Capítulo 18
Tirorí. Consolando mais uma vez o marido que hoje se frustrava tanto, Saebyeok olhou para a casa dos pais.
Uma casa em que nada mudara além de um pouco do paisagismo.
Há 20 anos, há 10 anos e ainda hoje, a mesma casa.
E naquela casa havia Gong Pyeonghwa, e Isul e Roun. Apenas 10 anos atrás isso era inimaginável.
Naquela época ele não conseguia sentir a tranquilidade e o calor de agora.
Há 10 anos, nesta época, Saebyeok vivia ansioso.
◀◀◀
— Pyeonghwa.
— Ugh! Que nojo!
Gong Pyeonghwa, que organizava material para a tese, fuzilava o paper como se fosse lixo, e ao chamado de Saebyeok fez um beijinho com os olhos, como o gato mais bonzinho do mundo.
— Hmm? O que foi?
— Eu vou à Coreia neste Ano-Novo lunar.
— Ah. Eu também. Disseram que vão esquecer meu rosto e para eu dar uma passada. Vamos juntos! Reservo a passagem agora?
Gong Pyeonghwa, sentindo a chance, jogou a tese longe e grudou em Saebyeok.
— E a gente tem um encontro na Coreia depois de tanto tempo?
— …Hum.
Encontro era bom, mas encontro na Coreia não era bem-vindo.
Saebyeok percebera algo morando com Gong Pyeonghwa.
Não, ele adquirira uma certeza.
De que gostava de Gong Pyeonghwa mais do que imaginava, e de que era sério e sincero com Gong Pyeonghwa.
Por isso queria ir até o fim com Gong Pyeonghwa.
Quanto mais reconhecia esse sentimento, mais a pressão aumentava.
No dia a dia ele não sentia muito, mas, como agora, bastava pensar em voltar à Coreia para ficar pesado.
E se descobrirem? E se meus pais souberem? E se mandarem terminar? O que fazer nesse caso?
Agora não tenho quase nada. Dá para viver só de amor?
Nós dois, que nunca vivemos com pouco?
Claro que Gong Pyeonghwa conseguiria. Afinal, ele sobreviveu até a um naufrágio.
Mas e ele? Sinceramente, não tinha confiança.
O que ele sabia fazer era, no máximo, estudar.
Então propor que confiassem um no outro e ficassem separados até herdarem a empresa? Isso não seria egoísta demais?
Claro, tanto Gong Pyeonghwa quanto ele conseguiriam ficar castos.
Mas? O mundo não deixaria aquela coisa linda em paz!
Se se soubesse que ele estava solteiro, apareceriam de todos os lados golpes criativos para tentar tê-lo.
Entre eles, podia haver até crimes. Haveria muitos loucos querendo tomar o corpo dele dando bebida e drogas escondido!
Nosso Pyeonghwa é bem mais ingênuo do que parece! Ao contrário da aparência, é puro! Ele cai fácil!
De fato, quando Saebyeok mentia de brincadeira, ele acreditava dizendo “ah, deve ser isso…”.
Claro, isso acontecia porque Saebyeok, não acostumado a brincadeiras, falava tão sério que a visão de mundo de Gong Pyeonghwa entrava em colapso momentâneo.
Mas, sem saber disso, para Saebyeok, Gong Pyeonghwa era só um namorado desajeitado, ingênuo, inocente, fofo, que estimulava o instinto de proteção! E que, portanto, ele precisava proteger a todo custo!
— Encontro…
Diante do Saebyeok cheio de pensamentos, Gong Pyeonghwa sorriu amargamente por dentro.
Era certo que, naquela cabecinha, ele estava calculando vários cenários e imaginando o pior deles.
Preciso salvar logo o namorado antes que a cabeça dele exploda.
Gong Pyeonghwa se colou à lateral de Saebyeok.
— Mas, pensando bem, encontro vai ser meio difícil? Quando a gente chegar vai estar cansado, e lá não vai ter tempo para encontro? É melhor ter um encontro tranquilo em casa mesmo.
— …Verdade.
— Mas eu quero comer bingsu, bungeoppang, waffle com geleia de maçã, biscoito de amendoim, hotteok e hallabong, então vamos comendo nos intervalos.
— Está bem.
Shin Saebyeok bobo. Não complique. Basta mudar a perspectiva e fica assim fácil.
Encontro é o quê de mais? Se eu e você estamos juntos, é um encontro.
Certamente Saebyeok deve achar que encontro é só dar as mãos com dedos entrelaçados, abraçar a cintura e se beijar em qualquer lugar sem ligar para os olhares alheios.
“Meu namorado ardiloso.”
Shin Saebyeok, ingênuo e sem saber de nada, foi arrastado para todo lado conforme o plano de Gong Pyeonghwa e teve encontros de rua.
Um casal bobo que, achando um ao outro ingênuo, decidia todo ano que precisava proteger o outro de qualquer jeito, que precisava assumir a responsabilidade por ele.
Claro que, mesmo para esses bobos, o peso da realidade não era leve.
O fato de que um dia teriam que contar e as coisas desagradáveis que viriam disso.
Diante dessa pressão, foram adiando e adiando.
Quando nos formarmos, quando arrumarmos emprego, quando acumularmos experiência, quando enchermos a conta suíça com uns 3 milhões de dólares para podermos nos sustentar, aí a gente conta e some para o exterior…
Fizeram um cabo de guerra arriscado entre a fuga e a conciliação por sete anos.
Foi então que, como quem dizia para não adiarem mais, Isul chegou.
— A-agora? Na sua barriga, agora, hein? A gente? Hein? A gente… tem? De verdade?
Gong Pyeonghwa, emocionado demais, nem conseguia completar a frase e só repetia tapar e destapar a boca.
Em algum momento, seus olhos se encheram de lágrimas.
— …Eu! Volto primeiro para a Coreia, apanho e roubo o cofre da minha família e venho! Onde, onde a gente se encontra? Quer ficar no Havaí?
— Se acalma.
Eu estou completamente atordoado.
A gente nunca deixou de usar proteção. Como éramos rigorosos.
E mesmo assim veio um filho?
Ele viu o ultrassom, recebeu a foto, e ainda assim não acreditava.
Não, pensando que tem um bebê na barriga, parecia que tinha alguma coisa mesmo?
Ele pensou que um dia esse dia chegaria, mas não imaginava que viria tão de repente.
— Ah. Não pode ser! Meu baby engravidou de um baby de verdade. Como é que um bebê dá à luz um bebê!
Gong Pyeonghwa, atônito, arrancava os cabelos e depois acariciava a cabeça de Saebyeok com todo o cuidado do mundo, e de novo dizia que era impossível e andava em círculos.
Como Gong Pyeonghwa fazia o dobro do escândalo, inclusive a parte dele, Saebyeok, ao contrário, ficou ainda mais calmo e sereno.
— Que confusão. Senta um pouco.
— C-como, como eu vou ficar quieto! Você e eu vamos virar pais! Faltam menos de 8 meses para eu virar pai! Eu, eu tiro licença-paternidade? Tiro?
— Já disse para se acalmar.
— Eu assumo tudo! Pela paz e felicidade da nossa família! Vou virar um ladrão justiceiro. Me dá exatamente dois dias. Eu esvazio o celeiro do meu pai inteiro e…
— O nosso bebê está pedindo para ficar bem grudadinho no papai Pyeonghwa.
Gong Pyeonghwa enfiou o punho na boca e gritou!
Se dependesse dele, gritaria como um pterodáctilo, mas, com medo de assustar Saebyeok e o bebê, teve que colocar no modo mudo.
Sentou-se com cuidado ao lado de Saebyeok e pôs, com ainda mais cuidado, a mão na barriga plana do namorado.
Nosso bebê está aqui? Não dá para acreditar.
— Não tem nada que você queira comer? Dizem que quando se engravida dá vontade de comer coisas que a gente não comia. Não? Ou não dá para comer por causa do enjoo? Eu, eu ainda não estou preparado. Estudei pouco. Eu, eu faço até um estudo de última hora. Argh!
— Hum. Certo. Primeiro, amanhã eu tenho que trabalhar, então vamos nos preparar para dormir.
— Como um bebê vai trabalhar!
Vai continuar falando bobagem?! Gong Pyeonghwa deu um pulo, mas Saebyeok aguentou com calma. Vamos apenas observar até Gong Pyeonghwa se acalmar.
Normalmente já estaria se acalmando, mas, diante do choque de hoje, não havia chance: Gong Pyeonghwa tratou Saebyeok como um bebê de verdade.
Lavou Saebyeok até rangir, deitou-o direitinho na cama, deu tapinhas na barriga para fazê-lo dormir e, tardiamente, foi para o escritório dizendo que ia estudar.
E na manhã seguinte, no instante em que viu os olhos de Gong Pyeonghwa, Saebyeok se sobressaltou ao sentir que estava diferente do normal.
Ao contrário do normal, estava claramente enlouquecido.
— Hehe… Acordou? Come.
Depois de começarem a trabalhar, tinham combinado um café da manhã simples, um almoço razoavelmente reforçado e, à noite, de preferência comida coreana, mas hoje, desde a manhã…
— É meu aniversário?
— Tem que comer bem. Não dá para viver de meros cereais e fatias de pão.
Até hoje ele vivera bem assim, mas bom, comida gostosa é boa.
Além disso, mesmo sem saber direito, Saebyeok também intuía.
Que, ao engravidar, a vida se degrada por causa do enjoo.
Vamos comer bastante antes de o enjoo chegar. Só assim ele aguentaria com a energia acumulada.
Pensando que, com a família aumentando, precisava trabalhar mais, Saebyeok comeu vigorosamente, com fartura.
Assim passou um dia, uma semana, um mês.
Saebyeok continuava comendo sem faltar nada, e sua pele ficava cada dia mais viçosa.
Já Gong Pyeonghwa foi emagrecendo e ficando abatido aos poucos.
— …
— …
Era isso. Saebyeok teve “enjoo de comer”, e Gong Pyeonghwa teve o enjoo de gravidez.
Gong Pyeonghwa vivia entrando e saindo do banheiro com ânsias de vômito, e Saebyeok comia até os lanches com esmero.
A cada vez que Saebyeok ganhava peso, Gong Pyeonghwa tinha que suportar uma perda drástica de peso e perda muscular, atingindo o feito inédito de perder 12 kg.
Talvez graças a isso, Isul nasceu bem saudável, com um corpo quase de bebê gigante.
— Não fui eu que pari com dor de barriga, mas que sensação é essa? Snif!
Não, é porque você também sofreu bastante que sente isso… Gong Pyeonghwa, o homem mais bonito quando está na casa dos 100 kg, magrelo.
— Snif. Você sofreu tanto, Saebyeok. Aah. Meu marido! É só falar. Eu faço tudo. Snif!
Então dá para parar de chorar? Ver você chorando me deixa triste.
— Snif! Essa coisinha pequena e enrugada é nossa filha! Puxou a quem! Não puxou nada! Nem abriu os olhos e já é fofa! Snif…!
O jeito de chorar parecia igual mesmo. Ai, ai.
Saebyeok, vendo o marido e a filha chorando em coro, firmou o coração.
“Eu tenho que proteger.”
A filha ainda não fala, e o marido está num estado quase de fragilidade mental.
Quem pode proteger a família é só ele.
Precisava manter a cabeça firme.
Saebyeok tomou uma grande decisão e encerrou a vida nos Estados Unidos com Gong Pyeonghwa.
Sim. A criança já nasceu e, entre a transição de trabalho e tudo mais, já passara até o primeiro aniversário dela.
Falando francamente, o que se pode fazer. Já com a idade avançada, casado, e com a filha já andando.
Agora, antes de ser filho de Shin Dohyeok e Lee Yunseol, ele era o marido de Gong Pyeonghwa e o pai de Isul.
Como tinha uma base construída ali, se fosse preciso, voltariam aos Estados Unidos!
Ele pensava assim, mas, ao chegar e ver o portão da casa, ele se encolheu.
— Ah! Papai, o que você está fazendo! Vem logo!
— Aiii! Ela puxou quem, não sei! Por que essa criança tem tanta energia!
Nisso ela puxou você.
Saebyeok sentiu de novo o peso das lembranças.
Apenas alguns anos atrás, nos feriados, ele tremia de medo de que descobrissem a relação com Gong Pyeonghwa e sempre se despedia dele engolindo lágrimas.
Agora eles vêm cumprimentar juntos.
— Mãe, a gente chegou.
E ainda por cima sorrindo abertamente.
☆(*^о^)乂(^-^*)☆
Gong Pyeonghwa, para quem a comida da sogra virara confort food, teve uma refeição comovente.
Isul e Roun também deviam ter brincado bastante com Kkotdong, pois estavam dormindo profundamente com a franja grudada na testa de suor.
Trocou olhares com Gong Pyeonghwa.
“É agora.”
“Entendi.”
Ultimamente Isul vivia cantando que queria ter um cachorro.
Não só cantava, como fazia birra.
Se não a levassem enquanto dormia, era certo que ela choraria e faria birra por horas dizendo que ia morar com Kkotdong.
— Mãe. A gente vai indo.
— Já…?
— Argh! Sogra, não faça isso! Meu coração dói mais!
Quando Gong Pyeonghwa segurou o peito fingindo dor, a senhora Lee riu.
— Mas a senhora sabe… Que, quando ela acordar, começa o rugido da Isul…
— Ah…
A senhora Lee, sem mais palavras, empurrou as costas deles dizendo para irem logo.
Claro, mandando junto um monte de acompanhamentos e presentes que já preparara.
— Não, sogra, isso aqui?!
— Fiz um pouco de mandu e costela cozida. Tem kimchi e verduras também; comam as verduras primeiro.
Aaah! Mandu! Saebyeok! Mandu! Sem coragem nem de correr para não estragar os mandus, ele se remexia no lugar e desenhava com dificuldade um coração acima da cabeça, fazendo escândalo — e a senhora Lee sentiu que valera a pena e mandou que fossem com cuidado.