Capítulo 13
Inverno
Felizmente o marido continuava acessível mesmo trabalhando.
Como era muito sociável e tinha uma personalidade redondinha, sem arestas, parecia estar se dando bem.
Hum.
Fazer perseguição de novato com o presidente só prejudicaria eles mesmos, então era natural, não?
De todo modo, Gong Pyeonghwa se adaptou rápido e estava indo bem.
Na temporada de inverno, a maioria dos setores fica assim, mas o setor mais ocupado no período do Natal é o hoteleiro, não?
Ultimamente Gong Pyeonghwa saía do trabalho mais tarde do que Saebyeok.
— Hoje também deve ter sido difícil.
— Sim! Mas hoje resolvi a questão do duty free e vou sair no horário! Vamos juntos depois!
— Ah, é? Acho que eu termino antes, então vou até o hotel.
— Sim! Sim!
Preciso buscar o marido, então vamos nos apressar.
— Hoje você pode se apressar um pouco?
— Entendido! Nossa, é sempre bom ver como vocês se dão bem. Vendo o senhor ao telefone, eu sinto que ando muito negligente com a minha família e às vezes ligo para a minha esposa.
— Oh. E aí?
— Bom, eu nunca terminei uma ligação de forma calorosa como o senhor. Ela só se irrita perguntando que ligação nojenta é essa.
Oh…
— Será porque ela descobriu que eu disse que ia a um velório e fui ao boliche…
Faz sentido?
— Ou porque ela descobriu que eu escondia uma reserva secreta de dinheiro…
Faz muito sentido.
— Não? Será o videogame que comprei escondido? Já descobriram? Não é à toa que o clima anda pesado.
Er, você… conte algo que você fez de bom… Não tem como eu ficar do seu lado.
— Ah…
O motorista, antes radiante, ficou pálido num instante.
— O que foi?
— Ontem era o aniversário da minha esposa e também o aniversário de casamento…
E você chegou tarde em casa dizendo que ia beber com os amigos…
Como alguém faz isso… Saebyeok tapou a boca.
Uma pessoa pode ser assim? Como se esquece o aniversário de casamento? E ainda coincidindo com o aniversário da esposa, uma dupla comemoração.
Para Saebyeok, era inimaginável.
Se Gong Pyeonghwa fizesse o mesmo que o motorista? Isso não aconteceria, mas não seria uma dor de rasgar o peito?
— Desavença familiar não é acidente de trabalho.
— É-é mesmo, né?
— Geralmente, neste caso… é quase um luto, mas…
Ainda assim, é difícil justificar folga, então tem que vir trabalhar. A não ser que seja o próprio funeral… Ora, o que poderia acontecer. No máximo um clima de guerra fria com desprezo e indiferença? Só ficaria meio constrangedor e sufocante.
— Hehe. Se um dia eu for internado, não se assuste.
O senhor está exagerando.
— Eu já contei? Minha esposa pratica muay thai há oito anos… A gente se conheceu fazendo sparring. Depois de levar um low kick dela, meu coração disparou muito. Por isso me declarei… Pensando bem, aquilo também era medo…
— Uau.
Que coragem. Como se esquece numa situação dessas?
Não, o problema não é só ter esquecido. Os erros estão acumulados demais.
— O que eu faço?
— Não adianta perguntar isso para mim.
Saebyeok pensou com cuidado.
Ele nunca cometera um erro desses, mas às vezes brigavam por diferenças de personalidade.
Nessas horas, normalmente era Saebyeok quem acalmava Gong Pyeonghwa primeiro.
Mesmo que a culpa não fosse de Saebyeok, eram coisas que, do ponto de vista de Gong Pyeonghwa, podiam magoar um pouco.
— Que tal levar flores?
Nosso Pyeonghwa dá flores com frequência.
No começo você se pergunta para que serve, mas, quando recebe, o humor melhora — não há presente como flores.
— Depois de ouvir que eu compro coisas inúteis, que se estou gastando dinheiro à toa devo ter recebido bônus, faz tempo que eu não levo…
Er… isso é meio pesado.
— Mesmo que a sua esposa fale assim, ela vai gostar.
— Será mesmo?
— Se for assim, colocar um dinheiro junto com as flores também pode ser uma solução, não?
Na verdade, o mais importante é não errar, mas, se o erro já foi cometido, o caminho adequado não seria reconhecer o erro, pedir desculpas o suficiente e criar meios para que algo parecido não se repita?
Em vez de um suborno imediato.
