suavemente o rosto de Jaeil com as duas mãos. Parecia ter tomado uma decisão, pois seu olhar mudou completamente. Pedindo licença, o movimento de inclinar o queixo e avançar foi, diferentemente de antes, impetuoso. Assim que os lábios se selaram, ele empurrou a língua com ímpeto. Como os lábios não se abriram o quanto desejava, a audácia de forçar a passagem da língua fez com que Jaeil, desta vez, se assustasse e apoiasse a mão atrás do corpo.
— …
— …
*Vamos voltar ao início. E começar de novo.* Com esse pensamento, Seunghyun fechou os olhos e sentiu a energia dele. Em seguida, a passagem, e depois, seu próprio receptáculo. Quando as pontas das línguas se roçaram, um calafrio percorreu sua nuca. Simultaneamente, o que estava em seu abdômen começou a suavizar. Quanto mais nítida era a sensação dos lábios e da língua, mais as energias rebeldes perdiam a força e se dissipavam. Um som úmido ecoou densamente em seus ouvidos. Seunghyun abriu os olhos pela metade e olhou para Jaeil. Jaeil também não fechara os olhos completamente e observava algum ponto no rosto de Seunghyun. Com os olhares travados, as línguas se entrelaçaram profundamente.
No momento em que o que fora liberado começou a fluir pela passagem, Seunghyun, em vez de se afastar, aproximou-se de Jaeil arrastando os joelhos. Ele cobriu totalmente os lábios brilhantes de saliva. A pele úmida e o calor se misturavam incessantemente. Respirações desajeitadas colidiam e se dispersavam.
Jaeil, com a cabeça inclinada para trás e uma mão apoiada, não recuou e usou a ponta da língua. Apenas o som da fricção entre peles e carnes sensíveis, junto com a respiração, ecoava ocasionalmente pelo quarto de hospital.
— Ah, está funcionando.
Sentindo a energia fluindo em ondas, Seunghyun murmurou com os lábios ainda unidos aos dele.
— …
Jaeil, que abraçava a cintura de Seunghyun com firmeza, tentou responder algo, mas foi imediatamente engolido pelo movimento de Seunghyun ao inclinar o queixo.
Era um beijo seco, porém fervoroso, e para algo chamado de *guiding*, o calor em cada respiração era intenso. Seunghyun tentou ignorar a sensação que insistia em inflamar. Ele se agarrou à razão. Foi o momento em que percebeu que o *guiding* através de fluidos corporais era fácil, mas ao mesmo tempo complicado.
Seunghyun só afastou os lábios após transferir toda a sua energia pura para Jaeil. Ele cobriu os lábios sujos de saliva com as costas da mão e recuou rapidamente. Quanto tempo teria passado? Dava vergonha até de conferir.
— Es-está pronto.
Ele tentou recobrar o juízo, mas seus lábios ardiam como se o calor do homem tivesse se transferido para eles. Enquanto esfregava os lábios com a mão, a vergonha finalmente o atingiu. O pensamento de que tinha sido bom, a impressão de que aquela mistura fora surpreendentemente doce, gravava-se em sua memória contra a sua vontade. A timidez se espalhou tanto que ele nem conseguia fazer contato visual.
Nesse momento, a mão grande do homem afastou a franja de Seunghyun com um gesto revigorante. Seunghyun, que estava de cabeça baixa, levantou os olhos com uma expressão atordoada, mas desviou-os rapidamente.
O olhar do homem pousou intensamente na testa redonda e nas sobrancelhas alinhadas de Seunghyun. Sob a mão que envolvia a pequena cabeça, o polegar massageou suavemente o espaço entre as sobrancelhas franzidas.
— Vendo como você faz.
— …
— Não parece ser sua primeira vez.
— Pare com isso…
Seunghyun sentiu que não suportaria qualquer palavra que saísse da boca do homem. Ele tapou os ouvidos e começou a implorar.
Observando a óbvia confusão dele, um canto da boca de Jaeil curvou-se em um arco leve. Seunghyun esfregou a ponta da orelha de qualquer jeito, mordeu o lábio inferior e deu tapinhas na própria testa. Logo depois, ficou parado com um rosto distraído e repetiu a mesma ação. Era evidente que ele só focara no caminho da energia. Estava sem saber o que fazer devido à vergonha tardia. Seria aquela habilidade no beijo, que ele considerara considerável, apenas uma parte daquela obsessão? Era uma timidez que o levava a fazer suposições absurdas.
Fosse o que fosse, com um pouco de ajuda, ele cumprira sua parte diligentemente. Jaeil verificou seu medidor.
— Está em 18%.
Ao ouvir o valor enquanto estava em agonia, Seunghyun olhou para ele com inocência.
— …Sério?
Quando Jaeil estendeu o pulso, olhos curiosos voltaram-se para o medidor.
— Uau…
O fato de o primeiro dígito ter mudado fez um sorriso florescer, apesar do momento constrangedor de antes. Seunghyun, que estava prestes a sorrir, fechou a boca imediatamente ao encontrar os olhos do homem. Pensou que era tolice agir assim após ter precisado de ajuda por não conseguir fazer direito.
— Você foi bem. Graças a você.
Seunghyun estava sofrendo as consequências emocionais, mas o homem parecia não ter sido afetado. Era natural. Seunghyun, que fora uma pessoa comum, nunca tivera esse tipo de contato antes. A corda bamba entre o *guiding* e o prazer era, de fato, uma novidade.
Provavelmente, o homem já passara por isso inúmeras vezes. A julgar pela forma como ele o beijara sem hesitação e como recebera a energia sem qualquer resistência, era o que parecia. Portanto, não deveria dar tanta importância. Fora apenas um beijo. No entanto, enquanto o homem saía da cama e vestia o casaco, Seunghyun ainda lutava com as memórias ardentes.
Jaeil, fechando o zíper até o pescoço, perguntou-lhe:
— Quando você recebe alta?
Ao ouvir a voz monótona e calma, Seunghyun sentiu uma ponta de injustiça.
— Amanhã. Disseram que farei um exame de sono hoje.
Mas ele não podia demonstrar isso. Ficou em silêncio, apenas observando Jaeil de relance enquanto coçava a testa.
— Então, eu já vou. Não precisa me acompanhar.
Seunghyun, olhando para as costas dele, calçou os chinelos às pressas. Ele rapidamente diminuiu a distância e puxou a barra da roupa do homem.
— Esper… Esper님 (Esper).
As pupilas de Jaeil moveram-se levemente em direção ao canto dos olhos. Percebendo que ele queria dizer algo, Jaeil virou metade do corpo e olhou para Seunghyun.
Seunghyun hesitou por um momento, mas, como se tivesse tomado coragem, abriu a boca.
— Na próxima vez… se eu não conseguir, posso te beijar de novo?
Por um instante, Jaeil pensou ter ouvido errado. Ele arregalou os olhos e depois franziu a testa. Olhou para os ombros tensos de Seunghyun e para o lábio inferior recolhido antes de abrir a boca. Mas a voz não saiu de imediato.
Ele não podia responder prontamente. O próprio Jaeil agira por impulso. Poderia fazer de novo? Poderia provar tudo aquilo, tão macio e suave, mais uma vez? Ele agira totalmente fora de seus padrões habituais. Se desse abertura, não sabia o que mais faria. O cio de um Esper era assim. Se não houvesse freios, ele o devoraria até estar satisfeito.
O silêncio se prolongou. No rosto de Seunghyun, cujos olhos vagavam inquietos, a ansiedade logo tomou conta. Ele era sensível ao ler a expressão de Jaeil.
Incapaz de suportar aquela agonia, Jaeil olhou para o lado enquanto milhares de pensamentos cruzavam sua mente. A maioria eram ideias confusas vindas do espanto. Contudo, pensar não trazia muitos resultados. Sem conseguir tomar uma decisão definitiva, ele baixou o olhar e o rosto de Ji Seunghyun preencheu sua visão. Aquilo simplesmente o incomodava.
Jaeil virou o rosto em direção à porta e soltou uma frase curta. As linhas fortes de seu pescoço se destacaram.
— Que seja.
Com a permissão concedida, Seunghyun soltou a barra da roupa com um suspiro de alívio.
— Obrigado. Vou tentar pegar o jeito o mais rápido possível.
Diante da resposta entusiasmada de Seunghyun, o pomo de Adão de Jaeil subiu e desceu enquanto ele engolia em seco.
— Estou indo.
Temendo que ele o seguisse, Jaeil fechou a porta com firmeza ao sair, caminhou pelo corredor e apertou o botão do elevador. Não demorou para que o elevador chegasse; ele entrou assim que as portas se abriram.
Ao apertar o botão do primeiro subsolo, o elevador começou a se mover com um solavanco. Foi então que a postura ereta de Jaeil inclinou-se lateralmente. Encostando a cabeça e o ombro na parede, ele soltou um suspiro profundo.
— …
Ele tentava entender desde quando fora levado por aquilo, ou o que diabos tinha feito, mas não via solução.
— Enlouqueci.
O resmungo solitário era um perfeito autocastigo.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna