Capítulo 11
Como será que trataram meu filho para ele estar assim.
Vendo o filho amado, era como se um canto do peito ficasse mais cheio do que a lua cheia.
— Você era uma criança que não dava trabalho nenhum. A Noeul também, mas… será que era pela situação difícil? Você aguentava tudo de um jeito nada infantil. Isso sempre me pesou no coração, mas agora acho que não preciso mais me preocupar.
Saebyeok ficou com o rosto quente não por causa da febre, mas de vergonha.
Ah. Fiz com a minha mãe o que eu faço com o Pyeonghwa… nessa idade.
Ah! Cadê o Gong Pyeonghwa! Estou passando vergonha! Se você estivesse grudado em mim isso não teria acontecido!
Ah! Gong Pyeonghwa!
— Saebyeok! Eu ralei a pera bem ral…, sogra! A senhora chegou!
Gong Pyeonghwa cumprimentou com toda a formalidade e pousou a bandeja no criado-mudo.
— Fiz mingau de abalone e mingau de carne. E, como era feriado, achei que vocês dois não fossem comer direito, então trouxe alguns acompanhamentos também. Se ele conseguir comer arroz em vez de mingau, dá isso. Por acaso chegou um ginseng bom…
A senhora Lee, tagarelando, disse que era melhor mostrar e explicar diretamente e arrastou Gong Pyeonghwa até a mesa da cozinha.
— Ah, amor, espera um pouquinho. Recebo todas as instruções e volto num instante.
Não fale como se fosse um desastre me deixar sozinho com a minha mãe. Estou passando vergonha.
Saebyeok, constrangido, cobriu-se até a cabeça.
Ou porque entendia o constrangimento do filho, ou porque tinha compromissos, a senhora Lee foi embora logo.
— Amor, quer mingau ou pera?
— …Pera.
Gong Pyeonghwa se posicionou para que Saebyeok pudesse se apoiar nele.
Mas, do nada, Saebyeok começou a lhe dar tapinhas no peito.
— O que foi?
— Como você não estava, eu fiz manha para a minha mãe. Que vergonha. Por que você não estava…
Ah, que fofo.
— Por que é vergonhoso fazer manha?
Quando ele beijou o alto de sua cabeça, a mão sem força que batia em seu peito se aquietou.
Sim, a vergonha é passageira.
Saebyeok comeu a pera bem ralada que lhe foi servida na boca.
Aquele frescor e doçura que acalmavam a garganta inchada eram revigorantes.
Gong Pyeonghwa o fez comer uma pera inteira, lavou o marido fofo com água quente e trocou seu pijama.
Talvez graças aos cuidados dedicados, o corpo de Saebyeok parecia bem mais leve do que de manhã.
Como dormira demais, o sono não vinha, e como não tinha energia para fazer nada, deitou-se nos braços de Gong Pyeonghwa e assistiram a um filme juntos.
— Aaah. Meu Saebyeok é tão lindo que eu morro. Já sabe se apoiar no marido e fazer manha.
— Que isso…
— Eu sinto uma satisfação toda vez que você se apoia em mim. Foi a partir daí que senti vontade de sustentar você. Como eu ficava feliz pensando que ia casar com você e assumir tudo.
— Que absurdo.
Ele disse que era absurdo, mas Saebyeok também entendia essa sensação.
Gong Pyeonghwa também era humano e, muito raramente, ah… muito raramente? Menos ainda? Também havia dias em que Gong Pyeonghwa ficava doente.
No início do namoro.
Ou seja, na época em que moravam juntos, uma vez.
◀◀◀
— Pyeonghwa. Não vai levantar?
Gong Pyeonghwa, que normalmente já estaria de pé desde a madrugada, tendo saído para correr ou ocupado preparando o café, ainda não conseguia se levantar da cama.
Estava deitado com o rosto enterrado no travesseiro. Parecia acordado, mas incapaz de se levantar, e mesmo sacudindo-o não houve reação.
