Capítulo 14
— Papai.
Isul, encaixada bem no meio de Gong Pyeonghwa e Shin Saebyeok, olhou de um lado para o outro e disse:
— Hã?
— Hã?
— Sonha comigo. Hihi.
Isul riu como um anjo e fechou os olhos.
— Nossa Isul, durma bem também.
Saebyeok beijou a bochecha de Isul e fechou os olhos sem hesitar. Como não havia nada que se pudesse fazer com uma criança no meio, hoje o melhor era desistir e simplesmente dormir.
Noite avançada, com Isul e Saebyeok já adormecidos. Gong Pyeonghwa, estranhamente, sentia vontade de chorar.
Até o sorriso cheio de charme da filha que ele colocaria no olho sem doer lhe dava vontade de chorar, estranhamente.
Se colocasse Isul no olho agora, parecia que as lágrimas escorreriam aos borbotões.
— …Sim, durma bem, meu filhote… não, minha princesa…
Gong Pyeonghwa respondeu a Isul depois de um bom tempo e soltou um suspiro que era quase um sopro.
Fazer o papai virar patriota nesta noite… Nossa filha é mesmo uma filha exemplar, exemplar.
Gong Pyeonghwa repetiu o hino nacional por dentro até gastar e esfarelar.
A noite inteira.
☆(*^о^)乂(^-^*)☆
— Saebyeok.
— Pyeonghwa…
Hoje, sem falta, uma…
— Uáááh! Uááh!
Gong Pyeonghwa tentou todos os dias por quase uma semana. Mas, a cada vez, como agora, Roun chorava, Isul chorava, e os dois choravam ao mesmo tempo. Quando enfim as crianças pareciam dormir bem, Saebyeok fazia hora extra.
“Marcação que nada, meu pinto está a um passo de explodir.”
Como será que os pais de bebês do mundo inteiro fazem sexo? Como todos conseguem transar numa situação dessas? Como conseguiram dar um irmão para o primogênito?
Gong Pyeonghwa, pai de duas crianças, só conseguia achar seus próprios pais admiráveis.
Uma insatisfação sexual como essa era inédita em sua vida.
A marcação não era o importante. Isso, isso é, ah… Gong Pyeonghwa, de vez em quando, tirava suas partes para examinar no banheiro. Felizmente, até agora não tinha apodrecido nem explodi…
— …
Claro. O órgão sexual humano não apodrece nem explode assim tão fácil. Eu sei. Eu sei disso. Mas. Vai que, né.
Depois de concluir a verificação da segurança e do estado de saúde de seu órgão reprodutor, Gong Pyeonghwa jurou que, sem falta, faria a marcação — não, faria um sexo gostoso.
Ardia como um adolescente com desejo sexual de garoto.
Isolamento acústico perfeito, para que nem se Shin Saebyeok gritasse aos berros que estava bom demais eles acordassem; qualidade de sono de Isul e Roun, perfeita. Por precaução, deixou até música clássica tocando no quarto dos bebês.
Fralda OK, mamadeira OK, gastar toda a energia o dia inteiro OK. Só faltava o sono profundo.
“Meus bebês amados. Tenham montes de sonhos bons até amanhã. Sem acordar nenhuma vez.”
Gong Pyeonghwa se purificou em banho e ajeitou o espírito.
Lavou o corpo até rangir de limpo e vestiu uma fantasia sexy por baixo do roupão. Tendo concluído perfeitamente os preparativos para receber o favor real, Gong Pyeonghwa esperou Saebyeok.
Hoje Saebyeok tinha confraternização do departamento. A própria empresa tinha um clima de evitar confraternizações, e Saebyeok, como bom homem casado dedicado à família, preferia confraternizações no almoço ou jantares sem álcool.
Uma vida com noites livres, uma vida dedicada à família, o atalho para a paz mundial. Hoje também Saebyeok, que sabe proteger a paz do lar, voltará logo.
Gong Pyeonghwa preparou perfeitamente camisinhas e lubrificante, alguns brinquedos para animar e uma iluminação para criar clima, tudo em nome de um sexo rápido e divertido, e esperou Saebyeok.
“Ele deve voltar antes das 9, né?”
Gong Pyeonghwa acalmava o Júnior Gong Pyeonghwa, já animado, e esperava, esperava Saebyeok.
