Capítulo 17
Confirmar se o pai voltava do trabalho sem nem conseguir abrir os olhos parecia ao mesmo tempo um maltês com o pelo amassado que dormiu esperando o dono, e a imagem de um pai conservador e severo quanto ao toque de recolher.
— Sim, sim. O papai chegou. Ele estava tão cansado que chegou e já foi dormir, ron-ron. Vamos cumprimentá-lo amanhã de manhã. Tá?
— Tá. Sonha comi…
Isul segurou a cauda do braquiossauro e voltou ao seu quarto arrastando o boneco pelo chão. Às vezes parecia não uma criança comum de 3 anos, mas uma criança de 3 anos na segunda vida.
O coração batia mais forte do que em qualquer clímax. Gong Pyeonghwa mal conseguiu proteger a inocência de Isul e fechou a porta.
Saebyeok estava de costas, coberto pelo edredom, fingindo dormir com medo de que Isul flagrasse a cena — mas, talvez por estar lânguido depois de gozar algumas vezes, nesse meio-tempo tinha realmente adormecido.
— …
Mas hoje pelo menos a gente fez.
Gong Pyeonghwa tirou solitariamente a fantasia sexy manchada de sêmen e se enfiou, se remexendo, ao lado de Saebyeok.
Mas tinha alguma coisa para fazer? Sentia um incômodo, como se tivesse esquecido algo.
— Não deve ser nada demais, né?
— Hmm…
Sem dar muita importância, Gong Pyeonghwa limpou o corpo do marido adormecido e se cobriu com o mesmo edredom.
Ainda assim, só de terem feito aquilo, o corpo estava leve, e isso era exatamente felicidade.
— Eu te amo.
Gong Pyeonghwa espalhava chuva de beijinhos pelo rosto de Saebyeok adormecido, exibindo seu afeto.
— Hmmm… Eu também… amo… você…
Saebyeok, recebendo ataques de amor de Gong Pyeonghwa tanto no sonho quanto na realidade, devolveu na mesma medida.
Diante da graça de responder, mesmo falando dormindo, Gong Pyeonghwa abraçou Saebyeok com força e fechou os olhos.
Ah, mas o que foi mesmo que eu esqueci?
☆(*^о^)乂(^-^*)☆
Saebyeok, que fizera sexo para marcar mas acabara apenas fazendo um sexo maravilhoso, ficou constrangido ao chegar ao trabalho e ver o secretário Kang se ajoelhar assim que o viu.
— Cometi um crime imperdoá…
— Chega, levanta.
Ele é do período Joseon? Era uma cena perfeita para gerar polêmica de abuso de poder à toa.
— Eu preferia que você bebesse apenas quando estivesse com amigos. E nunca além do seu limite.
— Sim, sim! Vou gravar nos ossos!
Que ele não fique só nas palavras.
Se fosse ontem, teria sido demissão consensual na hora, mas Saebyeok, que ficou benevolente graças à experiência agradável da noite, decidiu observar mais um pouco.
“O talento foi do Pyeonghwa, mas por que quem colhe o benefício é o secretário Kang?”
Considere-se sortudo. Saebyeok pensou, meio a contragosto, e se concentrou no trabalho da manhã.
Enquanto respirava por um instante, o secretário Kang percebeu com precisão e trouxe um café coado.
— Não contratei você para passar café, então faça apenas o trabalho. Eu também tenho mãos.
— M-mesmo assim.
Vendo-o corar dizendo “mesmo assim”, parecia existir um mínimo de pudor.
— Vou beber com gosto. Obrigado.
Enquanto tomava café e voltava aos documentos, sentiu o secretário Kang olhando de esguelha o tempo todo. E agora? Quando Saebyeok perguntou se ele tinha algo a dizer, o secretário Kang respondeu como se esperasse por isso:
— Como o senhor vai fazer o almoço?
Ah. Já é hora do almoço. Saebyeok não estava com apetite. Como usou um pouco de força na noite passada, comera um prato revigorante reforçado desde a manhã… Ahem, ontem foi bom, né? Ainda pairava diante de seus olhos a bunda maliciosa de Gong Pyeonghwa.
— Se tiver algum prato que o senhor queira comer, eu!
— Coelho…
Como é que ele pensou em vestir uma coisa dessas? Eu devia ter dado uma mordida naquilo.
— Ensopado de coelho?
— O quê?
— O-o almoço…
Saebyeok disse que não estava com vontade e mandou que a equipe de secretariado comesse por conta própria. O secretário Kang olhou Saebyeok com olhos cheios de apego, mas Saebyeok não estava interessado.
Na hora do almoço já está quase na hora de a princesa ligar.
Vrrr-!
Isso aí.
Saebyeok atendeu a ligação. Na tela, em vez de Isul, aparecia Gong Pyeonghwa preenchendo tudo.
Ele acenou para Saebyeok sem falar nada e apontou a câmera para Isul. A princesa Isul, com uma tiara de orelhas de coelho fofa, erguia bem alto uma espada de plástico e corria pelo sofá. Vendo que amarrara um cobertor no pescoço como capa, hoje ela devia querer ser uma guerreira.
— A Isul está animada.
—Nem me fale. Você sabe quantas vezes eu morri hoje?
Ai, ai. Quando Saebyeok riu e perguntou quantas vezes ele morreu, Gong Pyeonghwa pediu que ele apenas soubesse que morrera de cinco em cinco minutos. Deve ter sido uma manhã difícil.
— Mas essa tiara de orelha de coelho eu nunca vi. Vocês foram passear em algum lugar?
— Não? Aquilo é aquilo. Conjunto com a roupa de ontem. Sei lá onde ela achou, disse que era dela e desde de manhã está usando toda animada. Ela disse que quando crescer vai virar coelho.
Vou enlouquecer. Anteontem ela era um dinossauro.
— Não, espera. Conjunto com a roupa, aquilo?
— Sim.
Viu Gong Pyeonghwa olhando parado, como se perguntasse qual era o problema. Você acha que não tem problema agora?
— Mas por que você não usou ontem?
— Sei lá? Tiara é óbvio demais? Aí não parece surpresa.
Ha, mas podia ter feito o conjunto completo. Já que ia vestir, podia ter feito isso.
— Por quê?
— …Nada…
Para dizer, em plena luz do dia, que da próxima vez ele queria o bunny boy em conjunto completo, Shin Saebyeok não tinha a cara de pau necessária. Ainda mais na empresa.
— E o almoço?
— Comi algo simples. Depois de morrer e ressuscitar a manhã inteira, o apetite ficou mais ou menos. E você?
— Eu também comi muito bem no café da manhã, então vou comer daqui a pouco.
— Está bem de saúde?
Estava com a lombar dolorida e a região abaixo dela também dolorida, mas estava razoavelmente bem. Comparado a quando Gong Pyeonghwa entrava no rut, isso não era nada.
— Sim. Firme e forte.
— Então que bom. Você não vai jantar fora hoje, né? Tem algo que queira comer?
— Sei lá. A Isul não quer nada? Se eu pensar em algo, eu aviso.
Isul pulava e soltava gritos de pterodáctilo.
— Então eu vou morrer de novo… Até mais tarde, meu amor. Beijo, beijo.
Lamentavelmente, a solene declaração de morte lhe arrancou uma risada. Saebyeok segurou o riso e se despediu de Gong Pyeonghwa.
Depois de uma ligação de no máximo cinco minutos, era como se a energia esgotada se carregasse por completo.
Quando Saebyeok já tinha resolvido quase todo o trabalho acumulado, os secretários voltaram do almoço.
O secretário Kang colocou discretamente mais uma coisa sobre sua mesa; pelo visto, era um sanduíche.
— O nosso secretário Kang tem uma consideração especial pelo diretor. Preciso seguir o exemplo.
Não, eu disse que não estou com apetite. Comi enguia e abalone desde a manhã, estou com a barriga cheia. Também não dá para compartilhar o cardápio energético que comi de manhã, poxa.
— Obrigado. Se eu ficar com fome, eu como. Mas não precisa se preocupar assim. Basta dar bom suporte ao trabalho.
— I-sso também! Vou! Fazer! Bem!
Será que eu o transfiro para vendas? Talvez seja a aptidão dele.
— …Sim. Vou ficar de olho.
— Hã! Em mim?
O secretário Kang corou, sabe-se lá pensando o quê.
Ora. Eu disse algo que não podia? Saebyeok lançou um olhar de justificativa aos outros secretários.
