Capítulo 07
— Estou dirigindo, então eu leio para você. O título é “Beijo de língua entre amigos por causa de uma bola autografada: possível ou impossível?”, e o comentário mais votado é: “Essas pessoas são casadas. Podem se dispersar”.
— Que engraçado.
— O segundo mais votado é… “Aqui tem outro que diz que por uma bola autografada beijaria até o chefe.”
Não seria o próprio gerente Dok? Existem duas pessoas assim no mundo? Se não fosse o próprio gerente Dok, seria claramente a alma gêmea dele.
O casal de capitalistas apaixonados que virou assunto momentâneo na internet atravessou o congestionamento e entrou em Seongbuk-dong.
— Vamos comer fora com a sogra?
— Também é bom. O que a gente propõe?
Perspectiva de jantar. Da boca de Gong Pyeonghwa jorraram todos os tipos de cardápio, a ponto de ele ficar magoado se não tivesse sido perguntado.
Ouvindo Gong Pyeonghwa falar, mesmo sem estar com fome, dava fome à toa e a boca se enchia de saliva.
— Sogra! Sogra! O genro Gong chegou! Sogra!
Ela devia estar cozinhando, pois a sogra o recebeu de avental.
— Ai, meu Deus. Vocês voltaram cedo. Podiam ter brincado mais.
— Que isso. Nossos filhos são cheios de energia e devem ter cansado a senhora. A gente tinha que vir logo! Graças à senhora eu ainda tive um encontro com o Saebyeok, hoje foi muito feliz.
A sogra riu do charme do genro.
— E o sogro? Foi trabalhar hoje também?
— Levou as crianças para passear. Ele finge que não, mas acha as crianças fofas demais.
Hah. É claro, nossos anjinhos.
Gong Pyeonghwa sorriu satisfeito e olhou para Saebyeok.
Mesmo sem dizer nada, o olhar, o canto da boca, a expressão diziam tudo.
“Viu? Viu? Viu como nossos filhos fazem sucesso? Não é brincadeira? É incrível, né? Impressionante, né? Adorável, né? O que eu disse? Até o sogro caiu de vez, né?”
Sim. Sim. Você tem toda razão.
Enquanto Saebyeok olhava o marido como quem acha graça, o presidente Shin e os anjinhos voltaram.
O sogro trazia Roun cuidadosamente no colo; Roun devia ter gastado toda a energia no passeio e adormecido. Gong Pyeonghwa correu e recebeu Roun.
— Sogro! Eu cheguei!
Quando ele cumprimentou cochichando baixinho para não acordar Roun, o sogro respondeu meio a contragosto.
“Eu ia segurá-lo mais um pouco… Tsc!”
Assim que foi para os braços do papai Pyeonghwa, Roun acordou com os olhos brilhando como um espírito e bateu na barriga.
— Cumida.
Não “papinha”, “comida”.
— Sogra! Sogro! Hoje vamos comer fo…
— Nãão!
— Nãão!
Os adultos estavam quietos, e só as crianças protestaram com veemência.
— Sotbap. Sotbap. Sooot-bap.
— Sotbap.
O que as crianças estão dizendo? Saebyeok estreitou os olhos e se concentrou. O que é “sobap”?
— Nossos bebês. Para comer sotbap a gente tem que comer fora.
Ah. Sotbap, arroz na panela de pedra.
— Como fazer sotbap em cas…
Gong Pyeonghwa se virou para a sogra com uma cara de “não me diga?”. A sogra coçou a bochecha, sem graça, e riu.
— É que… eu comprei umas panelas…
— Ah, não é à toa! As crianças, toda vez que voltam de ver a senhora, não querem comer! Antes elas comiam felizes na hora da papinha! Mas depois de virem à casa da senhora, comiam deprimidas! Uau. Só agora entendi. Havia um motivo.
Gong Pyeonghwa descobriu tardiamente a causa da seletividade alimentar dos anjinhos.
— Nossos filhos definitivamente puxaram a mim.
Sobretudo no paladar.
Ver Gong Pyeonghwa assentindo com ar de aprovação era meio absurdo.
— Vou comer com o Kkotdongi.
— Auau.
O plano de comer fora foi cancelado num instante.
Animada por o filho e o genro ficarem para o jantar, a senhora Lee foi apressada para a cozinha.
— Não imaginei que vocês ficariam para jantar, e a Noeul disse que tinha compromisso. Como seria só eu e ele, não preparei quase nada, mas comam bastante mesmo assim.
“Não preparei quase nada”, hein.
“As comidas vão ficar magoadas?”
Pratos que cobriam a mesa inteira, como se esperassem exatamente por este dia.
Sotbap recém-feito, acompanhamentos demais para listar, verduras temperadas com capricho, jeotgal salgado e polvo refogado apimentado.
A boca se encheu de água.
— Com gratidão! Bom! Apetite!
— Bom apetite!
— Bo-mape! Ti!
Ao comando de Gong Pyeonghwa, os juniores 1 e 2 de Gong Pyeonghwa e Shin Saebyeok responderam com vigor.
Gong Pyeonghwa raspou todo o arroz da panela de Isul, transferiu para a tigela e derramou chá de cevada na panela.
Quando a panela quente encontrou a água, fez um som chiando e estalando. Diante daquele som, as maçãs do rosto de Isul subiram completamente.
— Chi-chi.
— Está fazendo chiii, né?
— Sim!
— Vamos, aah.
Quando ele pôs sobre o arroz um pedaço grosso de peixe seco bem grelhado, Isul levou a colher à boca com desenvoltura.
Rindo com as bochechas estufadas de tão cheias, parecia um esquilo feliz.
— Isul, está gostoso?
— Está! Claro!
Foi enfática.
E não era só Isul: Roun também era enfático.
— Você não come o nabo temperado que o papai faz, por que come o da vovó?
— Hunf.
Tsc. Vendo-a já bufando, amanhã ela vai se recusar a comer de novo.
Com um pressentimento ruim — ou talvez com certeza —, Gong Pyeonghwa também pegou os talheres tardiamente.
Como já tinha esfriado, não saiu um efeito sonoro tão dramático quanto na panela de Isul, mas, ao despejar o chá, subiu vapor.
Deixou a panela tampada e, no arroz transferido para uma tigela larga, foi juntando um pouco de cada verdura, montando seu próprio bibimbap.
Era leve e delicado, como se purificasse o estômago.
Cada verdura estava deliciosa.
Depois de liquidar uma tigela, Gong Pyeonghwa se serviu de mais arroz por conta própria e partiu para a refeição de verdade.
Esvaziou duas tigelas com o polvo refogado no ponto exato de sabor, e depois pôs mais arroz na sungnyung que preparara antes e comeu com jeotgal por cima.
Uma colherada com jeotgal de lula na sungnyung tostada, outra com ovas de bacalhau, outra com alga, outra com folhas de perilla temperadas.
Não pode ser. Uma tigela sumiu num instante.
Esse era o problema de misturar o arroz na sopa. Descia rápido demais.
A senhora Lee, como quem esperava só por este dia, empurrava discretamente uma tigela cheia para que o arroz de Gong Pyeonghwa não acabasse.
O presidente Shin olhava Gong Pyeonghwa com ar de quem estava farto, mas não conseguia desviar os olhos.
— Er.
Onde é que entra tudo isso? O presidente Shin quase perguntou, mas, com medo de parecer que estava alfinetando por ele comer muito, economizou as palavras.
— Pai. O senhor quer dizer alguma coisa?
— …Não é nada.
Gong Pyeonghwa, sempre com aquele faro sobrenatural, respondeu depois de engolir tudo o que tinha na boca.
— Sogro! Fale! Postura de escuta!
— Postu-ra de escu-ta!
— Ta-a!
Como bons juniores de Gong Pyeonghwa, imitaram igualzinho.
Diante daquela sincronia, a senhora Lee explodiu numa gargalhada, e o riso da esposa contagiou o presidente Shin, cujo rosto também floresceu num sorriso.
— Estou dizendo para falar.
— Por que estão rindooo?
— Hunf!
Só Pyeonghwa, Roun e Isul não entenderam a situação e ficaram piscando.
Diante daquela cara de quem realmente não entendia nada, Saebyeok também acabou rindo, e quando ele riu, os outros três, sem que se soubesse quem começou, também riram radiantes.
Não se sabe o motivo, mas o jantar terminou num clima agradável, e comeram a sobremesa.
Normalmente o presidente Shin e a senhora Lee não apreciavam sobremesa, mas nos dias em que o genro de bom apetite vinha, faziam o esforço de comer uma ou duas fatias de fruta.
— Ouvi dizer que você vai administrar o hotel?
— Sim! No segundo semestre deste ano? A data ainda não está confirmada, mas devo assumir por volta do outono.
— Hum. Trabalhar fora deve ser difícil.
Quando ele insinuou discretamente que gostaria que o genro continuasse apoiando seu filho como fazia agora, os olhos de Gong Pyeonghwa ganharam um leve brilho de loucura.
— Deve ser difícil. Mas? Eu também não sou o chefe legítimo desta família?
Na verdade, tendo algo a herdar, é preciso trabalhar, e daria para viver muito bem só com dividendos e as rendas de juros e aluguéis que entram, mas dinheiro não é quanto mais melhor?
O marido ganha bem! Mas se ele somar e trazer mais? Como seria abundante!
Dizem que quem tem quer mais; era um olhar levemente enlouquecido pela ganância. Mas, aos olhos do presidente Shin, ele parecia confiável e ambicioso.
— Hum.
Sim, ele tem nada menos que dois filhos.
Se é homem, é normal que cresça o desejo de dar à esposa e aos filhos algo um pouco melhor para comer, algo um pouco melhor para vestir.
Diante de um fenômeno tão natural, não dava para continuar reclamando.
“Claro. Claro. Sendo chefe de família, isso é o normal.”
O presidente Shin, por dentro, elogiou a si mesmo dizendo que tinha mesmo olho para julgar pessoas.
— Por isso vamos contratar mais babás e assistentes, e também começar a usar diarista. Antes a gente só usava de vez em quando para limpeza, mas agora acho que não vai dar.
— Sim. Boa ideia.
— E até a posse eu vou me concentrar mais nas crianças! Agora que é verão, quero levá-los à praia!
Gong Pyeonghwa tagarelava animado sobre os planos da família.
Sempre que o vê, esse sujeito fala demais… O presidente Shin ficou um pouco enjoado, mas, acostumando-se, não era tão detestável assim.
Só um pouquinho cansativo.
Saebyeok e a senhora Lee mordiam os lábios segurando o riso. A combinação do rosto enfastiado do presidente Shin com o Gong Pyeonghwa radiante era engraçada.
Especialmente a expressão do presidente Shin fingindo firmeza.
Ver o presidente Shin, que agora já parecia gostar de Gong Pyeonghwa, aceitando tudo enquanto fingia que não, era irresistivelmente engraçado.
— Sogro! Sogro! Então, sabe, o Roun vai ver o mar pela primeira vez, né? Então eu tenho um plano perfeit…
— …
Tirem esse daí rápido.
A senhora Lee, percebendo o pedido de socorro nos olhos do marido, passou a mão nas costas de Saebyeok.
Saebyeok riu baixinho e chamou Gong Pyeonghwa.
— Está tarde. Vamos para casa.
— Ei! Já?! Sogra, o jantar de hoje estava delicioso!
Gong Pyeonghwa mandou dois joinhas à sogra e, em seguida, corações com os dedos, disparando rapidamente todos os tipos de coração que dá para fazer com as mãos.
— Crianças, vamos para casa.
As crianças claramente ouviram, mas fingiram não ouvir, ocupadas rolando com o cachorrinho Kkotdong.
— Então só os papais vão embora.
— A Isul e o Roun moram na casa da vovó! O papai vai!
Isul, com sua ótima escuta, reagiu primeiro.
Os lábios se projetaram e as bochechas se estufaram.
— De-ez minutos. Só mais dez minutinhos…
— Já se passaram trinta minutos assim, né? Agora vamos de verdade. Isul e Roun ficam tomando conta da casa da vovó. Os papais vão!
Quando Gong Pyeonghwa deu o braço a Saebyeok como se fosse mesmo embora, Isul, sentindo o perigo, olhou alternadamente o cachorro, Roun e os pais.
Qualquer um veria que ela estava em conflito.
Precisando de ajuda, ergueu os olhos marejados para a avó e o avô.
Saebyeok e Noeul não eram crianças trabalhosas e eram bastante obedientes, então as vezes em que fizeram birra davam para contar nos dedos.
Isul, com genes mais fortes de Gong Pyeonghwa, era bem esperta e já dominava a interpretação de método.
— Vovóó…
— …Acho que hoje é melhor vocês dormirem aqui…
Vendo a sogra capitular num instante, Gong Pyeonghwa balançou a cabeça.
— Sogra! A Isul está atuando!
Dizem que os filhos são o espelho dos pais.
Mas ver Isul reproduzindo exatamente sua própria infância, que ele nunca lhe mostrou, era constrangedor.
Sangue não mente mesmo.
— Tsc! Papai chato!
A expressão chorosa e comovente virou bico num instante.
Como Gong Pyeonghwa disse, era mesmo atuação!
Vendo Isul subir corajosamente no carro por conta própria, a senhora Lee e o presidente Shin acenaram com o rosto atônito.
Ainda não conseguiam acreditar que tinham sido enganados por uma neta de três anos.
— Puxou a quem…
— Não foi ao Saebyeok, né?
Os genes dos Gong são fortes demais…
— Vamos entrar.
O presidente Shin e a senhora Lee entraram em casa com Kkotdong.
A casa estava silenciosa e agradável como sempre, mas havia uma sensação estranha.
O presidente Shin ficou remoendo: “o que é essa sensação de vazio?”.
Depois de uma longa reflexão, encontrou a resposta e ficou chocado.
Barulho ele detestava; sujeito de conversa mole era o pior; nem queria ver…
“Sem aquele sujeito, fica solitário.”
Sem o áudio de Gong Pyeonghwa, ficava sem graça e um pouco solitário, e o humor não melhorava.
Claro que havia a esposa e mais um cachorro cheio de energia, mas os dois definitivamente não eram estimulantes.
— Ha.
O presidente Shin, talvez ainda mais enrolado por Gong Pyeonghwa do que a senhora Lee, só percebeu depois de dois anos e meio que estava enrolado pelo bagunceiro que engravidara seu filho.
— Ora essa.
Não, ele quase percebeu e decidiu ignorar.
Porque isso não pode!
“O que aquele sujeito tem de bonito.”
Vendo o marido resmungar baixinho sozinho, a senhora Lee riu em silêncio.