Capítulo 12
A hora da culinária de pepero com a amante de pepero Isul foi caótica.
— Por que só tem isso?
— O resto deve estar na barriga da Isul.
Como convém a uma sessão com uma amante de pepero, ela comia tudo assim que ficava pronto.
Guardou o que daria a Saebyeok, ultra-hiper-selecionado, num lugar fora do alcance de Isul, e, como era o Dia do Agricultor, cobriu também garaetteok com chocolate.
Cobriu com farinha de amendoim, amêndoas, cubinhos de morango, tudo bem colorido e bonito.
Mesmo fazendo tudo isso, sobrou mais chocolate do que ele imaginava, e fizeram fondue de chocolate como lanche.
Esperando apenas Saebyeok voltar do trabalho, ele e Isul dividiram e embalaram os peperos.
— Este é do professor Nam Uri. Este é dos vovôs e vovós!
— E o dourado?
— É do pa-pai!
— Muito obrigado!
Quando Gong Pyeonghwa foi pegar, Isul deu um pulo.
— Não é do papai! É do pa-pai Sae-byeok!
Quando será que provocar a filha vai deixar de ser divertido.
Como já dava para ter uma comunicação de mão dupla, provocar Isul virou a coisa mais divertida depois de beijar o marido.
— Quando é que o papai vai criar juízo! É sempre assim! Sempre! Aiai!
“Ela está imitando a minha mãe?”
Por um instante viu Seongbuk-dong e esfregou os olhos.
Como um esquilo se preparando para o inverno, Isul escondeu os peperos embalados debaixo da cama, no armário, por toda parte.
Foi uma estratégia por medo de que o papai Pyeonghwa comesse tudo.
“Mas, Isul. Isso tudo é dinheiro do papai.”
E você não pensa no que comeu enquanto a gente fazia? Gong Pyeonghwa ficou um pouquinho injustiçado, mas deixou passar com o coração grande.
Distribuiu peperos artesanais às babás, ajudantes e até ao secretário executivo.
— Ah. Hoje é aniversário do seu marido!
Todos reagiram assim que viram os peperos artesanais.
— Todo ano é realmente impressionante.
Desde o dia em que começou a namorar Saebyeok, Gong Pyeonghwa fazia peperos uma vez por ano, sem falta, no aniversário de Saebyeok.
No primeiro ano ele comprou numa padaria, mas, na hora de entregar, não ficou satisfeito.
No ano seguinte começou a fazer, e Saebyeok, que não ligava para pepero, foi se juntando discretamente e passou a fazer também.
Assim virou um evento anual consolidado.
Claro, agora que Saebyeok trabalha, ficou difícil fazerem juntos…
— Isto aqui fui eu que fiz. Ahem!
Em vez dele, a júnior do Saebyeok participa!
Gong Pyeonghwa esfregou com força a cabeça de Isul. Isul fingiu não gostar dizendo que dava choque estático, mas os olhos e a boca sorriam abertamente.
“Fofa igual ao pai.”
Será que, quando Roun crescer até o tamanho de Isul, ele verá o pequeno Saebyeok?
As crianças cresciam a olhos vistos. E quanto mais cresciam, mais um pouquinho do cônjuge aparecia nelas.
Por isso queria que crescessem logo, mas também queria que crescessem um pouco mais devagar.
— Ah! Chegou, chegou!
Gong Pyeonghwa e Isul correram em disparada até a entrada.
Com o “tim” do elevador, pouco depois ouviu-se o som de teclas da senha.
— Cheguei…
— Amor!
— Papai!
O marido e a filha aparecendo assim que a porta abriu.
Saebyeok, sem ter feito nada, caiu na risada e abraçou Isul, que corria até ele.
Gong Pyeonghwa, que perdeu a vez, fingiu abraçar o ar.
A família de quatro jantou aconchegada e fez a cerimônia de abertura dos peperos.
— Papai, isto, isto fui eu que…
— A Isul fez?
— Isso.
— Muito obrigado. O papai está muito emocionado.
Ora, que isso. Isul, imitando sabe-se lá quem, sacudiu a mão com ar blasé e disse que no ano que vem faria peperos ainda mais incríveis e que era para esperar, e, com um “Bye”, foi andando devagar para a cama.
Isul, que parecia prestes a dormir ali mesmo, só se deitou depois de guardar nos olhos a imagem do papai Saebyeok feliz.
— A Isul, por mais que eu olhe, é a sua cara.
— Não. Você devia ter visto agora há pouco. Aquele ar blasé era você.
— Que isso.
— Era exatamente a sua expressão de agora!
Discutiram sobre quem ela puxava mais.
— Quando a gente namorava eu imaginava esta cena. Você lembra que a gente imaginava ficar discutindo de quem o filho puxa?
Quando Isul estava na barriga de Saebyeok, Gong Pyeonghwa periodicamente derramava lágrimas e apresentava seu projeto de futuro.
Que faria tudo direitinho, que o filho tinha que puxá-lo, que ele rezava todos os dias, que quando o filho nascesse ele ensinaria a andar de bicicleta e blá-blá-blá.
Todos os dias despejava isso.
E agora tudo isso virou realidade.
Exatamente como um dia imaginaram, virou verdade.
— Pyeonghwa, eu também tenho um presente para você.
— O quê? O quê! Eu preparo o coração?
Hã? Não é nada tão grandioso? Não pode se preparar? Abre os olhos! Não fecha os olhos! Não me pressiona!
A pressão de ter que satisfazer o marido subiu de repente.
Mesmo neste instante, a expectativa de Gong Pyeonghwa deve estar nas alturas!
Saebyeok abriu apressado o embrulho do presente que comprara. Bem que o papel bonito podia rasgar fácil, mas era tão resistente que nem rasgava direito.
Ouvindo aquele som apressado, os lábios de Gong Pyeonghwa se contorciam.
A imagem do marido ansioso se desenhava nitidamente.
Quanto mais ansioso Saebyeok ficava, mais difícil era para Gong Pyeonghwa segurar o riso.
Saebyeok abriu com dificuldade a embalagem e pendurou no pescoço de Gong Pyeonghwa a gravata que comprara.
— Olha.
— Você acabou de colocar uma gravata no marido que está de pijama?
— Não…
— Você disse que ia me dar um presente.
M-mas é um presente… O que Gong Pyeonghwa esperava devia ser algo levemente erótico e romântico.
Como sempre, ele devia ter imaginado começar com um “feliz aniversário”, dividir peperos, fazer o jogo do pepero e ir tirando a roupa devagarinho, e ele foi e colocou uma gravata em cima de um pijama já difícil de tirar.
— Você, a partir de amanhã, vai trabalhar… Eu comprei terno também, mas, sabe, na pressa, só a gravata.
Gong Pyeonghwa mexeu na gravata sobre o pijama e abriu um sorriso enorme.
— Uau! Amanhã mais um dos nossos sonhos se realiza!
É um sonho nosso, mas por que não me vem nada à cabeça. Não seria um sonho só seu?
Saebyeok escondeu o que pensava e sorriu com calma diante do alvoroço de Gong Pyeonghwa.
Se ficar sorrindo, Gong Pyeonghwa mesmo contaria.
— A gente se arruma para o trabalho amarrando a gravata um do outro, pega o elevador de mãos dadas e cada um vai trabalhar, e na volta a gente se encontra, janta olhando a vista noturna! E volta para casa de mãos dadas! Amanhã é a pedra fundamental disso!
Ah. Sim. Ele falou disso mesmo. Poxa.
Claro, como as crianças ainda são pequenas, é melhor voltar direto para casa depois do trabalho.
— Hihi. Amanhã de manhã amarra a minha também. Eu amarro a sua.
— Está bem.
— Amanhã, quando eu chegar ao trabalho, vou me gabar para as secretárias. Que o meu marido me deu.
Sim. Diga que tem marido, que foi seu marido que deu, sem falta. Sem falta. Sem falta. Se gabe. Se gabe para os quatro cantos.
Falo isso como alguém que trabalhou numa empresa na Coreia antes de você: existem sujeitos que dão em cima mesmo sabendo que a pessoa é casada.
Levante barreiras em qualquer lugar.
