Capítulo 22
‘O que diabos eu acabei de ouvir? E por que eu ficaria envergonhada com isso?’
É só irritante como aqueles pervertidos ficam encarando com aqueles olhos imundos. Daisy, na verdade, sentia orgulho de sua beleza digna de uma deusa.
— Não há nada do que se envergonhar. Aqueles bastardos que encaram sem saber o seu lugar é que estão errados. Minha Izzy fez de errado?l.
— Ah, não é isso. Eu não estou envergonhada…
— É só dizer a palavra. Aqueles bastardos… eu arranco cada um daqueles olhos insolentes.
— É sério, eu não estou.
O problema não era apenas a pergunta constrangedora que ele tinha disparado.
— Aff, enfim, por favor, não use mais sutiã tão apertado. É por isso que você fica inchada e com indigestão.
Um estalo suave ecoou, enviando outro arrepio por sua espinha. Os dedos travessos haviam desabotoado novamente o fecho do seu sutiã.
— Se você não tiver nenhum, vamos comprar novos. Do tipo mais caro, de todas as cores.
Aquele maluco tarado está começando de novo.
Claro, só Daisy percebeu, já que ele não tinha feito nada óbvio, mas a irritação dela explodiu.
Pensando bem, como ele sabia que ela estava usando um sutiã tão pequeno? Ela só tinha colocado porque era o único limpo que sobrou depois de lavar roupa.
Ele tinha um olhar bastante atento. O sutiã afrouxado aliviou a pressão em seu peito, mas ainda assim, como ele ousava tocar na roupa íntima dela na frente dos outros? Isso era algo que ela absolutamente não podia deixar passar.
Daisy lançou-lhe um olhar fulminante, cerrando os dentes enquanto advertia:
— Eu realmente odiei isso agora. Não faça de novo.
— Desculpa. Não vou.
— Se está arrependido, então… aff… solte isso também.
— Espera um pouco.
Independentemente de Daisy lutar ou não, Maxim, claramente apaixonado, olhou para ela com olhos melosos e então a puxou para outro abraço apertado, beijando suavemente o topo de sua cabeça.
— Senti sua falta, Izzy.
Faziam apenas dois dias que não se viam, mas Maxim agia como se tivesse retornado de outra guerra, seu afeto beirando o desespero.
‘Será que ele gosta tanto assim do cheiro do meu cabelo?’
Como era de se esperar de um pervertido. Ele inalou profundamente outra vez, de forma constrangedora, e riu como se estivesse embriagado pelo aroma.
‘Aff… por favor. Pare. Se você ficar de pau duro de novo, serei eu quem vai passar vergonha.’
Maxim nunca parecia constrangido com as reações do próprio corpo. Especialmente quando ela imaginava como Rose, aquela vadia fogosa, zombaria e provocaria sem piedade, a irritação de Daisy aumentava.
Com esse pensamento, Daisy deslocou sutilmente os quadris para trás, como o traseiro de um pato, só o suficiente para evitar contato com a ereção crescente dele. Em seguida, empurrou levemente o peito dele, apenas o bastante para não deixá-lo constrangido.
— Enfim, quem é essa ao seu lado…?
Daisy mudou rapidamente de assunto para escapar do clima estranho.
Pensando bem, Maxim não tinha vindo sozinho, ele tinha companhia. Relutantemente se afastando, Maxim sorriu brilhantemente e envolveu o braço em volta dos ombros de Daisy.
— Ah, quer dizer isso? Pensei que minha Izzy também pudesse precisar de sua própria Karen. Então providenciei.
Mesmo enquanto a apresentava, Maxim falava dela como se fosse um objeto.
Karen… ela é uma criada.
A mulher de cabelos castanhos com um rosto honesto e ingênuo era surpreendentemente alta e robusta. Sinceramente, não achava que um uniforme de criada pudesse ficar tão desfavorável em alguém.
Havia algo bem desengonçado e rígido nela, parecia mais um soldado do que uma criada.
— Minha esposa está curiosa a seu respeito. Repita comigo.
Maxim também a tratava de forma estranha, como se fosse uma de suas subordinadas.
— Olá , Vossa Graça. Eu sou Marigold, e servirei como dama de companhia de Vossa Senhoria. Juro minha lealdade absoluta!
A apresentação foi feita com precisão militar, tornando inegável que ela era um soldado.
Além disso, dama de companhia? Soava estranhamente formal e desengonçado para uma empregada.
‘De onde diabos ele recrutou ela? Estou curiosa sobre seu histórico.’
A expressão de Daisy ficou um tanto desconfortável enquanto observava a dedicada Marigold.
— Hmm, Max? Dama de companhia? Você quis dizer empregada, certo?
— Ah, a Marigold disse dama de companhia? Ela é muito tímida, então deve ter se atrapalhado. Ei, Marigold, não consegue acertar?
Quando Maxim chamou seu nome, Marigold respondeu com rígida precisão militar.
— Vou me corrigir, Comandante… Não, quero dizer Mestre!
— No chão e faça flexões.
Ao comando frio de Maxim, Marigold imediatamente assumiu a posição de flexão.
