Capítulo 09
— A frente de chuvas que cobre a península coreana está estacionada. A previsão é de chuva ao longo de toda esta semana…
Pela colaboração da meteorologista e do apresentador, na casa de campo ecoou uma harmonia de gritos.
— Aaaah! Não pode ser!
— Aaah! Nãão podde!
— Buááá!
Diante da confirmação do satélite e da emissora pública de que a temporada de chuvas não estava acabando, e sim começando, o gato, o esquilo e a mamangaba repetiram o desespero do dia anterior.
Bom, ontem eles foram consolados com comida, então usar o mesmo método de novo seria menos eficiente.
Saebyeok procurou outro método, pensativo.
Podia simplesmente ir para outro quarto, sentar numa cadeira de balanço ou de massagem e ter um tempo só seu, mas então não seriam férias em família.
Saebyeok vasculhou toda a bagagem que Gong Pyeonghwa levara “por precaução”.
Com o mesmo espírito de Gong Pyeonghwa ao arrumar as malas, ele revistou tudo “por precaução”.
Gong Pyeonghwa, que vivia com a consciência de que se pode naufragar no instante em que se sai de casa, levara com esmero equipamentos de camping até para uma casa de campo.
Saebyeok sorriu satisfeito e tirou a barraca. Acendeu uma lanterna no meio da sala e começou a montar a barraca.
Gong Pyeonghwa soltou um gritinho e bateu nas bochechas, tímido. E então se juntou a Saebyeok e começou a montar a barraca.
Uma barraca enorme aberta no meio da sala, sacos de dormir e uma lanterna emitindo uma luz suave! Um clima de camping perfeito.
Isul também gritou “uauuu” e ficou entrando e saindo da barraca sem parar, adorando.
— Base secreta! Base secreta!
Se fosse uma casa térrea, poderiam fazer uma base secreta para Isul e Roun, mas, infelizmente, morando em apartamento, não havia condições e não puderam fazer.
— O papai também adorava base secreta na idade da Isul, e fez um anexo inteiro.
Embora agora tenha virado depósito, na época foi assim.
Ele queria construir uma casa na árvore. Nem mais nem menos: queria uma base secreta aconchegante e só sua de uns 33 metros quadrados, mas era recusado sempre sob a alegação de que ficaria feio esteticamente.
Só no aniversário de sete anos de Gong Pyeonghwa é que a chance apareceu a duras penas. Tinha que escolher entre uns 50 metros quadrados ao lado da adega no subsolo e um anexo de uns 90 metros quadrados, e como sol era melhor do que porão, ganhou o anexo.
Quando não tinha base secreta, queria tanto; mas, quando finalmente teve, dava preguiça e ele só entrava e saía quando dava sol na toca do rato.
— Tsc.
Se eu tivesse morado sozinho ou no anexo desde o ensino médio, teria chamado o namorado para brincar lá.
Devia ter percebido antes.
— Papai!
Arrepender-se agora, com dois filhos, era decididamente tarde.
— Se não disser a senha, não pode entrar.
Isul, já dentro da barraca, exigia a senha de forma bem convincente.
— Fui eu que montei, hein?
— Não pode! Mesmo assim! Rápido, a senha!
— Me dá uma dica.
Na verdade, Isul, que não tinha definido senha nenhuma, lambeu os lábios secos e girou os olhos.
— Não pode. O papai está reprovado. Bip-bip!
Fazendo o som de reprovação com a boca, Isul decretou descaradamente a proibição de entrada do papai Pyeonghwa.
— Isul. O papai pode entrar?
Aceitando docilmente a estrutura irracional de precisar da permissão de Isul mesmo tendo montado tudo com afinco, Saebyeok pediu licença gentilmente.
— Sim!
Isul, que queria casar com o papai Saebyeok, o deixou entrar direto, sem senha nem nada.
Roun, que ainda não sabia todo o alfabeto coreano, também entrou sem mais.
Só faltava o papai Pyeonghwa.
— Mas eu montei tudo…
Que injustiça. Gong Pyeonghwa deitou-se no chão, vazio, ansiando pela barraca.
Depois de muita insistência do papai Saebyeok, Gong Pyeonghwa finalmente conseguiu entrar na barraca e, assim que entrou, fez uma “peida-barriga” em Isul.
Isul soltou sons de nojo e riu às gargalhadas, e Roun também imitou a peida-barriga do pai.
Que peida-barriga que nada, só deixou saliva, mas era fofo como um bebê.
Do lado de fora, a chuva caía e trovões soavam.
Era uma noite de tempestade, mas, com a luz suave de uma lanterna, o interior da barraca ficou cheio de aconchego.
O casal carinhoso leu livros de histórias para Isul e Roun.
Depois de três livrinhos, as crianças caíram no sono.
Gong Pyeonghwa sussurrou baixinho para Saebyeok:
— Amor, sai. Sai.
Os pais altos saíram engatinhando com dificuldade da barraca e se largaram no sofá.
— Minhas articulações doem…
— Você sofreu ficando todo dobrado.
Quando Saebyeok massageou seus ombros, Gong Pyeonghwa fez “hng” e se encostou nele.
— Amanhã a chuva vai parar, né? Na verdade eu não demonstrei, mas eu também estava com tanta expectativa quanto as crianças.
Não, você demonstrou com o corpo inteiro. E muito.
— Disseram que amanhã pode parar por um instante. Mesmo sem entrar no mar, à noite dá para soltar fogos.
— Né?
Gong Pyeonghwa abraçou a cintura de Saebyeok e rezou.
Claro, como não tinha fé profunda, a reza não durou, e ele estava ocupado falando de outras coisas com Saebyeok.
O que fariam quando ele começasse a trabalhar, se é vida ficar mais de 12 horas por dia sem se ver, que era preciso erradicar os engarrafamentos, que ainda bem que a empresa dele tem semana de quatro dias, senão o que teria acontecido.
Falaram um pouco da vida das pessoas, um pouco de lembranças.
— A gente foi à praia nas férias de verão da faculdade. Lá era sempre ensolarado e claro.
— Você se bronzeou pra caramba.
Mesmo tendo passado protetor, a pele de Gong Pyeonghwa ficou vermelha e ele teve que ficar recluso em casa por um tempo.
Gong Pyeonghwa choramingando que ardia.
O Gong Pyeonghwa bronzeado também era bem sexy.
— E você só ficava lendo livro embaixo do guarda-sol! E gente desconhecida ficava dando em cima de você!
— Por isso eu dizia a todo mundo que tinha namorado.
E não era só isso. Gong Pyeonghwa chegou a vestir em Saebyeok uma camiseta com a frase “tenho namorado” impressa em letras enormes.
— Eu, por precaução, fiz mais uma camiseta e trouxe.
Achei que a bagagem “por precaução” tinha uma camiseta estranha.
— Hihi.
Uma camiseta com uma frase de alerta intensa: “Não se aproxime. Sou casado.”
A habilidade de fazer camisetas melhorou muito em relação a antigamente.
Sim. Tomara que amanhã a chuva pare e ele possa vestir a camiseta artesanal feita pelo marido e relaxar deitado na praia.
Vendo a chuva mais fina, Saebyeok voltou a alimentar a esperança de que talvez amanhã parasse.
Mas.
— Argh!
Infelizmente, a temporada de chuvas era forte.
Passou um dia, passaram dois, e a chuva apenas engrossava e afinava, sem parar de vez.
No fim, em vez do tão esperado mar, foram direto para a piscina.
Quem tinha feito bico dizendo que água com cloro era ruim, ao entrar na água, nadava animadíssimo — Saebyeok riu com desalento vendo a família.
— O mar é a natureza. Tem incontáveis microrganismos e seres vivos, e nesse habitat existem secreções deles, fezes de um número indeterminado de pessoas e bactérias. Pensando na imunidade dos nossos bebês em crescimento, a piscina é muito melhor.
— Sim. Eu não disse na-da.
Saebyeok flutuava sobre a água, dando tapinhas nas costas de Roun, que estava sobre sua barriga.
Isul, só de colete salva-vidas, mergulhava e batia na água sozinha, animada, e Gong Pyeonghwa também estava ocupado nadando e mergulhando.
As calorias gastas brincando à beça na água foram repostas com um lámen quente e picante.
— Lámen depois de brincar na água é gostoso pra caramba. Uau. Coitados dos nossos bebês, que não conhecem esse sabor.
— Uuu! Arde! Não quero!
Isul, que uma vez roubou o lámen do pai e chorou lágrimas e ranho, comia um sanduíche de ovo enquanto fuzilava a panela de lámen com os olhos.
Brincar, encher a barriga, e com a barriga cheia brincar de novo — assim, esgotada a energia do dia, os juniores de Pyeonghwa e Saebyeok, mesmo tendo camas, teimaram em ir dormir de novo na barraca.
— Qual será o motivo de dormir desconfortável de propósito.
Por que dormir no saco de dormir tendo cama? Quando Saebyeok murmurou, Gong Pyeonghwa interveio dizendo que ele nem isso sabia.
— Ora. Quando criança todo mundo não é assim? Eu dormia de propósito no armário.
— Armário?
— Sim. Eu também entrava embaixo da cama para dormir.
— Embaixo da cama?
Você é gato mesmo? É um gato-de-patas-negras? Saebyeok imaginou o pequeno Gong Pyeonghwa dormindo todo dobrado.
É fofo, mas não é desconfortável? O que existe de vantajoso além do desconforto?
— Ora. A gente também, na faculdade, transava no carro por urgência.
Ah, não, aquilo é…
— Apertado, desconfortável, sufocante… E isso excita.
As crianças não buscam o desconforto nesse sentido, mas dava para entender.
— Nesse sentido, que tal fazermos um sexo desconfortável e excitante depois de tanto tempo?
Gong Pyeonghwa entrelaçou discretamente os dedos na mão do marido e tentou a cantada.
Cair na cantada ou não.
Depois de hesitar, Saebyeok cedeu.
☆(*^о^)乂(^-^*)☆
Felizmente, antes de chegar o último dia das férias, a chuva finalmente parou e o céu apareceu limpo.
Foi ótimo, porque o conteúdo de “uma semana de brincadeiras” incluído na bagagem que Gong Pyeonghwa trouxera “por precaução” estava se esgotando.
Livro de colorir, resin art, shrink art, fábrica de adesivos, salada de frutas com leite, tingir as unhas com balsamina — tudo já concluído, não havia mais nada a fazer, e finalmente o sol apareceu!
Entraram todos no mar e brincaram, e à noite soltaram fogos.
Só brincaram, e ficaram bastante exaustos. O cansaço não ficava atrás de horas extras.
Como efeito colateral da inesperada maratona de férias, ficou mentalmente um pouco cansado, mas o mais difícil era ter que voltar ao trabalho depois de brincar tanto.
Acometido pela chamada “doença de não querer trabalhar”, causada por ter se divertido demais, Saebyeok foi ao trabalho a duras penas, ansiando apenas pelas próximas férias.
“Não tem alegria nenhuma. Nenhuma.”
Saebyeok, chefe de família cuja única alegria era o corpo e o rosto do marido e os filhos, foi trabalhar com afinco, como sempre.