Capítulo 17
O obturador dos pais não dava sinal de parar.
— Quando a gente vai para a casa da vovóó!
— Já entendi. Já entendi. Só mais uma foto.
— Aiai! Não tem jeito!
Onde ela aprendeu esse tom encorpado.
Depois da sessão de fotos frenética, a família de quatro entrou no carro.
— Certo, quando nossa Isul vir os vovós, o que ela vai dizer primeiro?
— Não é que faltasse tempo, mas por não saber dirigir ficamos distantes esse tempo todo. Esta jovem os vê depois de tanto tempo. Os senhores estão bem?
— …
Saebyeok olhou de esguelha para Gong Pyeonghwa. O que você tem ensinado à criança? Está aí rindo satisfeito como se fosse algo louvável.
— E depois de cumprimentar e fazer a reverência, o que você vai dizer?
Ora, obviamente “feliz Ano-No…”
— Vovô, a Isul gosta de ações do setor de eletrônicos.
— Good.
Ei.
— Nossa Isul vai para o jardim de infância e só vai ter gastos; tem que receber quando dá para receber!
— Que econômica…
— Ahem!
Como bons pai e filha. Os dois erguendo os ombros e projetando o peito ao mesmo tempo era idêntico.
O pai e a filha idênticos desceram do carro com vigor e entraram na casa dos pais.
De algum modo, até o jeito de andar era parecido.
— Meu docinho!
— Vocês sofreram para vir de tão longe!
Nada menos que 30 minutos de carro de distância, e o presidente Gong e a senhora Kang receberam Isul, Roun e Saebyeok.
— E eu? Por que não me recebem? Eu sou o filho desta casa.
— Você a gente vê em toda reunião. Aff. Achei que hoje, sendo feriado, eu não ia te ver. Que nojo. Que nojo!
— Hunf! Uma casa que não conhece o valor do segundo filho! Eu vou embora! Ninguém me impeça!
— Não te acompanho até a porta.
O presidente Gong pegou Isul no colo, e a senhora Kang puxou Saebyeok e Roun para dentro da casa principal.
Gong Pyeonghwa, sozinho no jardim, projetou os lábios e seguiu arrastado atrás.
— Vocês já comeram?
— Ainda não comemos.
— Justamente o tteokguk está pronto, vamos comer. Ei! Pyeonghwa, acorda o Jeong e a Sarang!
Não, que horas são e eles ainda estão dormindo? É por isso que se deve criar filhos. O dia fica muito mais longo. Porque a gente tem que acordar de madrugada…
Gong Pyeonghwa soltou Isul e Roun nos quartos dos irmãos, um em cada.
Ouviu-se um estrondo.
Pouco depois, Gong Jeong e Gong Sarang saíram bocejando enormemente, com os sobrinhos debaixo do braço.
— Não… eu disse para não me acordar em feriado…
— Crianças. Quem é bonita dorme muito. Então a tia…
— Você pode passar a vida sem dormir. Rápido, tteokguk! Vai! Vai! Não fica se arrastando! Mexa-se! Rápido! Rápido!
Diante da cobrança de instrutor cruel, os dois foram arrastados com cara de enterro e sentados à mesa.
O pobre adulto Gong Jeong e a pobre adulta Gong Sarang, obrigados a comer tteokguk e envelhecer assim que acordaram, mastigavam o bolinho de arroz sem vontade.
Isul e Roun, de bom apetite desde a manhã, comeram saboreando com afinco, e Gong Pyeonghwa, pai de Isul e Roun, resmungou que nem tinha mandu no tteokguk e levou um tapa nas costas.
— Se gosta tanto de mandu, devia ter vindo ajudar a enrolar!
— Ninguém me chamou!
— Porque dá preguiça de enrolar!
— A nossa família sempre compra pronto!
E a mamãe não cozinha! Hunf, hunf! Gong Pyeonghwa esvaziou de qualquer jeito só duas tigelas do tteokguk insatisfatório.
Comendo algo insatisfatório, ele não ficou nada feliz.
“Depois vou pedir para comermos algo gostoso na casa da sogra.”
Comeram tteokguk, frutas de sobremesa, fizeram as reverências de Ano-Novo e, para ver as gracinhas dos netos, chegaram a tirar do armário o yunnori, que nunca usavam.
Divididos em time Roun e time Isul, jogaram os palitos até enjoar.
Roun, cuja musculatura fina ainda não estava tão desenvolvida, mais do que jogar, parecia arremessar tudo com solenidade.
— Mo! Mooo! Como esperado, nosso Roun! Homem de sorte! Eu já sabia desde que ele pegou o maço de dinheiro no doljabi!
— Roun, a tia te carrega nas costas? Agora só falta um “gae”!
— Sai! Sai! Baekdo, sai! Acabou! Isul! O tio confia só na Isul!
