Capítulo 20
O desgraçado que merecia apanhar ostensivamente buzinou e ergueu o dedo do meio pela janela. Não, no dia 1º de janeiro já tem gente assim?
— Cuidado.
Saebyeok passou a mão nas costas de Gong Pyeonghwa, disse para ele olhar bem para todos os lados ao andar, e memorizou a placa do carro do desmiolado.
Depois de lembrar que, após cada coisa boa, sempre vinha um perigo para Gong Pyeonghwa, o coração dava um solavanco.
Levando Isul, que fora corajosamente ao banheiro, deram uma volta pelo corner de lanches. Não dava para ser mais aguerrido.
— Isul, qual número?
— Três! Um! Dois!
— Trezentos e doze. O do papai é trezentos e sete. Vamos pegar as batatinhas primeiro.
Deixou os lanches por conta dos dois, e Saebyeok, com Roun no colo, pegou dois cafés na cafeteria e entrou primeiro no carro.
Como as pessoas que tinham saído para passear começavam a voltar, dava para prever congestionamento.
Achou que seria melhor jantar em alguma cidade próxima e voltar para casa.
— O que a gente janta?
— Coisa gostosa! Coisa gostosa!
— Coisa gostosa! Coisa gostosa!
Hum.
Pai e filha, com batatinhas, bastão de frutos do mar, torrada, chungmu gimbap, milho assado e frango frito nas mãos, entoando “coisa gostosa!”.
— Depois de comer isso ainda cabe jantar?
— Aperitivo. Aperitivo.
— Lanche. Lanche.
Sim. Entendi…
Confiando naqueles grandiosos, ou melhor, naqueles com estômagos grandiosos, foram a um restaurante que era bom.
De fato. Os dois não decepcionaram e saíram de lá satisfeitos.
— Uau. Estava gostoso.
— Uau. Estou cheeia.
Diante do pai e da filha idênticos batendo na barriga, Saebyeok riu e terminou de estacionar.
Ao voltarem para casa, os pais ajudaram Isul e Roun a escovar os dentes.
Como as crianças brincavam com uma bola macia e começaram a cochilar, foram naturalmente deitadas na cama. As duas, que tinham insistido que não dormiriam, apagaram assim que a cabeça tocou o travesseiro.
Os dois fecharam a porta em silêncio e saíram, e depois Gong Pyeonghwa foi trocar de roupa dizendo que ia correr um pouco.
Saebyeok enfatizou que ele tomasse cuidado, na dúvida, e ficasse sempre atento ao entorno.
— Por que você está assim hoje? Aconteceu alguma coisa?
— Nada. Cuidado nunca é demais.
Gong Pyeonghwa estreitou os olhos, olhou Saebyeok de esguelha e sorriu.
— É por causa daquela mensagem do “hosadama” no rádio, né?
— …Cuidado nunca é demais, certo? E você quase foi atropelado hoje.
— Ai, ai. Meu marido de coração de vidro, cheio de preocupações. Já disse para não se preocupar. Do que se preocupar? Eu só vou ao parque correr um pouco e volto. Quando a gente teve algum perigo?
Teve. E todos os perigos foram com você.
Quando Saebyeok explicou toda a história, Gong Pyeonghwa fez “aah…!”, como se tivesse esquecido, e logo se convenceu, decidindo ter consciência e desconfiar sempre da falta de percepção de risco.
Gong Pyeonghwa saiu para caminhar depois de fazer até promessa de dedinho.
Saebyeok sentou-se na cadeira de massagem e relaxou a nuca enrijecida de dirigir.
As crianças dormiam bem, a comida estava guardada na geladeira e, mesmo tendo que trabalhar amanhã, não havia nada urgente.
Bastava descansar tranquilo e ir trabalhar sem pressa amanhã.
Mas por que ele estava tão ansioso?
Justamente quando aquela sensação incômoda começava a virar ansiedade, Isul chorou aos berros dizendo que o papai não estava.
Quando ele a acalmava dizendo que o papai estava ali, ela dizia que não era esse papai.
Dizendo que ia casar com o papai Saebyeok quando crescesse, mas, quando o papai Pyeonghwa não estava, era sempre assim que ela o procurava.
Para piorar, Roun também acordou e chorou aos berros.
No fim, Saebyeok pegou as crianças no colo. Formou-se uma expedição para encontrar o papai Pyeonghwa que fora se exercitar. Ele que achava que finalmente ia descansar.
— Pyeonghwa. Onde você está agora?
— Eu, huf, eu estou passando do parque, indo ao poço de água da montanha e voltando! Por quê?
Nesse meio-tempo ele foi longe.
— As crianças estão chorando com saudade.
