Capítulo 10
Outono
O verão foi embora e chegou o outono, quando os grãos e frutos amadurecem.
Passado o calor extremo, o calor arrefeceu bastante e um vento razoavelmente fresco começou a soprar.
Não eram férias, mas era um feriado prolongado em que dava para descansar bem.
Saebyeok, que finalmente achava que ia poder respirar, caiu de cama bem às vésperas do Chuseok, um dos grandes feriados nacionais.
— Sim. Sim. Mãe, a princípio eu ia com o Saebyeok, mas ele está muito doente e acho que preciso ficar ao lado dele. Sim. Passo aí depois. Sim. Feliz Chuseok. Sim, sim. Certo.
Terminada a ligação, Gong Pyeonghwa sentou-se à cabeceira da cama e pôs a mão na testa de Saebyeok, que gemia baixinho.
Chamara o médico da família, aplicara soro, dera remédio, e mesmo assim ele fervia.
Conferindo o termômetro: 38,6 graus.
Ainda assim, a febre tinha baixado um pouco em relação a antes.
— As, cri, anças…
Ai. Coitado. A garganta foi de vez.
Gong Pyeonghwa, com cara de pena, ajeitou os cabelos de Saebyeok e o informou das mudanças.
Pelo plano original, hoje passariam primeiro na casa dos pais de Gong Pyeonghwa, vencedor do jokenpô de ontem, para cumprimentá-los, e depois na casa dos pais de Saebyeok, mas Saebyeok caiu de cama de repente.
— A Gong Sarang vai levar as crianças para a nossa casa e cuidar delas. Então não se preocupe. Lá tem mais ajudantes do que na nossa casa e as crianças gostam dos avós.
— Sim… Eu tenho que cumprimentá-los…
— Deixa. Está doente, não force.
— Você podia ir… Eu estou bem…
Por mais que dissesse isso com uma voz que não estava nem um pouco bem, Gong Pyeonghwa não daria ouvidos.
— Dorme mais um pouco.
Saebyeok às vezes caía de cama assim, umas uma vez por ano.
Não era doença incurável nem herança familiar; era um resfriado comum, como se de vez em quando o corpo entrasse em greve por excesso de trabalho.
— As crianças não estão em casa, então você não vai passar para ninguém. Não se preocupe e dorme mais. Eu fico ao seu lado, se precisar de algo é só sinalizar.
Saebyeok não gostava de hospital e, quando ficava doente, o controle dos feromônios falhava, então achava até sair de casa mais desconfortável.
— Certo, a partir de agora eu espero 2 horas. Passadas 2 horas, nosso bebê come a papinha, toma o remédio e vai ser lavado. Dorme. Rápido. Dorme.
Por isso, mesmo na época do intercâmbio, quando Saebyeok parecia adoentado, Gong Pyeonghwa grudava nele e não desgrudava.
No início do namoro. Claro, havia também a vontade de mostrar apenas seu melhor lado, mas Saebyeok detestava doentiamente mostrar fraquezas.
Fosse emoção ou doença, estava sempre ocupado engolindo e escondendo sozinho.
Era quase uma compulsão, e demorou bastante para perceber.
Terminado o período de provas, em algum dia em que passaram juntos o ciclo de cio.
Como ele se assustou ao ver Saebyeok com o rosto vermelho, arfando com a respiração chiando.
— Ainda bem que fiquei doente no dia de folga…
— Isso é coisa que se diga agora?
Se não estivesse doente, ele levaria um cascudo.
— A tia mais velha e o meu tio andam pegando no meu pé… eles querem fazer campanha de risco do dono…
Mesmo gemendo, ele dizia tudo o que queria dizer, então devia ter muita coisa acumulada.
Que irritante. Não conseguem viver sem devorar o sobrinho.
E esse sobrinho é o meu marido. Briga suja de comida na família real!
Talvez por o presidente Shin ser filho fora do casamento, Saebyeok sofria bastante com essas rivalidades.
Por isso ele tenta esconder compulsivamente dores e sentimentos ruins desde criança, não?
— Se saírem notícias assim, eu vou escrever comentários maldosos como um cachorro, então não se preocupe. Você sabe que eu tenho muitos amigos, né? Tenho pra caralho de contas.
— Sim…
— Eu vou organizar tudo em Excel, o nome do jornal e do jornalista, e me vingar, então não se preocupe e durma. A partir de agora eu vou ficar monitorando.
— Sim…
Tranquilizou o marido e colou uma compressa fria em sua testa.
Gong Pyeonghwa puxou uma cadeira, sentou-se perto do marido e realmente ficou espionando todas as janelas de notícias da internet.
Obviamente, o que Saebyeok temia não aconteceu. A maioria eram mensagens de felicitações de Chuseok e sobre o trânsito.
Nesse meio-tempo, chegou uma foto comprovando que as crianças tinham chegado bem à casa dos pais.
Gong Sarangotan
(foto)
Chegamos~
Meus filhotes fofos. Comam bastante coisa gostosa na casa da vovó. O papai vai ficar protegendo o marido.
Enquanto Saebyeok dormia profundamente, Gong Pyeonghwa ligou para a sogra.
— Ah, sim. Sogra. Eu ia levar o Saebyeok para cumprimentá-la hoje ou amanhã, mas ele está meio doente. Não é grave, é o evento anual. Sim, sim. Parece que é hoje.
A preocupação da sogra transbordava mesmo através do telefone.
— Ele está com um pouco de febre, mas já tomou antitérmico e está tomando soro. Agora está dormindo; quando acordar eu dou comida e o remédio de novo. Sim. Tenha um Chuseok abundante, e passo aí em breve. Hã? Sim! Ai, para mim é ótimo. Siiim!
Ótimo! Cumprimentos concluídos! As ligações que um marido devia fazer estavam mais ou menos todas feitas.
Saebyeok, dormindo com a respiração chiando, segurou a mão de Gong Pyeonghwa. Não era um toque intencional; foi uma vontade que se manifestou inconscientemente.
Gong Pyeonghwa, que estava sentado na cadeira com a mão segurada de forma desengonçada, subiu na cama onde Saebyeok estava deitado.
Claro, a lombar ficava um pouco torta e era desconfortável, mas Gong Pyeonghwa era do tipo que desfrutava de bom grado do desconforto em nome de Shin Saebyeok.
Quando ele gemia, dava tapinhas na barriga com a outra mão; quando suava, enxugava; quando se enfiava em seus braços, abraçava.
Assim, passadas umas duas horas, Saebyeok abriu os olhos com a expressão bem mais tranquila.
— Quanto tempo eu dormi?
A garganta ainda estava completamente destruída, mas a cor do rosto estava muito melhor.
— Um pouco mais de duas horas. Vamos comer. Vou buscar o mingau, e não pode chorar mesmo sem mim.
— Estou a ponto de chorar. Volta rápido antes que eu chore.
Meu marido não pode chorar. Gong Pyeonghwa esquentou o mingau rapidamente.
— Fuuu. Vamos, aah.
— Aah.
Antigamente, quando ele fazia isso, longe de abrir a boca como agora, ele tentava tomar a colher com um constrangimento formal, cheio de cerimônia.
— Pronto, raspou uma tigela inteira. Deitar logo faz mal, então se encosta em mim e senta.
Saebyeok, já acostumado, encostou-se em Gong Pyeonghwa como encosto e, mesmo gemendo, sorriu discretamente de contentamento.
— Eu nem sei como eu ficava doente quando você não existia. Que bom. Ter você.
Gong Pyeonghwa riu baixinho e cutucou a bochecha de Saebyeok.
— Vinte anos, vinte e um, vinte e dois: você levou três anos para se apoiar em mim. Hospital não, febre subindo, feromônio escorrendo, isso não pode, aquilo não pode, isso não quero, aquilo não quero. Você era um jovem senhor bem sensível e trabalhoso.
— É que… eu sempre fui assim…
Como escondia, engolia, guardava e sufocava tudo por hábito, era desconfortável alguém se aproximar além do limite tolerado.
— Você chegou a se irritar comigo. Mandou eu me desligar.
— N-naquela época…
Como Gong Pyeonghwa tinha um lado impetuoso, como um carro sem freio, era ainda mais.
Ele não mostrava dor nem aos pais; e a outra pessoa?
Além do mais, Gong Pyeonghwa era o parâmetro de comparação de toda a sua vida.
Era a pessoa a quem era mais constrangedor mostrar fragilidade quando estava fraco.
Eram namorados, mas quando ficava doente, o complexo de inferioridade e a defensividade escondidas lá no fundo insistiam em aparecer.
— Naquela época?
— …Estou com febre. Minha cabeça dói.
Saebyeok se encostou totalmente em Gong Pyeonghwa e choramingou.
— Mudando de assunto de vergonha? De um jeito fofo?
Gong Pyeonghwa tocou sua testa e pegou o termômetro de novo.
38,3 graus.
— Hum. Quer que eu rale uma pera?
— Sim…
— Mas, pensando bem, não tem pera. Eu saio rapidinho só para comprar pera.
— Não quero…
— Você disse que queria comer pera.
— Sim…
— Mas não tem pera.
Com a cabeça pesada, ele pensava de novo, gemia, e ainda assim murmurava que queria pera.
— O que a gente faz. Você quer pera e não tem pera. Preciso comprar, né?
— Eu disse que não quero…? Quando eu dormir, você vai…
— Eu fico esperando até você dormir?
— Sim…
— Está bem. Está bem.
Ah, que fofo.
A teimosia com manha era fofa demais. Gong Pyeonghwa segurou o riso e ficou dando tapinhas nele.
Com a experiência acumulada de fazer Isul e Roun dormirem, Saebyeok logo adormeceu gemendo baixinho.
Gong Pyeonghwa saiu do quarto na ponta dos pés e pegou a carteira.
Como era feriado, a entrega demoraria demais, e o mercado não era tão longe, então era melhor ir ele mesmo.
Bom, não aconteceria nada, certo? Saebyeok não era uma criança de três anos, e a sogra logo chegaria.
☆(*^о^)乂(^-^*)☆
— Hnn…
Saebyeok gemeu baixinho e se contorceu.
De tanto ficar deitado, o corpo parecia dolorido, e talvez tivesse suado muito, pois o pijama parecia úmido.
Uma mão se pousou sobre a testa de Saebyeok.
Ele ainda não tinha dito nada. Gong Pyeonghwa, sobrenatural.
Saebyeok sorriu, meio bobo, e puxou a mão que estava em sua testa. Esfregou a bochecha naquela palma e disse baixinho:
— Estou doente. E estou me sentindo grudento…
Sem conseguir abrir os olhos, abriu os braços.
Assim ele o pegaria no colo, encheria a banheira, o lavaria e o secaria bem. Me abraça logo.
— Saebyeok! Cheguei! Não, mesmo sendo feriado tem gente pra caramba no mercado! Como é que se leva mais de 30 minutos no caixa? Todo mundo só faz jesa? Deviam ter feito compras com antecedência!
Hã?
Ao longe, ouviu-se um som que não deveria estar ali. O som da porta abrindo e a voz de Gong Pyeonghwa.
Então quem está tocando a minha testa é…?
Como num filme de suspense, Saebyeok abriu lentamente os olhos.
— …Mãe?
— Eu fiz mingau e trouxe; já que acordou, quer comer um pouco? Mesmo sem apetite, é comendo que se melhora.
— …Não, quer dizer, o que a mãe está fazendo aqui?
— O genro Gong me contou. Ele ligou dizendo que você estava doente e pediu desculpas por não poder ir no Chuseok, e quando ele disse que você estava doente, meu coração deu um solavanco e eu vim.
A senhora Lee ajeitou a testa úmida de Saebyeok e sorriu suavemente.
— Você, que só dizia estar bem até para a mãe, agora já sabe dizer que está doente.
Seu filho, que puxara a ela e nem conseguia dizer o que sentia, que só sabia aguentar, e que mesmo doente só gemia sozinho — era a primeira vez que ela o via dizer abertamente que estava doente e fazer manha pedindo coisas.
Uma criança que nem aos três anos era assim, e só aos trinta abre a boca.