Capítulo 44
O primeiro evento da noite foi o banquete de Estado. Como convidado de honra, Maxim estava sentado à mesa real, envolvido em uma conversa animada com o Rei e sua corte.
Ele parece completamente sobrecarregado.
Ao observá-lo, Daisy percebeu que ser um herói nacional vinha com responsabilidades que nem todos conseguiam suportar. Ainda assim, já que ele tinha vindo à capital especificamente para essas formalidades, ela esperava que cumprisse seus deveres adequadamente.
Sempre que havia uma pausa na conversa, seu olhar inevitavelmente se desviava para ela.
Estava ficando cansada de se perguntar por que ele continuava encarando. Só ele sabia o motivo. Para evitar contato visual, Daisy propositalmente se concentrou mais intensamente em sua conversa com a viúva.
— Por aqui, por favor, — anunciou um funcionário, guiando as damas Waldeck até seus lugares designados.
Nenhum tratamento especial aqui.
Aparentemente, ser casada com um herói nacional tinha pouca influência na posição social de uma esposa. A mesa delas estava claramente relegada ao fundo do salão. Como Daisy bem sabia, esses nobres calculistas usavam a disposição dos assentos para estabelecer hierarquias claras.
Na frente, onde a Família Real presidia, ficava a mesa principal, onde Maxim von Waldeck, o herói da nação, também estava posicionado. As damas Waldeck estavam sentadas diretamente do lado oposto, perto da entrada.
A viúva do Grão-Duque falecido e sua questionável esposa Cinderela.
Elas podiam render excelente fofoca, mas ninguém parecia particularmente interessado em se associar a elas. Além de Lady Gladys, que cumprimentava a todos sem distinção, ninguém oferecia sequer um reconhecimento superficial.
Essa era, inegavelmente, a verdadeira posição delas na alta sociedade. A Grã-Duquesa Viúva também havia percebido. Assentiu educadamente, mas não conseguiu esconder a mistura de resignação e decepção em sua expressão.
Ela estava tão orgulhosa do retorno seguro de Maxim.
Ao vê-la tão abatida, Daisy sentiu uma pontada de simpatia. Por insistência de Daisy, elas mantiveram o retrato de Maxim ao lado da cama durante toda a guerra. Enquanto Daisy rezava pelo descanso eterno do chefe da Casa Waldeck, sua tia rezava fervorosamente por seu retorno seguro.
Pensando bem, o retorno de Maxim devia muito à dedicação da Grã-Duquesa Viúva. Daisy parecia ser a única pessoa ali que realmente compreendia seus sacrifícios.
— Parabéns, — disse Daisy baixinho, decidindo dizer o que precisava ser dito. Se ela não dissesse, ninguém mais diria.
— Perdão?
— Vamos brindar? — sussurrou Daisy docemente, erguendo sua taça de champanhe. — Honestamente, toda a glória de Waldeck é graças a senhora.
— Ah, bobagem. Não seja ridícula. O que foi que eu fiz? — Ela negou, mas sua solidão era inconfundível.
— Não vai fazer essa gentileza? Meu braço já está cansando.
— Você realmente é impossível.
A Viúva relutantemente tocou sua taça na de Daisy. O melhor champanhe desceu suavemente por suas gargantas, embora a tia mal tenha molhado os lábios. Sua comida também permanecia intocada.
‘Ela não é uma criança. Preciso me preocupar com tudo?’
Observando sua tia, Daisy lembrou das crianças mais exigentes do orfanato. Diziam que as pessoas ficavam mais infantis com a idade, mas quanto mais observava a tia, mais lamentável ela parecia. Daisy também não tinha muito apetite, mas sabia que não ficaria bem para sua tia ficar emburrada durante toda a celebração.
— Por favor, coma alguma coisa. O filé-mignon está incrivelmente macio.
Daisy cortou o filé em pedaços pequenos e trocou de prato com a tia.
— Você deveria comer. Você ama carne.
— É mais saboroso quando comemos juntas. Qual é o sentido de jantar sozinha?
Ela encontrou o olhar da tia com sinceridade.
— Além disso, se a senhora ficar aí sentada com uma cara de infeliz sem comer, só vai parecer mais patética.
A Grã-Duquesa viúva forçou um sorriso, embora seus olhos não tivessem vitalidade, sua expressão beirava a tristeza.
— Acho que você tem razão.
— E quem se importa com o que os outros pensam? Hoje também é a celebração de Waldeck.
— …..
— Então vamos aproveitar esta refeição o máximo que pudermos, combinado?
— Muito bem.
Só depois do encorajamento de Daisy é que a tia finalmente começou a comer. Aliviada por vê-la se alimentando, Daisy iniciou sua própria refeição. De repente, seu olhar se encontrou com o de Maxim do outro lado do vasto salão.
‘Ele está de mau humor? Ou simplesmente exausto?’
Sua expressão era sombria e indecifrável, como se estivesse perdido em pensamentos perturbadores. Tanto faz. Ele era um homem imprevisível mesmo nos melhores momentos.
