Capítulo 12
Terminada a reunião do almoço, restava apenas a entrevista final da equipe TF.
Chamava-se TF, mas, como pretendia formar uma equipe fixa sob seu comando avaliando as capacidades, Saebyeok escolheu com muito cuidado.
Ainda não tinha nem secretário, o que deixava tudo desorganizado.
Com a agenda da tarde inteiramente reservada para entrevistas, Saebyeok classificou as candidaturas.
— Ah. Que preguiça de trabalhar.
Saebyeok, assustado com a frase que escapou em voz alta sem perceber, tapou a boca.
Já tivera vontade de não trabalhar tantas vezes que nem dava para contar nos dedos, mas era a primeira vez que dizia isso em voz alta.
Mas escutem. Como um pai com uma princesa de 3 anos que ele colocaria no olho sem doer e um príncipe de 1 ano que mal começou a balbuciar, o trabalho ia render?
Mesmo assim, era preciso fazer.
Saebyeok voltou a organizar os documentos. Se vir só os candidatos de hoje, a vaga de secretário também será preenchida; vamos com força. Combinamos de sair de carro no fim de semana!
☆(*^о^)乂(^-^*)☆
— Hum…
Após a triagem às cegas na primeira fase, a segunda fase de testes de personalidade e exames médicos, e a terceira fase de entrevista final — tudo terminado agora.
Agora bastava a Saebyeok escolher.
Todos tinham currículos excelentes e ótimas atitudes, a ponto de ser difícil escolher. Entre eles, havia um de quem gostou especialmente, mas…
[Número de inscrição 3 – Kang Taehui]
Achou que fosse mulher, mas era homem. Bom, ser homem, na verdade, não importava. Como seria seu secretário executivo, era até mais confortável que fosse homem, como ele. Como poderia haver muitas viagens a trabalho, alguém com boa resistência física era bom, mas o problema não era esse.
[Traço: alfa]
Como fora conduzido às cegas, não se sabia sexo, formação nem particularidades. Só ao vê-lo na sala de entrevista é que descobriu, tardiamente, que ele era homem e alfa.
Três anos na equipe de apoio à gestão, com excelentes avaliações de desempenho. Falava chinês e japonês, formado em administração e com muita experiência em trabalhos de atendimento. Aparência asseada e boa postura na entrevista.
Se ele fosse beta, não teria hesitado.
Saebyeok, mesmo sabendo que estava discriminando, não conseguia tomar uma decisão facilmente.
Que importância tem o sexo para trabalhar? Basta trabalhar bem. Certo. Saebyeok também pensava assim.
Mas, no trabalho, o traço era mais importante do que se imagina. Alfas e ômegas, queiram ou não, são afetados pelos feromônios um do outro. Por mais que se controlem bem os feromônios, ficando muito tempo juntos, algum vazamento é inevitável.
E não dá para forçar alguém a tomar supressores “pelo bem de ambos”.
— Aproveitando…
Faço a marcação com o Pyeonghwa?
Assim ele poderia viver como um semibeta, praticamente incapaz de sentir os feromônios de qualquer um além de Gong Pyeonghwa. Trabalhando, haverá reuniões e recepções com alfas diversos e desconhecidos; aproveitando, a marcação…
Se fizesse isso… e as noites em que ossos e carne ardem como animais? Da última vez, no ciclo, não foi eletrizante demais? Quantas noites quentes ainda restam na minha vida? Existe algum valor maior que justifique abrir mão disso de antemão?
Para Saebyeok, no auge, não era algo de que se pudesse abrir mão com facilidade.
O trabalho é importante, mas a vida sexual saudável e bonita de um casal também. Falando francamente, para que eu trabalho, afinal?
No fim, sem conseguir uma decisão, Saebyeok decidiu pensar mais um pouco e foi embora.
Era incômodo, mas era hora de sair, e havia alguém que teria vindo buscá-lo.
— Aê. O diretor Shin é tão lindo.
— Aê. Diretooor Shin.
Isul imitava as falas e os gestos do papai Pyeonghwa. Saebyeok, recebido calorosamente pelos dois, entrou no carro e beijou Gong Pyeonghwa, perguntando:
— O diretor chegou. Nossa princesa brincou bastante hoje?