— Esses pestinhas…? Podiam ter sido assim quando eu estava aí. Está bem. Já volto!
— Como as crianças choraram muito, eu saí, mas a gente pode se desencontrar, então vamos confirmar o trajeto.
— Hum. Então eu vou naquele café-pub onde a gente bebeu chope junto. Vou nessa direção.
— Sim. Até já.
Saebyeok colocou as crianças no carrinho tipo carrinho de mão. Pôs cachecol, gorro e luvas em ambas e empurrou.
Sentiu um peso definitivamente maior do que no mês passado.
Meus pestinhas, estão crescendo direitinho.
As crianças, que faziam escândalo chorando com saudade do pai, ao sentir o vento lá fora, como se nada tivesse acontecido, arregalaram os olhos e riram olhando em volta.
Não era saudade do pai, era vontade de passear.
Dramaticamente, encontrou Gong Pyeonghwa com um semáforo entre eles.
Vendo-o acenar com apenas uma mão erguida, parecia que ele comprara alguma coisa nesse meio-tempo e escondia atrás das costas.
Saebyeok cerrou os lábios para fingir que não sabia.
Nesse meio-tempo o sinal ficou verde para pedestres, e Gong Pyeonghwa, em plena corrida, correu no lugar e olhou ostensivamente para os dois lados.
Era um show para o marido preocupado, que dizia que cuidado nunca é demais.
Gong Pyeonghwa atravessando com segurança no sinal verde, olhando para os dois lados.
Não, um carro fazendo a conversão à esquerda avançou sobre Gong Pyeonghwa, que atravessava conforme o sinal de pedestres.
— Pyeong…
O coração despencou e ouviu-se um zumbido agudo.
Eu disse para tomar cuidado. Ver de novo até o fogo apagado, testar a ponte de pedra antes de atravessar, hein? Cuidado nunca é demais…
Não estava tão rápido, então ele não deve ter se machucado muito, né? Só uma leve concussão?
Num instante, passou pela cabeça de Saebyeok, como um flash, um cenário absurdo que começava numa escoriação leve e ia até concussão, UTI, cirurgia e, no fim, amnésia.
Mas o dia ágil do ágil Gong Pyeonghwa não tinha terminado.
— Uau. Caramba.
Gong Pyeonghwa, que desviou com seus reflexos característicos da colaboração entre a conversão sem proteção e um motorista iniciante, passou a mão no peito.
Por pouco o buquê que ele comprara para Saebyeok não virou um desastre! Isso é surpresa, viu!
— Ei, dirija direito!
— Desculpe! Desculpe! O senhor se machucou?
— Ah, deixa. Vá logo.
Nem saiu do carro, poxa. Aff.
Mas o infortúnio de Gong Pyeonghwa não acabou aí. Enquanto corria para terminar a travessia antes de o sinal fechar, quase foi atropelado por um patinete elétrico na contramão.
Aqueles não são loucos? Aquilo.
De uniforme, três pessoas no mesmo patinete, e na contramão… vendo o motivo pelo qual há ordem para vir mas não para ir, Gong Pyeonghwa se aproximou do marido e dos filhos.
— Papai! Papai! Su-per-man!
— Uau. Fui ágil, né? A Isul e o Roun têm que andar sempre de mãos dadas com o papai e com os professores, com a mão erguida e olhando para os dois lados.
— Mas o papai também atravessou no verde!
— O mundo não é tão simples assim…
Quando gente sem juízo está no volante, é praticamente um desastre natural. O que um ser humano pode fazer é…
— Saebyeok. Saebyeok?
Gong Pyeonghwa balançou a mão diante dos olhos de Saebyeok, que estava atônito.
— Ah, sim! Sim! Pyeonghwa!
— O quê. Está me recebendo assim?
Gong Pyeonghwa abraçou de bom grado Saebyeok, que se jogou em seus braços. Como Saebyeok não era do tipo que demonstrava tanto afeto em público, foi estranho, mas foi bom.
Mas, como não havia sinal de que ele fosse se soltar, ele o ergueu no colo e olhou-o nos olhos.
Ai, ai. Se não tivesse visto o rosto, eu nunca saberia.
— Por que essa cara de choro?
— Nada. Só. Me assustei um pouco.
Saebyeok, sem graça, enterrou o rosto no ombro de Gong Pyeonghwa.
— Por quê? Por eu quase ter sofrido um acidente?
No instante em que viu o rosto de Saebyeok, Gong Pyeonghwa pensou: “ele simulou o pior cenário de novo”.
Preciso apagar essa ansiedade logo.
— No que você estava pensando?
