Capítulo 01.3
🩸 Blood Poker 01, Parte 03
Joy tinha certeza de que a “água-viva” que Seunghyun descrevera era o “recipiente”. Ela acrescentou que a razão de ele sentir que era algo viscoso era porque ainda estava em processo de formação. Disse que era fácil pensar nisso como argila ou um balão; ele poderia criar a forma e o tamanho que quisesse, dentro dos limites de sua habilidade.
“Apenas coloque toda a energia que recebeu do Jaeil ali dentro. E prenda!”
A energia recebida no primeiro guiding não entrou no recipiente e nem pôde sair, flutuando pelo corpo até se transformar em veneno. Para não sofrer novamente, ele teria que colocá-la no recipiente para purificar ou deixá-la fluir para fora. Ao ponderar qual seria melhor, a resposta era óbvia.
“Isso só é possível partindo do pressuposto de que você conseguirá fazer de primeira. Você também precisa saber como expelir.”
Seunghyun queria tentar colocar a energia de Jaeil no recipiente agora mesmo. Quando ele disse que deixaria o treino de expelir para depois, ela apontou sua atitude precipitada e unidimensional. Não havia garantia de que ele guiaria apenas Espers com alta compatibilidade para sempre.
Haveria energias que ele teria que liberar, mesmo que quisesse purificar. Ele teria que gerenciar inúmeros Espers daqui para frente. Tentar crescer apenas sob medida para Ha Jaeil era o mesmo que limitar seu potencial. Joy explicou ponto a ponto que, para tratar o guiding como um trabalho, esse tipo de postura não era boa.
Além disso, ela o aconselhou dizendo que, se ele agisse com tanto entusiasmo enquanto ainda estava tomando antídotos por não ter conseguido liberar a energia, nada daria certo.
Seunghyun assentiu às palavras dela, mas sentiu estranheza por não conseguir aceitá-las plenamente.
“Imagine que você está enviando as sensações que percebe junto com a sua expiração. Se você se conscientizar disso, será surpreendentemente fácil.”
Tentando combinar as palavras adequadas, ela acabou segurando a cabeça. Como se não estivesse satisfeita com a própria explicação, ela murmurou baixinho que era difícil.
A energia que já se transformara em veneno não podia ser colocada no recipiente. Seunghyun pensou que era um desperdício aquela energia dele ter se tornado inútil. Era a primeira vez que recebia tanto. E nem sabia quando poderia guiar novamente. Quando ganharia alta? No mínimo, ele deveria dormir junto com ele para ser de ajuda.
Sempre que pensava sobre o guiding, acabava lembrando de Ha Jaeil. O cheiro, a voz, os batimentos cardíacos, a temperatura; tudo era nítido.
A paz transmitida por ele aquecia os cantos das memórias do passado, que outrora eram apenas gélidas. Pensando bem, todas as memórias com ele eram assim. Eram como aquecedores de mãos ou fogueiras, e Seunghyun invariavelmente recorria a elas sempre que se cansava das lembranças dolorosas. Ao colocar as mãos ali quando elas esfriavam por causa de pensamentos negativos, ele sentia o calor chegar até o coração.
Se ele o guiasse, poderia saborear aquela doçura novamente, então era impossível não ficar obcecado. Como o único Esper que lhe fora designado agora era ele, era natural que se esforçasse ao máximo para se ajustar a ele. “Por isso eu não conseguia aceitar”, pensou ele. Ao repassar o guiding com ele, ele descobriu seu eu interior obstinado. Seunghyun aceitou isso sem muita resistência.
Seunghyun enviou uma mensagem a Jaeil pela manhã perguntando se ele dormira bem. Normalmente, eles deveriam passar a noite juntos no dia do guiding ou no dia seguinte, mas como não puderam, ele ao menos queria cumprimentá-lo. O homem respondeu com um “sim, dormi bem” e encerrou dizendo para ele se cuidar. Ele queria perguntar se ele não sentia dor ou se o guiding fora bem-sucedido, mas como ele estabeleceu um limite sutil novamente, Seunghyun teve que se contentar com as informações que Joy lhe passara.