— Brincou pra caramba.
— Brincou do quê?
Gong Pyeonghwa e Isul gritaram “segredo!” ao mesmo tempo. Voltei do trabalho e ganho uma sensação de exclusão de presente?
— Vou fazer hora extra…
— Ora essa. Isul, iniciar sermão frontal contra Sua Majestade paterna!
Isul chorou aos berros no comando. Saebyeok, suando frio, colocou o cinto.
— Está bem. O papai saiu do trabalho. Tcharam?
Diante da palhaçada do pai, Isul parou de chorar na hora. Gong Pyeonghwa, por precaução, girou o volante rapidamente. Direção segura, direção segura. Cantarolando, seguiu pela estrada.
Ao contrário do amor de Gong Pyeonghwa e Saebyeok, a estrada estava totalmente engarrafada, mas ainda assim chegaram na hora do jantar.
— Você deve estar com muita fome, né?
Gong Pyeonghwa montou uma mesa de jantar de fartar e trouxe um bolo.
— Que bolo é esse?
— Este é o plano da Isul.
Gong Pyeonghwa riu e espetou velas no bolo.
— Que plano?
— O plano de dar bolo para o papai!
É isso aí. Gong Pyeonghwa acendeu as velas e criou o clima.
Disse que, como o papai Saebyeok andava parecendo cansado, ela queria dar de presente algo de que ela gostava. E como não tinha dinheiro, arrastou o papai que tinha dinheiro.
Isul engatinhou e subiu no colo de Saebyeok. E olhou para ele com olhos redondos. As pupilas doces eram uma graça.
— Papai, come isso e não fica cansado. Tá bomm?
Eu acabei parindo um anjo… Saebyeok, sentindo uma emoção transbordante, apagou as velas junto com Isul.
— Foi difícil comprar isto. Encontrar um que o Roun também pudesse comer foi mais difícil do que eu pensava.
Gong Pyeonghwa dividiu o bolo igualmente e tirou um pouquinho da sua parte para dar a Roun. Roun parecia gostar do bolo e mirou até o bolo de Gong Pyeonghwa. As mãozinhas rechonchudas abriam e fechavam.
— Nem pensar. Não pode.
Gong Pyeonghwa acalmava Roun, e Roun choramingava. Isul comeu o bolo sozinha, corajosamente, mas se lambuzou toda de creme em volta da boca. Saebyeok tirou fotos de Isul e sorriu, orgulhoso.
O jantar pacífico da minha família, meu cotidiano precioso. A família que eu construí.
Para que este cotidiano precioso continue, é preciso ganhar dinheiro mesmo.
— Pyeonghwa, vamos fazer a marcação?
— Hã?
Diante do assunto que veio do nada, Gong Pyeonghwa perguntou de volta, atordoado e bobo.
— Mar? Cação? O quê? Mesmo?
— Marcação.
— Marcação…
Depois de um bom tempo, Gong Pyeonghwa perguntou se era a marcação que ele conhecia.
Saebyeok assentiu.
— A interação entre alfa e ômega, aquele ato romantizado como a prisão mais bela e terrível do mundo, o destino final do amor que você mencionou com lágrimas nos olhos no ensino médio, e o ato que a gente vinha adiando e adiando porque poderia deixar as nossas noites…
Saebyeok olhou de canto para Isul e baixou a voz por um instante.
— …mornas e sem graça. Se é isso, então sim.
— Oh… Espera aí.
Gong Pyeonghwa, com calma, escovou os dentes de Roun e Isul, girou o móbile e leu um livro de histórias.
Quando Isul e Roun partiram para o mundo dos sonhos, Gong Pyeonghwa perguntou a Saebyeok com os olhos gravemente trêmulos:
— marcaçãocomoassimaconteceualgumacoisaoquefoifalaporquedorepenteestáfalandoemmarcaçãoquala intençãovocêteveproblemanaempresahojeportraçoespecialoqueéosoutrosdiretoresfalaramalgumacoisa?ouseráqueeufuimal?hein?éisso?serásóeugosteidaquilo!
— Se acalma e respira um pouco.
Achei estranho ele estar tão calmo.
Saebyeok ensinou a respiração que fora útil no parto e acalmou Gong Pyeonghwa.
— Fu, ha, fu, ha! Eu, eu me acalmei. Quer dizer que a noite só foi boa para mim? Você não vai… mais fazer comigo? Já chega de terceiro?
Gong Pyeonghwa parecia quase chorando. Saebyeok explicou com calma.
Felizmente Gong Pyeonghwa entendeu de imediato, e teve preocupações parecidas com as de Saebyeok.
— Racionalmente eu sei que é melhor fazer, mas…
— Né… É o certo, mas.
Com o esforço que demos para sincronizar nossos ciclos.
Os escravos do desejo, prontos para incendiar o corpo em desejos carnais por pelo menos mais dez anos, e pais de Isul e Roun, soltaram um suspiro profundo.
O prazer da vida, os dias de êxtase que só existem três vezes por mês…
— Eu também vou preparar de verdade a gestão do hotel quando a Isul entrar no jardim… Então deve ser mais confortável ter feito a marcação, né? Para você e para mim seria mais confortável.
— Né…
— Mas a gente ainda está no auge.
— Né.
Os dois, com a razão dominada pelo desejo, arrancavam os cabelos com o rosto perturbado.
Razão e emoção se agarraram pelos cabelos e trocaram socos. O vencedor…
— Vamos fazer. A marcação.
— Sério?
— Sim! Pensando bem, acho que sexo depois da marcação também deve ser eletrizante.
— Oh…
Quando Gong Pyeonghwa, nota máxima em sexologia, apresentou uma visão sob nova perspectiva, Saebyeok se interessou.
— Mesmo assim, por via das dúvidas, me dá um tempo.
— Está bem.
Gong Pyeonghwa e Shin Saebyeok depositaram esperanças procurando artigos que tratassem da correlação entre marcação e sexo.
[A marcação é uma ação feromonal entre alfa e ômega; ao realizá-la, deixa-se de ser afetado pelos feromônios de outras pessoas que não o parceiro marcado, podendo-se viver como um semibeta.]
[Passam a reconhecer apenas os feromônios um do outro e, por influência disso, chegam a apresentar sintomas obsessivos. Às vezes há casais que afirmam haver telepatia. Isso é uma ilusão do cérebro…]
— Chega de coisa que a gente já sabe, e o sexo bom!
— A Isul vai acordar! Fala baixo!
— Está bem!
「Sobre as relações sexuais após a marcação」
Oooh. Gong Pyeonghwa e Shin Saebyeok vibraram como homens das cavernas e rolaram a tela.
[Há estudos anteriores indicando que muitos casais não sentem desejo sexual após a marcação. Nesta pesquisa, a redução do desejo sexual após a marcação também registra valores significativos. Segundo a análise estatística, a maioria dos casais respondeu que não sente necessidade de manter relações e por isso não as mantém (78%).]
— Vamos deixar de fazer a marcação?
— Vamos?
O ápice do amor ser sexo zero? Então o amor puro é que é o fim do amor?
Os dois, que se amavam demais, mas para quem o sexo ocupava uma parte nada pequena desse amor, encaravam o artigo com raiva. Como se isso mudasse os números e os resultados.
[O fato de que, ao encontrar o par perfeito, surge o julgamento de que não é preciso se reproduzir e a ação feromonal do corpo se interrompe dá grande credibilidade à hipótese de que os feromônios são uma ferramenta para a reprodução.
No passado, como havia um clima de considerar o traço especial uma vergonha a ser escondida, havia muitos casos de marcação para sobreviver. Trata-se de formar um grupo sólido de duas pessoas que estabeleça um sistema de cooperação.
Os traços especiais alfa e ômega são genes recessivos eliminados pela natureza que, para sobreviver entre genes dominantes, seduzem o sexo oposto com feromônios e formam aliados. Isso gerou muitos problemas, mas, atualmente, cresce a voz de que traço especial é apenas traço especial.
Com isso, os traços especiais deixaram de ser uma camada marginalizada e, ao contrário, na sociedade moderna se tornaram objeto de admiração. A redução no número de traços especiais que buscam a marcação também pode ser vista como um fenômeno social: como não há dificuldade para sobreviver sem formar um grupo, não se busca a marcação…]
— Que…