Capítulo 03
Uma bandeja com morangos, chantilly e champanhe, e pétalas de rosa espalhadas pela cama.
E Gong Pyeonghwa sentado sedutoramente na cama com um traje que quase não cobria nada.
— …O que é isso?
— O-o que seria…
Com o rosto sem jeito e sem conseguir encarar, parecia mesmo envergonhado.
— A-a gente já está na hora de fazer…
— Ah. É hoje?
— Não precisa ser hoje, mas, sabe, só…
Propor sexo assim que chegaram aos Estados Unidos parecia que ele estava namorando só pelo corpo, então ele queria deixar um intervalo adequado.
Queria mostrar sua sinceridade! Que ele não amava apenas o corpo dele, mas a pessoa que ele era, também espiritualmente, e por isso cuidaria do clima!
Que o amava incluindo o corpo!
Que ele não era um ser humano cego pelo tesão, e que sexo não é mero desejo físico, mas também uma união emocional!
Mas, quando percebeu, os ensaios estavam acumulados e era período de provas.
No fim, foi sendo adiado e adiado até agora.
As provas acabaram, e as tarefas urgentes também. Amanhã começava o fim de semana.
Era a primeira vez, não? Dizem que quem recebe fica com dor nas costas, e ele não queria ver o namorado indo à faculdade com a lombar dolorida.
Portanto, hoje era o momento ideal.
Claro, como Gong Pyeonghwa não era escravo do desejo carnal, não fazia diferença se o feito não se consumasse hoje. Ele só queria mostrar o que sentia.
Assim que Saebyeok entrou no banho, ele saiu correndo, espalhou pétalas de rosa em formato de coração, acendeu velas aromáticas e trocou a iluminação.
Vira num filme clássico que o importante para a hora de dormir juntos eram o aroma, uma iluminação suave e pétalas de rosa.
— E-e aí, o que achou?
— O quê?
“O quê?”! Será que eu não tenho nenhum charme sexual além dos feromônios? Eu quero dormir com você! E você não? Eu sou só um aspersor de feromônios?
Uma tempestade se abateu na cabeça de Gong Pyeonghwa!
— …
Não importava se na cabeça de Gong Pyeonghwa havia alerta de tempestade ou aviso de catástrofe: Saebyeok, sem saber de nada, tinha que se esforçar para não abrir um sorriso de orelha a orelha.
“Era isso mesmo. Não era só eu que queria!”
Saebyeok sentou-se no colo de Gong Pyeonghwa e passou os braços em torno de seu pescoço. Quando beijou sua bochecha e seu queixo, sentiu um pedaço de carne grosso cutucando sua bunda.
Saebyeok, que aproveitava os beijos leves, foi erguido de repente e caiu sobre a cama.
Quando Gong Pyeonghwa se sobrepôs a ele, sentiu um peso denso.
Talvez excitado, a força com que mordia seus lábios era maior do que o normal.
Aquilo não era um beijo — talvez fosse mais correto dizer que estava sendo devorado.
Independentemente da ardência, o coração disparava. Não, disparava ainda mais por arder.
Ficava mais excitado porque doía.
Tanto quanto o som de sucção, o calor se concentrava entre suas pernas.
— Ah, ah! Hnn…
— Hah, haa… Se o na-namorado disse para dormir aqui, era para dormir direitinho, hein? Por que passa os braços no meu pescoço?
Como se fosse mesmo para dormir direitinho.
Vendo o namorado completamente fora de si, só pensava que deveria tê-lo abraçado muito antes.
A pele colada estava quente e a respiração faltava. O umbigo acumulou líquido.
Era o pré-gozo que Gong Pyeonghwa derramara de excitação, escorrendo pela barriga.
Os músculos da coxa tremiam. O contraste era tão marcado que dava vontade de raspar com a língua os sulcos entre os músculos.
— Hnn… Bom, bom, ah!
Os feromônios, as carícias e o amor eram tão abundantes e plenos que ele se molhou na frente e atrás.
O dedo que entrava pelo vão das nádegas fez seu corpo se contrair sozinho.
— Hn.
Diante da sensação estranha de um corpo estranho, sentiu por um instante rejeição.
— Não, não. Está tudo bem. Shh.
Gong Pyeonghwa continuava beijando-o e acariciando o lóbulo da orelha para que Saebyeok não se concentrasse na sensação de trás.
Quando já tinham se tocado e se lambido e se chupado sem parar, e o corpo estava completamente relaxado, o sexo de Gong Pyeonghwa forçou passagem para dentro de Saebyeok.
Achava que tinha alargado o suficiente, mas, assim como era a primeira vez de Shin Saebyeok, era a primeira vez de Gong Pyeonghwa.
Estava bem molhado e, na dúvida, ele ainda passara lubrificante em abundância, e mesmo assim continuava apertado.
— Ah! Ah, dói, ah, dói…!
Gong Pyeonghwa sentia uma dor indescritível.
