Capítulo 25
— Pyeong…
Ele tentou acalmá-lo aos poucos e levá-lo a um lugar sem gente, mas Gong Pyeonghwa foi mais rápido.
— Por que você fica parado enquanto um cara desses gruda feromônio em você? Que ódio…
Gong Pyeonghwa resmungou como uma metralhadora, com a voz emburrada.
— Desde quando hambúrguer virou prato feito? O milagre de batata frita virar batata refogada e coleslaw virar salada de kimchi, que é isso? Por que você mente?
Peraí, esse cara viu tudo?
— I-isso, é que, eu falei para você não comer e eu comendo escondido por trás, e eu fiquei com medo de você sentir traição pela minha hipocrisia…
— Eu estou sentindo uma enorme traição agora.
Ele está emburrado. Emburrado. Ai, ai.
— Desculpa. Mas agora tem muita gente olhando, então um pouqui… Ah! Minha lombar! Minha lombar!
Ei! Meu tronco vai quebrar! Gong Pyeonghwa, como quem não recuaria um passo, apertava ainda mais, e Saebyeok bateu pedindo rendição. Por mais que batesse tapinhas no braço de Gong Pyeonghwa, ele não parecia disposto a afrouxar.
— Que ódio. Ódio.
Nesse meio-tempo ele já estava com os olhos marejados olhando para ele…
“Ah… Eu devo ter feito algo muito errado.”
Saebyeok afagou cuidadosamente as costas de Gong Pyeonghwa, consolando-o.
— Desculpa, eu tentei escapar com uma mentira boba. Fui leviano. Da próxima vez isso não vai…
Estou pedindo desculpas e você nem se mexe. Diante da falta de resposta de Gong Pyeonghwa, Saebyeok ficou levemente magoado.
Ei, você está ouvindo o que eu digo?
Foi ver o que ele estava fazendo, e ele estava numa disputa de olhares com o secretário Kang.
O mais desconcertante era que o secretário Kang também encarava Gong Pyeonghwa sem se deixar vencer.
Que situação é essa, afinal.
Enquanto Saebyeok não sabia o que fazer, a disputa continuava.
— Eu acho isso um absurdo. Ainda hoje há gente presa a ideias de outra era dizendo que secretária é “office wife” ou coisa parecida, mas eu discordo. O nome já é estranho. Office wi-fe? Isso deixa a esposa de verdade puta da vida.
“Como se atreve, sem nem título de concubina.”
Gong Pyeonghwa impregnou Saebyeok com seu próprio cheiro. Eu posso esfregar assim e grudar feromônio legalmente, viu?
— É o mesmo que separar família e trabalho, não é? Como o nosso diretor tem muito trabalho, ele precisa de apoio. E eu, como o senhor vê, sou homem, então não seria office wife, seria husband. Husband. Marido.
“Nasceu com uma colher de ouro na boca e por sorte recebeu o favor real. Sendo alguém que anda por aí com cheiro de ômega e trai.”
Kang Taehui achava insuportável Gong Pyeonghwa, que nem sabia o quanto era privilegiado. Por sorte nasceu numa família de conglomerados e, ainda por cima, se manifestou como alfa!
Era óbvio que ele não trabalhava, fingia cuidar dos filhos e traía. Só lhe dava pena Saebyeok, que por azar fora fisgado por um sujeito inútil e de boa aparência.
Olhe só como ele acusa Saebyeok sem pensar no que ele mesmo fez. Se isso não é hipocrisia, o que é?
Os dois alfas soltavam faíscas pelos olhos.
Mais gente do que antes olhava de esguelha, e Saebyeok, sem entender a situação, não sabia o que fazer.
Felizmente, uma mão salvadora se aproximou de Saebyeok.
— Isso agora é um evento de disputa amorosa? Eu também preciso entrar?
O gerente Dok aproximou-se com o rosto cansado e abraçou Gong Pyeonghwa e Saebyeok.
— Diretor! Eu o admiro!
Park Taehun e Kim Saetbyeol também mediram a situação e se aproximaram discretamente, abraçando e ostentando espírito de equipe.