Depois de um bom tempo, Gong Pyeonghwa murmurou com uma voz muito mais baixa do que o normal:
— Tenho que levantar…
Assim que se levantou a duras penas, bateu na parede, bateu na porta e caminhou cambaleando, e Saebyeok, só de ver, ficou aflito e o amparou até a sala.
— Você está doente?
— Só, meio zonzo…
Andava aos tropeços, a voz estava morrendo, os olhos estavam fundos.
Na dúvida, Saebyeok tocou a testa de Gong Pyeonghwa: estava quentinha.
Gong Pyeonghwa naturalmente tinha temperatura alta, mas estava mais quente do que o normal.
Ao medir a temperatura, confirmou uma febre alta de 38,9 graus.
— Pyeonghwa. Você está doente agora.
— Ah? Eu? Estou? É só a cabeça meio zonza.
— Está zonzo por causa da febre. Deita. Não se mexe e dorme. Hoje você tem que descansar. Não, é preciso ir ao hospital. Faz um esforcinho para levantar e a gente vai ao hospital.
— Não. Só quero tomar antitérmico e dormir… O hospital aqui é longe demais. Que preguiça… Pode ser contagioso, então hoje a gente dorme em quartos separados. Vou dormir um pouco.
Nunca tinham dormido em quartos separados desde que moravam juntos, e de repente uma declaração de quartos separados!
Ele não queria isso. É só você sarar rápido, ora! Eu quero dormir com você!
Saebyeok, depois de vários trâmites, solicitou uma visita médica domiciliar. Como bom país capitalista, muita coisa se resolvia com dinheiro.
— Disseram que não é contagioso. A febre baixou um pouco também, e disseram que basta comer direito. Tem alguma coisa que você queira comer?
— Quero pêssego em calda. Aquele em lata.
— Está bem! Vou comprar, então descansa bastante!
Saebyeok foi corajosamente sozinho ao mercado e trouxe todas as latas de pêssego que havia.
Conforme a receita que Gong Pyeonghwa queria, lavou os pêssegos uma vez para tirar o excesso de doçura, colocou gelo e levou um bowl cheio de pêssegos gelados em conserva.
— Estou doente, então me dá na boca.
— Quê? S-sim.
Não era difícil, mas não era meloso demais? Já sendo adulto, não era infantil demais?
Saebyeok sentiu uma rejeição aprendida, mas foi por um instante. Eram namorados e não era nada difícil. Ele estava doente. E não era outra pessoa, era Gong Pyeonghwa.
— Aaam.
— Está gostoso?
— Sim. Refrescante e bom. Bem molinho.
Fazendo manha com a cabeça encostada no ombro de Saebyeok — isso era incrivelmente fofo e provocava cócegas.
Ele já era manhoso, mas, doente, era como se a concentração ficasse maior, estimulando o instinto de proteção. Dava vontade de protegê-lo e acolhê-lo.
Um Gong Pyeonghwa frágil. Era contraditório, mas…
Ele queria fazer tudo o que ele pedisse. Se não fosse ele, não havia mais ninguém para fazer.
Claro, Saebyeok não tinha a energia de Gong Pyeonghwa para carregá-lo no colo e fazer tudo, mas ainda assim queria fazer tudo o que ele pedisse.
O coração se acelerava diante de uma imagem tão rara, e ele até gostava do clima meio sensível e frio que a fragilidade dele emanava.
Alguém com cara de quem tem muitas queixas do mundo e faz trabalhos meio obscuros, se apoiando e dependendo dele.
Fofo, empolgante, e o coração parecia inflar e crescer numa forma redonda de lua cheia.
Diante de uma satisfação indescritível, as maçãs do rosto subiam sozinhas.
— O namorado está doente e você ri?
— E-eu, quando?
— Amor, você é psicopata?
— Já disse que não!
Mas então por que está rindo. Por que está rindo. Você gosta que eu esteja doente? Talvez o remédio estivesse fazendo efeito, pois os olhos de Gong Pyeonghwa recuperaram o brilho e ele cutucava a lateral de Saebyeok, perguntando.
— Eu não ri porque você está doente, é que eu comecei a querer fazer tudo por você, de A a Z, e por isso ri…
Depois de dizer, achou que parecia tarado e ficou envergonhado, e a voz foi diminuindo.