Achava que apertaria mais do que segurar e sacudir com a mão, mas aquilo era um nível de espremer.
Liberou mais feromônios e beijava sem parar a bochecha de Saebyeok. Lambeu com zelo suas lágrimas e também o tocou na frente.
Talvez graças aos feromônios, o corpo de Saebyeok se abriu aos poucos.
— Fu, fuha, haa…
— Hn, aah… Hnn…
Só então respiraram um pouco e os umbigos se encostaram.
E então, bom, foi sacolejado e penetrado com afinco.
Naquele dia Saebyeok descobriu que era capaz de soltar gemidos agudos, e Gong Pyeonghwa sentiu que “punheta e sexo são porra de coisas completamente diferentes”.
Pouco depois de experimentarem um novo mundo, o ciclo de cio de Saebyeok chegou e eles ficaram grudados com afinco o fim de semana inteiro.
Bom, depois disso, bastava um roçar de dedo para pegar fogo e eles transavam em qualquer lugar.
A primeira vez é que era difícil; a seguinte foi fácil.
Porque eram bem jovens? Porque havia muito desejo reprimido para escapar dos olhos dos adultos?
▶▶▶
— Ele ganindo era fofo…
Lembrando de Gong Pyeonghwa ganindo, mexendo o quadril e choramingando, sentiu um formigamento entre as pernas.
Gong Pyeonghwa de vinte anos era realmente fofo…
Com o rosto quente e os olhos marejados…
— O quê?
— Ah, nada.
Uó! Diante do marido que o olhava de esguelha com um olhar bem afiado, Saebyeok suou frio.
— Como assim nada? Agora, hein? Diante do marido, você pensou no ex-namorado. Pensou!
O ex-namorado é você.
— Você espere aí!
Gong Pyeonghwa mandou que esperasse e saiu do quarto. Será que ficou ofendido?
A preocupação durou pouco: a porta que se fechara com um baque se abriu.
Um homem de roupão encostado no batente.
Seu nome é Gong Pyeonghwa; em termos de especificações, é um homem casado cuja certidão traz o diretor Shin Saebyeok e os filhos do casal; no passado, foi ex-namorado de Saebyeok e atualmente é seu marido.
Um homem casado encostado no batente, com uma rosa vermelha (tirada sabe-se lá de onde) na boca, de braços cruzados, bancando o fatal.
— O que você está fazendo.
— Seduzindo. Para vencer um novato, no fim só isso funciona. Sensualidade. Charme sensual. Maturidade. Beleza física descarada.
Abriu descaradamente o roupão e fez charme. A exibição de corpo e a explosão de beleza física deixaram Saebyeok tonto.
— Vou enlouquecer.
— Tocar é grátis. Além disso é pago.
— Quanto?
Para que serve o dinheiro que eu ganho. Saebyeok tentava lembrar onde deixara a carteira, mas Gong Pyeonghwa cruzou as pernas e falou como quem responde ao óbvio:
— Saebyeok montar em cima de mim e rebolar.
— Eu acabei de desmaiar de tontura?
— Ei! É verdade!
Gong Pyeonghwa jogou a rosa de qualquer jeito e se enfiou na cama.
Empurrou o travesseiro para cima e enfiou o próprio antebraço no espaço vazio para servir de travesseiro a Saebyeok, enquanto com a outra mão ajeitava seus cabelos.
Fofo, carinhoso e constante, meu ex-namorado. Meu marido.
Saebyeok acariciou a bochecha de Gong Pyeonghwa e perguntou:
— De onde você tirou a rosa?
— Sempre compro para criar clima. Nunca se sabe quando e como as coisas acontecem!
Gong Pyeonghwa tirou de debaixo da cama uma rosa artificial e mostrou.
— Não dá para viver. Sério.
Até quando você vai me dar vontade de te morder?
— Não pode. Você tem que viver comigo a vida toda. Em vez de “não dá para viver”, viva bem comigo.
— Está bem.
— E sonhe comigo.
Mesmo estando ao lado, ele mandava sonhar com ele. Isso não dá ciúmes?
— Apareça no meu sonho, então. Ultimamente suas visitas andam raras. Já sou peixe fisgado, é isso?
Quando Saebyeok perguntou num tom brincalhão, Gong Pyeonghwa perguntou de volta com o rosto chocado:
— Eu falei por falar, mas você foi mesmo? Filho da mãe! Ousa mirar no meu marido? No meu marido, que baixa a guarda por ser sonho? Não se deixe enganar. Seu marido sou só eu! Aquele desgraçado é falso!
— Que isso, sério.
Saebyeok riu baixinho nos braços do marido, que ele queria morder, e adormeceu aconchegado.
Como o marido insistiu tanto para que sonhasse com ele, ou não sonhasse, sei lá o que ele queria, fazendo manha, o sonho realmente teve Gong Pyeonghwa.
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No sonho, Saebyeok tinha vinte anos.
— Ah, mais tarde vou chamar meu namorado no apartamento para brincar.
— O namorado ainda não foi embora.
A essa altura, não é visita, é moradia fixa, não?
Fazia mais de quinze dias que Saebyeok não ia à sua casa.
Mesmo indo só para assistir a um filme leve, comer um lanche e conversar, em algum momento se deixava levar pelo clima e transavam, e então já era o dia seguinte.
Gong Pyeonghwa o levava de carro até o campus e depois voltava para buscá-lo dizendo que comeriam juntos, e de novo iam à casa de Gong Pyeonghwa, e transavam de novo…
Como essa vida se repetia, aquilo era mais coabitação do que visita.
O Saebyeok de vinte anos era extremamente racional e lógico.
— Pyeonghwa, eu andei pensando.
— Pensando o quê?
— Sobre isso de a gente viver assim.
Já o Gong Pyeonghwa de vinte anos levou um susto por dentro!
“Fui descoberto? Que eu vou buscá-lo todo dia de propósito para dormirmos juntos? Fui descoberto? Fui? Ele vai dizer que agora chega? Prefere a casa vazia? Cansou de conviver comigo? Não pode. Não pode! Não cansa! Mora comigo! Sozinho você também vai se sentir solitário! Vai sentir muita saudade de mim! Buáá! Vamos simplesmente morar juntos!”
Gong Pyeonghwa, que tinha seus próprios planos, sorriu como se nada fosse, mas por dentro chorava batendo no chão.
— Viver assim como?
— Viver na sua casa tendo a minha.
Argh. No fim aconteceu o que tinha que acontecer. Gong Pyeonghwa ficou com os olhos embargados diante das futuras visitas raras do namorado.
Imaginou-se vivendo sozinho e solitário até não aguentar, saindo por aí e só ficando com a pele bronzeada.
“Buá… E se ele disser que não gosta de pele bronzeada e não quiser mais transar comigo…”
Mas o delírio aparentemente infinito de Gong Pyeonghwa foi cortado de uma vez pela frase de Saebyeok.
— Se é assim, não é melhor simplesmente morarmos juntos?
— Hã?
— Se eu vender a casa, meus pais vão saber, então não é melhor alugá-la inteira para dividir e acertarmos uma casa para nós dois?
Como éé? Gong Pyeonghwa queria soltar um grito de pterodáctilo de tanta felicidade, mas segurou apertando os dedos dos pés com força.
Os dedos se enrolaram para dentro.
— Se der lucro, a gente usa para viajar quando o semestre acabar, investe um pouco. Não é bom?
— Muito. Muito. Parece uma conversa muito boa e sensata.
Gong Pyeonghwa respondeu meio desengonçado.
— Vamos procurar se tem algum imóvel numa distância boa para nós dois irmos à faculdade.
— Adorei!
Claro que aconteceu muita coisa enquanto procuravam imóvel.
Quase caíram num golpe, e Gong Pyeonghwa foi largado sem um tostão e ficou perambulando pelas ruas.
Foi ali que Gong Pyeonghwa entendeu. Sem os meus pais eu não sou nada! O mundo é muito cruel! Eu não sabia porque a secretária fazia tudo por mim, mas o mundo é cheio de coisas trabalhosas e difíceis!
E em qualquer país só existem malditos golpistas!
Ainda assim, foi uma sorte que a maioria das coisas do mundo se resolva com dinheiro.
A preciosa Love House com o namorado, conseguida depois de superar muitos percalços.
Na casa nova também aconteceu muita coisa.
Como os estilos de vida eram diferentes, às vezes discutiam, e brigavam por divergências como qualquer casal comum.
Considerando um ao outro e cedendo, faziam as pazes, acolhiam os defeitos alheios, xingavam um pouco os desgraçados que às vezes os irritavam, e seguiam amando.
Em algum momento o namorado virou marido, e na relação que só tinha os dois brotou outro amor.
— Ugh!
Claro, foi doloroso ver o marido de bom apetite perder mais de 12 kg por causa dos enjoos, mas não era algo que ele pudesse sofrer no lugar dele.
Queria muito sofrer no lugar dele, mas não havia como.
Saebyeok, com pena, passava a mão nas costas de Gong Pyeonghwa e liberava feromônios.
Que pena.
— Uuu.
Coitado.
— Hng.
Mas também é fofo.
Saebyeok beijava o dorso do nariz, a testa e o lóbulo da orelha, acalmando o estômago revirado de Gong Pyeonghwa. Vendo Gong Pyeonghwa se enfiar em seus braços, qualquer um amoleceria.
Cada vez que ele se esfregava, os cabelos macios faziam cócegas e eram adoráveis. Ele acha que pensava todas as noites que queria que o bebê também puxasse Gong Pyeonghwa e tivesse cabelos macios.
Quando abriu os olhos de bom humor, viu o Gong Pyeonghwa de trinta anos, mais ofuscante do que o sol.