— Diretor! Podemos ir a um omakase na confraternização?
— Se aumentar nosso salário, a gente vive de forma mais bondosa!
Com o clima mudando de uma intrigante disputa amorosa entre homens para mera camaradagem e puxação de saco, as pessoas foram perdendo o interesse uma a uma.
— Afinal, que situação é esta.
O gerente Dok, com olheiras que escorriam até o queixo, perguntou. Saebyeok apenas deu de ombros, com cara de quem não fazia a menor ideia.
O gerente Dok, ao ver Gong Pyeonghwa rosnando e Kang Taehui enfrentando-o sem recuar, estalou a língua como quem entendeu tudo.
— É disputa amorosa mesmo.
— Fale direito. Como o senhor já mirou os lábios de um homem casado, sua moral parece meio estranha, mas dar em cima de alguém comprometido é crime, sabia? Que disputa amorosa. Cortejo unilateral não é violência?
Gong Pyeonghwa falou fuzilando com os olhos o gerente Dok, que roubara os lábios de seu pai.
Diante da fala sensacionalista e anti-humana de “mirar os lábios de um homem casado”, como as pessoas que tinham se dispersado começaram a demonstrar interesse de novo, uma a uma, todos mudaram de lugar juntos.
— Então, afinal, que situação é essa.
Gong Pyeonghwa continuava grudado em Saebyeok como um coala, alternando olhares fulminantes entre o gerente Dok e o secretário Kang. Se o marido ser bonito é crime, então era crime.
— Hum. O diretor não percebeu?
— Percebi o quê.
O que dá para sentir? O amor do meu marido? O cheiro dele? A respiração? Os batimentos? Os feromônios? Tirando isso, nada em especial.
— Os feromônios.
— Eu sinto. Estão bem refrescantes agora.
Aroma de limão, aroma de lemon, aroma de yuja, cheiro de laranja, cheiro de casca de tangerina. Era como se tivessem despejado aromas cítricos sobre sua cabeça.
— Não isso, os outros feromônios.
— Como ontem eu fiz a marcação, não sinto nada além dos feromônios do meu cônjuge.
Insinuou discretamente que era um novato na marcação, feita na noite passada, quentinha.
O gerente Dok, que não tinha marcação nem namorado, disse com o rosto emburrado:
— Ah, sim. Depois da marcação não se sente? Dizem que isso é só da boca para fora.
— Eu agora não sinto nem o feromônio do gerente Dok nem o do secretário Kang. Só sinto o feromônio do meu marido. É quase como ser beta.
Marcação é o máximo.
— Ah. Sim. Entendo. Hum. Agora o senhor está com o feromônio de outro alfa grudado.
O gerente Dok olhou fixamente para o secretário Kang. O secretário Kang levou um susto e desviou o olhar.
— Feromônio grudado?
— O feromônio grudado é, um tanto, hum. Está grudado um feromônio com um quê inadequado para se sentir vindo de um homem casado… Se eu disser assim, o senhor entende?
Como assim? Que feromônio exatamente é esse? Quando inclinou a cabeça, ouviu-se o som de dentes rangendo.
Nosso Pyeonghwa, com um temperamento tão pacífico quanto o nome, dificilmente se irrita…
Julgando pelo clima e pela situação, parecia que o secretário Kang grudaram nele algum feromônio imoral.
— Uau…
Nesses casos, o que se deve fazer? Saebyeok, para quem aquilo era inédito, ficou bastante desconcertado.
— Er, mas depois da marcação a gente sente mesmo só o feromônio da pessoa marcada?
Saetbyeol, curiosíssima, levantou a mão discretamente e perguntou.
Saebyeok, cheio de orgulho de marcação, assentiu com um olhar convicto.
— Só se sente aquela pessoa. Como dizer, é como se não permitisse nenhuma outra impureza?
Saebyeok, sendo abraçado por trás por Gong Pyeonghwa, dobrou o braço e afagou o alto da cabeça dele. Cabelos de boa textura se enroscaram entre seus dedos.
Se soubesse que era tão bom, teria feito antes.
— Er… Então…
O funcionário Park Taehun, sentindo algo estranho, inclinou a cabeça e perguntou com uma voz sem confiança:
— Como é que o marido do diretor… sentiu o feromônio de outro alfa…?
Quer dizer, o senhor disse que depois da marcação só se sente o feromônio do outro, mas ele disse que sentiu a presença de um invasor… À medida que a voz de Park Taehun ia diminuindo, a cabeça de Gong Pyeonghwa foi baixando lentamente.
Como alguém pego fazendo algo que não queria que descobrissem.
Você… você, por que baixa a cabeça como quem não tem cara para me olhar? Saebyeok fitou Gong Pyeonghwa com olhos atônitos.
— O que é isso, ei. O que é. Ei. Gong Pyeonghwa.
— …
Gong Pyeonghwa tinha vontade de chorar. Não queria que Saebyeok descobrisse assim.
Não queria contar, do pior modo possível, que talvez ele não o amasse, que talvez tudo tivesse sido apenas uma ilusão provocada pelos feromônios, que a relação deles talvez não fosse mais como antes.
Gong Pyeonghwa enterrou o rosto no ombro de Saebyeok.
Com certeza há uma solução. Não, há algum problema. É certo que houve um engano.
— Ei. Gong Pyeonghwa.
— …
— Pyeonghwa.
— …
Gong Pyeonghwa não tinha coragem de encarar Saebyeok.
Como não havia resposta nem o menor movimento por mais que o chamasse, Saebyeok também ficou perturbado. Primeiro dispensou as pessoas. Mesmo que não pudesse demorar, era um assunto para conversarem a sós.
— Pyeonghwa, eu tenho que voltar para a empresa, não posso ficar muito. Hein? Vamos conversar olhando um para o outro.
— …
Gong Pyeonghwa tinha um rosto que, ao menor toque, desabaria em choro. Com aquela cara, era até constrangedor perguntar qualquer coisa.
Depois de um longo tempo apenas de mãos dadas, sem falar nada, Gong Pyeonghwa disse primeiro, com uma voz quase inaudível:
— …Eu, quero muito, morrer. Que injustiça.
— Por quê.
— Eu amo você.
Gong Pyeonghwa falou com firmeza, mesmo choramingando. O olhar era até obstinado.
— E daí?
Saebyeok acariciou a bochecha de Gong Pyeonghwa e perguntou de volta com a voz mais gentil possível, como quem consola uma criança.
— E daí que parece que a marcação não deu certo…
Comigo deu. Saebyeok ficou atordoado. Por que não deu?
— Eu liberei feromônios de sobra, e até a marcação eu tentei fazer em você com tanto empen…
O peito de Saebyeok ardia. Depois de tanto morder e chupar ontem, estava inchado a ponto de sangrar, e até agora ele estava com um curativo.
Chupou o peito do outro até arder e a marcação não deu certo? Quem foi chupado conseguiu, e justamente quem chupou não conseguiu? Isso é uma insolên…
— …Desculpa…
Não dá nem para dizer “insolência” de brincadeira com esse rosto.
— …Não. Deve haver algum engano.
Saebyeok acalmou Gong Pyeonghwa com serenidade. Depois de dizer que hoje em casa eles verificariam direito de novo, e de acalmá-lo e consolá-lo, mandou-o para casa.
— O senhor vai voltar para a empresa?
— Sim. Vamos para a empresa.
Tinha uma montanha de trabalho e agora mais uma preocupação. Afinal, qual é o problema?
Não me diga que foi uma marcação unilateral só minha? Que só eu amo Gong Pyeonghwa? Que era um amor não correspondido só meu?
Que Gong Pyeonghwa não ame Shin Saebyeok? Uma hipótese dessas é impossível! Uma proposição dessas não pode existir no mundo. Que porcaria de…
Saebyeok, irritado tardiamente, jogou a franja para trás com brutalidade. Só de imaginar já ficava irritado.