Capítulo 11
Extra 1. Autobahn
Gong Pyeonghwa ainda ria feito bobo sempre que via as fotos da renovação de votos.
Ele tinha fingido surpresa, mas já sabia que Saebyeok voltaria a lhe fazer um pedido de casamento.
“Pyeonghwa…”
Pouco tempo depois do nascimento de Roun. Se por ainda estar meio adormecido ou pelo efeito da anestesia, Saebyeok o chamara com o rosto perdido.
“Sim. Estou aqui.”
Gong Pyeonghwa segurou a mão de Saebyeok com delicadeza. Vendo que a mão que apertava a sua de volta não tinha força, parecia uma reação inconsciente.
“Eu te amo.”
Diante da confissão de bêbado, o peito de Gong Pyeonghwa apertou. Ele me ama de verdade…
“Casa comigo.”
Isso é aquilo? Aquele negócio de marido ainda meio sedado dando em cima?
Gong Pyeonghwa tirou o celular e começou a gravar um vídeo. Duvidava que um dia isso fosse necessário estando com Saebyeok, mas iria assistir sempre que a vida ficasse difícil demais ou sem graça.
“O quê? Saebyeok, eu não ouvi.”
“Casa comigo.”
“Por mim ótimo. Mas a gente já é casado.”
“Casa mais uma vez.”
Gong Pyeonghwa, segurando o riso, continuava puxando assunto com Saebyeok, que não estava em si.
“Você faz um pedido de casamento assim?”
“Ei… Eu tenho tudo planejado… Você só aproveita, quietinho…”
“Tem um plano? Qual?”
“Eu dedico todo o meu enterro junto…”
Deve ser “devoção pura”.
“Você já era.”
“Já era? O que já era?”
“Agora você é meu…”
Dizem que o casamento é a mais doce das prisões. E casamento sobre casamento, sem ser recasamento, seria o quê? Isso já é agendar uma cárie. Doce. Que doce.
Pouco depois, quando Saebyeok voltou a si, ele realmente parecia não saber de nada.
Gong Pyeonghwa, toda vez que via Saebyeok, lembrava do pedido de casamento em voz sonolenta e tinha dificuldade em controlar a expressão. Mordia a parte interna da bochecha e, fingindo naturalidade, lhe dava sopa de algas e fazia alarde.
Minha atuação foi perfeita, mas Shin Saebyeok é Shin Saebyeok mesmo?
“Você se esforçou muito. Ainda está meio zonzo?”
“Sim… Eu disse alguma coisa agora há pouco?”
“Não? Você não disse nada.”
Meu coração quase parou.
Gong Pyeonghwa acendeu o letreiro de neon do “enterro junto” que arrancara do bar onde recebera o pedido e relembrou os velhos tempos. E se embriagou de amor.
— Papai. Eu também danço.
— A Isul também dança? Vamos ver o quanto a nossa Isul dança bem!
Isul riu às gargalhadas e rebolou.
Gong Pyeonghwa caiu na gargalhada e pegou a câmera. Hoje também tinha coisa para postar no papai-stagram.
Gong Pyeonghwa, com muitos irmãos e agora dois filhos, decidiu, em vez de seguir na vida profissional, fazer pequenos investimentos e continuar cuidando das crianças por um tempo. Depois de se mudarem, contaram com a ajuda de babás na criação, mas ele queria fazer a maior parte sozinho e, acima de tudo, fazia questão de ser ele a levá-los para passear.
Quando Saebyeok se acostumasse ao trabalho, Gong Pyeonghwa também voltaria à vida profissional.
Durante o período de adaptação, ele queria ser o tônico do marido, e também tomara essa decisão porque Isul e Roun ainda eram muito pequenos.
O pai estalava a língua chamando-o de desempregado toda vez que o via, mas, exceto o pai, todos diziam que ele escolheu bem e o apoiavam dizendo que criar filhos é mais difícil do que trabalhar.
A criação dos filhos, sem dúvida, merecia apoio. Ver seus filhos crescendo a olhos vistos era gratificante como nada, mas a graça de acordar e chorar de hora em hora durante a madrugada dava calafrios.
Ainda assim, com Isul já dava para se comunicar bastante, mas o Roun. O Roun.
O caminho era longo. Em que era eu vou conseguir mandá-los para o jardim de infância e para a escola?
Gong Pyeonghwa, que queria ser recém-casado para sempre, suspirou por dentro e registrou em fotos Isul e Roun.
Não era impressão: eles estavam maiores do que ontem.
Enquanto atualizava o papai-stagram, Gong Pyeonghwa sorriu olhando seus dinossauros-bebês que cresciam como brotos de feijão.
— Papai.
— O que foi, minha Isul?
— O Rouni quer sair.
— O Roun está dormindo, né?
— Não é…
Você é que quer sair. Devo ou não cair nessa artimanha tão evidente?
— Então o papai vai sair só com o Roun.
— Por quê! Não! Não! Pode!
— Por que não pode? O Roun quer sair, então eu vou sair com ele.
Isul rolou pelo chão fazendo escândalo. Antes que ela começasse a soltar gritos de pterodáctilo, Gong Pyeonghwa a ergueu e saiu.
— Moço, vamos passear com a Isul. Passear!
— Boa saída!
Assim que saiu, Isul deixou de ser um pterodáctilo que emitia ultrassons e virou uma coelhinha dócil.
— Isul. O papai está cansado…
— Fazê o quêê… Mesmo cansado tem que aguentá…
Isso é coisa que se diga ao papai? Gong Pyeonghwa sentiu-se profundamente traído por uma filha de 3 anos. Estranho? Até agora ela era uma filha que ele colocaria no olho sem doer.
Riu olhando a princesinha que hoje parecia dissimulada. Olhando de novo, ele a colocaria no olho sem doer mesmo.
— Nossa princesa! Aonde vamos com o papai?
— Eu tenho tudo pranejado.
— Você já sabe até a palavra “planejado”?
Isul foi na frente dizendo para confiar nela e segui-la. A cada passo de Isul se ouvia um “puqui-puqui”.
— Aonde vamos?
— Você vai ver!
Isul liderava, triunfante.
A guia intrépida Isul ficou sem energia em 10 minutos e se virou para Gong Pyeonghwa.
— Papaai…
— Ai, meu Deus.
Gong Pyeonghwa a ergueu no colo.
— Agora vamos para onde? Vamos para casa?
— Não!
— Então para onde? Você tem que dizer para a gente ir. Nossa Isul, aonde você queria ir?
Isul manteve a boca fechada e, depois, percebendo que não havia jeito, falou. Mesmo sem ninguém por perto, insistiu em cochichar.
— Vamos para…
☆(*^о^)乂(^-^*)☆
— O senhor é rico mesmo.
O gerente Dok, que ele não via havia tempos, cumprimentou de um jeito peculiar: em vez de perguntar como ele estava, disse que ele era rico.
Como era um restaurante reservado para a reunião e para estreitar futuros laços, era um lugar privativo, e parece que isso deixou evidente a riqueza.
— Sinceramente, eu achava que era só ostentação.
— Eu parecia pobre?
— O senhor nem tinha celular. Hoje até crianças de jardim de infância têm.
Isso foi por uma situação especial inevitável.
— Mesmo assim, o senhor era rico de verdade. Não era mentira, era verdade. O estagiá… não, o diretor Shin tem muitos pontos surpreendentes.
— Eu?
Saebyeok, que se orgulhava de ser mais do que ninguém exatamente o que aparentava, inclinou a cabeça.
— A publicidade externa também. Como o senhor indicou a equipe do projeto conjunto, pensei que fosse chamar também o assistente Hwang. Achei que fosse se vingar e fiquei animado com a ideia de assistir ao vivo…
— Como?
Que vingança seria essa? Como Saebyeok não entendeu, Saetbyeol e Park Taehun, que também haviam sido destacados, elevaram a voz.
— Aquela pessoa é esquisita! É insuportável!
— Eu me voluntariei achando que teria uma lição de moral!
Saebyeok coçou a bochecha sem jeito.
— É que não há nada de que eu deva me vingar. Eu só indiquei porque precisava de gente que trabalha bem.
Park Taehun sorriu discretamente, fingindo que não. Saetbyeol também segurou o riso com uma expressão parecida.
— Mas, ainda assim, não seria preciso dar uma lição pelo menos uma vez? Outing! Forjar adultério! Dizem que na vida real não existe justiça refrescante, mas eu achava que entre os ricos existia.
Com a fala de Saetbyeol, Saebyeok finalmente entendeu a identidade da tal vingança. Bem, naquele momento ele ficara bastante irritado, mas não tinha vontade de fazer algo tão grandioso quanto uma vingança. Por quê?
— Porque não vale a pena…
Que vingança grandiosa seria essa? Vingança é o ato de alguém que não tem nada se consumir para alcançar alguém que tem muito; não é o ato de alguém que tem muito prejudicar quem não tem nada.
O caso do assistente Hwang seria bem resolvido pelas vias legais. Nem seria preciso que a equipe de advogados se esforçasse: ele havia despejado tanta coisa por todas as comunidades da internet que o trabalho seria organizado sozinho.
— Bom, logo ele vai receber de volta na mesma medida do crime que cometeu.
Na forma de indenização ou de prisão.
— Bom, agora vamos falar de trabalho… Um momento. É uma ligação importante, com licença.
Já eram 13h20.
Hora de respirar depois do almoço.
Todos os dias, nesse horário, chegava uma ligação muito importante.
— Papai!
— Nossa princesa. O que você fez?
Era a hora da videochamada com a princesa.
— É segredo.
— Por que é segredo?
— Não vou contar. É segredo.
— Por que não vai contar e é segredo?
Isul adorava conversas que puxavam uma à outra. Mesmo agora, embora bufasse com ar arrogante, os olhos estavam cheios de riso.
Mas hoje não parece que ela está em casa?
— Isul, você está na rua? E o papai Pyeonghwa? Está sozinha?
— Estou na rua com o papai!
Gong Pyeonghwa apareceu de relance.
— Estou na rua com a Isul!
— O que vocês dois estão fazendo? E o Roun?
— A Isul disse que tem tudo planejado.
Que história é essa? Parece que os dois estão fazendo algo divertido.
— O que vocês estão fazendo sem mim?
— Isso é segredo.
— A Isul disse que isso é segredo.
Néé? Claaaro. As trocas entre os dois eram irritantes e fofas. Então querem me dar essa sensação de exclusão, ao chefe da casa?
— Ah, será que faço hora extra hoje.
— Não pode!
— Somos radicalmente contra!
Gong Pyeonghwa e Isul protestaram. Parece que o plano de Isul incluía a saída dele no horário.
— Está bem. Vocês dois já almoçaram, né?
— Ahã. E o papai?
— O papai vai comer agora. A Isul comeu o quê?
Isul, ultimamente, usava bem os dedos. Desta vez também queria dobrar os dedos para contar os pratos, mas, com o celular na mão, não parecia fácil.
Quando Gong Pyeonghwa segurou o celular por ela, ela dobrou os dedinhos rechonchudos e listou o que comera.
— Curry de ursinho, e omelete enrolado, e tomate…
— O que é curry de ursinho?
— Curry em formato de ursinho!
Ah. Devem ter moldado o arroz em formato de urso. Saebyeok respondeu que devia estar delicioso. Isul, empolgada, falava com afinco com seu vocabulário ainda limitado.
— …então mais tarde eu vou com o papai te buscar! Não chora e fica trabalhando!
Isul também sabia fingir ser adulta. Ultimamente ela se divertia imitando gestos e falas de pessoas da TV ou da rua, e falava com solenidade.
— Sim. O papai vai se esforçar. Até mais tarde. Nossa princesa.
Hoje também preciso ir ganhar o dinheiro dos docinhos das crianças.
— Desculpem a demora. Assim que formarmos a nossa TF, compartilho os contatos e marco um encontro. Estes são o cronograma previsto e os materiais. E também…
Mas qual será o plano da Isul? Não que uma criança de 3 anos possa ter um plano grandioso, mas ele estava curioso sobre qual seria o plano da filha de 3 anos.
— Alguém aqui entende de psicologia de meninas de 3 anos?
O que será? Que curiosidade!