Capítulo 45
O salão, que havia ficado momentaneamente em silêncio, de repente explodiu em risadas animadas.
Mesmo que o discurso de Maxim fosse descarado e ultrajante, parecia que tudo dependia de quem o dizia. Vindo de um herói nacional, foi percebido como charmoso e teatral.
Daisy von Waldeck parecia ser a única pessoa que achava a situação mortificante. Até mesmo a tia, que normalmente considerava tudo escandaloso e impróprio, estava aplaudindo com um sorriso satisfeito.
— Portanto, gostaria de propor um brinde. A minha esposa Daisy von Waldeck.
Maxim depositou um beijo suave na testa de Daisy e sussurrou, o suficiente para que apenas ela ouvisse:
— Minha querida.
— O que você está fazendo? O que é isso? — ela sibilou.
— Não vai me parabenizar? Afinal, voltei vivo graças a você, certo?
Ele beijou sua bochecha, então se endireitou e ergueu sua taça de champanhe bem alto.
— A Daisy von Waldeck!
— A ela! — respondeu os presentes.
Tin. O som das taças ressoando ecoou por todo o salão. Daisy desejou poder desaparecer pelo chão.
Queimando de vergonha, tentou virar o champanhe de uma vez, mas Maxim rapidamente interceptou a taça.
— O quê? Devolve. Esse é o meu champanhe.
— Vai ficar bêbada. Você não se dá bem com álcool.
— Como você saberia disso? Já me viu beber? Você nem me conhece…
— Dá pra perceber só de olhar.
‘Que presunçoso.’
— Devolve. Estou com sede.
Ele ergueu uma sobrancelha de forma provocadora e virou o champanhe dela de uma vez.
‘Minha garganta está seca, não a sua. Por que eu não posso nem tomar champanhe?’
Seu estômago se revirou de indignação.
— Se está com sede, beba água. Nada mata a sede melhor do que água.
Ele chamou um criado próximo e ordenou que enchesse a taça de Daisy com água.
‘Se ao menos eu pudesse dizer o que penso.’ Daisy cerrou os punhos, tremendo de raiva reprimida.
Toda essa situação era um absurdo. Mesmo sendo apenas uma suspeita, mas ele era o homem que esteve ausente por uma semana,
provavelmente tendo um caso, o mesmo que comprou sapatos para ela com promessas de levá-la a algum lugar bonito, até verificando se os usava. Por que ele estava agindo assim agora?
‘Será que ele está apenas fazendo cena para o público?’
Um herói nacional e romântico devoto que amava sua esposa mais que a própria vida, material perfeito para manchetes. Ele já havia causado sensação na capital com declarações semelhantes, então devia estar tentando aproveitar esse momento com outra declaração para agradar o público.
Mesmo sendo apenas um marido de fachada, como esse mulherengo ousa tentar explorar sua esposa sofredora? E não era uma exploração simples — ele estava extraindo tudo, arrancando cada gota de benefício. Que falta de consciência. Era absolutamente revoltante.
Daisy decidiu que teria que incluir essa humilhação no acordo de divórcio.
‘Talvez eu devesse escrever um livro de memórias também.’
Se temperasse com bastante detalhes escandalosos, poderia vender muito bem.
[Confissão Chocante da Ex-Grã-Duquesa:
Meu marido era um canalha.
Enganada para Casar, Marido Começa Caso Menos de Um Mês Depois de Voltar para Casa – Sem Coração e Sem Consciência…
A História Completa de Como a Grã-Duquesa se Divorciou por Causa de um Par de Sapatos.]
Isso parecia muito mais comercializável do que aquela bobagem sobre um herói nacional que suspirava pela noite de núpcias.
Com o dinheiro, ela planejava estabelecer um novo orfanato em um local discreto, mandar todas as crianças para a universidade e garantir cuidados médicos adequados para os doentes.
— Então, a musa do nosso heroi deveria dizer algumas palavras para um brinde, — declarou o Rei com um sorriso frouxo, fazendo uma sugestão absurda.
Ele parecia completamente bêbado. Os guardas deveriam estar monitorando ele, não alguém perfeitamente sóbrio.
Todos os olhos no salão se voltaram para Daisy. O Conde Thereze, sentado relativamente perto, não foi exceção.
‘É tudo por causa daquele canalha.’Daisy rangeu os dentes internamente enquanto se levantava lentamente de seu lugar.
‘Ao lindo adultério de Maxim von Waldeck!’
Ela queria desesperadamente gritar alguma declaração igualmente absurda, mas era uma adulta racional. Suprimindo o impulso de expor sua verdadeira natureza, forçou um sorriso elegante e gracioso.
— Estou emocionada, — ela começou. — Fiz tão pouco, e vocês estão propondo um brinde em minha homenagem? Mal sei como responder.
Daisy ergueu sua taça de água e começou seu discurso relutante.
