Capítulo 24
Gong Pyeonghwa, que se divertia com Isul espetando batatas fritas no sorvete de casquinha, olhou ao redor com uma estranha sensação de raiva e frio na barriga.
Dizem que quando se ama, reconhece-se a pessoa de imediato, onde quer que ela esteja.
Claro, objetivamente falando, era o homem que se destacava entre a multidão com uma auréola, uma joia entre pedras — o meu homem, meu homem casado, minha eterna metade e companheiro Shin Saebyeok — então não havia como não reconhecê-lo de cara.
Mas a situação não permitia cumprimentá-lo.
— Papa…!
— Isul! O que a gente está comendo agora!
Isul fez “hup!” e tapou a boca com a mão. Pai e filha se afastaram de lado, feito caranguejos, do grupo de Saebyeok. Cochichavam escondendo o rosto atrás da enciclopédia de dinossauros que compraram aproveitando as compras.
— Isul, o que a gente comeu no almoço hoje?
— Bulgogi!
Comeram hambúrguer de bulgogi, mas, ao omitir o “hambúrguer”, operou-se o milagre da comida ocidental virar comida coreana.
Depois de comerem essa comida coreana artesanal, pai e filha olhavam a nuca de Saebyeok e acalmavam o coração assustado.
Mas, mal tiveram tempo de acalmar o coração assustado, ele deu outro solavanco.
Vrrrrr-!
O celular vibrou muito alto hoje.
[♥Meu amado marido♥]
Gong Pyeonghwa, esquecendo até como se respira, apertou “recusar chamada”. Como alguém com muito a esconder, seu coração disparou.
A nuca de Saebyeok, visível a 3 m à frente, se inclinou.
Gong Pyeonghwa, como um avarento, alternou o olhar entre a nuca de Saebyeok e o celular, e então ligou para ele.
— Oi. Deve ter apertado sem querer dentro da calça. O que você está fazendo?
— Estou em inspeção. Hoje é o dia de abertura da pop-up store.
Não é à toa que ele está no shopping a esta hora. É verdade. É hoje. Vou passar lá no caminho e comprar.
— Mas por que a qualidade da ligação está assim? Parece que você está bem perto.
— É que nesta atualização eles melhoraram a qualidade do áudio…
É que eu estou sentado bem atrás de você…
— Ah. É? Que bom. Está mais nítido. Você já comeu?
— Já.
— O que você comeu? E a Isul?
— Comemos bulgogi. Bulgogi. Quer que eu passe para a Isul?
Isul, sem confiança de mentir, manifestou recusa com o corpo inteiro.
— O que a Isul está fazendo agora?
Gong Pyeonghwa respondeu olhando Isul, que fazia um enorme X:
— Está lendo a enciclopédia de dinossauros.
— Ah. Então hoje ela vai ficar quietinha.
— Sim. Felizmente. E você, já comeu? O que está comendo?
Você também está comendo hambúrguer. Que coisa. Eu também comi hambúrguer. Devemos ser almas gêmeas.
— Eu? Eu… só um prato feito, comum…
Por que… você está mentindo?
— Prato feito… Que acompanhamentos tem?
— Batata… refogada em tiras, e kimchi…
Desde quando batata palha frita e coleslaw viraram batata refogada e kimchi?
— Bom, essas coisas.
Gong Pyeonghwa ficou tonto diante da mentira ao vivo do marido. Por quê? Por quê? Por que ele está mentindo? Por causa de um hambúrguer? Por quê?
Você nem come muito hambúrguer se não for comigo. Mas por que está comendo hambúrguer com o secretário? Você. Você!
O secretário, todo bobo, mal encostando no hambúrguer, o incomodava.
“Por que aquele cara parece estar satisfazendo interesses pessoais em vez de trabalhar? Rir enquanto come com o chefe? Muito suspeito.”
— Sim. Deve estar gostoso. Tem dongchimi também?
— Si-sim.
Ei. Refrigerante é dongchimi?
— O que ainda falta na sua agenda de hoje?
— Hum. Depois de comer eu volto direto para a empresa. Tenho muita coisa para ver.
