Capítulo 14
— Mas o clima de Natal é bom. As canções também. É divertido. Reconheço que empolga. Mesmo agora que sou eu quem dá, ainda empolga.
— Tem plano para este ano?
— Eu andei pensando. O Roun também está começando a ficar esperto, né? Acho que precisamos de uma manobra de distração.
Gong Pyeonghwa explicou o plano da grande operação de Natal.
Ouvindo a história, parecia que este ano Isul também não teria como não acreditar na existência do Papai Noel.
— Assim a Isul vai crescer e dizer que quer ser rena.
— A gente vai ter que apoiar isso?
Para o presente de Natal deste ano de Isul, cujos sonhos mudavam a cada dia, os pais se uniram.
Claro que antes disso, comida.
Sentaram-se no restaurante que Gong Pyeonghwa reservara com antecedência e apreciaram a vista noturna.
— Quer vinho?
— Hum. Estou bem.
Começando por entradas leves até o prato principal, os pratos chegavam em intervalos adequados.
Ali também era época de Natal, e ouviam-se o som de lenha queimando e canções natalinas suaves.
— Você lembra do nosso primeiro Natal?
— Ah. Aquele.
Naquela época, no auge da euforia de morar sozinho, eles tinham encontros em casa o tempo todo.
Depois de começarem a morar juntos, decoravam a casa juntos sob a liderança de Gong Pyeonghwa.
No Halloween esvaziavam uma abóbora e faziam a lanterna, na Páscoa pintavam ovos com tinta e compravam coelhinhos de pelúcia para decorar.
E no Natal…
◀◀◀
— Saebyeok! Vem rápido! Rápido! Rápido!
Como Gong Pyeonghwa fez birra dizendo que no Natal era obrigatório comer bolo, Saebyeok estava desde a manhã assando pão e fazendo a cobertura.
— O que foi?
Largou a espátula um instante e foi à sala atender ao chamado ansioso de Gong Pyeonghwa, e nossa…
— Como você vai desmontar isso…
Perto da lareira, uma árvore de Natal gigantesca ostentava uma presença enorme.
Para começar, como você instalou aquilo?
— Vou lhe dar a chance de decorar a obra-prima!
Gong Pyeonghwa segurava a escada e entregou a Saebyeok a estrela gigante que ia no topo.
— Uau…
— Eu seguro, então sobe!
— Será que eu posso fazer algo tão importante…
Na verdade, Saebyeok não se comovia muito. Por que você mesmo não faz? Você gosta disso, não?
— Rápido! Rápido!
Saebyeok riu baixinho por dentro.
Você também quer fazer. Você quer mais do que eu. Como só tem uma, manda eu fazer.
Saebyeok colocou a estrela na boca e subiu a escada.
Como Gong Pyeonghwa segurava firme, não balançava.
Graças a isso conseguiu subir tranquilamente até perto do topo da árvore.
Ao colocar a estrela que segurava na boca, aquilo lhe deu uma satisfação inesperada.
Havia pouco ele achava aquilo um saco, mas, ao fazer, ficou satisfeito.
— Uaaau! Uma árvore completamente perfeita!
Depois de descer e olhar, de fato parecia perfeita.
Especialmente a estrelona no topo.
Saebyeok apreciou a árvore com um sorriso satisfeito.
Era uma árvore exagerada, mas, ao olhar direito, a impressão mudou. Só assim para poder chamar de árvore, não?
Gong Pyeonghwa realmente tinha bom gosto.
“Por isso ele namora comigo? Ahem.”
Que pensamento não se pode ter por dentro, mas, com medo de que alguém tivesse ouvido, ele corou levemente.
Gong Pyeonghwa, cantarolando lá-lá-lá, pendurou na árvore um par de meias gigantes onde caberiam presentes.
Meias do tamanho de um saco de dormir onde caberia uma pessoa pareciam até fofas diante da árvore gigante.
— Saebyeokinho amorzinho, você quer que presente?
— Não vou contar.
— Por quê? Eu posso ser o Papai Noel.
Saebyeok riu em silêncio e fingiu estar ocupado. Bom, na verdade estava mesmo.
Para comer bolo e vinho à noite, ele precisava terminar o bolo naquele instante.
Gong Pyeonghwa o seguiu até a cozinha, abraçou-o por trás e misturou todo tipo de persuasão e súplica, perguntando por que era segredo, se já havia segredos entre eles, se falar não seria bom para ele também.
— Ah, já disse que é segredo até para o Papai Noel.
— O Papai Noel é um estranho. Eu sou o seu namorado, não? Sou o cara com quem você namora? Sou o namorado? Não vai me contar?
— Fala você primeiro.