Os adultos, que acordaram depois do tteokguk, ficaram nas mãos de mãozinhas de criança e no fim mergulharam numa imersão absurda.
Quando corria o risco de perder de forma humilhante um jogo praticamente ganho, Gong Sarang gritou “Eu não jogo!”, virou o tabuleiro e fugiu.
Vendo aquilo dava um friozinho de tensão, mas era motivo para virar o tabuleiro e fazer escândalo?
Será que é isso que dizem sobre tomar cuidado com brigas familiares nos feriados? Nem tinham apostado dinheiro, poxa.
Vendo Gong Sarang levar bronca por virar o tabuleiro de forma mal-educada, dizendo que as crianças aprenderiam com aquilo, Gong Pyeonghwa riu por dentro.
De qualquer forma, era pacífico.
Sinceramente, as costas de Gong Sarang serem estraçalhadas não era problema de Gong Pyeonghwa.
Ouvindo o som suculento das palmadas como música clássica, Gong Pyeonghwa mergulhou na emoção.
Na verdade, quando acabara de voltar dos Estados Unidos, ele não imaginava que as coisas dariam tão certo, nem que Saebyeok e Isul seriam amados por seus pais.
O que o Gong Pyeonghwa dos vinte anos tanto sonhava agora era realidade.
Gong Pyeonghwa abraçou discretamente o ombro de Saebyeok e colou e descolou levemente os lábios em sua bochecha.
Eu estou tão feliz agora.
Adoro este tempo tão pacífico a ponto de ser entediante.
Você também?
Gong Pyeonghwa nem precisou perguntar. Só com uma breve troca de olhares dava para saber o que Saebyeok sentia.
Aqueles bonitos olhos castanhos que o deixavam louco e o faziam errar propositalmente as respostas na prova se curvaram lentamente.
Filhos adoráveis e um marido amado.
Nada faltava.
Sinceramente, mesmo que a Taegang e o Baeksan falissem agora, a riqueza dura três gerações.
Até os filhos de Isul e Roun comeriam bem, então não havia nada com que se preocupar.
Não havia preocupação material, e as crianças eram dóceis, embora cheias de energia.
Com o marido ainda era quente, e no trabalho ele parecia estar indo mais ou menos bem.
Gong Pyeonghwa achava que sua fase de ouro terminaria ao se formar na faculdade, mas, vivendo, viu que não.
A fase de ouro de Gong Pyeonghwa parecia estar só começando.
Quando as crianças crescerem, claro…? Haverá alguma dificuldade.
Agora dizem que o papai é o máximo, que vão casar com o papai, mas um dia podem aparecer com um sujeito qualquer e gritar com ele, não?
Ele queria que a adolescência nunca chegasse, mas isso seria difícil.
Gong Pyeonghwa imaginou o futuro que um dia chegaria.
Não seria mais como agora, em que o pai é tudo.
E não obedeceriam como agora… embora agora ela já não obedeça muito? Enfim.
Isul, de uniforme escolar, passando mais tempo com as amigas.
A irritação aumentaria, os segredos também, e ela se afastaria aos poucos. Ainda assim, isso significaria que o mundo de Isul ficou maior, não?
Gong Pyeonghwa já ficou triste, mas logo se consolou. Mesmo que esse dia chegue, não vamos ficar tão tristes. Um filho crescer e sair dos braços dos pais também é uma nova alegria, não?
Ainda assim, se esse dia chegar de repente demais será muito triste, então decidiu tratar isso como um ensaio prévio.
Gong Pyeonghwa imaginou a adolescência de Isul.
☆(*^о^)乂(^-^*)☆
Nossa Isul, com os bonitos olhos castanhos herdados de Saebyeok.
— Minha filha. A saia do uniforme parece estar cada vez mais curta? Será impressão do papai?
— O que o papai entende disso!
E-espera. Espera.
O dano é grande demais.
De novo.
☆(*^о^)乂(^-^*)☆
Nossa Isul, com os bonitos olhos castanhos herdados de Saebyeok e uma cabeça brilhante, podendo escolher a faculdade que quiser.
Para administrar, um MBA seria o caminho natural, não?
Por enquanto o exterior ainda é melhor que o país, então um intercâmbio…
— Papai, eu vou casar aqui. Cumprimente, é o meu fofo sweetie, capitão Jackson!
Ja-Jackson? Quem é esse sujeito! Onde já se viu um cara todo peludo com a minha filha! Nada de intercâmbio!
De novo. De novo.
☆(*^о^)乂(^-^*)☆
Nossa filha Isul, com os bonitos olhos castanhos herdados de Saebyeok, uma cabeça brilhante e excepcional, e que, ao contrário dos pais, não conhece nada de “acelerar demais”.
— Filha. Come antes de ir para a escola.