— Você vai se atrasar hoje? O jantar de hoje vai ser muito gostoso.
Assim que eu chegar em casa eu vou moer soja e fazer tofu artesanal. Vou fazer uma costela cozida também.
— Está bem. Vou tentar chegar o mais rápido possível. Até mais tarde.
— Ahã.
Saebyeok encerrou a ligação e tirou logo os documentos da pasta. Deu uma mordida qualquer e conferiu documentos e e-mails. É preciso reduzir até o tempo das refeições para conseguir sair no horário.
Vendo que hoje ele fazia perguntas que normalmente não fazia, achou que talvez ele estivesse de mau humor.
Não tem como não haver estresse na criação dos filhos. Hoje preciso sair mais cedo e levá-lo para dar uma volta de carro ou algo assim.
— Ah, não se preocupe e coma. Surgiu algo que eu quis conferir de repente.
Dizem que homem concentrado no próprio ofício é sexy. Kang Taehui achou tão sexy a leve ruga entre as sobrancelhas de Saebyeok que seu coração palpitou.
Normalmente, com o chefe trabalhando bem diante dos olhos, alguém fingiria trabalhar também, ocupado em medir a situação; mas Kang Taehui nem isso fazia. Comia o hambúrguer como se Saebyeok, olhando a tela, fosse um picles, e ficava olhando de esguelha o tempo todo.
Terminado o horário de almoço doce como mel, quando iam voltar à empresa, seu diretor, que parecia conhecer apenas trabalho e linha reta, parou.
— Já que estamos aqui, vamos comprar um lanche?
Vou voltar logo e resolver tudo o que está acumulado, depois sair do trabalho e levar o Pyeonghwa para dar uma volta de carro. Saebyeok, cuja cabeça só tinha a ideia de ir embora, freou bruscamente diante de um cheiro adocicado.
“Uaau! Olha isso! Deve ser tão gostoso! Vamos comer isso! Hein? Hein? Hein? Aaah. Saebyeokaa.”
Era o cheiro da triple berry pie de que Gong Pyeonghwa gostava.
Pensando bem, tinham aumentado as padarias recém-inauguradas. Todas com coisas de que Gong Pyeonghwa gostaria.
Em vez de vir até aqui e voltar de mãos vazias, não seria melhor ir para casa levando alguma coisa?
O rosto de Gong Pyeonghwa sorrindo radiante lhe apareceu nítido diante dos olhos.
☆(*^о^)乂(^-^*)☆
Ele disse que ia direto para a empresa depois de comer. Mas por que ainda está enrolando no shopping com o secretário? Por quê? Por quê? Por quê?
— Papai. A gente não vai para casa?
— Ah, princesa Isul.
Agora o papai está a um passo de ficar cego de ciúme.
— Seguir os outros é feio.
— Não gosta de papai malvado?
— Ãh… Ãh… Ãhh…
Isul. Sabe, o papai, anteontem, mesmo mandando você fazer um mandado e fingindo indiferença, na verdade te seguiu, aflito, com medo de que você se perdesse ou de que alguém estranho se aproximasse…
Gong Pyeonghwa entrou em contato com o professor Nam Uri. Diante da pergunta, com desculpas, se ele poderia cuidar também de Isul hoje, Nam Uri respondeu com uma voz perfeitamente alinhada, como um soldado raso.
Veio a resposta confiável de que, como desde o início ficara acertado que cuidaria das duas crianças, não havia por que se desculpar, e que ele iria buscar Isul levando Roun logo.
Pouco depois, apareceu Nam Uri com um canguru de bebê. Gong Pyeonghwa enfiou-lhe um cartão dizendo que usasse para as despesas e seguiu Saebyeok.
Será que meu cônjuge trairia. Já falei sobre isso alguma vez.
Se por acaso meu cônjuge tivesse traído, e se eu flagrasse a cena numa situação inesperada… o que eu deveria escolher? Devo fingir que não vi, como Cheoyong?
Não, nosso Saebyeok não sabe o que é traição.
Ele é um bobo que só conhece a mim. Mas aquele desgraçado do secretário parece ter enlouquecido. Parece ter esquecido o dever de secretário. É por isso que se deve contratar gente formada na área. E o código de ética do secretariado?
Mesmo agora ele está grudando feromônio no meu marido; isso não deveria ser denunciado? É assédio sexual no ambiente de trabalho.
Um subordinado assediar um superior? Isso é imperdoável. Por mais que se olhe, não dá para embrulhar como admiração; só se sente sentimento pessoal? É puro interesse escuso? Dá para sentir daqui, se espalhando…
Não, com aquela idade ele já devia saber o suficiente; por que soltar feromônio num lugar tão cheio de gente? Quem não os conhecesse acharia que os dois estão de rolo. Até agora os olhares dos traços especiais que espiam não são nada normais.
Não, mas Shin Saebyeok, por que você está tão indiferente? Demonstre pelo menos desconforto. Por que está tão sereno?
Não, quem esse desgraçado pensa que é?
Gong Pyeonghwa, sempre tão positivo, ficou tão irritado que não conseguia formular um pensamento que não começasse com “não”.
Gong Pyeonghwa ligou para Saebyeok.
— Oi. Amor. O que você está fazendo?
— Eu já vou voltar para a empresa. Por quê? Aconteceu algo?
— Não, não é isso. Por.a.ca.so. você está com o secretário Kang agora?
— Sim. Ei, mas a qualidade do áudio é ótima mesmo.
Deve ser. Eu estou pertinho.
— Você pode transmitir uma coisinha ao secretário Kang?
— Secretário Kang? Por quê? O que é?
— Não é outra coisa; diga a ele que, se não se afastar do meu marido agora mesmo, não vai ser nada engraçado.
Gong Pyeonghwa vivera à altura do próprio nome. Era próximo de todos e nunca tivera nada que se pudesse chamar de briga. Mas desta vez não tinha a menor intenção de resolver as coisas em paz. Queria dar uma bela lição, nem que fosse usando os punhos.
“Por que fica dando em cima do marido dos outros? Por quê? Por quê!”
— Que… Ei, você não me diga…
Saebyeok, na dúvida, virou-se e olhou ao redor. A apenas cerca de 5 m dali, Gong Pyeonghwa estava de pé com o celular na mão.
— …
— …
— …
Que situação é essa.
Saebyeok ficou surpreso, mas feliz. Ver Gong Pyeonghwa numa tarde de dia útil era estranhamente novo.
Deve ser uma surpresa em comemoração à marcação — Saebyeok sorriu abertamente e se aproximou de Gong Pyeonghwa.
Não é à toa que a ligação de agora há pouco não fluía como sempre; achei estranho. Então era esse tipo de evento?
— O que o traz aqui?
— O que me traz. Simplesmente por a.ca.so.
Gong Pyeonghwa falou pausadamente, encarando Kang Taehui.
“Seu desgraçado, guarda agora mesmo esse interesse escuso que você está derramando.”
Achando que, se ficasse mais um pouco, ele grudaria nele um feromônio imundo dizendo “vamos transar”, o sangue lhe subiu à cabeça.
Gong Pyeonghwa não conseguia se acalmar por causa dos feromônios grudados por todo o corpo de Saebyeok. Gong Pyeonghwa endureceu o rosto de forma assustadora e liberou feromônios.
— Ugh.
Diante dos feromônios que sentiu de repente, Saebyeok conteve um gemido.
Não era um espaço privado, era o estabelecimento de outra empresa, em plena luz do dia, sem qualquer aviso prévio, e ele soltava feromônios de repente. E não havia sinal de que fosse recolhê-los. Não era um acidente, era de propósito…
— Pyeonghwa.
Quando Saebyeok o chamou num tom afetuoso, como quem repreende com carinho, Gong Pyeonghwa veio pisando firme e o abraçou com força.
Sentia com o corpo inteiro os olhares curiosos das pessoas.
Ah. Tudo bem, mas. É bom, mas será que não dá para fazer em outro lugar. Tem gente demais olhando.