Quando é que ele vem? Quando já estava de pescoço esticado de tanto esperar, chegou uma ligação de um número desconhecido.
Era Saebyeok.
— Oi! Amor! Ah… Hã? É mesmo…? Entendi… Sim… Volta devagar, com cuidado…
Gong Pyeonghwa, com o rosto deprimido, tirou a fantasia de bunny boy que vestira com tanta empolgação.
☆(*^о^)乂(^-^*)☆
Ha… Shin Saebyeok andava um pouco sensível ultimamente.
Por causa de Roun, que chorava como se tivesse um ataque só de ele e Gong Pyeonghwa se tocarem e se apalparem, e de Isul, que batia à porta a qualquer hora, era mais difícil ter contato físico do que no ensino médio, quando namoravam em segredo.
Por quê? Agora a gente namora publicamente.
Por quê? A gente já tem dois filhos.
Ficar só dando as mãos e beijinhos em classificação livre, de forma provocante, era pouco: ainda eram jovens demais e cheios de vigor. Hein? Um corpo saudável que fica duro só de um roçar de leve.
Se dependesse da vontade, em vez de contratar um novo secretário, ele queria colocar Gong Pyeonghwa como secretário e satisfazer seus desejos particulares a qualquer hora — a esse ponto Saebyeok andava com o corpo em brasa.
E, mesmo sem conseguir nem a marcação nem um sexo decente, como o tempo passava rápido.
Sem poder adiar mais a seleção do secretário, Saebyeok acabou escolhendo Kang Taehui, de quem mais gostara.
Achando que até a marcação teria que se virar com supressores, Saebyeok mastigou o supressor. Um gosto amargo, de franzir a cara, encheu-lhe a boca, mas nem por isso o desejo diminuía.
Bastava fechar os olhos e o rosto ruborizado de Gong Pyeonghwa aparecia. Aqueles olhos ficando obscenos com os cílios grudados pela excitação, o sexo balançando com as veias saltadas, os gemidos — bom, essas coisas.
— Ah.
O secretário executivo Kang Taehui colocou uma bala para garganta sobre a mesa de Saebyeok. Bala de garganta sabor berry… Será que é para eu comer?
— Eu também já mastiguei supressor por engano, e a boca ficou amarga o dia inteiro. Como o tempo também anda seco, preparei balas para garganta.
— Hum. Obrigado.
Saebyeok, por educação, abriu uma e colocou na boca. O amargo se misturou ao gosto de ervas, resultando num sabor que não era nem uma coisa nem outra.
Numa hora dessas, era só chupar a nuca de Gong Pyeonghwa que sairia um feromônio de limão bem forte e ficaria bem fresco.
Tornar-se adulto é saber conter os impulsos.
Saebyeok, mesmo com os músculos de Gong Pyeonghwa vívidos diante dos olhos e o rosto sensual pairando em sua mente, aguentou com profunda paciência.
“Assim que a confraternização acabar, eu devoro tudo.”
…Assim deveria ter sido.
— Errr… Ditor… É uma hooonra…
— Como?
Apesar de ser pai de uma criança de 3 anos, Shin Saebyeok, o pai da Isul que tinha ótima dicção desde 1 ano de idade, não conseguia entender bem a pronúncia arrastada de Kang Taehui.
— Eu, sim? Eu admiro tanto o dietor… sério…
Outro secretário e um membro da equipe cochicharam: “Ele disse que admira o diretor. Fanboy, fanboy.”
“O que ele vê em mim para me admirar?”
Saebyeok pensou que ele era mais bajulador do que parecia.
— Eu, séério, eu, tenho orgulho de mim mesmo. Ha… Que eu, que eu tenha virado secretário do dietor…
— Quem deu bebida ao secretário Kang?
Saebyeok tentou descobrir o culpado, mas todos responderam a mesma coisa:
“Ele disse que estava nervoso e o Kang Taehui bebeu tudo sozinho.”
Ora, um homem com idade suficiente. Logo na primeira confraternização, pode isso? Enquanto lhe passava pela cabeça que tinha contratado errado, também se lembrava da primeira vez em que bebeu com Gong Pyeonghwa.
Ao contrário de Gong Pyeonghwa, que despertara cedo para a bebida e a farra, Saebyeok era do tipo CDF clássico e nunca encostara em bebida quando menor de idade.
Gong Pyeonghwa o convencera a tomar algo parecido com o “brinde dos 100 dias” antes do vestibular, mas fora tão pouco que nem dava para falar em ficar bêbado.
Depois de virar adulto, ele bebeu com Gong Pyeonghwa pela primeira vez nos Estados Unidos.
Gong Pyeonghwa dissera que o clima era importante e que prepararia toda a comida, então que ele comprasse um vinho com estilo e tocasse a campainha.
Ele insistira muito para que agisse como alguém que estava indo visitá-lo pela primeira vez, e que fosse até de gravata-borboleta.
Fingindo ceder, Saebyeok atendera aos pedidos de Gong Pyeonghwa e comprara vinhos de todas as cores e algumas garrafas do uísque mais caro.
O steak, talvez porque a carne fosse grossa demais, ficara um pouco duro. O steak precisou passar pelo processo de voltar para a frigideira, e Gong Pyeonghwa riu, sem graça.
O steak um pouco mais passado ficou gostoso, e a salada que o acompanhava também estava saborosa e cítrica.
E então o grande momento do vinho… só que, estranhamente, dessa parte ele não tinha memória.
Quando deu por si, garrafas vazias de uísque e vinho rolavam pelo chão, sua gravata-borboleta estava na cabeça de Gong Pyeonghwa como uma tiara, e ele estava no colo de Gong Pyeonghwa bebendo direto da garrafa.
“Ei, eu num tô nem um pouco bêbado. Né.”
“É issu.”
“Ei, mas.”
“Fala.”
“Eu num tô nem um pouco bêbado. Né.”
“É o que eu digo.”
Qualquer um veria que eram a própria imagem de dois bêbados, mas na hora eles achavam que realmente não estavam bêbados.
“Ei…”
“Que foi…?”
“Por que ocê é tão foofo?”
“Que isso…”
“Vamu casá, tá… Tá bom…?”
Ainda assim era fofo.
Se não fosse pelo inferno que viu no dia seguinte, teria sido uma lembrança realmente bonita.
Gong Pyeonghwa, quando bebia, ficava ainda mais bobo. Como se toda a bobeira anterior não fosse nada, bastava cutucar sua lateral que ela explodia como um vulcão.
— Séério, o ditor é o máximo… Alguém que reúne intelectualidade, beleeeza e carisma…
Mas eu entendo o Pyeonghwa fazer bobeira comigo, e você por quê…?
Se Gong Pyeonghwa lhe dava um orgulho e uma satisfação estranhos, Kang Taehui lhe dava constrangimento e perplexidade.
— Eu? Desde estudante recebi bolsa da Baeksan, e pensei que um dia eu tinha que ser útil… sabe? Eu, senhoor, o senhor não deve saber quem eu sou, mas eu, sério, de verdade, ha… mas eu, eu realizei um sonho… Haa…
Não. Você está se afastando do seu sonho. E em tempo real.
— Ele deve ter um amor pela empresa fora do comum, já que cresceu recebendo bolsa do grupo desde estudante.
— …Amor à empresa é bom.
Ter como motivo de demissão consensual uma bebedeira baseada em amor à empresa é meio, né. Demitir alguém que, mesmo bêbado, diz que vai se esforçar, é…
— Enfim, eu deixo o cartão, então até amanhã. Vou indo primeiro.
— Fique mais um pouco!
Ficar mais um pouco por quê? Meu marido está me esperando na cama completamente nu!
Shin Saebyeok, escravo do desejo, respondeu com um sorriso revestido de sociabilidade em vez de sua intenção verdadeira, cheia de ardor.
— Uma boa confraternização é aquela em que o chefe só paga e sai de cena, não é? Vou indo primeiro.
Hoje, sem falta, eu vou até o fim.
Mesmo tendo jurado que teria um amor erótico, Saebyeok não conseguia ir embora de jeito nenhum. Kang Taehui cambaleava e mostrava um entusiasmo inútil, dizendo que ele mesmo chamaria um táxi ou um motorista.
— Ditooor, confia só em mim.
— Não vou confiar. Eu vou sozinho, obrigado.
— Ditooor… Eu, por acaso, eu tenho carteira categoria 1 manual e até de veículos pesados! Mas! Eu! Bebi! Eu dirijo muito bem de verdade… e não poder mostrar isso pro senhor! É a mágoa da minha vidaa-!
Seu louco, larga isso. Eu sou um homem de família.