Capítulo 06
— Isso. Mastigue bem.
“Diz que sou bebê e me dá bebida. Que absurdo.”
Gong Pyeonghwa, com a expressão mais benevolente do mundo, esfregava os cantos da boca de Saebyeok, que nem estavam sujos de farelo.
Quando Saebyeok terminou o caqui seco, ele lhe deu nozes. E ele mesmo não encostava a boca em bebida nem em petisco, ocupado em cobrir Saebyeok de beijinhos, do alto da cabeça até a nuca.
— De quem será esse marido, tão lindo que eu morro.
Sim. Seu marido é lindo demais, né? Que seja assim, que seja assado.
Saebyeok convivia com Gong Pyeonghwa havia mais de dez anos. Estava acostumado às bobagens, e ser chupado na bochecha ou ter o alto da cabeça mordiscado não era grande coisa. Meu marido, faça o que quiser.
Saebyeok aceitava tudo com serenidade.
O Gong Pyeonghwa de hanbok transbordava de mimos a ponto de transbordar.
Agora já levava Saebyeok para o leito e o deitava, dizendo que este seu servo cuidaria de tudo e que Sua Majestade não se preocupasse, enquanto o despia.
Entre um “hã?” e outro, foi deitado no leito e todos os laços da roupa foram desfeitos.
Quando o peito nu apareceu, os olhos de Gong Pyeonghwa se turvaram de excitação. Ao mesmo tempo, o aroma fresco de Gong Pyeonghwa encheu o leito.
Gong Pyeonghwa tirou também o próprio casaco e montou sobre Saebyeok.
Colou levemente os lábios em sua bochecha e depois desceu dos lábios até o umbigo, beijando cada canto do corpo sem parar.
Fez círculos sobre o sexo que se erguia por baixo da roupa de baixo, estalou os lábios e tirou também a parte inferior.
— Haa, hoje não é o dia marcado para a união, haa, mas…
Saebyeok, em silêncio, passou os braços em torno do pescoço de Gong Pyeonghwa.
— Ah, onde um bebê aprendeu uma coisa dessas.
Falava como se não gostasse, mas na verdade estava tão feliz que a boca rasgava — bem a cara de Gong Pyeonghwa.
Gong Pyeonghwa abraçou Saebyeok e abriu suas nádegas.
Entre a carne macia, sentiu o buraco pulsando. Queria abrir suas pernas, entrar ali e revirar tudo, socando com força.
Gong Pyeonghwa aguentou, e aguentou de novo.
Nosso adorável marido é dedicado e precisa comparecer à reunião da corte de madrugada, examinar memoriais, dar aulas régias e ainda atirar com o arco.
Se ele se excitasse sem perceber e disparasse, quem sofreria no dia seguinte seria o marido explorado.
Depois da noite de núpcias oficial, quando amanheceu, o marido não conseguia nem se levantar de dor nas costas, e ainda assim, para cuidar dos assuntos de Estado, ergueu o corpo a duras penas com o rosto pálido.
Dizendo que, mesmo com o corpo dolorido, o trabalho tinha que ser feito, saiu corajosamente e voltou à tarde como um semicadáver.
Lembrando daquele rosto pálido, era preciso todo cuidado e mais um pouco na hora do sexo.
Se ele já deveria estar apoiando, no mínimo não deveria atrapalhar, não? Por isso Gong Pyeonghwa, por mais que sofresse, acariciava com esmero e enorme zelo.
Esperando o corpo de Saebyeok se abrir por completo, ele o preparou com afinco com os dedos, e quando, finalmente, o interior começou a engolir bem e docemente…
— Majestade. É o eunuco-chefe.
Esse maldito castrado numa hora dessas nos aposentos do casal?
Bem antes da penetração?
A menos que os bárbaros tivessem invadido, era inadmissível.
— Do que se trata?
— …Um momento. Com licença.
Ele nem mandou entrar e ele simplesmente entrou? Como disse o Pyeonghwa de hanbok, a disciplina aqui está uma bagunça.
Mas mais bagunçado ainda era o rosto do eunuco-chefe.
— O filho do secretário real pediu que eu entregasse isto.
Gerente Dok, por que você.
Peraí, você, sendo eunuco… então, você, não, não tem agora?
Vendo-o entregar o objeto de qualquer jeito e sumir para cuidar de seus afazeres, era claramente o gerente Dok, mas nesta época não se pode trabalhar assim, não?
Talvez porque isso não fosse a primeira vez, Gong Pyeonghwa, ágil, já tinha enrolado Saebyeok no edredom.
Parecia ser uma carta, mas, ou porque era sonho, ou porque estava em hanja escrita de forma corrida, era ilegível.
Mas Gong Pyeonghwa pareceu ler claramente, pois endureceu o rosto de forma assustadora.
— O que foi? São bárbaros? Japoneses? Ou bárbaros ocidentais?
Gong Pyeonghwa não disse nada. Apenas enrolou Saebyeok mais uma volta no edredom e o deitou direito.
— Ousam conspirar para arranjar uma concubina estando eu de olhos bem abertos?
E então sacou a espada.
— Bem que eu queria, seus desgraçados. Onde já se viu mandar carta de amor ao marido dos outros?
Não pode matar ninguém! Como assim andar por aí com uma arma à mostra! Flagrante não tem como negar!
— P-Pyeonghwa! Não pode! Não pode!
— Hã?
Diante do grito do marido, Gong Pyeonghwa inclinou a cabeça, com ar bobo.
Diante de Saebyeok, que abrira os olhos, não estava o Gong Pyeonghwa de coque, e sim o Gong Pyeonghwa de cabelo curto moderno.
— Teve um pesadelo?
Ah. Sim. Sonho.
Era sonho. Poxa. Sonho.
Que sonho é esse…
Era um híbrido.
Achou que a noite tão satisfatória lhe dera a sensação de um rei que conquistou o mundo, e daí veio esse sonho.
— …Parece que sim.
— Então não sonhou comigo. Hmm. O que a gente faz, meu marido. Se assustou?
Gong Pyeonghwa abraçou Saebyeok e beijou sua testa.
Em vez de dizer especificamente que sonhara com Gong Pyeonghwa e que gritara para impedi-lo de matar alguém, ele apenas disse que fora meio assustador e disfarçou.
De fato tinha sido bem assustador.
Ainda assim, parece que ele teve um belo deleite visual.
Inspirado pelo sonho, decidiu que na próxima renovação de votos vestiriam hanbok e fariam uma cerimônia tradicional.
— Pyeonghwa, você não pensa em deixar o cabelo crescer, né?
O coque ficava bem sexy.
— Hã? Eu? Quanto?
O suficiente para fazer um coque.
— Nada…
— Hmm. Até a posse eu deixo crescer.
— Não, não. Vai tomar banho logo.
Já tem uma imagem forte de liberdade, e ainda um presidente de hotel com cabelo comprido o suficiente para um coque…
Poderia posicioná-lo bem e vender como moderno, mas o sogro odiaria.
— Por quê? Aconteceu alguma coisa no sonho?
— Nada.
Saebyeok abraçou Gong Pyeonghwa.
— O quê. Aconteceu alguma coisa, sim. Eu morri no sonho?
Não morreu, você tentou matar alguém.
— Não foi isso. Sério.
— Devo acreditar nisso?
— E se não acreditar, o que vai fazer?
— Não tem jeito mesmo.
Trocaram conversas bobas e foram à cozinha tomar um café da manhã tardio.
— Escuta, Pyeonghwa.
— Sim?
— Mesmo que você queira, não pode ser pego. Entendeu?
Era apenas um sonho, mas, como se lembrava tão nitidamente, uma preocupação exagerada fervilhava.
Ora. Que motivo nosso Pyeonghwa teria para matar alguém. Ele é tão manso.
— Afinal, o quê?
— Nada.
— Ah! Vive dizendo “nada”! O quê. O quêê.
— Come logo. A gente combinou de ir ao estádio.
☆(*^о^)乂(^-^*)☆
Tomaram um brunch leve e chegaram ao estádio sem atraso. Por ser fim de semana, estava lotado.
— Vamos comprar uniformes!
Ele não se interessava por beisebol, mas, já que vieram ao estádio, era preciso entrar no clima, e Saebyeok assentiu sem pensar muito.
Gong Pyeonghwa gostava muito mais de futebol ou futebol americano do que de beisebol, e Saebyeok não se interessava por esportes.
Entre vários uniformes, Gong Pyeonghwa escolheu o do Baeksan Dinos.
— Está cuidando do amor à empresa?
— Não. Hoje o branco cai melhor no meu marido do que o preto.
Então é só pelo clima mesmo.
— Hihi. Look de casal.
Se uniforme de beisebol conta como look de casal, mais da metade das pessoas ali estaria de look de casal…
Mas usar ingressos ganhos de um fã ferrenho do TK Ligers para torcer pelo Baeksan Dinos… não haveria problema moral?
Saebyeok se preocupou tardiamente, mas logo se acalmou. Se até um Taegang de sangue puro está vestindo, qual o problema?
O segundo filho direto, com sangue Taegang puríssimo, sentou-se na área de churrasco vestindo o uniforme do Baeksan, animadíssimo.
As cervejas se acumulavam e o frango pedido também.
Abraçou o ombro de Gong Pyeonghwa e assistiu ao beisebol…
Sinceramente, como não entendia de beisebol, estava ocupado comendo cada vez que o marido lhe enfiava comida na boca.
Como tinha vindo de carro, não bebeu; só comeu frango.
Nosso Pyeonghwa, coma tudo o que quiser.
— Oh. Lá vem meu futuro concunhado.
— Quê?
No telão apareceu o namorado mais novo de Noeul segurando o bastão. Todo mundo se empolgou com o namorado mais novo de Noeul.
Ah, mais precisamente, todos menos Shin Saebyeok.
— Eles ainda estão namorando?
— Sim. Pelo visto.
— Como você sabe uma coisa dessas?
— Basta olhar para saber.
Assim que ele entrou, veio um home run espetacular, e a torcida do Baeksan Dinos fez uma ola.
Mas no coração de Saebyeok houve uma onda maior ainda.
Não, nossa Noeul não é boa demais para ele? Gente que faz esporte é muito bruta… embora nosso Pyeonghwa também fizesse esporte?
Ela ainda é jovem e é bom namorar bastante… claro, eu casei com meu primeiro namoro?
Simplesmente, simplesmente ele achava Noeul boa demais para ele.
Ele fazia rebatida e arremesso, se saía bem com o que quer que lhe pusessem na mão, era canhoto, não se metia em confusão, defendia bem, corria bem, marcava pontos e ainda era bonitão, um novato meteórico que deixava o Baeksan Dinos louco — mas, para Saebyeok, que não se interessava por beisebol, ele não passava do “homem 1”.
— Aaaah! Que bonito!
Um rosto que mal chega aos pés de Gong Pyeonghwa e é motivo para tanta empolgação?
O que ele tem de bonito? Se fez home run já é bonito?
Ele parece só uma batata graúda de Gangwon-do, bem esfregada e limpinha.
Não é como nosso Pyeonghwa, que parece uma joia que um artesão descascou camada por camada, lapidou com cuidado e poliu; ele é só uma batata com a terra sacudida, não é?
Ficou deprimido num instante.
Se é assim com a Noeul, o que faço se depois a Isul trouxer um sujeito que não me satisfaz e disser que vai casar.
Enquanto Saebyeok se perturbava, o namorado mais novo de Noeul marcava pontos e recebia aplausos com afinco.
“Está certo isso?”
Como se o céu quisesse consolar o perturbado Saebyeok, os dois foram pegos num timing perfeito no kiss time.
Gong Pyeonghwa se assustou como uma mocinha e ostensivamente se jogou nos braços de Saebyeok.
Como Saebyeok já estava com o braço em torno do ombro de Gong Pyeonghwa, ficou natural.
Gong Pyeonghwa pôs a mão no peito de Saebyeok e, subindo de baixo para cima, colou os lábios.
Quando Saebyeok correspondeu, ele se animou e se colou ainda mais. Um beijo que só namorados realmente apaixonados dão foi transmitido ao vivo.
Ouviram-se gritinhos por todo o estádio.
Uma ovação à altura de um home run.
— Hihi!
Gong Pyeonghwa finalizou com um beijinho carinhoso e riu de um jeito fofo.
Comeu frango, bebeu cerveja. E ainda foi pego no kiss time com o marido!
Todos os desejos de Gong Pyeonghwa se realizaram, e o desejo do presidente Gong foi destruído.
Do ponto de vista do Baeksan Dinos foi uma virada quentíssima, mas do ponto de vista do TK Ligers foi jogar fora no fim um jogo já ganho.
E havia quem sofresse uma frustração maior do que o presidente Gong, que só era fã havia três anos.
Era Dokgo Dahui, que nascera TK Ligers de berço, e que, embora escritório não fosse sua aptidão, para conseguir uma bola autografada distribuiu beijos no presidente e no diretor da empresa, ouviu que era um doido e sobreviveu a duras penas na vida corporativa, e de tanto aguentar acabou ganhando o cargo de gerente.
— Oh. Um trabalhador de escritório.
— …
— …
Gong Pyeonghwa era do tipo que memorizava até um rosto visto de passagem, então não teria como não reconhecer o gerente Dok, que tinha contato com Saebyeok.
Como não eram próximos, ele cumprimentou à sua maneira, mas o outro parecia nutrir uma emoção enorme por Gong Pyeonghwa, pois ficou olhando-o interminavelmente com uma expressão de traído.
“Por que ele está olhando assim?”
Gong Pyeonghwa ficou constrangido.
“Por que ele está olhando assim para o meu marido?”
Shin Saebyeok ficou ainda mais constrangido.
— Como é que o orgulhoso Ligers… um uniforme de réptil…
— Ah.
Sim. É um louco por beisebol, daí essa sensação de traição.
De fato, um Taegang de linhagem pura vestindo uniforme do Baeksan é único. Mas o branco cai bem no nosso Pyeonghwa.
— Ha… O mundo está enlouquecendo mesmo. Enlouquecendo.
O gerente Dok balançava a cabeça e caminhou arrastado, sem energia.
— Que isso?
— Não se preocupe. Ele é assim mesmo.
Deixando para trás o encontro com o gerente Dok, que já era estranho por natureza, partiram para buscar as crianças.
Por ser fim de semana, o trânsito estava travadíssimo.
— Saebyeok, olha isso! Nosso kiss time está circulando pelos tabloides da internet!
Então era isso que ele olhava e ria à toa.
Como pegou um sinal, olhou de relance, e a foto estava enorme.