Os outros secretários apenas seguravam o riso e fingiam não saber; ora, isso é o quê. Bullying corporativo? Parecia até entender o que o gerente Dok sentia.
Enquanto continuava vendo os documentos, por mais que pensasse, aquilo não saía da cabeça.
“Por que ela não pôs a tiara de orelhas de coelho?”
Ficava pensando e imaginando. Não era uma imaginação apropriada para a empresa, mas ele tinha visto uma coisa ontem! Tinha feito uma coisa ontem!
— Ha…
Se eu pedir, ele faz, né?
— D-diretor, por acaso o senhor tem algum problema?
— Como? Não… Não tenho.
— S-será que é por causa do erro que eu cometi ontem…
Kang Taehui, com a consciência pesada, dobrou os joelhos com os olhos trêmulos.
— Nem pense em se ajoelhar.
Diante disso, o jeito como ele espiou e esticou de novo as pernas mostrava que, se ele não tivesse falado, ele teria se ajoelhado outra vez.
Saebyeok, que via pela primeira vez na vida alguém que se ajoelhava com tanta facilidade, disfarçou o constrangimento e tranquilizou o secretário Kang.
— Não é por sua causa, é o meu marido, quer dizer, é um assunto pessoal. Então não precisa ficar preocupado.
— E-então eu vou lhe dar uma consultoria! Sobre preocupações! Ou d-desarmonia familiar! O-os problemas do chefe também são meus problemas!
Ele é louco? Como é que eu vou contar que meu marido não colocou a tiara com a fantasia de bunny boy e que eu não consigo parar de pensar nisso e não consigo trabalhar?
— …Vou receber apenas a intenção, com gratidão. E não é um problema grave, então não se preocupe e continue trabalhando.
Na entrevista ele não era assim. O entusiasmo era tão grande. Ainda assim, entusiasmo em excesso é melhor do que caráter ruim.
Saebyeok deixou Kang Taehui atrapalhado para trás e voltou a se concentrar. Preciso terminar isso hoje para poder passar um fim de semana tranquilo em família.
Força!
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Kang Taehui se lembrava vagamente do que aconteceu ontem.
Foi um tempo como um sonho.
Tornar-se o braço direito da pessoa que ele admirava havia tanto tempo! E, como não bastasse, essa pessoa cuidou dele!
Só de imaginar o dia de ontem, o calor subia.
Sob o pretexto de relaxar a tensão, bebera demais e a memória ficou cortada aqui e ali, mas as lembranças importantes permaneciam.
O momento em que confessara metade do seu coração, o fato de ele ter vindo salvá-lo enquanto cochilava na rua bêbado, e o fato de que, mesmo pesado, ele o ergueu, carregou e o levou para a cama…
Ah!
Kang Taehui deu tapinhas nas bochechas ardentes para esfriar o calor.
O mais importante ele não lembrava, mas, considerando que a lombar estava dolorida ao acordar de manhã, com certeza…
— Ha…
O fato de ele estar perturbado assim que o viu de manhã lhe dava certeza.
Certamente, embriagado, ele seduziu o diretor; o diretor, sem alternativa, dormiu com ele, e por causa da culpa disso estava perturbado o dia inteiro.
“Para mim tudo bem só curtir. Eu estou bem! Pode usar meu corpo à vontade, diretor!”
Kang Taehui não sonhava, ousadamente, em ter esse tipo de relação com o diretor. Claro, claro que, se pudesse, seria ótimo.
Se houvesse desarmonia familiar, ao contrário do que a mídia mostra, se fossem um casal de fachada e ele não conhecesse o amor verdadeiro, ele até gostaria de lhe ensinar!
Mas não deve ser assim.
Ainda assim, Kang Taehui queria entrar em algum cantinho do coração de Saebyeok, onde quer que houvesse lugar. Nem mais, nem menos: só esse tanto já lhe bastaria para viver satisfeito e feliz.
Só que.
— Não é por sua causa, é o meu marido, quer dizer, é um assunto pessoal. Então não precisa ficar preocupado.
Hã? Suspirando por causa do marido? E, no meio disso, se preocupando se eu ficaria constrangido? Será que ele não é totalmente indiferente a mim? Será que eu fui bem ontem?
Se eu jogar bem, não tenho uma chance também?