— Não pode. Não pode. Eu perguntei primeiro. Não pode. Isso é furar fila.
Que absurdo.
Saebyeok soltou um riso incrédulo e terminou a cobertura.
De acordo com o gosto do namorado que ama frutas, colocou frutas em abundância entre as camadas de pão e, depois de terminar a cobertura, colocou muitas frutas por cima também.
Com as frutas que sobraram, cozinhou com vinho e fez também um vinho quente para dividirem.
Gong Pyeonghwa, que no fim não conseguiu a resposta, grelhou o steak fazendo “hunf, hunf” descaradamente.
— Saebyeok, você vai comer muito aspargo?
— Sim. Eu quero comer bastante.
— Ai. Nosso bebê come bastante para crescer quanto.
Gong Pyeonghwa fez charme com voz de língua presa e grelhou um monte de aspargos.
Metade aspargo, metade steak, um pouco de batata, um pouco de pão, sopa de tomate na medida — um banquete simples estava servido.
— Primeiro vamos comer. Depois a gente assiste a um filme. E bebe.
— Estamos ocupados.
— Sim. A gente está bem ocupado. Também tem que dar um beijo à meia-noite.
— Então temos que comer logo.
Gong Pyeonghwa e Saebyeok sentaram-se à mesa e comeram, servindo um ao outro.
— Nosso Saebyeok não é seletivo e mastiga bem. Bonzinho. Bonzinho. Merece presente de Natal.
— Ah, para com isso.
Está me mimando demais por causa de nada.
Diante de um mimo excessivo que ele não recebera nem aos cinco anos, o rosto foi esquentando aos poucos.
Não é que ele não tivesse imunidade aos mimos de Gong Pyeonghwa, mas mesmo assim era meio…
Não era que não gostasse; era o fato de que, secretamente, ele estava aproveitando aquele mimo infinito.
Ninguém saberia que ele estava aproveitando por dentro, mas ele mesmo se sentia pego.
— Aaah, que fofo.
— Já disse para parar.
Saebyeok mastigou vinte vezes cada garfada e engoliu rápido.
Até isso era motivo para “que fofura”, “parece um coelhinho comendo salsão pela primeira vez”, “não é um filhote de wallaby?”, “é humano mesmo?”. Uma bobagem cruel se seguiu.
— T-tá. É isso mesmo. Eu sou tipo um filhote de wallaby, sei lá. Então vamos só, vamos comer, tá?
— Ahaha!
Diante da imagem de Saebyeok admitindo à força, com o rosto vermelho, Gong Pyeonghwa explodiu de rir, largou o garfo e gargalhou.
— …Eu entro na sua brincadeira e você faz isso?
— Não, é que você é fofo demais.
Gong Pyeonghwa enxugou as lágrimas e tardiamente segurou o riso.
— Chega. Eu já terminei. Coma sozinho.
Quando Saebyeok saiu bufando para o banheiro, Gong Pyeonghwa fez “hnng” e soltou sons abertamente lamentosos.
Hunf. Mas eu não caio nessa.
Saebyeok escovou cada dente com esmero.
Quando terminou e saiu, como esperado, aquilo era atuação: Gong Pyeonghwa já tinha terminado de comer, deixado tudo preparado para o filme e esperava Saebyeok com os olhos brilhando.
Sentaram-se no sofá e assistiram a uma animação ambientada no Natal.
Dividiram o vinho quente e o bolo feito de manhã.
Hã?
Ah. Correção.
Saebyeok comeu uma fatia, e o resto do bolo Gong Pyeonghwa comeu inteiro com uma colher.
— Realmente tem que ter muita fruta!
— Está gostoso?
— Sim! Quem fez isso, sério. É demais. Uaaau. O vinho quente também está delicioso!
Levou um beijo surpresa de Gong Pyeonghwa, comovido, e acabou com creme na bochecha.
O truque de esticar a língua dizendo que, como ele sujara, ele mesmo devia limpar era óbvio demais, mas Saebyeok fingiu não ver e deixou passar.
Então ele passou a lambuzar descaradamente os lábios de Saebyeok com creme.
Ora essa.
— Quem visse diria que você quer muito me beijar.
— Uau! Isso mesmo! Eu quero muito beijar agora.
Gong Pyeonghwa fechou bem os olhos como uma princesa e esticou os lábios fazendo “bicoo”.
Os cílios longos, o pequeno sinal cravado sob os cílios e os lábios de um vermelho intenso que combinavam com a pele clara eram, sinceramente, não por ser o meu homem, mas objetivamente, apetitosos.
Mas, como ele o provocara demais naquele dia, ele não queria dar o beijo.
Segurando a vontade de beijar, passou um monte de creme nos lábios dele e fugiu pulando por cima do sofá.
— Ora essa.
Claro que foi pego logo e condenado a uma pena de beijos ainda mais severa.
Saebyeok, que deu pouco e recebeu muito, acabou nos braços de Gong Pyeonghwa com uma aparência um pouco desalinhada.
— Quando a gente casar mais tarde, vamos ter filhos, né?
— Bom, provavelmente?
Parecia distante, mas Saebyeok já pensava até em casamento com Gong Pyeonghwa.
Não sabia quanto a tecnologia avançaria até lá, mas com alta probabilidade seria Saebyeok quem passaria pela dor de parir.
Combinaram de casar quando ambos tivessem herdado mais ou menos tudo, e não seria melhor ter filhos depois de se estabelecerem?
— Eu queria que o meu futuro filhote fosse a cara do nosso Saebyeok.
— Que isso… Tem que puxar você…
— Olha ele com vergonha. Ficar com vergonha e ainda assim dizer tudo até o fim é fofo demais!
— P-para com isso…
Na época, os dois tinham até um plano rigoroso para os filhos.
Claro, como a vida não sai como se planeja, Isul chegou cedo, independentemente do plano.
No início do namoro, puros como eram, Gong Pyeonghwa e Shin Saebyeok nem imaginavam uma gravidez antes do casamento.
— Se a gente tiver filhos, vamos passar o Natal juntos, né? Aí eu tenho uma coisa que sempre quis fazer.
— O quê?
— Eu acreditei que o Papai Noel existia até o ginásio.
— Hã? Isso é possível?
Descobrir nos primeiros anos do fundamental já não é tarde?
— Sim. Eu não me deixei levar pela instigação alheia e mantive firme no coração a minha convicção. Sinceramente, eu achava que eles é que não ganhavam e por isso diziam que as uvas estavam verdes.
Isso é autoconsciência forte?
— Isso tudo é porque o meu pai administrou tudo meticulosamente até eu me formar no fundamental. Ele me enganou perfeitamente.
— O sogro?
— Nem me fale. Acho que no primeiro ano do fundamental? Eu achei tão suspeito que fingi dormir e fiquei de tocaia. Escondi uma almofada corporal na cama e me escondi embaixo dela, contendo a respiração.
Ei, você com sete anos fazendo tudo isso.
— Segurei o sono e, no instante em que achei que finalmente pegara o flagrante, de repente uma luz explodiu! Enquanto eu gritava ofuscado, com o som de sinos o Papai Noel sumiu sem deixar rastro num instante! Não havia como não acreditar.
Não, uma produção dessas? Sogro, tudo isso para o Natal de um menino de sete anos?
— Quando eu abri os olhos de novo não tinha ninguém e só havia o presente sobre a cama! Com a janela aberta! Ouvi a risada do Papai Noel! Como não acreditar!
Nesse caso dá para entender…
— Por isso, no dia seguinte, eu contei aos meus pais e escrevi até uma carta pedindo desculpas por ter desconfiado, pedindo para não recolherem o presente de volta.
Ah, que engraçado. Imaginando Gong Pyeonghwa escrevendo a carta com suas mãozinhas, um sorriso surgiu nos lábios de Saebyeok.
— Ha. Quando depois eu descobri isso na gaveta do meu pai, foi sério…
Sogro. O senhor não deveria ter sido descoberto até o fim.
— Você disse que acreditou até o ginásio. Quando você parou de acreditar?
— Foi quando meu pai declarou o fim do evento dizendo que não tinha mais ideias de eventos…
Sogro. Se começou, devia ter ido até o fim, até ser descoberto.
Perdendo a inocência e ficando desolado, coitado do nosso Pyeonghwa ginasial.
— Por isso, quando eu tiver filhos! Vou enganá-los só até os 10 anos!
Ah. No fim você também vai fazer?
— Descobrir no ginásio é tarde demais! Acho bom descobrir na hora certa.
— Deve ser fofo.
— Eles podem puxar você e ser perspicazes e observadores. Você também tem que ajudar.
— T-tá bom.
Assim foi a primeira véspera de Natal depois de começarem a morar juntos.
Um filme ambientado no Natal, um bolo e um vinho quente feitos por eles mesmos, uma árvore de Natal gigantesca e um namorado que compartilhou tudo isso.
E até os planos futuros para o filho que um dia encontrariam.
▶▶▶
— Ha, ela ainda tem três anos… Não vai descobrir, né?
— Mesmo que descubra, não vai entender. De Natal, ela só ouviu o livrinho que a gente leu na semana passada, então o conceito ainda nem está formado.
— Com o Roun tudo bem, mas com a Isul não dá para baixar a guarda. Fique atento.
— Está bem.