Capítulo 21
— Não, agora já não precisa tanto…
— Não vai enfiar?
Ele vai ficar emburrado. O tom da voz subiu sutilmente.
— …Vou cheirar mais uma vez, só para confirmar.
— Isso! Esse tipo de coisa tem que ser bem esclarecido!
Saebyeok enfiou o nariz na clavícula, como Gong Pyeonghwa queria. Pelo modo como ele pressionava a nuca dele…
Saebyeok colou os lábios na clavícula de Gong Pyeonghwa e esticou a língua, raspando o vale fundo.
— Hnng.
Gong Pyeonghwa abraçou a cintura de Saebyeok com força e tremia lamentavelmente, mas, embaixo, o jeito como esfregava algo denso era ardiloso demais para dar pena.
— Ah, para. É segunda-feira.
— E se for só tocar?
Só tocar… não tem problema, né?
— …N-não pode. A gente precisa conversar.
— Conversa corporal não conta como conversa?
— Não.
Gong Pyeonghwa estalou a língua com pena e afastou a parte de baixo que esfregava.
— Certo. Primeiro eu vou contar o resultado das entrevistas de hoje.
Gong Pyeonghwa espalhou os currículos dos candidatos numa fileira e foi falando os prós e contras de cada um.
— Esta pessoa é boa em tudo.
— Oh. Então vamos com ela.
— Mas ela é fumante.
— Elimina.
Eliminando um a um, no fim restava de novo Nam Uri.
— Esta pessoa, ha, ser homem é ao mesmo tempo vantagem e desvantagem…
Saebyeok parecia ter preocupação parecida, com o semblante perturbado.
— Não existem talentos assim…
— Snif! Majestade, é constrangedor dizer isso, porém…
Se dependesse da vontade, queria que existisse um androide babá! Pessoas, quando não estão sendo vistas, podem fazer qualquer coisa, e isso me deixa inseguro.
— Mas ele é o melhor. Tem experiência, é da área, aceita horas extras, não tem antecedentes criminais e os valores dele sobre pedófilos e criminosos coincidem com os meus. Ou seja, é uma pessoa moralmente correta.
— Oh…
— Mas ele é do tipo caseiro.
— E daí?
E daí? E daíííí? Ei, isso é estranho. Gong Pyeonghwa cochichou com o rosto atônito.
— Ei, um homem não gostar de futebol é um problema, né?
— Eu também não gosto.
— Então não é problema.
Gong Pyeonghwa mudou rapidamente seus valores e apagou o ponto negativo de Nam Uri.
— Pronto, agora, tirando o fato de ser homem, não tem problema nenhum.
— Então vamos ver como ele se dá com as crianças e perguntar a elas. Eu também preciso vê-lo uma vez.
— Está bem.
Saebyeok, na verdade, fingia estar tudo bem, mas o feromônio de ômega grudado em Gong Pyeonghwa o incomodava.
Não que desconfiasse de Gong Pyeonghwa, mas o coração humano não é assim tão simples.
Não é assim para todo mundo? Mesmo que meu marido não sinta nada! Se o outro! Sente! Algo! A história! Muda! A menos que seja alguém louco por beisebol como o gerente Dok, quem lança feromônio para um homem casado? E ainda por cima o feromônio de manga, de que Gong Pyeonghwa gostava, mas do qual havia se afastado?
Na verdade, era um dos motivos pelos quais Saebyeok dera pontos extras a um cuidador homem.
Provavelmente havia um ômega entre os entrevistados, e como a probabilidade de esse ômega ser homem era quase nula, ele pensou que não seria ele.
“Não vai ser um ômega homem, né?”
Saebyeok, ele mesmo um ômega homem, disse que contratar gente também era trabalho e recebeu uma massagem de Gong Pyeonghwa.
☆(*^о^)乂(^-^*)☆
— Eu sou ômega homem, sim.
Não, é que não havia campo para preencher o traço, então achei que não precisava escrever…
— E achei que os senhores saberiam mesmo sem eu dizer.
Nam Uri, que na verdade se candidatou vendo o salário, coçou a bochecha.
— É que eu não controlo bem os feromônios quando fico nervoso. Foi por isso que sofri o assédio. Do marido da diretora… Ele era alfa. Eu realmente nunca fiz nada, mas o boato correu de forma estranha e eu não consegui mais frequentar. O boato se espalhou no bairro e no setor, e por isso ficou um período em branco…
Ai, a situação é lamentável mesmo. Mas dá para contratar alguém só por a situação ser lamentável?
— A-mas é verdade. Eu não seduzi nem nada. Ele que me t-tocou por conta própria…!
— Ah, não precisa falar disso. Não estou perguntando para ouvir esse tipo de coisa; é que ando sendo interrogado pelo meu marido. Achei que talvez fosse isso.
Mas é fato que as crianças ficam à vontade com ele. A Isul e o Roun. E não parece haver falhas na capacidade de trabalho.
— Ah, é, deve ter sido porque fiquei nervoso na entrevista. Eu já tinha gastado todas as minhas economias, então estava muito ansioso. As crianças são boazinhas, o salário é alto, então eu queria muito conseguir. N-no começo eu só olhei o dinheiro, mas depois de alguns dias com as crianças eu me apeguei muito, e quero continuar; eu, eu tomo os supressores direitinho, e se o senhor quiser reduzir o salário…!
— Não haverá prejuízo por causa do traço. Provavelmente.
Mas isso é o que eu penso; não sei o que o Saebyeok vai achar.
— Hoje você janta conosco e com o meu marido, certo? Do que você gosta de comer?
— A-aceito qualquer coisa!
— Aceita qualquer coisa?
Quando Gong Pyeonghwa perguntou de novo, Nam Uri girou o cérebro desesperadamente.
“Extensão da entrevista. Continuação da entrevista. Que resposta devo dar? Qual é a resposta certa?”
Aceitar qualquer coisa, que bom hábito alimentar ele deve ter.
Diante da frase que Gong Pyeonghwa soltou sem pensar, Nam Uri teve que acionar o cérebro a plena potência.
“É melhor comer o que as crianças gostam? Ou o gosto dos responsáveis? Ou é um teste psicológico avaliando o meu gosto alimentar?”
“Como ele disse que come de tudo, posso escolher o que eu quero? O que eu como? Posso comer frango frito? Frango frito deve ser gostoso!”
Depois de muito pensar, Nam Uri respondeu depressa:
— E-eu, eu g-gosto de comida coreana!
— Oh. Comida coreana.
Eu queria comer frango.
— E comida ocidental ou fast food?
— N-não gosto muito.
Eu queria comer frango… Não tem jeito. Gong Pyeonghwa estalou a língua por dentro, com pena. Bom, frango não é um prato para receber alguém.
Comida coreana quem faz melhor é a minha sogra. Tsc!
Gong Pyeonghwa, pressentindo que seria uma refeição insatisfatória, transmitiu a novidade a Saebyeok por telefone.
— Ele disse que vem direto do trabalho para o restaurante, então vamos também. Vamos, Isul. Hora da papinha.
— É hora da refeição. Não é papinha.
Isul, que nesse meio-tempo se aproximou ainda mais de uma adulta, corrigiu.
— Está bem. Hora da refeição da Isul. Hora da papinha do papai.
— Papinha é só do Roun. O papai também não come papinha.
— Você é exigente…
☆(*^о^)乂(^-^*)☆
— Secretário Kang, reserve um bom restaurante de comida coreana.
— Reservo um hanjeongsik?
— Eu queria um ambiente mais confortável. Que tenha coisas que as crianças também comam bem.
O secretário Kang selecionou restaurantes pensando no paladar de 3 anos da princesa Isul e num ambiente em que Roun, de 1 ano, não chorasse muito, e montou uma lista. Saebyeok escolheu um deles.
— Secretário Kang.
— Sim?
— …Deixa para lá.
Que conversa eu vou ter com você. Ai, ai.
Saebyeok tentou acalmar o coração perturbado.
Pensar que era mesmo um ômega homem.
Por mais que ele cuidasse bem das crianças, era incômodo. Talvez por assistir a muitas novelas absurdas convivendo com Gong Pyeonghwa, os enredos escandalosos não paravam de lhe vir à cabeça.
Incômodo. Incômodo. Incômo… Não, simplesmente eu não gosto que alguém que não seja eu, que não seja da minha família, esteja dentro da minha casa.
Isso é posse? Algo assim? Mas nem eu nem o Pyeonghwa podemos parar de trabalhar e só cuidar das crianças.
— D-diretor?
— …
Saebyeok alisou o documento que amassara sem perceber e recitou a tabuada ao contrário por dentro.
— Diretor, er, por acaso, se eu, fiz algo errado…
Kang Taehui levantou-se do assento para se ajoelhar rapidamente.
— Não. Não é isso.
— E-então por que…
— É que, de repente. Eu. Puxa. Percebi como sou mesquinho.
De algum modo, a temperatura do escritório parecia ter caído uns 5 graus.
“Será que ele finalmente descobriu a traição?!”
Kang Taehui, com a ilusão vã de que talvez em breve Saebyeok o chamasse a sós, sentiu o coração palpitar.
Quem devia lhe dar o título de concubina não tinha a menor intenção, mas o secretário Kang, sozinho, sorveu até o fim do expediente uma sopa imaginária e sórdida e levou Saebyeok até o destino.
O lugar não era a residência, como de costume, mas um restaurante de comida coreana nos arredores da província de Gyeonggi. Era um lugar escolhido pensando em um clima simples e uma comida modesta, mais do que em uma recepção formal.
— Secretário Kang, obrigado pelo trabalho. Pode ir.
Ali dentro está meu rival desconhecido — não, o cuidador dos nossos filhos.
Saebyeok não era alguém que perdesse para ninguém, mas nas novelas absurdas, quanto mais alto o padrão, mais se perde para o vilão de baixo padrão.
“Preciso parar de ver novela absurda.”
Gong Pyeonghwa e o candidato a cuidador pareciam já ter chegado, pois os sapatos estavam enfileirados com capricho.
“Não gostei.”
Por que os sapatos estão enfileirados com capricho? Por que tem sapato de outra pessoa ao lado do sapato de Gong Pyeonghwa, por que tem sapato de outra pessoa ao lado do sapato da nossa Isul!
Saebyeok entrou recitando calmamente por dentro as casas decimais do número pi.
— Amoor!
— Papaai!
Ao abrir a porta de correr, Gong Pyeonghwa e Isul já esperavam ali, de braços abertos, diante da porta.
O clima de inquietação se extinguiu num instante. Bem, era uma inquietação absurda.
— Você se esforçou muito hoje.
— Booom trabalho.
Saebyeok entrou uma vez em cada par de braços abertos e examinou o cuidador com os olhos.
Ao vivo era melhor do que na foto. Aparência de vinte e poucos, quase trinta, com olhos gentis. Unhas limpas e trajes asseados.
Talvez por nervosismo, os ombros pareciam rígidos e, ainda que pouco, escapava algum feromônio. Era o mesmo cheiro que grudou em Gong Pyeonghwa.
— O-olá. Sou Nam Uri.
O jeito de se curvar era exatamente o de um professor de jardim de infância. Saebyeok retribuiu o cumprimento.
— Olá, vamos comer primeiro?
Saebyeok sentou-se e pegou Roun no colo. Roun sorriu radiante e se aninhou em seu peito.
Pratos servidos com capricho entraram um a um e encheram a mesa.
— Nossos filhos não dão muito trabalho?
— Oh, n-nem um pouco.
Começara o horário da entrevista do diretor Shin Saebyeok. Gong Pyeonghwa, com jeito, desfiava peixe sobre o arroz de Roun e de Isul.
Isul sabia comer com elegância, como uma princesa, e Roun ainda tinha seu jeito desajeitado.
Ambos eram fofuras que ele colocaria no olho sem doer. Gong Pyeonghwa, tomado por um amor paterno transbordante, largou a própria refeição e, com o queixo apoiado na mão, só cuidava da refeição de seus filhotes.