Capítulo 04
— Acordou?
— Sim.
O cheiro agridoce de Gong Pyeonghwa e o cheiro tostado de óleo de gergelim invadiram seu nariz.
— O que você estava fazendo?
— Hoje a gente tem que ir ao parque de diversões com as crianças!
Dizendo que não podia faltar marmita, que ele fizera uma marmita ultra especial e que era para esperar, ele sacudia o punho cerrado no ar.
— Eu podia ajudar.
— Não. Um marido frágil que desmaia de tontura não pode entrar numa cozinha cheia de calor.
— Não é tão grave.
— É assim que fica sabendo!
Como o senhor quiser.
— Agora a gente tem que buscar as crianças, então toma banho rápido e sai!
— Está bem.
Saebyeok entrou no banheiro rindo desde a manhã.
Quando saiu limpinho, Gong Pyeonghwa foi enfiando bolinhos de arroz na boca dele.
Mastigando bem enquanto dirigia, era tostado e gostoso.
Gong Pyeonghwa era bom com as mãos.
Mas nem por isso ele cozinhava tão bem assim.
Será porque sonhei com o passado. Fico lembrando das coisas antigas.
— Por quê? Não está gostoso?
— Não. Está gostoso demais.
— Então por que essa cara. Por que esse olhar nostálgico!
— Nada. Só lembrei do passado. Ficou muito mais gostoso do que naquela época, então fiquei pensando qual é o segredo.
Aí Gong Pyeonghwa se empertigou. Descaradamente projetou o peito para a frente e ergueu o queixo, se exibindo.
— E aí. Homem que se esforça é sexy, né?
O salto na habilidade culinária de Gong Pyeonghwa teve dois pontos de inflexão.
O primeiro foi durante o primeiro enjoo de gravidez, e o segundo foi durante o “morar na casa dos sogros 101”.
Quem cozinha não pode deixar de provar, não é? Mas o enjoo era tão forte que ele nem conseguia provar o tempero!
Por isso Gong Pyeonghwa se esmerou em fazer comidas tão boas que, por mais que o estômago revirasse de enjoo, ele conseguisse ao menos uma garfada.
Se ele não consegue comer muito, pelo menos que seja gostoso, não é?
A maior motivação era querer dar coisas gostosas a Saebyeok, mas o desejo de sobrevivência de não morrer de fome também não era pequeno.
— Quando estava grávido da Isul, você não conseguia nem beber água direito.
Na época, sem entender nada, Saebyeok se desesperava achando que Gong Pyeonghwa tivesse alguma doença fatal.
Se era saudade de casa, se era câncer, ou se seria uma doença ainda não relatada na literatura médica que poderia levar o nome de Gong Pyeonghwa — ficou perturbado e passou dias sem dormir, e eis que era enjoo de gravidez.
Diante do fato de ser enjoo, Gong Pyeonghwa soltou um grito de pterodáctilo e proibiu Saebyeok de subir escadas sozinho.
E umas vinte vezes por dia perguntava insistentemente se não havia algo que ele quisesse comer.
Coisas que ele queria comer havia de sobra, mas, não estando na Coreia e sim nos Estados Unidos, não era possível comer o que quisesse na hora, então ele aguentava — e a cada vez Gong Pyeonghwa adivinhava como um espírito e se levantava num salto.
Pegava o carro e ia direto ao mercado coreano ou ao bairro coreano para trazer o que Saebyeok queria.
Quando não conseguia achar o produto pronto, cozinhava a duras penas segurando as ânsias e fazia com que ele comesse ao menos uma colherada, e todas as noites conferia até a qualidade do sono.
Graças a isso, Saebyeok descobriu, depois de uma vida inteira, sua umidade preferida, a altura ideal do travesseiro, iluminação e nível de ruído.
“O que é isso! Por que não consegue levantar! É de manhã! Quer massagem nos pés? Está com a mão dormente?”
Não havia exagero maior, mas quem exagerava era Gong Pyeonghwa, e quem se dedicava também era Gong Pyeonghwa.
“Não pode. Não pode. Vamos caminhar juntos! Você só estudou demais! Chega! Fecha esse livro já! Encontro obrigatório! Seus olhos estão vermelhíssimos!”
Saebyeok só recebia o que Gong Pyeonghwa lhe dava.
“Hmm. Nosso bebê vai puxar o Saebyeok e ser inteligente. O-que-eu-fa-ço. Meu baby vai dar à luz nosso bebê! Beijinhos.”
Atenção e amor tão incondicionais e bonitos eram inéditos para ele, e isso era muito bom.
“Ugh. Não. Não se preocupe comigo. Só pense num sujeito que está enjoado de navio há mais de 16 semanas…, ugh!”
Mas o enjoo dele foi mesmo severo.
— Nem me fale. Foi porque os americanos têm muita comida calórica que eu perdi só 12 kg. Se fosse na Coreia, teria perdido mais.
Mesmo magro, ele ficava com um ar juvenil, e isso à sua maneira era bom.
Ainda assim, vê-lo magro doía o coração.
Na hora do sexo, aquela sensação de plenitude que o peso que o comprimia dava… Gong Pyeonghwa era mais lindo com os músculos firmes e acima de 100 kg.
— Chegamos! Vamos! Vamos! Meus bebêees! O papai chegou!
Como agora.
Por mais que Gong Pyeonghwa tentasse chamar a atenção das crianças, Isul e Roun nem olhavam.
— Bebês. O papai chegou. Estou dizendo que o papai chegou.
Isul e Roun estavam completamente vidrados na TV.
De tão divertido, estavam com o rosto vermelho e nem fingiram olhar para o pai.
— É que hoje em dia as crianças gostam mais de TV do que do pai.
— Você não vai trabalhar?
Numa manhã tranquila de feriado, Gong Jeong tomava chá com elegância e olhava o irmão com uma expressão de desdém.
— Perdeu a noção dos dias por ser desempregado? Hoje é folga…
— Que folga tem um gestor. Existe horário legal de entrada, mas não há horário de saída especificado. Suma para a empresa.
— Argh.
Gong Jeong, que naturalmente implicara com o irmão que via depois de tanto tempo, apanhou de volta e ficou com o estômago ardendo.
— Nossa princesa e nosso príncipe, vamos logo. Vamos ao parque de diversões com os papais!
Diante da palavra “parque de diversões”, Isul reagiu. De fato, uma princesa com uma escuta impecável desde recém-nascida.
Quando o papai Pyeonghwa pegou a princesa e o príncipe, um em cada braço, Saebyeok cumprimentou os sogros.
O presidente Gong sorriu com imensa satisfação e deu tapinhas nas costas de Saebyeok. Sempre que o via, achava-o admirável e confiável.
“Eu é que devia tê-lo gerado…”
O presidente Gong deixou de lado a pena e lhe deu ingressos de um jogo de beisebol que ele mesmo pretendia assistir, dizendo que sobraram.
Jogo de beisebol…
Hoje vamos ao parque de diversões e deixamos as crianças na casa dos meus pais, então amanhã dá para ir com o Pyeonghwa, não?
Os planos de encontro se encaixavam perfeitamente.
Saebyeok recebeu com gratidão e se curvou dizendo que voltaria em breve para cumprimentá-los.
Ele não se interessava muito pelo beisebol em si, mas de vez em quando é bom passar por um lugar cheio de gente para parecer um encontro, não?
Gong Pyeonghwa também não devia se interessar pelo jogo em si. O importante é a comida que se come lá.
Dizem que hoje em dia vendem de tudo nos estádios, então melhor ainda.
☆(*^о^)乂(^-^*)☆
O parque de diversões onde a família de quatro chegou estava tão lotado quanto um estádio. Sendo feriado, era natural.
E esta semana não era um feriado qualquer. Era um feriado prolongado de ouro.
Era cansativo, mas passar um tempo não muito diferente de qualquer família comum também é importante, não?
— Papai! Eu quero aquilo! Aquilo!
— Isul, você tem um monte de tiaras de coelho em casa.
— Mas essa é preta! Ah! Compra pra mim! Eu vou obedecer!
Isul, cujo sonho profissional do dia era ser coelho, colocou a tiara de coelho e ficou pulando fazendo “pulo-pulo” com a boca.
Mas, por volta do almoço, a tiara pareceu incomodá-la. Quando se deu conta, a tiara de coelho estava na cabeça de Gong Pyeonghwa.
Até que combina.
Em vez disso, eu deveria ter posto um uniforme escolar nele. Nem pensei nisso.
Saebyeok estalou os lábios por dentro e abriu a marmita que Gong Pyeonghwa preparara com esmero desde a madrugada.
De fato, o tamanho já era fora do comum, e como estava tudo compactado com capricho.
— Pyeonghwa. Aah.
— Aaam.
Como ele não conseguia comer por estar alimentando Roun, Saebyeok dava comida na boca dele, e Isul fez bico com uma cara emburrada.
— Por que o papai Pyeonghwa só come se for “aam” na boca como o Roun? Por que o papai ganha presente de Dia das Crianças se não é criança? O papai é criança?
Quantas vezes eu já disse que o aniversário do papai Pyeonghwa é no Dia das Crianças.
Depois que Roun nasceu, às vezes Isul fazia birra assim.
Mesmo gostando e amando Roun, parece que não gostava que a atenção dos pais se dividisse.
— Eu como sozinha. Hunf!
— O papai Pyeonghwa fez com esforço porque a Isul gosta, por que essa birra?
— Porque o papai só brinca com o Rouni!
Alguém tinha que cuidar de Roun, e Gong Pyeonghwa, por causa da altura, só podia ir em poucos brinquedos.
À sua maneira, Isul insistia para irem juntos pensando no papai Pyeonghwa, mas justamente aqueles brinquedos batiam certinho no limite de altura.