— Haaa…
— O que foi. Aconteceu alguma coisa, filha?
— Haa… Não, é só que estou meio sem apetite. Senhores pais, os senhores passaram bem? Esta jovem, sem apetite, se retira primeiro…
Hã? Ela puxou demais a mim?
O que eu faço com ela. Como vai viver neste mundo cruel… Preciso ganhar muito dinheiro.
Nossa Isul, sem dinheiro, como viveria neste mundo cruel.
Mesmo que eu morra, com dinheiro ela consegue viver de algum jeito.
Amor paterno, senso de responsabilidade, preocupação, temor excessivo.
Só depois de ter uma filha Gong Pyeonghwa conseguiu entender o coração de seu pai, o presidente Gong.
Gong Pyeonghwa firmou a vontade e olhou para o marido ao lado.
— Sim? O que foi?
Saebyeok inclinou a cabeça diante do marido que de repente segurava sua mão.
— Eu vou me esforçar de verdade. Vou encher o celeiro para que a Isul e o Roun consigam viver firmes mesmo se forem enganados por aí!
— T-tá bom?
— Snif!
Gong Pyeonghwa abraçou Saebyeok do nada. Bom, como ele fazia isso com frequência, nem foi surpresa.
Nessas horas, basta abraçá-lo apertado e dar alguns tapinhas.
Saebyeok passou a mão nas costas de Gong Pyeonghwa, acalmando-o. Vendo isso, o presidente Gong estalou a língua, insatisfeito.
— Aquele sujeito virou pai e ainda não criou juízo. Aff.
O papai não sabe! Não sabe de nada! Você nunca imaginou o que vai acontecer quando a nossa Isul entrar na adolescência!
— Hunf!
— Esse moleque?
Gong Pyeonghwa bufou ostensivamente e abraçou Saebyeok.
— A nossa Isul vai puxar mais você do que eu, né? Né?
— Sei lá.
A Isul de agora já servia perfeitamente como júnior de Gong Pyeonghwa.
Se perguntassem se ela puxara Saebyeok… claro que puxara? Mas, em vários aspectos, os genes de Gong Pyeonghwa não agiam mais forte…
— Eu prefiro que puxe você.
Pelo contrário, melhor.
Claro, ele se preocupava um pouco. Mas puxando o Pyeonghwa ela deve ter uma força de sobrevivência forte e viver a vida com alegria.
— Deixa disso! Minha neta tem que puxar você! Para que serve puxar aquele sujeito!
Er, s-sogro. O senhor está sendo severo demais.
— Isso! Tem que puxar você! Isul, você tem que puxar o papai Saebyeok. Hein? Não dá para começar a se esforçar desde agora? Filha!
— Que isso! O papai bebeu?
— O quê? Você pôs bebida no tteokguk? O que deu nele?
Houve um burburinho com a teoria do tteokguk alcoólico.
Felizmente o tteokguk não tinha problema algum, e o teste de bafômetro mostrou que Gong Pyeonghwa estava sóbrio.
Ou seja, ele fez escândalo de bêbado estando sóbrio…
— É algo que acontece com frequência.
— …
Isso acontece com frequência? Diante do fato de que a cabaça que vazava em casa vazava sem falta também na casa nova, o rosto do presidente Gong esquentou.
Meu filho, que continua sendo vergonhoso onde quer que eu o apresente!
Na empresa ele não é assim, né? Por favor.
O presidente Gong chamou Gong Pyeonghwa ao escritório e o encheu de sermões. Eram sermões vindos da preocupação, mas, aos ouvidos de Gong Pyeonghwa, eram sermões de um coroa sem nada aproveitável.
No fim, Gong Pyeonghwa fugiu levando as crianças e o marido e dirigiu até seu refúgio espiritual. Talvez tivesse nevado forte enquanto jogavam yunnori: a neve tinha se acumulado.
— Snif. Estou com saudade da sogra.
— Ai, meu Deus.
Diante do marido que, de lábios projetados, chamava a sogra sem parar, deu vontade de rir, mas ele segurou e passou a mão pelo ombro do marido.
O jardim da família Baeksan, tão amplo quanto o da casa da Taegang, estava coberto de neve branca.
Isul, que correu para o jardim assim que desceu do carro, gostou da sensação crocante e ficou um bom tempo pisando na neve até correr para a casa principal ao ouvir Kkotdong latir.
— Isul! Não deixa o papai para trás! Eu disse para não puxar a mim!
Se fosse o papai Saebyeok, ela nunca o deixaria para trás!
Independentemente de o papai Pyeonghwa estar em desespero. Isul, que puxara sabe-se lá quem e só conhecia a linha reta, o largou e saiu correndo.
As perninhas curtas eram bem rápidas.
— Argh. Eu disse para não puxar a mim…