🌸🌸🌸
À medida que o banquete de Estado atingia seu auge, o Rei ergueu sua taça e chamou para um brinde.
O Rei, a Rainha e o Príncipe Herdeiro se revezaram oferecendo votos de prosperidade e glória nacional, elogiando generosamente as conquistas incomparáveis de seu herói, Maxim von Waldeck.
A cada vez, Maxim respondia com um leve sorriso e um aceno casual, dizendo pouco.
Observando de seu lugar distante, sua reserva incomum fazia com que ele parecesse alguém de outro mundo.
Sem se deixar abalar, Daisy continuou comendo com determinação, bebendo seu champanhe com entusiasmo e aplaudindo calorosamente as celebrações. Entre uma mordida e outra, continuava encorajando a Viúva, enfatizando repetidamente que tudo era graças aos esforços de sua tia.
Ela notou o Rei pessoalmente enchendo a taça de Maxim com vinho comemorativo. Seus movimentos levemente instáveis sugeriam que o álcool já estava fazendo efeito.
— Vamos, Grão-Duque, você precisa dizer alguma coisa. Você é a estrela da noite, não pode ficar sem brindar!
O rei riu alto, batendo no ombro de Maxim e insistindo para que ele falasse.
Tendo recebido a bebida cerimonial, Maxim observou lentamente as bolhas de champanhe em sua taça antes de se levantar, conforme solicitado. Todos prenderam a respiração, aguardando as palavras do protagonista.
Isso incluía as damas de Waldeck em sua mesa distante.
Naquele momento, os olhos de Daisy encontraram os de Maxim novamente. Embora longe, seu olhar penetrante estava inconfundivelmente fixo nela.
‘O que está acontecendo?’
De repente, ele caminhou com determinação em direção à mesa onde Daisy estava sentada com a tia. Todos no salão seguiram seu movimento com os olhos.
‘Por que ele está agindo de forma tão estranha?’
‘Ele não vai realmente vir aqui, vai?’ Mas seus medos se mostraram corretos, Maxim parou bem ao lado de Daisy.
Ele estendeu sua taça de champanhe em direção a ela e declarou:
— Na verdade, essa vitória pertence inteiramente à minha amada esposa, Daisy.
A bomba inesperada enviou ondas de choque por todo o salão. É claro que as pupilas de Daisy foram as que mais se dilataram.
‘Que porra ele está fazendo? Já está bêbado?’
— Tive que voltar correndo por causa de uma promessa muito importante que fiz à minha esposa em nosso casamento. — Maxim continuou com seu discurso incompreensível. — Eu estava… um pouco pressionado pelo tempo.
‘Do que diabos ele está falando?’ Daisy vasculhou freneticamente sua memória em busca de qualquer promessa que pudesse ter feito ao marido, que havia comparecido ao casamento esperando morrer.
Então se lembrou.
“Eu voltarei, minha querida. Vamos consumar nosso casamento quando eu voltar.”
Era, vergonhosamente, uma promessa sobre a noite de núpcias.
A guerra parecia sem esperança na época, então Daisy descartou aquilo como a fantasia final de um homem à beira da morte. Seu verdadeiro interesse não era o retorno do marido, mas no milhão de moedas em ouro que receberia após sua morte.
Maxim von Waldeck havia lembrado essa promessa ao retornar da guerra.
“Fizemos um acordo, não foi? De consumar nosso casamento depois do meu retorno.”
Ele até especificou exatamente o que a promessa envolvia.
“Desculpe, estou meio pressionado pelo tempo.”
Ele estava usando exatamente a mesma frase: ‘pressionado pelo tempo’. A conexão era inegável.
O rosto de Daisy perdeu toda a cor ao perceber a verdadeira natureza da promessa à qual ele se referia.
— Posso saber qual foi essa promessa?
Isso é um desastre. O Rei, agradavelmente embriagado, fez a pergunta mais desnecessária possível.
‘Por favor, não responda.
Por favor, não responda.
Por favor, por favor, por favor…!’
Daisy fez preces desesperadas a qualquer divindade que pudesse estar ouvindo.
— Como todos devem ter visto nos jornais… dizia respeito à nossa noite de núpcias.
Mas aparentemente nenhum Deus estava ouvindo as súplicas de Daisy.
[Grão-Duque Waldeck, herói que salvou a nação! Qual é a primeira coisa que você quer fazer ao retornar?]
[Ter minha amada esposa, Daisy, em meus braços.]
Daisy lembrou daquela manchete escandalosa que havia estampado todos os jornais do reino. O problema era que todos os presentes também se lembravam.
— Na verdade, eu já estava ansioso por isso desde o nosso casamento, mas adiamos deliberadamente a consumação.
Maxim sorriu de forma brincalhona, olhando ao redor como se estivesse orgulhoso de sua confissão chocante.
— Percebi que precisava de motivação adequada para terminar a guerra rapidamente e voltar para casa.
Continua …
Tradução e Revisão: Elisa Erzet