— Ah…
Enquanto lia o livro de conceitos que Joy deixara para ele ler quando estivesse entediado, Seunghyun sentiu a barriga latejar novamente. Não era tão forte quanto no primeiro dia, mas a intensidade era suficiente para fazê-lo segurar o abdômen e gemer. Ele já tomara antídotos suficientes, então agora teria que suportar sozinho. Se a recuperação fosse lenta assim, o dia do guiding seria adiado. Fechando os olhos com força para suportar a dor, Seunghyun fez um bico de frustração.
Ele acabou pegando no sono e acordou tarde da noite. Limpando os olhos úmidos, Seunghyun sentou-se na cama e ponderou novamente sobre a cena do sonho que mudara mais uma vez. Em um lugar desolado onde não havia ninguém além dele, a presença de outra pessoa trazia uma sensação de intimidade sem fundamento. “Da próxima vez, vou chegar perto e fazê-lo virar de frente”, prometeu a si mesmo. No momento em que ia tentar dormir novamente:
— …….
A princípio, ele se perguntou que sensação era aquela. Não fazia sentido sentir a energia do homem do lado de fora da porta àquela hora tardia. Seunghyun massageou os lóbulos das orelhas, que esquentaram com o pensamento atrevido. Ele achava graça de si mesmo por ser tão exagerado, mas também sentia pena de si mesmo por não conseguir aguentar sem se agarrar a isso. “Quando será que vou me libertar disso?” O humor subitamente melancólico foi afastado enquanto ele limpava os olhos de qualquer jeito.
Não havia ninguém vendo, então ele pensou que não custava nada e chamou por ele com os lábios úmidos.
— Esper.
Imediatamente, ele pôde sentir perfeitamente a energia do lado de fora da porta se erguer e tremer. “Será que ainda estou sonhando?” Não.
— Esper Ha Jaeil.
Ao chamá-lo novamente e ter certeza da visita dele, Seunghyun calçou os chinelos às pressas.
Ao abrir a porta, Ha Jaeil realmente estava lá. Ele sentiu o peito transbordar apenas pelo fato de a pessoa em quem pensara o dia todo ter vindo visitá-lo.
— O que o traz aqui a esta hora?
Embora tenha perguntado o porquê, ele não estava realmente curioso sobre o motivo. Seunghyun estava apenas tão feliz que os cantos de sua boca tremiam. “Bem, ele deve ter passado por aqui e lembrado de mim no caminho para casa”, pensou de forma simples. Para Seunghyun, seus próprios desejos reprimidos eram a prioridade.
— Recebeu o guiding adequadamente?
Ele se perguntava por que a energia de alguém que respondia “sim” estava tão agressiva e instável. Seunghyun deu um passo ousado em direção ao homem. Para ser sincero, ele estava tão ansioso que queria apenas abraçá-lo, mas, como alguém que já mostrara muitos lados patéticos, era melhor cometer o mínimo de erros possível. Seunghyun conteve seus impulsos com dificuldade e sussurrou em pensamento:
“Quero guiá-lo. Quero abraçá-lo.”
Após observar o homem um pouco rígido com calma, Seunghyun estendeu a mão sem hesitar.
— Eu disse que não podemos nos tocar.
O recuo dele e sua preocupação cautelosa se tornariam lenha para as memórias de Seunghyun.
— Eu sei.
“Uma dor desse nível não é nada para mim.”
Embora soubesse que o início do guiding era com a mão sobre o coração, Seunghyun estendeu a mão para a nuca dele como se estivesse enfeitiçado. Na força firme que envolvia sua cintura, ele pôde ler coisas que faziam seu peito doer. Seunghyun abraçou o pescoço dele profundamente. Ele se perguntava se a sensação de cansaço que sentira nos últimos dois dias era apenas impressão. Uma preocupação vaga surgiu.
Ao julgar que os cinco minutos haviam passado, a mão de Jaeil se afastou de forma limpa. Seunghyun pensou que apenas ele estava sentindo falta. Mas não demonstrou. O dispositivo piscava o número 28%.
— Você está realmente bem?
O olhar do homem dirigiu-se ao abdômen de Seunghyun. A mão grande que parecia se estender para baixo acabou recuando. Ele suspirou com a mão na cintura, e o arrependimento transpareceu em seu rosto. Mesmo que parecesse ter sido uma teimosia desnecessária, ver a energia muito mais calma o deixava orgulhoso, então Seunghyun sorriu involuntariamente.
— Sim. Estou bem, Esper. Já está tarde, por favor, vá descansar.