— Um, foque a mente. Dois, prepare-se. Começar.
— Sim, senhor!
— Um.
— Foque a mente!
— Dois.
— Firme o corpo!
— Um.
— Foque a mente!
— Dois.
— Firme o corpo!
‘Meu Deus. Isso está mesmo acontecendo bem na minha frente?’
E ela deveria ser uma empregada!
O rosto de Daisy empalideceu completamente.
— À vontade.
Somente após a permissão de Maxim Marigold se levantou e endireitou a postura.
Após sua punição, os olhos de Mary brilhavam com uma determinação ainda mais feroz, como os de uma guerreira experiente.
— De agora em diante, você não é uma dama de companhia, mas uma empregada. Entendido?
— Sim!
— Se entendeu, apresente-se corretamente.
— Entendido!— respondeu Mary de forma enérgica.
— Olá, Vossa Graça. Eu sou Marigold, Governanta da Mansão Waldeck, designada para servir como sua criada pessoal. Daria minha vida com alegria por Vossa Graça!
A essa altura, seu histórico estava claro sem necessidade de mais perguntas.
O jeito como ela recitou sua apresentação, como uma chamada militar, confirmava que Mary era inegavelmente um soldado. Mais do que isso, ela parecia o exemplo perfeito de um soldado: cega e obedientemente submissa a ordens, totalmente carente de flexibilidade.
Meu Deus do céu. De um modo distorcido, ela era a pessoa ideal de Maxim von Waldeck.
O homem odiava absolutamente qualquer um que questionasse ou discutisse com ele, exceto sua esposa Daisy, já que acreditava em obediência absoluta à autoridade.
Rose sozinha já era problema suficiente. Uma empregada designada por algum motivo suspeito?
Era óbvio que isso só atrapalharia os planos de divórcio de Daisy.
Parecia melhor recusar.
— Max, agradeço por pensar nisso, mas eu já tenho minha própria criada pessoal.
Agora era a vez de Daisy apresentar sua própria pessoa.
— Esta é Rose, que cuidou de mim em Thereze. Meu pai a enviou pessoalmente, preocupado que eu ficasse sozinha em Waldeck.
Ela apresentou Rose ao marido.
— Venha, Rose, este é o Max. Não, o Grão-Duque Waldeck. Você deve cumprimentá-lo adequadamente.
— …
Quando olhou, Rose estava encarando Maxim, com o rosto meio atordoada.
‘Ah, querido Deus. De novo não com essa paixonite. Ela deve ter se apaixonado à primeira vista. Acorda. Por favor.’
Daisy cutucou Rose com o cotovelo, e só então Rose fez uma saudação educada.
— Olá, Vossa Graça, Grão-Duque. Meu nome é Rose. Fui designada para atender a Grã-Duquesa a partir de hoje.
Mesmo após uma saudação tão formal, o olhar de Maxim permaneceu estranhamente indiferente.
Para quebrar o silêncio constrangedor, imaginei que seria melhor oferecer um elogio, mesmo que falso.
Ela não é exatamente bonita, não importa o ângulo, mas esta era uma escolha necessária para sua sobrevivência.
— Rose é uma criada muito competente. Ela sabe tudo sobre mim. E é muito gentil.
Mas forçar-se a oferecer elogios falsos fez sua pele se arrepiar de desconforto, como se urticária estivesse surgindo por todo o corpo.
Daisy pressionou os dedos dos pés com força contra o chão, desesperada para impedir que os cantos de seu sorriso forçado tremessem.
— E o que mais… Ela é esperta, e ah! Especialmente, tem mãos incrivelmente ágeis.
Karen estava bem ali, mas Rose já havia roubado o grampo de cabelo caro sem ser pega. As mãos dela realmente se moviam como um relâmpago.
Rose ouviu os elogios com uma expressão presunçosa de profunda satisfação.
— Quando se vive com ela, não há canto da casa que o toque da Rose não alcance! Ela toma um cuidado tão meticuloso com tudo para garantir que eu fique confortável, mesmo em lugares que não posso ver. Agora mesmo, ela organizou direitinho minha caixa de joias. Não é, Rose?
— Sim, Vossa Graça. Estava muito bagunçada. Eu sabia que tinha que estar aqui para cuidar da senhora.
— Isso mesmo. Como eu poderia viver sem você?
— Fico tão emocionada por reconhecer isso. Também estou muito feliz de estar aqui em Waldeck.
Daisy colocou o braço em volta do ombro de Rose, fingindo ser a empregada favorita da Grã-Duquesa. Rose normalmente teria se esquivado com tal contato, mas dadas as circunstâncias, ela apenas a tolerou.
Maxim caminhou em silêncio até a penteadeira e abriu calmamente a caixa de joias de Daisy.
— Está vazia.
— …
— É isso que você chama de arrumar?
Ah, não. Essa vadia ainda não largou seus velhos hábitos.
Ao que parecia, ela não tinha roubado apenas o grampo de esmeralda. Daisy cerrou os dentes e beliscou com força o ombro de Rose, fazendo-a estremecer.
Continua…
Tradução: Elisa Erzet