Capítulo 23
— Você entrou enquanto eu estava arrumando. Não foi?
— Sim…? Ah, sim! Eu estava pensando em confiá-las a um joalheiro profissional para remover toda a poeira. E guardá-las depois de polidas até brilharem.
Rose remexeu no avental e tirou os pequenos objetos. Exceto pelo grampo de esmeralda, eram peças simples que a Grã-Duquesa não usaria.
Enquanto Maxim encarava sem expressão, Daisy falou rapidamente.
— De fato, Rose. Obrigada.
— Por nada, Vossa Graça.
— Você é tão adorável. Minha Rose é a melhor.
Daisy usou um apelido estranho e beijou a bochecha de Rose, sentindo arrepios se espalharem pelo corpo. A expressão de Maxim escureceu ao observar.
— Rose, você tem passado bem?
— Não, não tenho. Desde que Vossa Graça se casou com Waldeck e se mudou para a propriedade dele, tenho me preocupado com a senhora.
— Nossa, é mesmo? Não sabia que pensava tanto em mim. Fico sinceramente emocionada, Rose.
— Claro. A senhora é tão desajeitada. Eu me preocupava que chutasse o cobertor durante a noite e pegasse um resfriado, ou que seu cabelo ficasse uma bagunça. Sentia como se tivesse deixado uma criança à beira do rio.
Essa garota parecia estar zombando dela de forma sutil.
Ainda assim, Daisy não podia estragar o momento caloroso discutindo. Apesar da frustração, forçou um sorriso radiante.
— Viu? Eu amo tanto a Rose. Somos como irmãs. Como eu poderia abandoná-la quando ela se importa tanto comigo? Não é, Max?
Daisy lançou um olhar para Maxim.
— Entendo. Compreendo que Rose é uma criada confiável e capaz, essencial para Daisy… Então vamos fazer assim.
Maxim fez uma pausa, então tomou uma decisão.
— Vamos ficar com as duas.
— As duas?
— Sim. Marigold é tão confiável e capaz quanto Rose.
Ela não parecia ser. Mary parecia desajeitada para uma empregada e não muito confiável.
— Marigold.
— Sim, Mestre.
— Liste suas especialidades. Vamos.
— Sim, senhor!
— Sou uma atiradora de elite e habilidosa em combate corpo a corpo. Também sou mais forte que a maioria dos homens.
— Registrado.
— Obrigada, senhor.
Para uma empregada pessoal, ela tinha habilidades de uma arma. Mary, com suas capacidades elogiadas por Maxim, parecia comovida.
— Também sobrevivi no deserto com minhas próprias mãos. Sempre ajudarei Vossa Graça como uma sombra e a carregarei em segurança se for preciso.
— Então, o que acha?
Maxim perguntou ansioso, como uma criança buscando elogios. Seu rosto estava cheio de expectativa. 🥰
Depois de ouvi-la, Mary parecia perfeita para Maxim, que era um soldado. Mas para Daisy, suas habilidades marciais eram excessivas.
— Hum, Max. A Mary parece mais uma guarda-costas do que uma criada. Um guarda-costas é um pouco…
— Ela estará sempre ao seu lado Izzy, então é uma criada. Também pode ser guarda-costas em emergências. É versátil, então Izzy pode usá-la conforme necessário.
Por que ir tão longe?
Como ex-assassina de elite, Daisy sabia se virar sozinha.
— Desculpe, Max, mas é um pouco demais. Eu não saio muito, e sou bastante tímida. Acho que a Rosa, que é próxima de mim, é suficiente…
— Entendo. Que pena.
Enquanto Daisy falava hesitante, o olhar de Maxim se obscureceu.
— Então e quanto a ela? Ficará desempregada se a Izzy não aceitá-la.
— Desempregada?
— Sim, eu a dispensei para trazê-la aqui. Desde ontem, Marigold é civil.
Dispensada. Ela era um soldado.
— Não, falei demais. Não é sua culpa Izzy, então não se preocupe.
Ela se sentiu inquieta. Não era sua culpa, mas como não se preocupar?
— É minha culpa por agir impulsivamente sem perguntar. Eu queria surpreender minha Izzy e receber elogios.
Quando Daisy permaneceu em silêncio, Maxim se virou para Mary com preocupação
— Ei, Marigold.
— Sim, Mestre.
— Você não disse que tem irmãos mais novos para sustentar?
— Isso mesmo. Tenho seis pequenos em casa que dependem de mim.
Ela era a chefe da família.
— Bem, sinto muito. Não há nada que eu possa fazer se minha Izzy não a quiser.
— É culpa minha por ser inadequada. Se eu fosse mais capaz, não seria abandonada. Sinto muito.
Abandonada. Ela não precisava dela, não estava abandonando…
Mary parecia deprimida.
— Você é rápida em captar a situação. Não acho que esteja errada, então cuide-se.
— Sim, senhor.
Depois de falar, Maxim e Mary olharam para Daisy. Ao encarar os olhos grandes e inocentes de Mary, Daisy suspirou suavemente.
‘Droga. Seis familiares para sustentar?’
Daisy sentiu uma estranha afinidade e compaixão pela criada-arma desajeitada.
🌸🌸🌸
Maxim foi embora. No quarto ficaram Daisy e suas duas criadas, três pessoas ao todo.
Ela se arrependeu da escolha. Precisava de um plano de divórcio, mas agora duas criadas a observavam. Uma era uma manipuladora ligada a Thereze, a outra uma forte e digna de pena ligada a Waldeck.
Droga. A pior combinação.
Não era um jardim de flores. Por que os nomes delas eram todos flores?
Daisy, Rose, Marigold. Como um buquê.
Ela estava irritada, mas quem poderia culpar? Era culpa dela por ser coração mole demais.
O comportamento de Mary era estranho, e desde mais cedo ela vinha encarando Daisy de forma esquisita, corando com um olhar persistente demais para ser ignorado.
Daisy decidiu perguntar diretamente à nova criada.
— Hum, Marigold, você tem algo a dizer?
— …
— …Mary?
Quando Daisy perguntou novamente, o rosto de Mary ficou vermelho como um tomate.
A “criada-arma humana” que Maxim lhe dera parecia quebrada.
— Mary, você está doente?
— Não! Desculpe. Eu estou muito nervosa…
— O quê?
Ela havia respondido tão bem antes. Era influência de Maxim?
Mary tremia como um bezerro assustado.
— Hum… você foi forçada a vir para cá? Se me disser agora…
— Não, eu me voluntariei para esta posição.
Ela foi firme quanto a isso.
Ela não tinha vindo para tremer. Então por que estava ali?
Daisy inclinou a cabeça.
— Eu nunca vi uma mulher tão linda quanto Vossa Graça…
— O quê?
— Eu sabia que a senhora era bonita no vestido de noiva. Mas mesmo em roupas simples, a senhora é… tão linda. Vossa Graça tem a beleza que eu admiro.
— Eu?
— Sim, claro, não estou dizendo que gosto de mulheres… Mas gosto muito de Vossa Graça. Por favor, não conte ao senhor. Eu só… espero que não entenda errado.
— Está bem, Mary. Não vou entender errado. Acalme-se…
Onde estava a disciplina de antes?
Ela suava, quase digna de pena.
— Eu me alistei jovem e cresci com soldados fedorentos. Mas aqui, o cheiro é tão bom. Como um jardim de flores. Sem suor, sem odor. Estou tão feliz…
Mary estava à beira das lágrimas.
Ao ver sua inocência, Daisy sentiu vontade de abraçá-la.
— Na verdade, eu me alistei pela minha família, mas ser soldado nunca combinou comigo…
Continua…
Tradução: Elisa Erzet