O homem, que olhara para o vazio por um momento, voltou seu olhar para Seunghyun. Sua boca se abriu, mas se fechou sem emitir som, apenas ar. O homem, escolhendo as palavras com cuidado, ainda parecia confuso.
— …E a alta?
— Não tenho certeza. Vou perguntar amanhã.
Assentindo, a palma da mão de Jaeil cobriu suavemente o topo da cabeça de Seunghyun.
— Bom trabalho.
— De forma alguma.
Seunghyun manteve o sorriso para acalmar a preocupação do homem, e só desfez a expressão depois de vê-lo dobrar a esquina do corredor.
— …….
Ele mordeu o lábio inferior com força para não deixar um gemido escapar. Assim que fechou a porta do quarto, Seunghyun caminhou mancando e desabou na cama. As energias latejavam como peixes recém-pesgados. Elas tentavam se dispersar sem serem capturadas. Ele segurou a barriga e encolheu o corpo. Parecia que, se ele não se encolhesse, elas se espalhariam descontroladamente.
— Não. Ah… rápido, rápido…
Seunghyun sofreu a noite inteira a partir dali. Foi por causa do esforço imenso que fez para não deixar a preciosa energia que recebera dele se transformar em veneno.
Naquela noite, o sonho de Seunghyun não foi a planície azul de sempre. Foi um tipo de pesadelo em que ele lutava com balões cor-de-rosa de pelo menos 2 metros de altura; apesar de serem balões, eram incrivelmente pesados, e ele só conseguia empurrá-los momentaneamente com esforço. Como se estivessem zombando de Seunghyun, eles voltavam ao lugar com uma textura viscosa. Após repetir isso várias vezes, ele ficou realmente irritado. Por fim, decidido a ver quem venceria, Seunghyun conseguiu amontoar todos em um só lugar e acordou ensopado de suor frio.
Por ter tido um sono interrompido até a madrugada, ele dormiu demais e acabou perdendo a maior parte da manhã. Para recuperar as energias perdidas, ele pensou que nada era melhor que comida e almoçou reforçado. Após tomar um banho demorado com água morna, viu que havia um recado de Daniel. Lendo o pedido para retornar a ligação, ele apertou o botão de chamada imediatamente.
[Você está se sentindo melhor?]
Uma voz vibrante soou pelo telefone. Seunghyun secava o cabelo com a toalha enquanto se sentava na cama.
— Sim. Melhorei bastante.
[Que bom. Pense nisso como um batismo para se tornar um guia. Eu vejo isso de forma positiva.]
Seunghyun concordava com aquilo, então assentiu levemente.
[Pelo cronograma, você deveria ter alta hoje. Lembra que eu disse que faria um exame?]
— Ah… sim.
Tinha sido isso mesmo. Seunghyun endireitou a postura que estava relaxada.
[Não fique nervoso. Como eu disse naquela vez, basta passar uma noite aqui. É como um exame de sono. É para saber o que você faz enquanto dorme, como estão as ondas cerebrais, esse tipo de coisa.]
— Sim. Farei isso.
[Eles vão orientá-lo por aí. Então a alta será amanhã.]
— Certo. Obrigado.
Enquanto colocava o celular de lado, o olhar de Seunghyun baixou subitamente. Ele olhou fixamente para o próprio abdômen e começou a apalpá-lo em vários pontos.
— ……?
O que antes flutuava de forma viscosa até algumas horas atrás parecia agora ter se estabelecido firmemente em um canto do ventre. Ele não sentia dor abdominal, indicando que ou liberara bem a energia ou a colocara no recipiente. Piscando algumas vezes, Seunghyun mordeu a parte interna do lábio.
Uma expectativa emocionante brotou como uma névoa em seu peito. Se o recipiente realmente fora formado, ele poderia guiar imediatamente.
Incapaz de acreditar, Seunghyun massageou a barriga novamente e pegou o celular. Ele achou que seria melhor perguntar a Joy para ter certeza, mas, enquanto procurava o contato, o aparelho vibrou.
[O que está fazendo? Vem aqui.]
Os olhos de Seunghyun se arregalaram ao ler a mensagem.
[Quarto 809.]
O autor das mensagens consecutivas era Rowan.
Era a primeira vez que ele usava roupas de hospital, e ir visitar alguém naquele traje era uma experiência nova. Diante da porta do quarto dele, Seunghyun bateu cautelosamente. Então, uma mulher de meia-idade apareceu. Ao ver que os olhos dela eram idênticos aos de Joy e Rowan, ele percebeu que era a mãe deles.
— Ah, olá.
Seunghyun se assustou, pois não imaginava que haveria mais alguém ali.
— Entre.
Ela sorriu gentilmente e abriu bem a porta.
— Então, conversem um pouco.
Ela se retirou para deixá-los a sós. Sua fala e gestos emanavam uma natureza benevolente.
Ao entrar no quarto, viu uma estrutura quase idêntica à do seu próprio quarto. Rowan, com braços e pernas envoltos em bandagens, acenou com a mão que estava livre.
— Oi. Senta ali.
Rowan apontou com o olhar para uma cadeira. Seunghyun puxou a cadeira e perguntou:
— Você está melhor?
— Sim. Já é um lucro não ter morrido.
Seunghyun assentiu honestamente.
— Ouvi tudo da Joy. Soube que seu primeiro guiding foi um sucesso. Parabéns. Embora tenha acabado no hospital.
— Obrigado.
Entregando um suco a Seunghyun, Rowan disse com um rosto sério:
— Eu vejo isso como o começo.
Após dar o tom da conversa, Rowan relaxou o tronco contra os travesseiros.
— O Onycube é um prenúncio. A história mostra isso. Há uma grande chance deste Centro ser fechado. Provavelmente já estão procurando um local alternativo. O porte de armas se tornará obrigatório. Os Espers enfrentarão batalhas grandes e pequenas quase todos os dias.
O olhar de Seunghyun escureceu. Significava que aquele lugar não seria mais seguro.
— Você precisa ter cuidado especial com os Gons. Aquelas coisas…
— Eu sei.
— …É. Deve saber mesmo.
Seunghyun era do Distrito 13. Rowan, que por ter convivido com ele por alguns dias acabou esquecendo que ele não era do seu círculo social, mediu as palavras.
— Provavelmente os guias também passarão por treinamentos intensos.
— Tudo bem. A propósito, mentor.
— Sim?
Seunghyun apontou para a própria barriga e disse:
— Acho que meu recipiente foi formado. O Esper Ha Jaeil passou por aqui ontem tarde da noite. Eu o forcei a guiar, mesmo ele não querendo, e algo se estabeleceu aqui.
Seunghyun assumiu toda a culpa pelo ocorrido ontem, temendo que Jaeil pudesse ser responsabilizado.
— Ah…
Rowan, que endireitou o corpo novamente, parecia achar tudo difícil de acreditar.
“O quê? Ha Jaeil veio visitá-lo ontem à noite? Ele o chamou? Ele o forçou a guiar? Não, espera. Ji Seunghyun forçou Ha Jaeil a ser guiado? O que isso significa? Aquele cara é alguém que não permite guiding fora do Centro, exceto em emergências. E nem havia necessidade disso. Além disso, Ji Seunghyun não estava proibido de guiar por causa da intoxicação? O que é isso? Ele não sabia?”
Para o Ha Jaeil que Rowan conhecia, tudo aquilo era impossível. Mas Ji Seunghyun não parecia estar mentindo. Rowan recuperou a racionalidade rapidamente. Ele coçou a sobrancelha enquanto analisava a intenção de Seunghyun.
— Então, o guiding foi ontem à noite.
— Sim.
— E você acha que conseguiu reter a energia.
— Sim.
O olhar de Rowan fixou-se nas pupilas brilhantes de Seunghyun. Era tão óbvio o que ele queria que Rowan quase soltou uma risada.
— Você quer devolver a energia.
— Sim.
Seunghyun assentiu vigorosamente.
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Giju, que acabara de organizar os kits médicos, relaxou o corpo contra o encosto da cadeira e começou:
— Ouvi boatos de que vão transferir o Centro.
Jaeil, que limpava meticulosamente até as menores peças, apenas ergueu os olhos. Eles estavam fazendo a manutenção dos equipamentos.
— Provavelmente.
Como o Centro de Guias se tornara um Onycube, mesmo que não houvesse guias entre as vítimas, os superiores devem ter ficado bastante assustados. Parecia que haveria muitas mudanças no futuro.
Giju, que era mais lento que Jaeil e parecia entediado, espreguiçou-se e de repente seus olhos brilharam.
— Então o dormitório também será fechado temporariamente?
— Isso…
Jaeil ia responder sem pensar muito, mas lançou um olhar de reprovação. A namorada de Giju, que era funcionária do Centro, era de Locan e usava o dormitório. Giju, sentindo-se flagrado, começou a se explicar:
— Não, é que o alojamento temporário pode ser ruim. Nesse caso, seria melhor ela ficar na minha casa.
Jaeil montou o rifle sem dizer mais nada. O desejo de ficar mais tempo com quem se ama era natural, e havia outro motivo pelo qual ele não podia culpar totalmente as intenções ocultas de Giju. Seria difícil encontrar um local que acomodasse todas aquelas pessoas e tivesse as mesmas instalações atuais.
Entre as pessoas que teriam que suportar esse desconforto por um tempo, Ji Seunghyun estava incluído. Ao perceber esse fato, os movimentos das pontas dos dedos de Jaeil tornaram-se lentos. Pensando bem, ele provavelmente não teria ninguém além das pessoas relacionadas ao guiding com quem criou laços ali. Ele ainda não teria ninguém com quem compartilhar o dia a dia, conversar abertamente ou em quem se apoiar quando se sentisse vazio. Era um fato óbvio, mas parecia novo.
— …….
As coisas que existiam em Haon não tinham pontos de contato com Ji Seunghyun. O motivo de terem aceitado alguém daquela região foi unicamente por ele ser um guia de classe A. Era melhor esconder sua origem dos civis por um tempo. Para alguém cujas raízes foram cortadas à força por serem consideradas “sujas”, levaria muito tempo até conseguir criar novas raízes. Por mais que ele fosse “forte”, como ele mesmo dizia.
O olhar baixo desenhava as pontas dos dedos que se tocaram cautelosamente ontem, e o rosto que se aproximara como se o roçasse. O peso que o guiding dele carregava tornou-se ainda mais denso.
Normalmente, o rifle seria montado em um piscar de olhos, mas ainda estava em pedaços. Jaeil, que olhava fixamente para o que tinha nas mãos como se estivesse em transe, perguntou a Giju como se falasse consigo mesmo:
— Qual é o índice de compatibilidade do seu guia encarregado?
— Hein? Hum… o guia exclusivo deve passar dos 80%. Os outros não chegam a 70%, mas todos se ajustam bem.
— …….
Deve ter havido uma intenção na pergunta, mas Jaeil apenas ouviu a resposta e concentrou-se em sua tarefa. Giju, observando-o agir como se lhe faltasse um parafuso, abriu a boca:
— Eu andei pensando.
— ……?
— Você parece ser do tipo que recebe toda a sorte de uma vez na vida.
Era um comentário do nada sobre sorte. Jaeil ia retrucar, sem entender o sentido, quando o celular vibrou no bolso. Ao confirmar o nome de Ji Seunghyun, a postura de Jaeil tornou-se subitamente ereta. Ele respirou fundo e tocou o botão de chamada. Estava nervoso por causa de uma simples ligação. Mas Jaeil não tinha tempo para se preocupar com o olhar malicioso de Giju.
— Sim. É o Ha Jaeil.
[Você já almoçou?]
A voz estava cheia de energia, indicando que ele estava ainda melhor que ontem. Os cantos da boca de Jaeil relaxaram.
— Sim. Já comi. Aconteceu alguma coisa?
[Eu…]
— …….
[Hum… então…]
Por que ele estava hesitando tanto para falar? Seria um novo tipo de mimo? Mesmo com essa percepção, Jaeil sentiu um aperto estranho no peito. Provavelmente era por causa da situação dele que acabara de ocupar sua mente.
— Sim, pode falar.
[Tenho algo para dar ao Esper. Queria saber se você teria tempo hoje.]
— …….
Ou seja, ele estava pedindo para ele ir ao hospital. Não era um cronograma ou instrução definida pelo Centro, mas um convite direto de Seunghyun. Jaeil, que fora lá por conta própria ontem, ficou sem palavras ao receber a proposta. Perdendo o tempo da resposta, Jaeil apenas engoliu em seco.
Seunghyun, aceitando o curto silêncio como uma recusa, começou a gaguejar:
[Se estiver ocupado, tudo bem. Eu só queria entregar enquanto está… fresquinho. Posso entregar depois.]
“Fresquinho? É comida?” Jaeil finalmente voltou a si.
— Não. Eu irei.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna