Capítulo 28
— …Faz mais de 10 anos que eu o acompanho; nunca imaginei que chegaria o dia de dar um diagnóstico desses.
— É grave…? Deve ser… Eu sei disso. Quero morrer…
— Não é a minha especialidade, então vou lhe apresentar outra pessoa. Fique tranquilo, isso melhora logo.
Como ele recomendou enfaticamente que recebesse um cuidado mais especializado, dizendo que escreveria um encaminhamento, Gong Pyeonghwa recebeu o cartão e o encaminhamento.
Será que, indo até lá, ele encontraria uma solução?
Gong Pyeonghwa estava desconfiado, mas, como não havia alternativa, decidiu obedecer por ora. Um médico não estaria errado, certo?
— Qual é o motivo da sua vinda? Disfunção erétil?
— Não. A ereção funciona bem.
— Então ejaculação precoce?
— Também não é bem isso…
— São um casal sem sexo?
— Sexo a gente faz sem faltar nada.
O que é isso, por que essa pessoa veio aqui?
O médico Go Chuseon, que tocava uma clínica de casais e urologia junto com a esposa, inclinou a cabeça ao ver um paciente de bom porte, rosto bonito e resultados de check-up surpreendentemente bons.
— Então por que o senhor veio?
— Fui indicado.
Gong Pyeonghwa mostrou discretamente o encaminhamento escrito pelo médico da família.
— Eu, tenho boa ereção, não sou precoce, as relações são tranquilas, tenho feromônios abundantes e amo demais o meu marido.
— Marido?
— Sim. Por quê. Eu não posso ter marido?
— Não, não… É que eu ainda sou meio limitado. Sim, sim, e então?
Gong Pyeonghwa puxou um suspiro do fundo do abdômen.
— Haaaaaaaaaaa… Eu, sabe…
Como não fumava, tinha os pulmões limpos, e de fato a capacidade pulmonar era notável.
— …eu amo demais, demais, demais, demaaais o meu marido.
— E daí?
— …A marcação não acontece.
Go Chuseon, o céu e o deus dos disfuncionais e precoces, só então entendeu por que o encaminhamento lhe chegara.
— Ouvi dizer que o senhor fez marcação.
Quando Gong Pyeonghwa lançou um olhar de inveja ao veterano em marcação e médico Go Chuseon, brotou nele o orgulho de alfa.
— Bom, sim. Eu fiz a marcação.
— Por que comigo não dá? Sendo que eu amo?
— Pode ser um problema do outro lado…
— Meu marido conseguiu. Por isso ele não sente feromônio de mais ninguém, só o meu, mas eu, eu sinto feromônios além dos dele.
Gong Pyeonghwa sentia autodepreciação enquanto falava.
— Hum, no mundo ainda há muita coisa não comprovada, e às vezes surgem contraexemplos que derrubam hipóteses estabelecidas. Não seria uma mutação ou um caso especial?
Go Chuseon, que falara com indiferença por não ser sua especialidade, tomou cuidado tardiamente com as palavras.
— C-la-ro, deve ser motivo de muita preocupação. Talvez por estresse excessi…
Gong Pyeonghwa mostrou a tabela com os índices do teste de estresse.
— …Também não é isso…
Então qual é o problema?
— Poderia descrever a situação de forma mais concreta?
Gong Pyeonghwa resumiu de forma organizada, ao longo de quatro horas inteiras, a história de toda a sua vida, e o médico Go Chuseon ouviu com atenção.
Como resultado, ele emitiu o diagnóstico de que voltassem juntos com o cônjuge, e nasceu em Gong Pyeonghwa uma esperança do tamanho de um grão de poeira.
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Shin Saebyeok foi pela primeira vez na vida a uma clínica de casais e conheceu um urologista.
— Olá?
— Olá. Nossa, o senhor trocou a capinha do celular. Que limpa e bonita. É que celular quem faz bem é a Taegang, né? Não é?
Gong Pyeonghwa, de boa lábia, tagarelava como cliente antigo, mesmo tendo estado ali apenas uma vez.
— Este é o seu cônjuge?
— Sim. Sou o marido dele.
— E os dois continuam sem conseguir a marcação?
Gong Pyeonghwa mordeu os lábios e assentiu com dificuldade.
Na verdade, Gong Pyeonghwa tentara a marcação mais algumas vezes. Mas o resultado era o mesmo.
— Há algo que as pessoas não sabem bem: fazer a marcação não transforma ninguém em beta. Dá para viver de forma parecida com um beta. Também é possível grudar feromônio em outras pessoas e, embora fraco, o cio também vem. Só que vem como uma gripe e, dormindo alguns dias, já passou, esse tipo de coisa. Em compensação, o que aumenta é a dependência do parceiro; é isso a marcação. Os betas é que sobrepõem configurações de romance de fantasia e complicam tudo.
— Então o senhor está grudando feromônio no marido dos outros neste momento?
Gong Pyeonghwa, com ar de quem se ofendeu, sacudiu para longe os feromônios que tentavam grudar no corpo de Saebyeok.
Saebyeok, que não sentia nada, apenas estranhava. Na verdade, ultimamente lhe ocorria uma ideia à toa:
“Será que eu sou um homme fatale? Por que todo mundo se desespera para grudar feromônio em mim?”
Depois de tudo, veio fazer uma consulta e o médico gruda feromônio.
— Vamos lá, olhem isto.
O médico mostrou duas fotos idênticas.
— É uma foto da minha esposa.
Do nada, se gabando?
— Ela é linda.
Saebyeok achou que talvez tivessem vindo ao hospital errado.
— Vocês veem alguma diferença entre a primeira e a segunda foto?
O que há de diferente? Por mais que procurasse, não havia nada difere…
— A cor do batom mudou, a franja parece ter crescido uns 0,5 mm, ela deve ter feito alongamento de cílios, os cílios estão mais longos, e a cor da pálpebra está mais clara na da direita. No geral, a pele dela está melhor na da direita.
O quê?
Saebyeok, ouvindo Gong Pyeonghwa, comparou as duas fotos de novo. Olhando pelas diferenças apontadas, parecia mesmo ser assim. Ou talvez fosse tão sutil que não fosse nada…
— Na minha opinião, o seu marido é simplesmente um detetive genial e reage fortemente aos feromônios grudados no corpo do senhor.
— Como?
— Ou seja, a marcação parece ter acontecido, sim.
O médico, achando aquilo absurdo, deixou escapar uma risada.
— Ele não sente os feromônios grudados nele mesmo, mas percebe como um adivinho os feromônios grudados no cônjuge. Ele possui um poder de observação afiado, e por isso parece reagir de forma mais sensível às mudanças no outro.
— Como?
— Bom, se for para expressar, poderíamos dizer que “ele ama tanto que pareceu que a marcação não tinha acontecido”?
Gong Pyeonghwa e Shin Saebyeok olharam para o médico com a cara completamente pasma.
— Foi algo que achei suspeito na consulta de alguns dias atrás; ao que tudo indica, vocês dois fizeram a marcação há bastante tempo.
— Como?
Gong Pyeonghwa e Shin Saebyeok se olharam de boca aberta.
“A gente fez?”
“A gente fez?”
O médico, ouvindo por cerca de quatro horas a história amorosa de estranhos que nunca vira, teve dúvidas em alguns pontos.
Na adolescência impulsiva, com desejo sexual intenso e comportamentos agressivos, dois homens namorando em segredo e tomando banho de feromônios todos os dias?
Na verdade, era uma história que já levantava a suspeita de que a marcação tivesse ocorrido desde então.
E, na parte em que diziam que, de tanto sugar e esfregar os lábios todo santo dia, às vezes tiravam sangue, a ponto de as pessoas ao redor acharem que os dois viviam brigando, ele ficou meio convencido.
