Capítulo 15
— E mastigue bem o aspargo.
Já entendi. Saebyeok mastigou bem, ostensivamente.
O tempo passou, e o plano que fizeram juntos não deu tão certo quanto imaginavam.
Casaram antes de herdar os negócios, o filho que teriam depois de se estabelecerem veio antes disso, e ainda por cima veio mais um que não estava previsto.
Quando volta do trabalho, muitas vezes fica sinceramente cansado por causa dos filhos cheios de energia.
Ele quer descansar, mas eles querem brincar; o corpo do papai é um só.
Ainda assim, não há arrependimento.
De todo modo, Saebyeok estava feliz agora.
De vez em quando os tios, o tio mais velho, as tias e os maridos delas o alfinetavam ou implicavam, mas bom… pensando que é o peso da coroa, dava para aguentar.
Tinha uma filha e um filho que colocaria no olho sem doer, e um marido que continuava querido mesmo depois de tanto tempo nos braços.
E os resultados deste segundo semestre cresceram 15% em relação ao ano anterior.
Hum. Está indo muito bem.
— Se já terminou, vamos caminhar um pouco?
— Boa.
Gong Pyeonghwa e Saebyeok caminharam pela rua noturna.
Os postes lançavam uma luz suave e criavam sombras longas.
Gong Pyeonghwa entrelaçou os dedos na mão de Saebyeok, balançando-a para a frente e para trás, e caminhou devagar.
— Como foi o seu dia? Aconteceu alguma coisa?
Um tempo de caminhada só os dois. Parecia fazer tempo demais.
Porque sempre saíam para caminhar levando as crianças.
— Hum. Nada de especial, mas você conhece o motorista Kim.
— Sim.
— Ele esqueceu o aniversário e o aniversário de casamento da esposa, acredita?
Gong Pyeonghwa perguntou com cuidado: — Isso pode…?
Ninguém vai ouvir, por que tanto cuidado. Saebyeok respondeu com a voz cheia de riso:
— Claro que não pode. Mas, como já é tarde e não dá para fazer nada, eu disse que desavença familiar não é acidente de trabalho.
— Uau. Isso não é um patrão perverso?
— Sim. Eu sou um guardião covarde do capitalismo.
O casal riu ao mesmo tempo.
— A gente vai ter que contratar outro motorista?
— Estou rezando para que ele volte vivo. O resultado a gente saberá amanhã…
Os dois continuaram trocando conversas fiadas.
— Vamos indo para casa?
— As crianças devem estar chorando com saudade dos papais.
— Será que nossos filhos estão chorando? Ou será o professor Nam Uri que está chorando?
Hum, hum. Nossa Isul é bastante enérgica.
Então vamos salvar o professor Nam Uri. Meus bebês, o papai está indo.
Quando ia dar o passo, Gong Pyeonghwa, que até então sincronizava o ritmo, parou de supetão.
— Espera aí, Saebyeok.
— O que foi?
Gong Pyeonghwa olhou para o céu e piscou. Parecia um gato observando um aquário de LED.
— Está nevando!
Neve?
No começo o céu estava tão seco que ele nem entendeu, mas algo em flocos começou a cair e logo mostrou sua presença branca.
Era neve mesmo!
— Uau! Não é a primeira neve deste ano?
— É. É a primeira neve.
— Uau! Uau! Primeira neve! Primeira neve! Não é chuva com neve, é neve em flocos grandes!
Dizem que quando se envelhece a neve incomoda, mas ele está gostando tanto assim? Nem parece um cachorro vendo neve pela primeira vez.
— O meu antigo desejo se realizou!
— Hã?
— Beijar meu primeiro amor na rua, sob a primeira neve que veio de forma totalmente inesperada e destinada.
— A gente não fez isso?
Estranho? Parece que fizemos no Ano-Novo também, e na Times Square, e ouvindo o sino da virada?
— Shin Saebyeok bobo. Sem nem saber que até agora esteve nas mãos das minhas maquinações. Tudo o que você lembra foram saídas intencionais! Eu planejava tudo com antecedência para beijar você num clima bom! Haha! Você nunca soube!
Que meticuloso. Eu nunca soube. Foi perfeito mesmo.
— Estou tão magoado por ter sido enganado que não estou no clima para beijar.
— C-como você pode… Como é possível não beijar neste clima?
— É possível!
Saebyeok fez charme depois de tanto tempo e caminhou deixando Gong Pyeonghwa sozinho.
Gong Pyeonghwa, chocado, o alcançou depois de um tempo e implorou sem parar dizendo que precisavam se beijar antes de a neve parar.
No fim, para realizar o antigo desejo de Gong Pyeonghwa, Saebyeok decidiu fazer um grande sacrifício.
— Fecha os olhos.
— Hmm.
Gong Pyeonghwa continuava fechando os olhos com graça e esticando bem os lábios.
Saebyeok contou lentamente até dez por dentro, de propósito.
Cansado de esperar, Gong Pyeonghwa abriu um olho de leve e cobrou com o olhar.
— Ê ité? Ubbo un ê? U aido tú ecendo.
Fez até ventriloquia para cobrar ativamente.
Só então Saebyeok sobrepôs os lábios aos do marido. Como o marido estava ocupado rindo, sentiu uma vibração agradável nos lábios.
— Ah! Espera! Por que só um selinho!
— Então só selinho.
— A gente é casado! Tem que ter beijo de verdade! Num lugar público, exposto a um número indeterminado de pessoas e transmitido nacionalmente, tudo bem, e numa rua deserta não pode?
Por que você fala assim de ter sido pego no kiss time durante um jogo de beisebol.
— Eu ia rápido para casa porque lá eu podia fazer bem intenso, mas se não quer, tudo bem.
— O que você está esperando? Entra logo no carro.
O quê. Quando ele chegou até ali.
O casal Gong Pyeonghwa e Shin Saebyeok tomou a primeira neve, se beijou sob ela e se beijou mais uma vez dentro do carro.
E, em casa, beijaram também os filhos amados, compartilhando a primeira neve do ano.
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Fim de ano.
Aquele sujeito que aparece logo depois do Natal.
É a época de encerrar o ano, importante e corrida para todos, mas especialmente dura para quem trabalha.
Antes de o ano virar, é preciso encontrar os amigos com quem se andou distante, e no trabalho há confraternizações, e em casa há a festa de fim de ano — uma época atarefada.
Não só os funcionários de expediente das 9 às 18h, de segunda a sexta: nessa época todos os tipos de profissão ficavam ocupados com confraternizações.
Quem trabalha por escala e quem trabalha meio período, também.
Mas aqui, no Hotel TK, era exceção.
— Hoje, depois do trabalho, vou tomar uma leve com os amigos e depois descansar em casa.
— Que bom não ter confraternização.
— Sinceramente, eu detestava trabalhar por escala e ainda ser obrigado a ir a confraternizações.
O antigo presidente marcava confraternizações a qualquer hora e prejudicava discretamente quem não comparecia.
Por isso todos compareciam engolindo lágrimas, ou trocavam a escala para o turno da noite para não ir.
Não era só comer carne e ouvir algumas falas retrógradas: era, bom, meio pesado.
Havia um clima de forçar a bebida e, em casos graves, iam até a terceira e quarta rodada. E depois disso o presidente não aparecia no trabalho no dia seguinte.
Mais do que ter que ir trabalhar segurando o estômago ardido, doía o fato de ele descansar e não aparecer.
— Eu achava que o nosso presidente gostava muito de festa e, como faz vários eventos, faria muitas confraternizações e workshops, mas não, e isso é ótimo.
— Especialmente por serem eventos que dá para fazer só no horário de trabalho.
Como eventos, havia a premiação de fim de ano para os funcionários e o projeto de relacionamento; e as confraternizações, obrigatoriamente resolvidas dentro do horário de trabalho.
Às vezes o trabalho e a confraternização aconteciam ao mesmo tempo.
Havia ocasiões em que definiam o bufê de outro hotel como cardápio da confraternização e entregavam um relatório simples de formato livre; parecia ter um custo-benefício ruim, mas parecia ajudar bastante.
Mesmo sendo um papel com poucas linhas, mais próximo de um bilhete do que de um relatório, graças à extração das informações necessárias e a uma análise perfeita, a taxa de reservas do bufê subiu 225% a partir desta reforma, não?
O ânimo dos funcionários subia e até um pouco de amor pela empresa, que nunca surgia, parecia nascer.
— O nosso setor parece glamouroso, mas nós ganhamos pouco. Sinceramente, quantos não saem para outro lugar sem completar nem um ano?
— Mesmo assim, sair antes de completar um ano é sorte. Muito mais gente acaba com uma experiência ambígua que dificulta mudar de área, ou muda de emprego e vai para um lugar com condições piores.
— Eu sempre penso em mudar de emprego, mas aguento porque é difícil recomeçar a busca; ultimamente, porém, parece que dá para continuar.
Não é que a carga de trabalho tenha diminuído, nem que a jornada tenha encurtado.
Só que, definitivamente, não havia estresse.
Não havia mais ter que se enfileirar para cumprimentar na hora da chegada do presidente, nem ter que se calar quando ele estava de mau humor, nem aquela frustração de precisar puxar o saco mais do que cuidar da avaliação de desempenho.
Só mudou o presidente, e agora dá para viver!
— Adorei o aumento dos benefícios. Eu estava pensando em ter filhos.
— Nesse sentido os benefícios aumentaram muito.
— Eu gostei muito do aumento dos benefícios para não fumantes. Sabe, antes davam incentivo para fumantes que parassem de fumar. Sinceramente eu ficava morrendo de inveja.
Enquanto eles fumam, os não fumantes têm que trabalhar mais; se eles pararem de fumar, quem melhora de saúde é eles, não eu. E por que a empresa daria dinheiro por isso.
Bom, era natural.
Porque o presidente era fumante. Quanto será que ele lucrou com isso.
Era um sujeito insuportável.
— Eu entrei há pouco tempo, então não sei das outras coisas… mas gosto de ele responder bem aos cumprimentos.
— Isso! Gosto muito de ele responder aos cumprimentos!
— Quando está sério é meio assustador, mas no instante em que os olhos ganham brilho a barreira cai!
Ninguém podia atirar pedras no rosto de Gong Pyeonghwa.
— Sinceramente eu achava que não adiantava o presidente ser bonito, que bastava trabalhar bem. Mas, mesmo sendo um homem alheio e inalcançável, é bom ter algo bonito para olhar.
— Verdade.
— Por que todo homem bonito já tem dono?
— O cônjuge dele é do Baeksan, né?
Como pessoas parecidas se encontraram, nem dava para sentir inveja.
— Mas um amigo meu trabalhava no Baeksan e ele disse que o secretário de lá tinha alguma coisa com o cônjuge do nosso presidente…
Que ele carregou nas costas um secretário completamente bêbado tarde da noite e o levou a um motel, que o secretário chorou agarrando a barra da calça dele, que se ajoelhou pedindo desculpas, que houve um acareamento de três pessoas numa loja de departamento e depois ele foi demitido…
Na verdade, todos os fatos eram verdadeiros, mas, do ponto de vista de quem não conhecia os detalhes, havia margem de sobra para mal-entendidos.
— Trair o nosso presidente?
— O mundo está enlouquecendo. Ora essa.
— Mas, considerando que o secretário foi trocado, o nosso presidente venceu, né?
— Claro. Onde já se viu um amante desses!
Rindo de canto pelo fato de seu líder ter vencido, ainda assim sentiram pena.
— Então o motivo de ele sempre sair no horário é ciúme doentio…?
— Nessa situação até eu ficaria assim. Como aguentar a insegurança?!
— Então era por isso que ele ligava sempre ao chegar, na refeição e antes de sair. Que coisa… Que pena!
— Mas como alguém desvia o olhar tendo o nosso presidente? Não faz sentido. Quer dizer, se fosse um caso de patrocínio de celebridade, tudo bem. Um secretário…? Não é desmerecer a profissão, mas, sabe.
A não ser que a pessoa sinta emoção no ambiente de trabalho, por que essa relação?
Eram funcionários imaginando coisas que, se Saebyeok soubesse, ele processaria.
Felizmente, os membros da equipe de secretariado desceram para o café da tarde e entraram na conversa.
— Hã? Não é nada disso. Eles se dão bem. São um casal exemplar.
— Outro dia mesmo eles ficaram brincando de “me pega” no lobby.
— “Me pega”?
Definitivamente já tinham ouvido algo parecido. Até acharam que testemunharam por acaso ao passar.
Mas não com aquele cheiro melado e vergonhoso…
— Não era uma perseguição para valer?
— Ouvi o nosso presidente dizer algo sobre ter pegado um espião industrial.
— Hã? Não. Não. Os dois têm bons reflexos… até ficou tenso mesmo. Não é nada disso. Eles são próximos.
Entendi… Pensando de novo, talvez o clima fosse até bem melado?
— Então o fato de ele ligar sempre e não haver confraternizações também não é ciúme doentio?
— Não. É só para passar tempo com a família. E as ligações o cônjuge também faz com frequência.