— Ah?
Gong Pyeonghwa, sem entender, fez uma cara vaga.
Mas logo pareceu entender, riu baixinho e abraçou Saebyeok.
— Eu também.
Cobrindo os lábios de Saebyeok com a mão, com medo de contaminá-lo.
— Eu sou assim todo dia.
E ri beijando o próprio dorso da mão.
— Eu quero fazer tudo por você, e todo dia eu morro de carinho.
Aquele riso que escapava como ar era ainda mais bonito hoje. O coração batia forte.
— Ah! Eu deveria ter parido o Shin Saebyeok! Devia ter feito dele um Gong Saebyeok!
Ei. Eu estava com o coração disparado agora. Ele é excelente em acabar com o clima.
▶▶▶
— Em que você estava pensando para rir assim?
— Sei lá.
Talvez estivesse pensando em dizer ao Shin Saebyeok de vinte anos, que quisera sustentar Gong Pyeonghwa, que seu desejo se realizara.
— Eu também era assim.
Ou então respondendo ao Gong Pyeonghwa de vinte anos.
— O quê?
Gong Pyeonghwa, a quem vejo todo dia e ainda assim adoro, hoje também eu te amo.
— O quê? Ah, o quê! Por que só ri!
☆(*^о^)乂(^-^*)☆
Num certo dia de novembro, era um dia com eventos incríveis.
Havia o pequeno acontecimento de que Gong Pyeonghwa assumiria em breve como presidente do hotel.
— Vamos lá, a hora da culinária secreta com o papai!
E o acontecimento enorme que era o aniversário do diretor Shin.
Gong Pyeonghwa vestiu o avental para comemorar o dia abençoado.
11 de novembro.
“Como até o aniversário dele é exato, igual à vida do nosso Saebyeok.”
Como até o aniversário é cheio de “1”. Era uma sequência limpa e organizada de “1”, como as notas escolares e do vestibular de Shin Saebyeok.
Será que nosso Saebyeok é composto em sistema binário? Como se não permitisse números maiores que 2.
Para esse marido supremo, Gong Pyeonghwa decidiu dar o melhor presente.
Claro? Amarrar uma fita na cabeça ou no pescoço e dizer “eu sou o presente!” seria o melhor? Já que eu sou o melhor presente da vida do Saebyeok?
Mas o pepero tem uma sensibilidade diferente disso, não?
— Qual é a receita de hoje?
— Presente de aniverssário do papai.
— Good girl. Good girl.
Para fazer um pepero gostoso, primeiro o chocolate tem que ser gostoso.
Não sendo qualquer coisa, mas o pepero de aniversário do diretor Shin, não dá para usar chocolate cheio de óleo de palma!
Só por hoje, ele vasculhara todas as lojas de departamento e chocolaterias artesanais nos últimos dias.
Gong Pyeonghwa derreteu em banho-maria o chocolate escolhido a dedo.
Um chocolate amargo mas macio como chocolate ao leite, com textura mastigável como chocolate fresco, mas que não gruda nos dentes, sendo firme apenas na textura.
Um chocolate delicioso em que o amargor e a doçura se harmonizam maravilhosamente e que some limpo da boca sem deixar resíduo.
Aquele chocolate cheio e substancioso derreteu e virou líquido.
Provou um pouquinho do chocolate derretido.
Continuava com aquele doce na medida certa e um gosto agradável que ficava na boca.
— O presente do papai feito com o papai. Ohohoho. Ho. Gostei.
— Oh. A Isul podia ser cantora.
— Não! Eu vou ser ges-to-ra.
Quê, o sonho de uma criança de três anos é ser gestora? A nossa Isul, que anteontem queria ser um submarino?
— Por quê?
— Porque come pepero!
O papai Saebyeok come porque o aniversário é dia 11 de novembro, não porque é gestor.
— Eu vou ter muito dinheiro! Então vou ser gestora.
— E o que você vai fazer com muito dinheiro?
— Vou comer pepero.
— Está bem…