— Isul…
Quem mais quer brincar aqui sou eu… O papai sabe andar muito bem nos brinquedos, viu? Gong Pyeonghwa segurou as lágrimas.
Achava que já tinha crescido tudo na época de estudante; não imaginava que continuaria crescendo depois de adulto.
Era indignante e revoltante.
— O carrossel parece que os quatro conseguem andar.
Saebyeok acalmou a Isul emburrada e o Gong Pyeonghwa deprimido.
Comeram a marmita, tiraram fotos, comeram sorvete e churros, usaram tiaras fofas e fizeram até a Isul emburrada sorrir.
Sinceramente, estava cansado. Muito. Muitíssimo cansado.
Havia muita gente, e Isul, ainda pequena, ficava cansada a cada fila por falta de resistência.
De tanto carregá-la, parecia que teria dor muscular nos braços.
Se para um adulto era assim, imagine para as crianças. Na volta, as crianças dormiram roncando no carro, e Saebyeok, exaurido, também cochilou um pouco.
— Aiii. Desculpa. Cochilei um pouco.
— Hã? Não. Dorme. Está cansado, né? De qualquer forma o trânsito está parado, dorme um pouco.
— Não. Não.
— Como “não”? Estou dizendo para dormir. Hoje fui eu que quis vir e você cedeu o seu precioso feriado.
Gong Pyeonghwa, quando criança, nunca fora a um parque de diversões cheio de gente.
Ele não tinha as lembranças que a mídia fabrica. Foi por isso que vieram hoje, com medo de que as crianças, mais tarde, sentissem a mesma falta que ele…
Pensando agora, era uma conversa de barriga cheia.
Não sabia como era bom alugar o parque inteiro e andar nos brinquedos sem fila.
— Da próxima vez vamos simplesmente alugar por um dia.
— …Está bem.
Havia gente demais e isso cansava. Mais do que o cansaço físico, o cansaço mental era maior.
— Mesmo assim, acho que foi bom ter vindo hoje.
Roun dificilmente lembraria, mas ao menos Isul ganhou uma lembrança, não?
— Você avisou a sogra?
— Sim. Ela disse que limpou o quarto da Isul inteiro desde manhã. Parece que até o Kkotdong percebeu e está animadíssimo hoje.
Força, Kkotdong.
Gong Pyeonghwa segurou firme o volante. Falta pouco.
Passar a criação por um instante à casa dos sogros e ao cachorro e ter um encontro melado com o marido!
Talvez a oração de Gong Pyeonghwa tenha sido ouvida, pois a estrada, antes travada, finalmente se abriu.
Depois de deixar rapidamente as crianças e chegar em casa em segurança, Gong Pyeonghwa tomou banho na velocidade da luz.
Porque tinham combinado de fazer hoje o que não deu ontem!
Rápido, mas limpo, esfregando até ranger; sacudiu a roupa de cama e passou perfume.
Encheu de água caso desse sede no meio, e separou camisinhas com folga.
Os itens estavam organizados; agora faltava só o importante: o clima.
Iluminação suave e pétalas… já atrapalham! Chega! Tira!
Gong Pyeonghwa olhou-se pela última vez no espelho. Ajeitou com a mão o cabelo ainda meio úmido.
Por mais cansado que estivesse, ele precisava estar naturalmente bonito a ponto de fazer Saebyeok engolir em seco assim que o visse! Não pode parecer bonito de forma artificial!
— Hum?
Reparou em algo que, sem querer, trouxera até em casa.
Sim. Isso dá para fazer.
Gong Pyeonghwa decidiu ser ousado.
☆(*^о^)乂(^-^*)☆
Já estava cansado e ainda tomou um banho quente, então o corpo ficou completamente mole.
Seria bom dormir agora, mas passar dormindo o tempo de casal sem as crianças é desperdício demais, não?
Quando Gong Pyeonghwa começar a administrar o hotel não haverá tempo, e o que é o sono perto disso!
Saebyeok deu tapinhas nas bochechas e abriu à força os olhos que se fechavam.
“Ótimo.”
Terminado o banho, ao voltar ao quarto, Saebyeok não pôde acreditar no que via.
A iluminação suave, o aroma agradável e a caixa de camisinhas aberta ele já esperava.
Mas?
— Adivinha o que tem por baixo?
Que tal um marido que de dia usa tiara de orelhas de coelho e à noite faz de bunny boy?
Hoje ele usava o conjunto completo, incluindo a tiara de orelhas de coelho.
Sob o roupão, dava para ver que…
Dava vontade de abrir o roupão e arrancá-lo todo, e ver Gong Pyeonghwa vestido com aquela roupa feita com uma economia extrema de tecido, pior do que estar sem nada — as mãos se remexiam sozinhas.
Saebyeok se sobrepôs a Gong Pyeonghwa.
Ao enfiar a mão sob o roupão, sentiu um tecido de textura lisa.