Capítulo 23
— …Quão cedo?
— Nem almoço, eu venho.
Quando o acalmou e o consolou com uma semana de 4,5 dias, Gong Pyeonghwa estalou os lábios.
Fizeram um para o outro, com boa vontade, usando mãos e boca, e depois de se lavarem, cobriram-se com o mesmo edredom. Grudaram-se um no outro a ponto de não se distinguir se o que envolvia o corpo era o edredom ou os feromônios, e adormeceram.
Ao fechar os olhos, sentia-se com mais nitidez. Era uma sensação plena de se completarem, mas também vazia.
“O quê, marcação não é nada de mais.”
Os dois pensaram ao mesmo tempo e disseram:
— Marcação não é nada de mais.
— Nossa. Eu pensei exatamente isso. Então parece que não deu certo, né? Vamos fazer direito…
— Só sexo com penetração é sexo? Eu estou exausto. Não dá. Faz o que quiser.
— Hng!
Gong Pyeonghwa abraçou Saebyeok com força e contou cachorros por dentro. Golden retriever, samoieda, chihuahua… Só depois de contar cachorros em quantidade de zoológico é que conseguiu se acalmar, e beijou a bochecha de Saebyeok, que nesse meio-tempo adormecera.
Diziam que, ao fazer a marcação, vinha um “tchan!” de que algo aconteceu; disso ele não sabia, e seu par apenas lhe parecia bonito. Talvez até mais bonito que o normal? Ou talvez igual ao normal.
Será que não deu certo? Se hoje falhou, tenta de novo amanhã, e faz até dar certo.
Marcação. Interação que ocorre quando se forma um vínculo feromonal e mental entre alfa e ômega, realizada principalmente durante o sexo.
— Hum.
O motivo de a marcação não acontecer é não haver vínculo suficiente ou os feromônios não serem suficientes… Os feromônios haviam de sobra.
Nós já somos um casal cheio de amor com dois filhos. O Saebyeok me ama demais. Ele pensa até em ser enterrado junto comigo… Não me diga que o meu amor é insuficiente…?
Gong Pyeonghwa, chocado com a hipótese inacreditável, não conseguiu dormir.
Meu amor é insuficiente? Isso não pode ser!
☆(*^о^)乂(^-^*)☆
Saebyeok foi trabalhar em ótimo estado.
Marcação. Acho que deu certo.
Gong Pyeonghwa também devia ter sentido algo, pois desde a manhã serviu uma mesa de 15 acompanhamentos capaz de quebrar as pernas da mesa. Dizem que há casais que se afastam depois da marcação, mas, como esperado, isso não tinha nada a ver com eles.
— Diretor, o senhor parece de bom humor hoje.
— Pareço? Bom…
Saebyeok tentou conter o riso, mas acabou escapando um pouco.
Kang Taehui sentiu o coração pular diante da boca bem desenhada de Saebyeok, que sorria de canto.
— Posso perguntar que coisa boa aconteceu?
— Não é nada de mais…
Saebyeok sentiu os ombros se enchendo de orgulho. Ficava se exibindo e arrogante à toa.
— É que eu fiz a marcação com meu marido. Deve ser efeito da marcação? Estou com uma boa disposição.
Ti-ro-ri. Kang Taehui alcançou a conquista de 0 confissões e 14 arrasos.
— Marcação…
— Dizem que todo mundo evita por ser uma prisão mental e física, mas nós, como casal, estamos satisfeitos. Estou de bom humor.
Ele torcia para que fossem um casal de fachada. E até a marcação? Como pode! Kang Taehui, como quem não estava em seu juízo, sonhava em se infiltrar entre o casal e virar o segundo de Saebyeok.
Se não pode ser o cônjuge oficial, ser concubina; não é melhor ser uma concubina amada do que um cônjuge sem amor? Com esse pensamento, escreveu vários romances na cabeça.
Ontem mesmo ele dançou ao chegar em casa, achando que o marido do diretor trouxe feromônio de outro ômega e que surgiu uma rachadura no casal.
— Então… o senhor não sente nem o meu feromônio?
— Você está liberando feromônio agora?
— A-ah, não. Não estou.
— Hum. Quer tentar liberar feromônio?
Kang Taehui prendeu a respiração por um instante. Com ou sem intenção, parecia que Saebyeok acabara de lhe pedir para fazer um apelo sexual.
“É uma chance? É mesmo uma chance?”
Kang Taehui liberou feromônios misturando admiração ao desejo de ter com ele esse tipo de relação.
Uma sagacidade que sempre deixa uma saída de emergência.
“Pode me tomar como concubina! Dedico corpo e alma!”
Mas aquele coração raso não alcançou o homem casado.
— Você está liberando feromônio?
— Sim…
— Não sinto absolutamente nada. Parece que a marcação deu certo. Haha.
Ah. Entendi. Ele não sente. É a conquista de 0 confissões e 15 arrasos.
Estivesse Kang Taehui deprimido ou vazio, Saebyeok estava animado e nas nuvens.
Eu, mesmo depois da marcação com Gong Pyeonghwa, entro no cio quando encosto a pele! Fico excitado! Continuo suspirando por ele! Não é uma ilusão do cérebro chamada feromônio: nós apenas nos amamos mesmo.
Não foi escolher o melhor numa situação especial chamada traço especial, feromônios, e se satisfazer com isso; não é porque eu sou ômega e Gong Pyeonghwa é alfa, é simplesmente porque gostamos.
A risada franca e viril de Saebyeok ressoou, cristalina.
☆(*^о^)乂(^-^*)☆
Isso não faz sentido. Meu amor é insuficiente? Eu não tenho amor? Eu? Eu, que tenho tanto amor?
O que é o amor?
Eu achava que era suficiente, mas não era? Como se pode medir o tamanho e o valor de um sentimento?
Gong Pyeonghwa, com o coração perturbado, não conseguiu dormir e, desde a madrugada, levantou-se e cozinhou o que aprendera enquanto morava na casa dos sogros.
Se eu achava que era suficiente e era insuficiente, então eu vou mostrar meu amor de qualquer jeito. Materialmente, emocionalmente, vou mostrar o meu melhor.
O ser humano também é animal; na natureza, o macho corteja a fêmea e conquista sua simpatia com comida gostosa.
Foi assim que Gong Pyeonghwa preparou uma mesa de 15 acompanhamentos desde a madrugada e, assim que Saebyeok saiu, foi fazer compras num shopping.
Passou a noite pensando.
No que ele foi insuficiente. Em que ele ficara tão aquém de Saebyeok. Olhando para trás, ele não passava de um papagaio do amor que só falava de amor da boca para fora.
Enquanto Saebyeok planejava uma renovação de votos surpresa e fazia um pedido de casamento ajustado ao gosto dele, ele só recebia. Faltava-lhe esmagadoramente dedicação. Dedicação.
— Sim, sim, sogra. Sim. Sou eu, o genro Gong. Ah- não é outra coisa não-, é que eu vou fazer costela cozida e queria perguntar como a senhora faz, a receita. Sim, sim. Quero fazer para o Saebyeok. Sim. Ah. Mel? Sim, sim. Sim. Estou anotando. Sim, pode falar. Sim. Ah, entendi. Sim. Obrigado!
Refletindo sobre um amor que era só palavras e corpo, Gong Pyeonghwa decidiu dar um amor maior do que o amor que recebera.
“Vou ser muito, muito, muuuito bom com ele. A ponto de ele se emocionar e as lágrimas escorrerem em cascata.”
Gong Pyeonghwa, com a intenção de colocar dedicação até em um único cubo de tofu do ensopado, encomendou até um moinho de pedra.
— Papai.
— Sim. O que foi, minha princesa?
— Se comprá brinquedo, dão hambúrguer também.
Princesa, isso é estratégia comercial. Os papais são gente de negócios, você acha que a gente não sabe disso? Poxa. Não se deixe manipular pelos truques maldosos dos capitalis…
— Se eu comprar brinquedo, dão hambúrguer pro papai também. E casquinha também!
Ha, tão pequena e já negociando… É gênia?
— É segredo do papai Saebyeok, tá?
— Tá.
Ah. O Saebyeok mandou não dar junk food… Mas é hambúrguer artesanal, então deve estar tudo bem.
Enquanto comia o hambúrguer artesanal com milk-shake, batata frita e um belo hambúrguer de carne bovina, a consciência o cutucava.
Saebyeok, eu não fiz de propósito… Você sabe que eu te amo, né?
☆(*^о^)乂(^-^*)☆
— Diretor, precisamos ir para o próximo compromisso. A equipe está esperando.
— Que correria. Vamos.
Claro que é correria. Ele espalhou trabalho por todo lado, não podia ser diferente. Ainda assim, agora o fim está aparecendo.
Hoje é o primeiro dia do lançamento da pop-up store no shopping, então vamos ver a reação e… e também…
Saebyeok entrou no shopping torcendo para que saísse um resultado que salvasse sua reputação.
Felizmente, a multidão era enorme.
— O senhor chegou.
O gerente Dok implorou abertamente por uma bonificação generosa. Todos tinham sido espremidos e moídos em pouco tempo, e seus rostos estavam impossíveis.
— Não posso dar a bonificação agora.
Para começar, vocês nem são funcionários da nossa empresa.
— Ao menos façam uma confraternização hoje.
— Oh. O diretor também participa?
— Não. Eu só deixo o cartão e vou embora. Não precisam ficar constrangidos.
— Mesmo que a gente torre 5 milhões de wones só em café?
— Não eram 3 milhões?
— Ah, qual é, o senhor é diretor. E os preços subiram.
Aquele sonho refletia até a variação de preços?
— Esse tanto, tudo bem.
Quando ele riu como se achasse os gastos deles fofos, todos ficaram atônitos e levaram a mão ao peito.
— Ah, pensar que eu extorqui 120 mil wones em café de uma pessoa dessas… Não é à toa que os gastos dele eram extraordinários… Mas hoje o seu feromônio… está em outro nível?
— Ah, é?
Claro, meu Pyeonghwa passou a noite inteira me marcando. Será que é por isso que acordei de bom humor? O aroma cítrico e refrescante do meu marido.
— Ontem eu fiz a marcação.
— Uau. Como é a sensação depois da marcação?
— A melhor.
Diante da expressão de um imperador que conquistou o mundo, todos estalaram a língua por dentro.
— O horário está meio estranho, então vamos comer aqui e voltar. Secretário Kang, tem algo que queira comer?
— C-como de tudo!
Kang Taehui, diante do tom indiferente mas atencioso de Saebyeok, espremeu o suco à vontade de novo.
“Isso não parece um pouco um encontro?”
Pensando algo insensato que ninguém no mundo pensaria, Kang Taehui circulou pela praça de alimentação com Saebyeok.
— Diretor, que tal curry japonês?
— Tudo bem.
— Hum, então e macarrão de arroz?
— Tirando manga, tudo bem, então coma o que quiser.
Kang Taehui não conseguia parar de pensar que aquilo parecia um encontro. Um casal ainda em fase de se conhecer, fazendo compras e pensando no que almoçar.
“De qualquer forma ele não sente…”
Kang Taehui grudou feromônios em Saebyeok com todo o afeto. Como se fosse alguém vivendo um amor histórico, criou o aroma mais doce possível e o grudou nele.
“Diretor, não, senhor Saebyeok. Eu, desde muito tempo, o…”
Que amor histórico que nada; a realidade era apenas um sujeito nojento e sórdido lançando olhares sombrios a um chefe casado que não tinha o menor interesse nele.
— Vamos comer algo rápido. Demoramos mais do que eu esperava.
— Ah. Então o senhor come hambúrguer? Acho que sai mais rápido.
Hambúrguer… Era uma palavra que estimulava a culpa. Eu ralhei dizendo para não dar junk food às crianças, e comer à vontade eu mesmo é meio.
O Pyeonghwa gosta muito disso. De mergulhar batata frita no milk-shake, ou de espetar batata frita no sorvete de casquinha.