— Se eu der um maço de dinheiro como presente de aniversário e de aniversário de casamento, o que eu dou no Natal…?
Na verdade nem dá para dar um maço de dinheiro! Diante do motorista desesperado, Saebyeok decidiu acionar o cérebro a plena potência também. Ignorar as agruras de um homem casado seria difícil, já que se viam todos os dias.
Certo, vamos pensar.
Há um limite financeiro claro. Logo, é preciso considerar custo-benefício no presente.
E o presente de Natal ainda tem que ser separado…
— Primeiro, que tal dar algo doce? Comer açúcar melhora o humor. É cientificamente comprovado.
— Será que ela vai querer comer algo que eu der?
Como é que ele viveu até agora?
— Afinal, quão brava ela está? Não consigo dimensionar.
Nosso Pyeonghwa, mesmo bravo, desarma rápido… Basta pedir desculpas e ele já amolece.
— Umas duas na escala de alerta.
— Primeiro, er, acho que a performance de entrar em casa de joelhos desde a entrada tem o melhor custo-benefício.
Vou ter que contratar outro motorista?
— Como eu não conheço o gosto e a personalidade da sua esposa, é difícil dizer, mas, pela minha experiência, basta pedir desculpas primeiro e fingir que quer melhorar o humor dela que ela já gosta.
— Mas, tudo bem o aniversário, mas o aniversário de casamento não é algo que ela também devia cuidar de mim? Eu preciso me curvar tanto assim?
Você está querendo dar como certo algo que não é certo.
— Bom, se estiver ocupado, pode acontecer. Mas se o outro se magoou, e você percebeu, e isso o incomoda, tem que resolver.
Saebyeok também tinha sentimentos.
Saebyeok também ficou emburrado e magoado várias vezes. Mesmo sendo seus próprios sentimentos, muitas vezes ele não sabia por que ficava ressentido, por que o peito ficava apertado.
Se não fosse Gong Pyeonghwa, talvez houvesse muitos sentimentos que ele jamais conheceria.
Ciúme, mágoa. Essas coisas.
Ele conhecia o significado no dicionário, mas, vivendo na pele, eram emoções ainda mais poderosas. Tornavam a pessoa infinitamente infantil e mesquinha.
Depois de vivenciar esses sentimentos, finalmente entendeu o coração e as atitudes de Gong Pyeonghwa.
— É um sentimento que nasce da confiança e do amor pelo outro; se eu amo, é certo que eu me responsabilize por ele. Se outra pessoa resolver, isso também irrita, não? Que sujeito ousaria…
Até os sentimentos ruins de Gong Pyeonghwa não deveriam ser meus?
— A-a esse ponto? Eu pensei em dar um vale-presente ou algum ingresso para ela se distrair e sair com as amigas…
— Pense. Ela se magoou por minha causa e se cura nos braços de outra pessoa? Isso não faz sentido.
— Ah, são só amigas? E elas são mulheres…
— Numa época tão peculiar como a nossa, o que é “só amiga”? O senhor conhece todas as amigas da sua esposa? Essa amiga pode ser do mesmo sexo e ter um traço diferente, ou pode ser um homem com nome que parece de mulher, não? Mesmo confiando na sua esposa, não dá para confiar em quem está com ela.
Diante da fala de Saebyeok, o motorista Kim ainda balançou a cabeça.
— Existe uma coisa tão mirabolante assim? Isso não é coisa de novela? Quem se meteria com uma mulher casada. Há tantos olhos vendo. A não ser um louco. Ele não teria medo?
— …
Saebyeok, um homem casado que recebera uma declaração de um subordinado, olhou em silêncio o motorista Kim pelo retrovisor.
— Isso. Às vezes acontece.
Diante da fala de quem viveu aquilo, o motorista Kim se sobressaltou.
— Existe mais louco do que se imagina, e ele pode estar perto…
Diante das falas sucessivas de um experiente, o motorista Kim lembrou-se do passado e se deu conta.
— Não se tranquilize apenas com o mesmo sexo ou com o estado civil. Nunca se sabe.
Mesmo sem traço especial, dá para trair. Pessoas do mesmo sexo também traem.
Mesmo que não seja traição, se um dos lados tem más intenções, não se sabe o que pode acontecer.
O motorista Kim relembrou isso e soltou a imaginação.
Se ela contar ao primeiro amor reencontrado numa festa de ex-alunos que fica irritada e magoada porque eu deixo as meias do avesso, aperto a pasta de dente pelo meio, reclamo da comida e ainda esqueci o aniversário dela? Ou se a amiga se chama Huijin ou Areum e eu achei que fosse mulher, mas é homem?
E ainda por cima o cara é bem-sucedido. Atencioso. E tem um interesse pela minha esposa. Talvez tenha sido o primeiro amor dela. Como ela era linda quando namoravam.
Enfim, se aquele desgraçado ousar querer acolher a minha esposa? Se ele der em cima dela dizendo que vai curar as feridas causadas pelo marido?
E se a minha esposa ingênua, já casada e com filho, achar que ele não teria segundas intenções e simplesmente se tranquilizar? Se ficar comovida sem conhecer as intenções escuras dele?
— Não pode. Nunca. De jeito nenhum.
— É isso. O sentimento que nasce em mim, bom ou ruim, tem que ser todo meu. Ela casou comigo. É meu.
— Como uma mulher casada, tendo marido, iria com outro homem. Ha, que desgraçado engraçadinho. Ousar com a mulher dos outros…
O senhor se envolve fácil, hein.
Bom, graças a isso venceram o engarrafamento sem tédio.
De repente, o hotel do marido apareceu diante deles.
— Hoje pode ir direto para casa.
— A-ah, não! Eu termino o serviço e vou. Obrigado pela consideração!
— Eu vou de carro com o meu marido de qualquer forma.
Não é preciso levar dois carros.
O senhor cuide da paz do seu lar. Eu vou ver o meu Pyeonghwa.
Depois de dispensar o motorista Kim, entrou no hotel. Tinham feito uma reforma no bufê recentemente, e de fato havia muita gente na área do restaurante.
Por ser época de Natal, ouviam-se canções natalinas suaves e havia muita gente tirando fotos na árvore gigante.
Saebyeok se escondeu atrás da árvore enorme e ficou observando o elevador.
Já era hora do meu marido sair do trabalho.
— Hum. Entendi. A questão de Jeju, marque a reunião para a semana que vem, e confira a agenda da associação de apoio.
Sem sentir frio, aparecia descendo sem casaco, com ele dobrado de qualquer jeito sobre o braço, dando instruções de trabalho — o presidente-executivo Gong Pyeonghwa.
Cabelo bem penteado, terno que realçava ainda mais a altura e os ombros largos.
O tom profissional e a voz grave criavam uma sinergia.
Não era à toa que as pessoas se viravam ou olhavam de esguelha a cada palavra de Gong Pyeonghwa.
Já era do tipo que atraía olhares por causa do rosto lisinho e bonito, e ainda com aquele ar de riqueza.
Não sei de quem é esse homem, mas é sexy.
— Estou indo. Até amanhã.
Mesmo sentindo calor em pleno inverno a ponto de não vestir o casaco, a gravata continuava impecável.
Se está com calor, podia afrouxar um pouco a gravata. Deve estar assim só de contente porque o marido amarrou.
— Vamos logo! Rápido! Meu marido cervo está esperando! Pé esquerdo! Pé esquerdo!
Assim que saiu do trabalho, virou de presidente-executivo Gong Pyeonghwa em Gong Pyeonghwa apaixonado.
Gong Pyeonghwa, que sincronizava os passos com o motorista como numa corrida de três pés, parou de repente e farejou o ambiente.
— Presidente?
— Um momento. Sinto o cheiro do meu homem.
Você é mesmo um animal selvagem?
Saebyeok se escondeu querendo dar um susto nele.
Assim, dois homens adultos ficaram girando em torno da árvore gigante.
Sem querer, o casal acabou fornecendo entretenimento aos hóspedes e saiu do hotel constrangido.
— Por isso, por que fugir.
— Porque às vezes eu também quero dar um susto…
Admitindo o excesso de entusiasmo, Saebyeok ficou com o rosto vermelho.
Com trinta anos, fazendo “me pega” na frente de todo mundo.
— Hum. Avisei as babás. Vamos jantar e passear um pouco antes de voltar.
— Está bem, então.
As ruas estavam cheias de clima natalino. As canções tocadas em todos os cantos preenchiam a rua, e em cada loja havia ao menos uma meia de Natal ou um enfeite de trenó.
— O que o Natal tem de tão especial para todo mundo ficar assim.
Gong Pyeonghwa, ocupadíssimo com o Natal recentemente, murmurou num tom de quem acha tudo inútil.
— Pois é. No Chuseok ou no Ano-Novo lunar a gente descansa pelo menos três dias, mas no Natal é só um dia. E daí? Por ser época de Natal, o preparo começa às vezes um mês antes. E é só um dia!
Claro, aquele um dia era um faturamento enorme.