Dois homens no auge do vigor, num espaço fechado, tomando banho de feromônios todos os dias, num estado de tensão sexual plena, e ainda por cima trocando saliva até ferir a mucosa — como não teria havido marcação?
Depois disso foram morar juntos, então não deram brecha para outros traços se meterem; sempre foi um mundo só dos dois, e não haveria ocasião de trazer feromônios de fora.
Ao voltarem à Coreia, houve a gravidez, então, como mecanismo de defesa, ele ficou ainda mais incapaz de sentir feromônios de alfas que não fossem o seu alfa, e o alfa, para proteger seu ômega, teve os sentidos ainda mais aguçados.
O que o convenceu de que os dois tinham feito a marcação foi o trecho em que o lado alfa teve enjoos e, no processo de tratamento, vomitou sangue porque lhe injetaram feromônios de outro ômega. Havendo um ômega marcado, era inevitável que a reação de rejeição viesse com violência quando feromônios de outro ômega circulassem pelo corpo.
A essa altura, não seria mais estranho não terem feito a marcação?
E, pelo que ouviu, o lado ômega também reagia aos feromônios de ômega grudados em seu alfa.
Ambos tinham feito a marcação exatamente do mesmo jeito; apenas o lado alfa, por ser sensível e atento às mudanças do outro, lia até o menor traço de feromônio e reagia de forma mais intensa a isso.
— Ou seja, o senhor, ômega, é um tanto indiferente e desligado, certo? Se sentir cheiro de cigarro, não pensa nada; mas o senhor, alfa, tem a sensibilidade de conseguir dizer até o nome do cigarro só porque o seu ômega passou entre pessoas fumando na rua.
Ele falou apontando a foto da própria esposa.
Você também viu. Seu marido podia abrir uma agência de detetives.
— Nós já tínhamos feito a marcação?
— Que estranho? Quando nossos ciclos coincidiram, a gente fazia feito animais.
— Isso a gente costuma chamar de compatibilidade sexual, não é?
Ué?
— Depois da marcação eu acordei me sentindo incrivelmente bem no dia seguinte?
— A isso nós chamamos de sono reparador, não é?
Ué, ué?
— Então nós, o quê? O que somos?
— O que seriam? Apenas um casal comum. Ora.
E foi por isso que vieram à clínica de casais, não? — ergueu uma sobrancelha.
O casal comum de conglomerados, Gong Pyeonghwa e Shin Saebyeok, pagaram a consulta e voltaram para casa.
— Dizem que a gente fez a marcação.
— E há muito tempo.
— Dizem que a gente se ama.
— E há muito tempo.
Gong Pyeonghwa, ainda atordoado, ficava embriagado no eco dizendo “é demais, é demais…”, e a cada vez Saebyeok fazia coro.
— Dizem que eu te amo!
— Isso eu já sabia há muito tempo.
Aaah! Gong Pyeonghwa fez escândalo e soltou um grito de alegria.
— Não é desejo, é amor!
— Não, você também tem desejo.
Ah, sim, isso é verdade. Ainda assim, 100% de puro desejo é diferente de 50% de desejo e 50% de amor puro!
— Saebyeok, Saebyeok.
— Hã?
— Eu te amo muito, muito, muito.
O jeito de rir dando risinhos parecia realmente infantil e fofo.
— Eu vou ser bom com você a vida inteira.
— Vou ficar de olho a vida inteira.
Foi um resultado tão vazio que fez toda a preocupação anterior parecer inútil. Sim, entre nós não há melodrama nem obstáculos. Não existe congestionamento!
Correndo por uma estrada hoje totalmente livre, como o amor dos dois, Gong Pyeonghwa e Shin Saebyeok rumaram para a casa onde estavam os filhos que se pareciam tanto com eles.
— O nosso amor é o quê?
— Autobahn?
Nos rostos dos dois, um sorriso desabrochou por inteiro.
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Fim da do Extra 2
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna