Capítulo 16
Entendi… O ciumento doentio era só eu…
— Vocês estavam falando disso aqui? Que outros assuntos rolaram?
— Bom, que corre o boato de que o marido do nosso presidente tem uma relação inadequada com o ex-secretário — algo assim…
— E que talvez? Ele tenha um pouco de ciúme doentio… e a gente ficou com pena, quer dizer, e-eu também sou assim. Por isso ligo para a minha namorada quando dá, mando mensagem, sabe. Eu me identifiquei, é isso.
Quando as expressões dos secretários viraram puro absurdo, todos começaram a gaguejar.
Os secretários coçaram a bochecha sem jeito e corrigiram:
— Eu entendo o mal-entendido, mas ele é só uma pessoa familiar.
— Se é sobre o ex-secretário do lado do Baeksan, o secretário é que era louco. Na época deu um burburinho e tanto no meio.
Por ser assunto de outra empresa, na época ouviram com interesse, mas agora já não era assunto alheio.
— Aquele descarado, mesmo sabendo que ele era casado, bebeu até cair e se agarrou ao diretor do Baeksan.
— Dizem que ele tem mania de grandeza? Que o nosso presidente estaria traindo o diretor deles, sei lá. Que ele curaria a dor do diretor? Que seria o guarda-chuva dele nos dias de chuva? Que baboseira absurda…
Não, um sujeito desses consegue emprego?
Realmente o mundo é uma caixinha de surpresas. De repente ganharam confiança para mudar de emprego, mas, como estavam bastante satisfeitos com o atual, decidiram engavetar a ideia por ora.
— E o acareamento?
— O presidente foi à loja de departamento com a filha e, como era justamente quando o Baeksan fazia a pop-up de divulgação do novo produto, encontrou o marido, que estava lá em inspeção. E flagrou na hora o tal secretário executivo grudando feromônios no ômega dele!
— Aquela pessoa está viva?
Era uma curiosidade fundamental.
— Deve… estar viva? Nosso presidente é bem manso, não?
— Não, ele não é tão manso assim. Quando é firme, é bem firme, então talvez tenha dado um jeito nele em segredo.
— Ora, dizem que basta ver uma coisa para conhecer dez; ele responde tão bem aos cumprimentos, não pode ser.
Um funcionário com mágoas acumuladas sobre cumprimentos defendeu Gong Pyeonghwa com afinco.
O antigo presidente frequentemente não respondia aos cumprimentos.
Um dia, de mau humor, chamou um funcionário e chutou sua canela perguntando por que ele cumprimentava sem energia; e quando o outro cumprimentou com vigor, perguntou se aquilo era o exército e, mesmo nunca tendo servido, ameaçou dar um “treinamento corretivo”.
Um dia mandava não cumprimentar, e depois perguntava por que não cumprimentavam, se estavam ignorando-o, atormentando os funcionários conforme o próprio humor.
— É que a cara dele parece meio sensível. Eu confio no nosso presidente.
Apenas por responder aos cumprimentos e, às vezes, cumprimentar primeiro, a opinião pública sobre Gong Pyeonghwa era boa.
— De fato, tanto que o pessoal da cozinha perguntava todo dia sobre o humor do presidente e o evitava conforme a situação.
— O presidente atual não tem oscilação de humor e não desconta em nós questões pessoais, isso é ótimo.
— Reparando bem, ele parece sempre de bom humor. Bom, eu também seria feliz todo dia se tivesse tudo.
Tsc, tsc. Os secretários estalaram a língua por dentro.
Essas pessoas tinham um preconceito estranho. O presidente Gong Pyeonghwa também é humano; ele estaria de bom humor todo dia?
Claro que, comparado ao antigo presidente na andropausa, Gong Pyeonghwa era um doce.
Objetivamente, o presidente Gong não era um chefe difícil. Não tinha oscilações emocionais fortes, nem excentricidades ou crimes que estampassem a primeira página.
Também não tinha histórico amoroso conturbado, chegava no horário, era acessível e quase não fazia perseguição.
Sinceramente, era meio mamão com açúcar.
Mas Gong Pyeonghwa também tinha oscilações. Olhando com atenção, o humor era diferente a cada dia!
Segundo a análise dos perspicazes membros da equipe de secretariado, dividia-se em 5 níveis, e normalmente era nível 3, ou seja, o estado “Pyeonghwa pacífico”.
— Presidente. Trago os documentos para aprovação.
— Ah. Sim. Vou ver agora. Almoçou bem?
Exatamente como agora: processamento rápido do trabalho com um pouco de conversa fiada era o nível 3 comum.
Se tivesse acontecido algo bom com o marido no dia anterior, saltava para 4 ou 5. Isso era óbvio demais, então nem vale mencionar.
Quando o humor caía um pouco abaixo disso, o tom de voz descia uns dois tons e a velocidade da fala diminuía.
— Ah, não tem nada divertido acontecendo? É sexta-feira e o tempo passa ainda mais devagar. Não é?
Quando ele começava a procurar diversão, era preciso lhe dar algum entretenimento.
Caso contrário, o humor despencava do nível 3 para o 2 e a produtividade caía.
— No caminho para tomar café com os colegas eu ouvi o pessoal da recepção conversando, e todos estavam dizendo que a beleza do presidente é um benefício da empresa.
O secretário sacudiu o chocalho com afinco.
— Hã? Nem por isso eu daria mais incentivo ou nota melhor de avaliação… Dizem que na ausência até o rei é xingado, então digam o que quiserem sem se preocupar comigo.
Hum. De fato, não funciona.
Bajulação não funcionava bem com o presidente Gong. O ex-presidente, ao ouvir que era bonito, passava o dia inteiro olhando no espelho e perguntando cem vezes se estava bonito.
De fato.
Com aquela cara de quem alugaria uma balada gigante e curtiria uma festa hedonista bebendo bebidas caríssimas com homens e mulheres ao lado, ele era, mais do que qualquer um no hotel, uma pessoa que empurrava carrinho de bebê com firmeza.
— Ahem. Andam dizendo que o senhor exala um certo ar decadente.
— É mesmo? Por que sai uma conversa dessas?
— Bom, as pessoas só veem o que está diante dos olhos.
— Não, se eu estou tão arrumado assim, o que mais eu tenho que fazer?
Não tinha tatuagem nem piercing, usava a gravata direito e o cabelo estava bem penteado.
Toda manhã o marido amarra a gravata de forma impecável e escolhe o terno! Mesmo com tudo isso ele não parece arrumado?
— Qual é o problema? Até que ponto eu preciso ficar arrumado para as pessoas não terem esse mal-entendido?
Provavelmente o senhor teria que renascer com outro rosto…
— O meu sogro, no começo, achou que eu era um gigolô. Só digo isso porque ele não está aqui, mas em que parte de mim ele viu isso?
De qualquer ângulo…
— O senhor é excessivamente bonito de um jeito liso, e, se me permite uma opinião pessoal, o sinal de lágrima é um pouco sedutor.
— Hum. Mas o meu marido disse para eu não remover o sinal.
Às vezes, em dias de muita excitação, ele chupava o sinal de lágrima e se agarrava a ele. Assim, nem que fosse um sinal de má sorte, ele jamais o tiraria.
— O meu marido perguntou se eu não podia deixar o cabelo crescer… o que acha se eu deixar o cabelo crescer?
— …Quanto?
— O suficiente para um coque?
— Fica com ar patriota, b-bom. Mas, mas…
E ainda deixar o cabelo crescer? Nem seria um gigolô comum. Não iria dominar toda a região de Gangnam e até unificá-la?
— Meu marido às vezes tem umas ideias esquisitas. Vamos lá, é hora de sair!
Tenho que passear com meu marido, minha filha e meu filho. Lá-lá-lá. Gong Pyeonghwa arrumou a mesa de qualquer jeito e declarou o fim do expediente.
Meus bebês e meu marido, que eu colocaria no olho sem doer!
Gong Pyeonghwa entrou no carro com passos leves.
— Vou levá-lo direto para casa.
— Sim. Direção segura, por favor.
No caminho, Gong Pyeonghwa conversou com o marido e contou nos mínimos detalhes o que acontecera no dia.
Nada de grande coisa: predominavam histórias banais como a de que, por o sol estar bom, ele comeu um sanduíche num parque próximo, mas o recheio era ruim e ele comprou mais dois rolinhos de kimbap.
— Ah. E parece que eu tenho cara de quem gosta de farra? Os funcionários disseram que no começo ficaram tensos só de ver meu rosto. Achavam que eu fosse um bagunceiro. É verdade mesmo?
O motorista assentiu por dentro.
Não um bagunceiro qualquer, mas um bagunceiro de verdade.
— Vou acumular mais virtudes e, depois de criar uma opinião pública que fique do meu lado faça eu o que fizer, eu deixo o cabelo crescer. Aguente até lá.
Que conversa é essa. O motorista, sem perceber, se concentrou na ligação do patrão.
— Sim. Ah, e meus pais disseram que vão viajar no dia do Ano-Novo lunar e para a gente não ir. Então eu pensei em ir cumprimentá-los no dia 1º de janeiro; como está a agenda de Ano-Novo dos seus pais? Sim. Então, como no ano passado a gente passou primeiro na minha casa, este ano vamos primeiro à casa da sogra. Eu já vi uns hanboks para vestir nas crianças. São muuuito fofos.
— Hum. Não. A minha mãe parece querer que a gente almoce lá. Vamos primeiro à casa da sogra.
— Almoço? Adoooro.
Uma pessoa feliz tem a capacidade de tornar felizes os que a veem.
Quem segurava o celular ria, e o som que vinha do outro lado também era riso.
O motorista riu baixinho sem perceber e hoje também se empenhou numa direção segura.
☆(*^о^)乂(^-^*)☆
Era guerra.
Isul, que até ontem dizia que gostava, do nada fez birra dizendo que não queria vestir o traje de Ano-Novo.
— Não quero! Não quero!
Era um hanbok adorável, com um jeogori verde-claro, que Isul adorava, e uma saia rosada. Havia até um colete de pelo para não passar frio e protetores de orelha combinando, e de repente, hoje de manhã, ela não queria.
— Você disse que gostava. Você disse que queria vestir logo.
— Eu quero vestir aquilo!
Isul gritou chorando e apontou para a tela da TV.
Na TV passava um sageuk. A corte em plena reunião no salão real.
E o que Isul apontava era:
— …A Isul quer vestir o gonryongpo?
— Sim!
— …Por quê?
— Parece grandioso.
Tsc. Era um motivo válido demais.
O que eu faço…? Quando pediu ajuda com o olhar a Gong Pyeonghwa, o sobrenatural Gong Pyeonghwa se aproximou e ergueu Isul no colo.
— Isul. Para se tornar grandioso, também é preciso saber se encolher. Sabe o quanto aquela pessoa sofreu para vestir aquela roupa.
Oh. Será que esse tipo de argumento funciona com nossa Isul? Saebyeok, cheio de expectativa, observou Gong Pyeonghwa.
— Entendi. Então em vez da roupa vermelha…
A teimosia de Isul cedendo! Mas a comoção durou pouco.
— Eu quero vestir aquilo.
Isul apontou exatamente para o traje das aprendizes da cozinha real.
— …Por quê? Aquilo não é grandioso.
— Porque dizem que o começo é humilde mas o fim é glorioso!
Ooh… Nossa Isul gosta de narrativa de azarão…
Mas você nasceu com uma colher de ouro em cada mão, vai ser difícil…
— Então vamos simplesmente não ir.
Gong Pyeonghwa lavou as mãos de forma limpa.
— O que a gente faria na casa da vovó que não tem cachorro. Né?
— Hã, hã?
— Mas a gente não foi à casa da vovó que não tem cachorro; se a gente não for à casa da vovó que tem cachorro, a vovó vai ficar muito triste, né? Mas fazer o quê. Culpe o papai por não conseguir arranjar um traje de aprendiz de cozinha agora.
Os olhos de Isul começaram a tremer.
Não ir à casa da vovó só por causa de uma roupa? Na casa da vovó ela recebe todo tipo de mimo e atenção!
Isul olhou alternadamente o traje simples de aprendiz e o hanbok de seda brilhante e assentiu como quem toma uma grande decisão.
— E-eu abro uma exceção e visto. Pela vovó…!
— Não. O papai vai dar isso a alguém que precise mais, então a Isul fica descansando em casa hoje com os papais.
Hã? Não pode? Ela tem que ver a vovó! Tem que ver o vovô!
— É-é meu? É da Isul? Por, por que dar para outra pessoa? É meu!
— Como a Isul disse que não queria, não é mais da Isul.
— Não! Como você fala uma coisa e depois outra! Não! Eu vou vestir!
Isul se pendurou na saia que estava no braço do papai Pyeonghwa.
Quando a saia e o jeogori escorregaram para o chão, ela os recolheu rapidamente e foi até Saebyeok.
— Papai. Eu quero vestir isto.
Com receio de que Gong Pyeonghwa levasse, grudou em Saebyeok e exigiu que ele a vestisse.
Nossa. Então funciona.
Saebyeok mandou discretamente um joinha a Gong Pyeonghwa e vestiu o traje de Ano-Novo em Isul.
— O que a gente ia fazer se ela não vestisse.
— Fofa demais. Nossa princesa anjo!
Era fofa a ponto de arrancar gritos.
Como ela gostou depois de vestir, Isul mesma ficava fazendo poses.
— O Roun também está fofo demais!
— Fiquem juntos. Ai. Que fofos. Que fofos.