Capítulo 20
Extra 2 Romance!
Gong Pyeonghwa despediu-se de Saebyeok e reexaminou os currículos.
Os selecionados após a segunda fase de triagem eram nove no total. Oito eram mulheres, e só um era homem. As entrevistas também tinham corrido de forma razoável.
— Próximo, por favor. Senhor Nam Uri?
Era um homem de traços delicados. Talvez não fosse do tipo desinibido, pois entrou sorrindo timidamente.
O nome ser Nam Uri. Segurando a vontade de brincar dizendo “Uri, nós somos estranhos?”, Gong Pyeonghwa fingiu folhear os documentos.
— Posso perguntar o motivo de ter se candidatado?
— Ah, sim! É que eu gosto de crianças.
Um homem gostar de crianças? Isso é meio suspeito. Ponto negativo. Gong Pyeonghwa, um pai de filha que desconfiava de tudo no mundo, dava notas com rigor.
— E também gosto de tarefas domésticas…
Hum. Ponto negativo mesmo assim.
— Na verdade, eu me sinto mais à vontade com pessoas mais novas do que com gente da minha idade ou mais velha.
Oh. Ponto negativo total. Quantos casos existem de gente que comete grosserias justamente por se sentir à vontade.
— Por acaso você gosta de atividades ativas? Futebol, escalada, algo assim.
— Oh. Não. Eu sou péssimo em me mexer… M-mas eu g-gosto de brincar com as crianças.
Oh. Não há motivo para contratá-lo?
— É que eu vim de um orfanato, então desde pequeno eu precisava cuidar muito das crianças. De recém-nascidos até crianças do primário, eu cuidava de todos. Assim eu descobri que cuidar era minha aptidão, então cursei pedagogia infantil na faculdade e também tenho experiência de trabalho em creche.
— Por que você saiu de lá?
— Ah…
O homem, talvez ansioso, mexia os lábios sem parar e remexia os dedos.
— Senhor Nam Uri?
— Ah, é, bem, é que… Eu, eu sofri assé… assédio sexual do marido… da diretora…
Uau.
— Você passou por algo difícil.
Se é verdade ou não, não sei bem qual é a credibilidade disso.
— Como o senhor deve saber bem, é fato que, do ponto de vista de um pai com uma filha, um cuidador homem é um pouco incômodo.
— E-eu entendo! Claro! Porque o mundo anda enlouquecido. Pessoalmente, eu acho que pedófilo é pouco até se for despedaçado.
Oh. Isso coincide com os meus valores. Ponto positivo.
— Isso não faz sentido. Dizer que foi por amor, que o outro provocou, ficam falando um monte de absurdos… Deixar sujeitos assim vivos, fazê-los cumprir uma pena ridícula e soltá-los de volta na sociedade não faz o menor sentido.
Ele diz coisas corretas.
— Então, eu entendo perfeitamente a sua preocupação.
Ele parecia mesmo uma pessoa decente.
Passando Nam Uri de “reprovado na entrevista” para “em análise”, Gong Pyeonghwa abriu, como sempre, seu sorriso simpático.
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— De qual pessoa a Isul gosta?
— Desta pessoa!
Isul escolheu, apontando exatamente para Nam Uri.
— Por quê?
— Porque o cabelo é curto!
— O que tem o cabelo ser curto?
— É mais confortável! Fami! Liar!
Familiar? Isso também é porque ela só tem dois pais? Gong Pyeonghwa ficou pensativo olhando o currículo de Nam Uri, o único escolhido.
“O que será que o Saebyeok vai dizer?”
Gong Pyeonghwa esperou Saebyeok em frente à sede da Baeksan com Isul.
Já que estavam ali, poderiam jantar juntos.
Não dava para evitar a sensação de estar excluindo Roun, mas levar as duas crianças sozinho poderia ser perigoso.
Os olhos de uma pessoa são dois, as mãos também são duas, as pernas também são duas. Especificações lamentavelmente insuficientes para cuidar de duas crianças ao mesmo tempo.
Gong Pyeonghwa segurou a mão de Isul e esperou Saebyeok sair.
— Quando o papai vem?
— Ele vem já, então vamos esperar um pouquinho. Vamos dar um susto no papai Saebyeok!
— Susto!
Cansada de correr animada pelo jardim com um cachorro de 1 ano, os olhos de Isul, que já se fechavam pela metade, logo se arregalaram e recuperaram a energia.
— Quando o papai vem?
Perguntava a cada 30 segundos a que horas Saebyeok sairia, sacudindo-se na cadeirinha.
Pois é. Por que o pai de vocês não sai. Quando Gong Pyeonghwa, encarando a saída, já estava com os olhos em formato de triângulo, Saebyeok finalmente saiu.
Hoje também está com aquele secretário alfa insolente.
— Isul. O papai é mais bonito que o moço secretário, né?
— Sim! O papai tem uma pintinha e, quando ri, faz buraquinho na bochecha.
— É minha filha mesmo.
Gong Pyeonghwa, junto com Isul, escondeu-se atrás de uma coluna, andando na ponta dos pés.
— Quando eu contar um, dois, três, a gente faz “buu!”. Entendeu?
— Sim! Uuum-!
Gong Pyeonghwa e Isul, animados, contaram dobrando até os dedos. Um, dois…
— Buu.
No instante em que contaram o “três” final!
— Iiiih!
— Ai! Que susto!
Saebyeok, com o secretário Kang atrás dele, ofereceu primeiro a surpresa aos dois.
— C-como você soube?
— Simplesmente dá para sentir o seu cheiro… né…? Que cheiro é esse?
Saebyeok franziu o cenho e agarrou a gola de Gong Pyeonghwa, aproximando o nariz.
— Ah, amor. A gente está na rua agora, f-fazer isso na rua me deixa muito… bem, na verdade?
Não é vergonha? Ele tem exibicionismo? O secretário Kang ficou horrorizado.
Pouco importava: Gong Pyeonghwa, de excelente humor, passou o braço pela cintura de Saebyeok e colou ainda mais o corpo.
— Que cheiro é esse?
Gong Pyeonghwa sussurrou baixinho, só para Saebyeok ouvir:
— Cheiro obsceno? Hein?
— Não.
Saebyeok, sem sinal de que a testa fosse desfranzir, olhou Gong Pyeonghwa com um rosto cheio de irritação, como quem interroga.
— Está com cheiro de ômega.
Explique-se.
Quando Saebyeok ficou sério, Gong Pyeonghwa só então percebeu a gravidade da situação e farejou o próprio corpo. Que cheiro? Não parece ter cheiro. Tem?
— Não, eu acho que não tenho cheiro? Que cheiro você está dizendo? Eu estou com algum cheiro? Isul, o papai está com algum cheiro?
— Cheiro de hambúrguer.
— Você deu hambúrguer para a Isul?
Gong Pyeonghwa e Isul estremeceram ao mesmo tempo.
— Não?
— Não, né?
Qualquer um veria que eram pai e filha que tinham comido hambúrguer.
— Secretário Kang.
— Sim? Sim!
— Você é alfa, né? Parece que o meu marido está com cheiro de ômega; será impressão minha? Posso pedir que confirme?
Só na forma era um pedido; diante do clima de ordem, o coração de Kang Taehui palpitou.
Kang Taehui aproximou-se de Gong Pyeonghwa e cheirou. Para captar bem o cheiro, chegou a enfiar o nariz na nuca de Gong Pyeonghwa e farejou.
“Esse desgraçado? Não está encostando demais no marido dos outros?”
“Esse sujeito é fetichista por alfa? Por que está grudando desse jeito?”
Mas não eram só os dois do casal que estavam incomodados.
— Moço! Por que está grudando no meu papai?
Isul protegeu a paz da família com o corpo inteiro. Quando ela empurrou a perna de Kang Taehui e o repreendeu, ele riu sem graça e disse:
— Com certeza. Há cheiro de um ômega diferente do diretor.
Oh. Isso quer dizer que você conhece o cheiro do nosso Saebyeok? Você conhece o cheiro do meu ômega?
— Eu estou muito injustiçado. Que ômega existe na minha vida além de você? Você sabe.
— Eu sei, mas, irritantemente, você trouxe um cheiro estranho de algum lugar.
Saebyeok tivera uma noite incrível, mas, como efeito, estava com a lombar dolorida. Hoje passou o dia inteiro ocupadíssimo com reuniões, encontros e trabalho externo. Ansiou o tempo todo apenas pela hora de ir embora. Queria chegar logo em casa e fazer compressa ou massagem, mas o marido, que devia estar comportado em casa, ficava circulando por aí e trouxe o cheiro de ômega — não dava para sair coisa boa da boca. E não era um cheiro qualquer: por que logo cheiro de manga?
— Irritado? Hein? Irritado?
Gong Pyeonghwa cutucava Saebyeok de leve, perguntando se estava irritado.
— Uau. Você me ama demais…
Ou não? De todo modo, Shin Saebyeok foi cutucado.
— Mas a Isul está ouvindo, então palavrão? Não pode.
Gong Pyeonghwa pressionou os lábios de Saebyeok com o dedo e beijou levemente sua bochecha.
Com o beijo, Saebyeok se deu conta e, tardiamente, olhou Isul e sorriu. Quando controlou a expressão fingindo que era brincadeira, Isul piscou os olhos bem abertos e riu, envergonhada.
— Não po-de.
Isul imitou as palavras e a expressão severa de Gong Pyeonghwa e colocou as mãos na cintura.
— Não pode. Vocês dois façam as pazes!
Ah, que… Como se faz isso aqui? Saebyeok sorriu com malícia e abriu os braços.
— V-vamos fazer em casa. Em casa.
Isul, você ainda não sabe, mas o papai tem uma coisa chamada decoro social.
— Não po-de! Tem que fazer na hora!
— Isso mesmo! Me abraça logo!
Ah, droga, quem diria que a desculpa que dei quando fomos flagrados nos agarrando voltaria assim.
Sem querer virou uma regra da casa: quando brigavam e faziam as pazes, precisavam se abraçar apertado, se beijar e gritar “eu me arrependo e eu te amo”. Fazer isso em frente à empresa era meio…
— Se-secretário Kang, vá direto para casa.
— Como?
— Vá para casa. Vá.
Quando o encarou com ar de que o mataria se não fosse embora, o secretário Kang, sem jeito, logo se curvou dizendo que então iria.
Saebyeok olhou ao redor com velocidade impressionante e abraçou a cintura de Gong Pyeonghwa com rapidez e força, como se fosse aplicar uma chave de braço.
E, então, disparou como uma metralhadora o arrependimento e a declaração de amor, e deu um beijo qualquer. Só então Isul, satisfeita, bateu palmas e relaxou a expressão.
— …Estou muito cansado. Sério.
— Eu te faço uma massagem em casa. Vamos logo.
Gong Pyeonghwa pressionava com o queixo o alto da cabeça de Saebyeok e falava como quem consola.
Massagem uma ova. É só chegar em casa. Vou abrir uma comissão parlamentar de inquérito na hora.
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— Pelo modo como o feromônio grudou, não foi alguém que só passou por você. Parece que vocês ficaram juntos pelo menos uma hora.
— Eu hoje fiquei quase o tempo todo em casa. Fiz as entrevistas, saí para passear com a Isul e, já que estava na rua, fui te buscar. Solicito a Isul como testemunha.
— Então havia algum ômega entre os candidatos da entrevista? Mas você não percebeu, a ponto de o feromônio grudar assim?
— Eu realmente não sei…
Gong Pyeonghwa parecia mesmo não sentir cheiro algum. A esse ponto era só cheiro de amaciante, não?
Pensou que seu nariz estivesse com problema, mas, como Saebyeok e até o secretário Kang diziam que havia cheiro de ômega, talvez eles estivessem certos.
— Ha, não é que eu esteja desconfiando de você; é só que não dá para evitar ficar de mau humor, então entenda.
— Eu entendo.
Antigamente, quando sentia cheiro de outro alfa em Saebyeok, também ficava de mau humor. Além disso, dava até um friozinho gostoso, como se ele fosse amado. Quando não se tem culpa no cartório, esse nível de desconfiança e ciúme é motivo de orgulho.
— Pode cheirar mais o meu cheiro. Vamos deixar isso bem claro. Enfia o nariz na minha clavícula agora.