Não havia possibilidade de Gong Pyeonghwa trair, nem ele era do tipo que se abala com seduções alheias.
Mas? Simplesmente dava nojo.
Pessoas que olhariam para Gong Pyeonghwa sem nem saber que ele é casado!
A repulsa de que possa haver alguém mirando o meu homem!
Fique com a zona T bem endurecida para ninguém conseguir puxar assunto.
Levante uma barreira de entrada tão alta que nem os fanáticos religiosos mais atrevidos consigam falar com você.
Não fique sorrindo por aí.
Não fique todo molinho como você é comigo.
Se dependesse da vontade, ele queria levá-lo para passear de manhã, tarde e noite, dar petiscos e trancá-lo em casa o resto do tempo.
— Você vai se sair bem, mas ainda assim se saia bem.
— Claro.
Ter que soltar essa coisa linda no mundo.
— …Não esqueça que você é casado. Mesmo sem segundas intenções, não coma sozinho com funcionários ou secretários. Mesmo que você não sinta nada, essas pessoas podem se iludir. Isso não ajuda a empresa nem a curto nem a longo prazo.
— E?
— Não faça hora extra tentando se esforçar demais, nem pule refeições. Você não é dono só de si mesmo, viu? É casado. É meu marido e o pai da Isul e do Roun.
— E mais?
— Fale comigo com frequência. Se eu não atender, provavelmente é por causa de reunião; quando a reunião acabar eu ligo de volta. Se eu não conseguir falar com você, eu fico ansioso, sabe? Não é desconfiança, é que ficar sem contato dá ansiedade, né?
Gong Pyeonghwa ouvia com atenção, o queixo apoiado na mão. Nos cantos da boca, um sorriso suave; dos olhos, escorria mel.
— …Por que está me olhando assim?
— Uau. Meu marido está com o deep learning bem treinado.
Viver sempre com a consciência de ser casado; cuidado com ataques de declaração, já que uma gentileza sua pode virar interesse do outro; distância adequada; barreira sempre ativa; cuidado com a saúde; pensar nas crianças; falar com frequência; não deixar o outro ansioso; comer direito; mastigar bem.
Pensando bem, isso tudo não era o que alguém vinha tagarelando como se fosse lavagem cerebral?
— Hihi.
Alguém que fazia enquadramento de flor com as mãos e ria como um moleque.
— Ha.
Foi aprendido? Foi tão naturalmente aprendido que ele não percebeu até Gong Pyeonghwa apontar.
— Uau. Que estratégico.
Eu realmente não sabia. Saebyeok soltou um riso incrédulo.
— Isso é uma informação que você aceitou porque também tinha vontade e achou razoável. Por isso foi aprendida naturalmente.
— Já entendi.
Gong Pyeonghwa abraçou Saebyeok como uma almofada corporal e rolou pela cama.
— Aah! Até quando você vai ser fofo! Até quando você vai ser fofo assim!
Mordeu a orelha, o alto da cabeça, a bochecha, sem poupar nada.
— Como é que eu vou trabalhar deixando ele! Não faz sentido!
Saebyeok, que já ia e voltava do trabalho havia dois anos deixando Gong Pyeonghwa em casa, rolou pela cama sem pensar em nada, conforme Gong Pyeonghwa o conduzia, sendo mordiscado por todo o corpo.
O escândalo de Gong Pyeonghwa não tinha fim. Mordia, chupava, lambia tudo.
Só parou depois que Saebyeok, mordiscado por um bom tempo, reclamou de tontura.
Apagaram a luz e se deitaram de vez na cama.
Gong Pyeonghwa fez travesseiro de braço para Saebyeok, e Saebyeok aceitou de bom grado, rolando para dentro dos braços dele.
— Amanhã, quando chegar ao trabalho, me liga.
— Sim.
— Se ficar solitário na hora do almoço, me liga também. Eu vou na hora.
— Sim.
— E se ficar entediado na hora de voltar para casa, me liga também.
— Entendi.
Haa. Ter que soltar na sociedade alguém tão fatal, um Gong Pyeonghwa tão fofo assim.
O estômago já ardia.