Gong Pyeonghwa, que conhecia bem o mau hábito do marido de, normalmente tranquilo, cavar até o fundo do fundo quando imaginava o pior cenário, perguntou com doçura para encerrar a ansiedade.
— Nada, é que ultimamente a gente está feliz demais… e achei que já era hora de vir uma crise… só isso…
Saebyeok titubeou e foi contando aos poucos, e pouco depois desabafou tudo.
Sim. Normalmente você tranca bem os pensamentos, mas nessas horas escreve roteiro de novela absurda.
— Ou seja, eu fui atropelado diante de você, tocou alguma trilha sonora de novela, a visão virou preto e branco, apareceu o anúncio do patrocinador, e nas cenas do próximo capítulo eu estava com amnésia e não te reconhecia. É isso. Agora.
— Não, não foi bem isso…
Diante da frase organizada saindo da boca de Gong Pyeonghwa, o rosto de Saebyeok esquentou.
Quando pensava, não parecia, mas, ouvindo da boca dos outros, não sabia por que era tão vergonhoso.
— O que a gente faz! O nosso Saebyeok ainda é um bebê!
Aah. Tão precioso. Ele exagerou e acalmou Saebyeok.
Depois de mostrar a estratégia de tirar o marido do sério com escândalos e bobagens, Gong Pyeonghwa decidiu ir ao ponto.
— Eu, com amnésia…
Isso é algo que se espreme quando não há mais o que contar, não?
Com tudo o que eu construí, perder tudo isso por causa de uma conversão sem proteção de um motorista iniciante.
Fale coisa com coisa. Saebyeok. Isso é prejuízo demais para mim.
— Saebyeok. Onde já se viu melodrama no nosso amor.
E ainda um melodrama de que época. Assista a umas novelas e atualize… Aproveitando para colocar input novo, vamos ao cinema na semana que vem?
Gong Pyeonghwa sorriu suavemente, escondendo o desejo de que o marido se afastasse um pouco dos documentos.
— Amnésia!
Haha! Nem pensar! Olha a quantidade de páginas que restam! Não há espaço para uma novela absurda dessas! Não diga coisas que fazem as ações caírem!
— O nosso amor é sempre uma autobahn!
Claro, com filhos e com a idade, não seria tão rápido quanto antes. A velocidade pode ter diminuído um pouco, mas ainda assim não há congestionamento sufocante para nós.
Às vezes pode ser tão plano e feliz que gere insegurança ou tédio.
Ou talvez venha alguma provação estranha e haja um momento de crise.
Mas, aconteça o que acontecer, conseguiremos superar sem grandes dificuldades.
Porque temos uma família que confia em nós, filhos adoráveis e, acima de tudo, porque temos um ao outro.
Agora mesmo não há nada de grandioso nem perigoso conosco. Está apenas tranquilo. Então dá para amar ainda mais sem obstáculos, não?
— E gente como a gente fingindo infelicidade é a coisa mais insuportável que existe.
O que herdamos não é uma mera colher, mas uma colher de diamante que não derrete nem jogada numa fornalha, não é?
— A gente vai continuar assim, seguro e sem incidentes, e vai ser assim daqui em diante também.
Vamos repetir o lema da pacífica família Saebyeok e Isul? Hein?
Os olhos de Gong Pyeonghwa se curvaram com travessura.
Diante daquele riso travesso, as preocupações de Saebyeok derreteram como neve. Sumiram num instante, de forma quase inútil.
Com Gong Pyeonghwa era sempre assim.
Saebyeok também curvou os olhos como uma lua, seguindo Gong Pyeonghwa.
— Hmm. O nosso amor é uma autobahn.
Gong Pyeonghwa beijou o rosto de Saebyeok em vários pontos, fazendo barulho, e segurou o guidão do carrinho.
— Ehe! Vamos! Vamos! Vamos!
— Vrum! Vrum! Vrum!
Sim, eu me preocupei à toa. Nosso amor é uma autobahn, e não existem obstáculos sufocantes.
Os anjinhos apressavam sacudindo o buquê.
Poxa, sacudir sem piedade o presente que o papai dá ao marido.
— Até os nossos bebês vrum-vrum da autobahn estão mandando ir logo para casa. O que você está esperando, papai Saebyeok. Coloque o cinto!
— Já entendi.
Sim, eu perdi tempo com pensamentos ruins à toa. Por que pensei isso. Que vergonha.
Tem que se preocupar com o que vale a pena.
Saebyeok entrelaçou os dedos na mão de Gong Pyeonghwa.
Certo, cinto colocado.
Sincronizando a velocidade, partimos para o destino final: casa.
Com toda a segurança, rapidez e felicidade!
───⛽🏁🚗💨───
! Fim da operação!
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna