Capítulo 18
“O que é isso? Estou com uma raiva do caralho.”
Gong Pyeonghwa, ao encontrar sua 57ª morte pela espada de plástico de Isul, ficou estranhamente furioso.
Será que é porque ontem parou no meio? Gong Pyeonghwa procurou a causa daquele desconforto inexplicável, mas nada lhe ocorreu.
— Papaaaaai-!
Meu filhote pterodáctilo… Gong Pyeonghwa ergueu no colo Isul, que veio correndo em disparada. A princesa, que já sabia rir como um pirata fazendo “quê-hehek”, não dava sinais de cansaço.
— Isul, shhh.
Saudável e enérgica, tudo ótimo, mas Roun tinha acabado de adormecer e, por ora, ele gostaria que ela fosse um pouquinho menos enérgica.
— Moça, vou passear com a Isul.
— Boa saída.
A babá, talvez também aflita com a possibilidade de Roun acordar, despediu-se com olhos trêmulos, como quem diz “vão logo”.
— Papai, aonde a gente vai?
— Vamos ver o auau?
Ao ouvir “auau”, Isul arremessou longe a tiara de orelhas de coelho.
Gong Pyeonghwa colocou Isul na cadeirinha e dirigiu com segurança.
O destino era a casa dos sogros.
Depois que Gong Pyeonghwa e Saebyeok se mudaram, e com Noeul indo para a faculdade, o tempo em casa diminuiu muito, e o presidente Shin trouxe um cachorro para a casa por causa da senhora Lee, que andava solitária. Era um bichinho que o casal presidencial foi buscar de mãos dadas e adotou depois de muito pensar.
— Au! Au-au!
O nome desse bichinho, da mesma idade de Roun, era Kkotdong, e achavam que fosse vira-lata, mas descobriram que era um coton de tulear.
— Auau!
O que era capaz de vencer a energia de uma criança de 3 anos era apenas um cachorro à altura dela.
— Hehe… Sogra…
— Ai, meu Deus…
Vendo Gong Pyeonghwa em frangalhos, a sogra limpava abalones com calma.
Gong Pyeonghwa, mestre em se fazer de coitado, de vez em quando ia até a sogra e se fazia de coitado assim. Na casa dos pais isso não colava, mas a sogra tinha ótimas reações.
Como cuidar de crianças era realmente mais difícil que exercício físico, também não era totalmente atuação.
— Sogra… Eu amo demais nossos filhos… mas fico tão triste…
Eu quero transar com o seu filho, dar o nó e fazer a marcação, mas a sua neta e minha filha fica atrapalhando. Assim, quando é que eu vou fazer tudo isso?
Quando ele fingiu chorar aos berros, a senhora Lee lhe deu tapinhas nas costas dizendo que criar filhos era assim mesmo.
— Snif. A senhora… não entende o meu coração!
A senhora não entende! O Saebyeok e a Noeul têm dez anos de diferença! No nosso caso, quando um chora, o outro chora também! Quem são essas pessoas que têm filhos com um ano de diferença? Dois anos de diferença já é tão difícil!
— Ai, meu Deus.
— Mesmo gastando toda a energia deles, eles ainda acordam uma vez de madrugada… A Isul acorda, né? Aí o Roun acorda também… O Roun, quando é noite, acorda de hora em hora… E aí chora de novo… Se eu pergunto por que está chorando, ele não responde… Nesse meio-tempo a Isul acorda completamente… Aí eu tenho que brincar com ela de novo…
E nesse meio-tempo o Saebyeok dorme… Quando é que eu, quando é que eu…?
Ao se lembrar do marido adormecido, desta vez o nariz ardeu de verdade.
— Se for difícil, é só me dizer a qualquer hora, eu ajudo no que estiver ao meu alcance. Tá?
— Snif! Sério?
— Claro. São meus netos.
— Eu! Sou um sujeito abençoado demais! Sograaa!
Gong Pyeonghwa, que extorquiu em sequência os benefícios de desabafar com a sogra, comer canja com abalone e gastar a energia de Isul, ficou animado tagarelando com ela.
— Puxou a quem, afinal. Definitivamente puxou mais o Saebyeok do que a m… Quem é? Será que o sogro já chegou?
— Vovô?
Ao que exatamente eles reagiram? Não houve som algum, mas não só Gong Pyeonghwa, como Isul e até Kkotdong correram para a entrada.
“Qualquer um veria que ela puxou mais o genro Gong do que o Saebyeok.”
A senhora Lee riu por dentro e recebeu Noeul.
— Oh, cunhadinha. Está maquiada.
— Oh, mana. Que linda.
Qualquer um veria que eram pai e filha idênticos.
— Princesa Isul! O que a traz aqui?
Noeul ergueu Isul no colo.
— O papai disse pra vir, aí eu não tive escolha e vim! Eu!
— Uau. O papai está pasmo agora.
— Mana, por que você está tão linda hoje?
Está ignorando o papai? Gong Pyeonghwa, sem perder nem a menor oportunidade, terminou de se fazer de coitado para a sogra, dizendo que era assim que ele vivia.
— Eu não sou mana, sou tia, viu?
— Não! Tia é gente velha! Mana é mana!
Bem, Gong Sarang e Shin Noeul serem ambas “tias” era meio. Gong Pyeonghwa, terrivelmente frio com os próprios parentes, assentiu discretamente, como se concordasse com Isul.
— Mas, cunhado, o que aconteceu de verdade?
— É que eu não quero morrer…
— Como?
Noeul, que desconhecia a grande e atrapalhada aventura da princesa coelha Isul, inclinou a cabeça.
— Vocês vão jantar aqui, né?
— Não? Já está na hora de ir. Senão o Saebyeok janta sozi…
Noeul cutucou discretamente sua lateral. Ele perguntou o porquê e se era por causa da sogra.
A senhora Lee, que já tirava a panela de arroz exclusiva de Gong Pyeonghwa achando óbvio que eles comeriam ali, ficou com o rosto abatido e acariciou a panela.
— …O Sae-byeok-disse-que- queria comer abalone.
Quando Gong Pyeonghwa disse algo não combinado com Saebyeok, que comera abalone desde a manhã, a senhora Lee perguntou de leve se não seria bom comerem ali, já que havia chegado bastante abalone.
— O Saebyeok vai gostar. Em vez disso, hoje eu vou dizer para ele vir comer em Seongbuk-dong.
Gong Pyeonghwa digitou no teclado do celular numa velocidade impressionante, como quem mostra o que é a geração MZ.
☆(*^о^)乂(^-^*)☆
Fim do expediente. Fim do expediente. É o fim do expediente.
Saebyeok, que não conseguira se concentrar no trabalho por causa da tiara de orelhas de coelho, saiu da empresa com sensação de fuga da prisão.
Como era fim de semana, planejava deixar as crianças com alguém por apenas um dia e passar esse dia inteiro num tempo adulto e picante.
— O senhor vai direto para casa?
— Sim.
— Vou levá-lo com segurança!
Kang Taehui segurou o volante todo entusiasmado. Dirigia com suavidade, com a aspiração de conquistar o coração do diretor com sua habilidade incrível ao volante.
Olhava para o espelho de tempos em tempos para ver a reação de Saebyeok.
Saebyeok olhava o celular com uma expressão séria.
— Por acaso aconteceu alguma coisa? A sua expressão…
— Ah, é que tenho uma coisa para procurar. Não estou achando. Não se preocupe.
Saebyeok respondeu sem tirar os olhos do celular. Como aquilo parecia intelectual.
“Ele deve estar trabalhando de novo, né? Como pode alguém ser assim? Que incrível.”
Era uma postura profissional e ascética, sem qualquer relaxamento nem no caminho de volta.
Enquanto Kang Taehui interpretava tudo de Saebyeok em escala nanométrica e se maravilhava, Saebyeok rolava a tela sem parar.
“Ah, droga. Não tem o tamanho do Pyeonghwa.”
Saebyeok, aparentemente intelectual e profissional, por dentro estava mais lascivo do que ninguém, pesquisando fantasias sexy para vestir em Gong Pyeonghwa.
Comparadas às fantasias sexy femininas, a maioria fazia duvidar por que diabos entravam na categoria “sexy”, e entre elas, as que ele mais ou menos gostava não tinham tamanho.
— Ha…
Assim a Coreia vai crescer? Por não ter conseguido nem uma fantasia sexy, Saebyeok se preocupou com o destino do país e soltou um suspiro fundo.
Não uns trapos de tela, mas algo que estimula o desejo profundo, o abismo interior que nem ele conhecia.
— Fu…
Não. Ainda é cedo para desistir. Saebyeok voltou a se concentrar na tela do celular.
Enquanto olhava roupas nas quais não conseguia sentir nenhuma sensualidade, chegou uma mensagem do homem sexy Gong Pyeonghwa.
♥Meu marido♥
Amoor♡ hoje a gente vai jantar na casa dos meus sogros, então vem direto para a casa de Seongbuk-dong♡
O quê? Por que estão na nossa casa? Quando perguntou o que estava acontecendo, pouco depois veio a resposta. Entendendo a situação, Saebyeok riu e disse ao secretário Kang:
— Desculpe, mas vá para a casa de Seongbuk-dong. Preciso passar na casa dos meus pais.
— Ah, sim!
Parecia ter surgido algum problema. Depois de tantos suspiros, ir para a casa dos pais? Será que ele tem algo a discutir com o presidente? Kang Taehui dirigiu com todo o cuidado até a casa de Seongbuk-dong, rezando para que não fosse nada grave.
— Vá direto para casa. Obrigado pelo dia de hoje.
— N-não! Depois eu o levo para casa!
— Não precisa, pode ir.
Kang Taehui ficava enrolando, medindo a situação. Ora, se mandam ir embora, é para ficar animado. É uma pessoa realmente estranha.
— Saebyeok, por que você não entra?
Gong Pyeonghwa, com uma audição digna de um cão de guarda, que já ficava de prontidão na entrada só de ouvir o barulho do carro, acabou saindo até a porta e resmungando.
— Ah, o secretário novo?
Ele não entrou porque estava conversando com o secretário? Gong Pyeonghwa escaneou Kang Taehui.
— Prazer. Sou o marido dele.
Era um alfa masculino típico. Altura acima da média dos betas, físico robusto, traços marcados — um rosto que provavelmente fazia sucesso. Pensar que um sujeito daqueles ficava grudado no cônjuge o tempo todo era desagradável.
“Será que é esse o cara que bebeu e aprontou com o meu marido? Que insolente.”
Gong Pyeonghwa ofereceu um aperto de mão com o rosto sorridente.
— Haha, nosso secretário tem uma ótima impressão.
— Prazer. Sou Kang Taehui, o novo secretário do diretor.
Como lhe ofereceram a mão, ele apertou, mas Kang Taehui não gostou de Gong Pyeonghwa.
“Cara de gigolô.”
Já sentiu isso ao ver as fotos na mídia, mas ele tinha cara de quem faz jus à própria beleza. Pelos boatos que circulavam pela empresa, ele nem trabalhava e ficava vagabundeando em casa gastando o dinheiro que Saebyeok ganhava; e, de fato, era uma aparência que combinava com essa devassidão.
— Uau. Nosso secretário é tão bonito que devem não deixá-lo em paz.
Por causa do tom leve e da abordagem invasiva que gerava mal-entendidos, parecia ainda mais assim.
“Desde quando somos íntimos para dizer ‘nosso’? Hunf. Meu diretor merece coisa melhor.”
Kang Taehui, contendo o ar amuado, forçou um sorriso.
— Não me deixam em paz, mas eu não tenho namorado.
— Oh. Comigo também não me deixam em paz.
Gong Pyeonghwa passou o braço pela cintura de Saebyeok, que mais do que ninguém não o deixava em paz.
— Hoje também não vai me deixar em paz?
— Dependendo.
Ele insinuou discretamente a ambiciosa aspiração de devorá-lo, dependendo de Isul e Roun. Gong Pyeonghwa entendeu de imediato e abriu um sorriso enorme.
— Foi um prazer conhecê-lo; cuide bem do meu marido.
Kang Taehui cumprimentou o casal com toda a formalidade, mas seu humor estava imundo, como se tivesse caído num esgoto.
Ao apertar a mão de Gong Pyeonghwa, ele acabou vendo.
Dentro da gola de Gong Pyeonghwa, num lugar impossível de alcançar por acidente ou acaso, havia uma marca nítida de batom.
Que um sujeito tão sem-vergonha ouse fazer isso com o meu diretor! O diretor ainda não deve saber, né? Não haveria motivo para continuar com alguém sabendo que é sem princípios e devasso.
Espero que meu diretor não se magoe demais, mas…
“Essa ferida eu também posso curar.”
Kang Taehui foi embora com um pouco de preocupação e uma expectativa um pouco maior do que ela.