— É uma grande honra e bênção saber que o Grão-Duque me tem em tão alta consideração, tanto como sua esposa quanto como uma de suas súditas. No entanto, a pessoa que realmente merece o maior crédito pelo retorno seguro de Vossa Graça é outra.
Ela olhou para Maxim antes de gesticular em direção à tia, sentada do outro lado.
— Foi graças às orações fervorosas da minha tia ao Todo-Poderoso, dia e noite, que pude ver Vossa Graça de volta em casa em segurança. Ela protegeu Waldeck silenciosamente durante toda a sua ausência. Portanto, desejo dedicar esta honra a ela.
Estava improvisando, mas agora que havia dito, soava surpreendentemente convincente. A Grã-Duquesa Viúva, subitamente colocada no centro das atenções, parecia um tanto atônita.
— Pela paz e prosperidade do nosso reino.
— Pela paz e prosperidade! — ecoou os convidados.
As pernas de Daisy subitamente ficaram trêmulas, e ela desabou de volta em seu assento após o brinde constrangedor.
— Foi um discurso magnífico. — Maxim fez um gesto de aprovação.
‘Ele está zombando de mim?’ Daisy nem tinha energia para discutir. Só queria seu marido fora de sua vista o mais rápido possível.
— Vai embora. Por favor.
— Fiquei profundamente comovido.
— Eu disse para ir embora.
— Me retirarei conforme ordenado, Vossa Graça.
‘Que porra! Total absurdo.’
‘Para chegar ao céu, eu precisaria parar de xingar primeiro. Mas o mundo simplesmente não coopera com linguagem refinada.’
— Peço desculpas por aquele constrangimento, — disse Daisy, virando-se para a tia. — Sua Majestade me pegou completamente de surpresa, e minha mente ficou em branco…
— Obrigada.
— Perdão?
Daisy observou o rosto da senhora, que havia permanecido rígido durante toda a noite, suavizar como neve derretendo.
— Sou realmente grata, Daisy.
— Grata? Eu não disse nada além da verdade. A senhora é quem vem protegendo Waldeck o tempo todo.
— Você protegeu minha dignidade, não foi?
— Oh… —Daisy mexeu nos dedos, parecendo envergonhada. A tia a observava com grande ternura.
— Você não se ressentiu de mim? Eu estava constantemente te dando broncas.
— Para ser honesta, houve momentos em que eu não queria ouvir… mas isso significava que a senhora se importava comigo, não é?
Os olhos da tia se arregalaram ligeiramente com a resposta sincera de Daisy.
— Eu cresci sozinha, sem família. É maravilhoso quando alguém se importa comigo.
O sorriso radiante de Daisy lembrou a Viúva de sua filha falecida, uma garota rebelde que nunca dava ouvidos às broncas, sempre fazendo exatamente o que queria. Em vez de se comportar como uma dama adequada, cavalgava pelos campos e comia o que queria — um espírito completamente livre.
“Você é nobre. Deve manter sua dignidade.”
“Quem se importa com o que os outros pensam? Minha felicidade é o que importa.”
No fim, ela desafiou os desejos dos pais, partindo seus corações. Fugiu com um soldado e nunca enviou sequer uma carta.
A primeira notícia que a Viúva recebeu sobre a filha foi um obituário: ela havia morrido em um naufrágio durante uma viagem, seguindo o marido que buscava trabalho no exterior. Uma tragédia que poderia ter sido evitada se ela tivesse aceitado a vida aristocrática arranjada por seus pais.
A Viúva frequentemente pensava na filha ao observar a obstinada Daisy.
— Quem se importa com o que os outros pensam? Hoje também é a celebração de Waldeck.
Ouvindo exatamente essas palavras, um arrepio percorreu sua espinha, como se sua filha tivesse retornado do além.
Costumava se ressentir da semelhança. Agora, isso as aproximavam. Que estranho.
— Daisy, posso te fazer uma promessa?
— Que tipo de promessa?— perguntou Daisy, arregalando os olhos com a proposta repentina.
— Enquanto você carregar o nome Daisy von Waldeck, a posição de Senhora de Waldeck será sua.
Significava que ela não precisaria se preocupar com divórcio, mas fiel à sua criação nobre, a viúva disse isso de maneira bastante indireta. Daisy, alheia ao significado oculto, simplesmente respondeu com um sorriso brilhante:
— Eu protegerei sua dignidade.
Com essa declaração, a tia de Daisy von Waldeck, que antes mantinha lealdade ao seu sobrinho, agora transferia sua lealdade para a esposa dele.
‘Transformarei esta garota obstinada e ingênua em uma dama da qual nunca terei vergonha de apresentar em qualquer lugar.’
A Grã-Duquesa Viúva fez este juramento silencioso a si mesma.
Continua…
Tradução e Revisão: Elisa Erzet