Capítulo 10
Decidiram fazer um casamento simples.
Os pais das duas famílias queriam isso.
O formato do casamento não importava; de qualquer modo, era o primeiro casamento de um filho para os pais, então os dois decidiram fazer como os pais quisessem.
Para Gong Pyeonghwa, bastava que o smoking ficasse bonito, que a luz natural fosse incrível e que fosse divertido.
Um casamento modesto com apenas pouco mais de 500 convidados: as famílias e parentes de ambos os lados, amigos, alguns ex-colegas de trabalho de Saebyeok, a diretoria dos dois grupos, alguns presidentes do meio empresarial e alguns donos de veículos de imprensa.
Como a economia mundial andava difícil, decidiram fazer algo modesto, considerando o sentimento popular.
Tiraram a homilia porque seria entediante, e a cerimônia seguiu numa ordem comum.
As mães das duas famílias acenderam velas, e Gong Pyeonghwa e Shin Saebyeok entraram.
Leram os votos e trocaram as alianças, e era estranho como aquilo, apesar de tudo, os deixava trêmulos e felizes. Mesmo já tendo feito uma vez antes.
Gong Pyeonghwa e Shin Saebyeok colocaram as alianças nos dedos um do outro com as mãos trêmulas.
Ouviram-se aplausos e vivas estrondosos.
Logo em seguida tocou a marcha nupcial.
Foi um casamento comum. Cansativo, um pouco entediante, mas que ainda assim arrancava lágrimas.
O presidente Gong, que ainda atravessava a andropausa, acabou chorando. O presidente Shin também ficou com os olhos levemente vermelhos, mas não chorou como o presidente Gong.
A senhora Lee e a senhora Kang disseram, mais uma vez, que vivessem bem.
— Vamos viver bem. Sem nada que os preocupe.
— Nosso filho cresceu mesmo.
Shin Saebyeok abraçou a mãe e ouviu as batidas de seu coração.
Ele, que já fora bem menor que a mãe, cresceu tanto assim e agora tinha filhos. E dois, ainda por cima. Um dia chegaria o dia em que essas crianças ficariam maiores do que ele.
Saebyeok agradeceu por o terem criado, e a senhora Lee respondeu que agradecia por ele ter crescido bem.
— Claro que vamos viver bem. Se vivermos mais unidos e felizes do que a mamãe e o papai, não fiquem com muita inveja.
— Cuidado para não levar um divórcio. Você se exibe demais.
Gong Pyeonghwa resmungou perguntando se isso era coisa que se dizia num casamento.
— Bom, agora é hora de jogar o buquê, né?
Sem ninguém com quem casar, mas ao verem os parentes felizes por terem se casado, Gong Jeong e Gong Sarang, que agora queriam casar, se aproximaram com jeito de valentões.
— Tira as fotos de qualquer jeito e joga logo o buquê.
— Joga para mim.
— Não diz besteira. Por que jogar para você se eu estou aqui? Não dá para o Gong Jeong, joga o buquê para mim e tira a foto.
Diante da falta de educação dos parentes, Gong Pyeonghwa perguntou de forma ainda mais mal-educada:
— Quanto vocês deram de presente?
— Como ousa casar antes do irmão mais velho, e ainda fala em presente? Um filho que nem sonharia com isso na era Joseon.
— Então some para dentro do sonho.
E ainda chama aquilo de irmão, de irmão. Gong Pyeonghwa estalou a língua.
— Reúnam-se para a foto!
Por conta da ofensa do buquê, Gong Jeong e Gong Sarang, emburradíssimos, apesar de serem família de Gong Pyeonghwa, ficaram ao lado de Shin Saebyeok, e Noeul, confusa, ficou ao lado de Gong Pyeonghwa por instinto.
Era uma composição estranha, mas o fotógrafo, que não conhecia as relações familiares, apertou o obturador pensando que os irmãos não se pareciam em nada.
— Certo, mais uma foto!
— Um momento!
Gong Pyeonghwa e Saebyeok gritaram ao mesmo tempo.
O casal, desta vez, trocou Isul e Roun de braço. Como Isul já era uma criança animadíssima que corria muito bem sozinha, demorou um pouco para conseguir a pose.
— Isul, olha para a câmera.
— Quero geleia.
— Depois da foto. Depois.
O obturador foi acionado mais algumas vezes, e as fotos em grupo também terminaram.
Sob a alegação de que agora fariam o pyebaek, entregaram as lembrancinhas e dispensaram os convidados. Parecia que o casamento estava terminando assim, mas, na verdade, o verdadeiro casamento começava agora.
— No nosso próximo casamento a gente usa hanbok? Aí fazemos pyebaek de verdade? Acho que seria divertido.
— Sim, sim.
Fizeram mais uma vez um casamento simplificado, só com a família e os amigos, acompanhados de um cinegrafista.
Num dia como hoje, com uma luz natural incrível, fotos são boas, mas, já que era possível, queriam registrar todos os momentos em vídeo.
Desta vez também o presidente Gong iniciou o discurso.
— O sentimento de um pai que casa um filho deve ser assim para todos, mas quando um filho que sempre pareceu criança de repente se casa, muitas emoções se cruzam. Quando meu filho disse que ia casar…
O discurso emotivo e comovente, assim que os convidados sumiram, transformou-se num discurso cheio apenas de sinceridade.
— Este filho ingrato, sem dar nem sequer um aviso aos pais, primeiro fez um filho e trouxe. Com a esperteza de até esconder os tacos de golfe, e ainda sabendo que merecia apanhar e mesmo assim fazendo — que descaramento.
A senhora Kang assentiu ao lado, como se concordasse, e a boca de Gong Pyeonghwa fez o maior bico.
— Sendo ele um sujeito tão insuficiente, fico bastante preocupado se posso lhe deixar o hotel.
— Não, pai. Eu sou inteligente. Foi uma escolha estratégica.
— Não interrompa o discurso. E o que tem de estratégico em esconder os tacos de golfe?
— Não, não isso. Casar com o Saebyeok. É mais fácil pedir perdão do que permissão, por isso eu fiz.
No fim, o presidente Gong jogou o discurso longe.
— Seu moleque!
O papel branco flutuou no ar. Gong Pyeonghwa fugiu do presidente Gong, que fervia de raiva.
Foi um casamento criativo, que quebrou completamente os moldes existentes.
Diante da fuga repentina do noivo, apenas o cinegrafista responsável pelo noivo voltou aos tempos em que era VJ de programas de variedades e disparou a correr.
Mesmo de smoking e sapato social, ele era tão rápido que era difícil enquadrá-lo.
No fim desistiu e voltou, mas, mesmo com o noivo ausente, o casamento seguia.
Um amigo do lado do noivo ausente cantou a música de felicitações. Não, não foi música: mostrou o malabarismo que vinha treinando.
— É que eu ando praticando mágica depois do trabalho. Porque eu detestava não ter nada para mostrar nas apresentações de talentos durante toda a vida escolar…
O discurso que não se podia ouvir sem lágrimas veio de brinde.
Terminado o show de felicitações dos amigos, o noivo voltou ofegante.
— Quando é que joga o buquê?
Por que está perguntando isso para mim? O VJ ficou confuso.
— E por que aquele ali está fazendo show de fogo no casamento dos outros?
Então não era uma performance planejada?
— Aspirantes a casamento, candidatos a casados, preparandos de matrimônio, reúnam-se rápido. Vou jogar o buquê.
Quando Gong Pyeonghwa ergueu o buquê e gritou, alguns aspirantes a casamento se reuniram.
Satisfeito com o número de pessoas reunidas, Gong Pyeonghwa reviveu a memória de quando entrou no time de futebol americano na faculdade e arremessou o buquê bem alto.
Gong Jeong e Gong Sarang se lançaram como touros. Mas o buquê lançado por Gong Pyeonghwa aterrissou nas mãos de uma pessoa completamente diferente.
— Que isso.
O buquê caiu perfeitamente nas mãos de Seonu Jeong, que estivera mostrando o malabarismo treinado por tanto tempo.
— Ué. Ele não tem células amorosas, não vai conseguir casar.
— Que isso. Ei, o que é isso.
As bolinhas de malabarismo caíram todas no chão, inutilmente.
— O que é isso, o que é.
— Parabéns. Se não casar no ano que vem, você vira solteirão para sempre.
— Esse cara é louco.
Terminado o momento pacífico do buquê, temperado com maldição, todos aproveitaram com os convidados os pequenos eventos preparados em seguida.
Com a última foto comemorativa, o casamento realmente acabou.
— Da próxima vez a gente faz cerimônia tradicional?
— Se for você que pintar as bochechas de vermelho, eu topo.
— Ah, se você quiser, posso pintar hoje à noite também.
Gong Pyeonghwa, com 11 anos de namoro, 3 de casamento e pai de dois filhos, dava suas cantadas sonhando com a lua de mel.
— Se for com a boca, melhor ainda.
Gong Pyeonghwa esticou os lábios e fechou os olhos. Ora, tem tanta gente aqui, poxa. Saebyeok deu um tapinha com a mão nos lábios de Gong Pyeonghwa para recolhê-los.
— Mais tarde.
Gong Pyeonghwa e Shin Saebyeok iam passar uma semana em lua de mel.
Originalmente falaram em um mês, mas, preocupados em ficar muito tempo longe de Isul e Roun, reduziram bastante.
O casal se despediu e deixou recomendações aos pais das duas famílias e à babá, e partiu para a lua de mel.
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Chegou a última noite da lua de mel. Remoendo os dias em que ossos e carne arderam enquanto o cheiro de gergelim de recém-casados pairava, Gong Pyeonghwa e Shin Saebyeok riam sentados na banheira do spa.
Saebyeok, como precisava trabalhar já no dia seguinte, ligou o tablet para se inteirar previamente do trabalho.
— Marido que trabalha durante a lua de mel é demais. Uuu.
— Só isso e paro. É mensagem do meu sogro.
— Uau. Existe sogro que manda mensagem para o genro em lua de mel?
Gong Pyeonghwa resmungou, mas olhou junto a tela do tablet de Saebyeok.
Sogro
(link)
(emoticon sorrindo)
Ao clicar no link, apareceu uma notícia.
[Anúncio oficial] Noiva de maio é coisa do passado, agora é o “noivo de maio”
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No último dia 5, houve uma ocasião feliz numa família de conglomerados. Gong Pyeonghwa (29 anos), segundo filho da Taegang Eletrônicos, e Shin Saebyeok (29 anos), filho mais velho da Baeksan Eletrônicos, se casaram.
Os dois namoravam em segredo e finalmente colheram os frutos em maio, o mês da família.
As personalidades do meio político e empresarial presentes naquele dia foram…
Os noivos de maio Gong Pyeonghwa e Shin Saebyeok riram e continuaram rolando na tela.
Era uma notícia sem graça dizendo que Gong Pyeonghwa e Shin Saebyeok se casaram e que era uma ocasião duplamente feliz para as famílias de conglomerados.
— Oh. A foto ficou boa.
Não parecia a foto oficial fornecida à imprensa, mas uma foto que o jornalista tirou separadamente, misturado entre os fotógrafos. Não se lembrava de tê-la visto.
Saebyeok salvou a foto e decidiu memorizar o nome do jornalista.
— Por que tem tantos comentários num tabloide desses.
— Pois é.
Será que estou sendo acusado de manipulação de ações sem saber? Saebyeok, com a consciência limpa, conferiu a seção de comentários.
Dizem que é o primeiro casamento, mas como já tem dois filhos
└e um dos filhos até já anda com as próprias pernas
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escândalo de excesso de velocidade;
└esse nível de velocidade não é velocidade comum, é quase autobahn né kk
└escândalo autobahn kkkkkkk
Gong Pyeonghwa e Shin Saebyeok soltaram uma risada.
— Não, o jornalista escreveu de um jeito meio estranho. Deu a entender que é o primeiro casamento. É uma renovação de votos.
— Mas escândalo de excesso de velocidade não está certo? Não, como eles dizem, escândalo autobahn?
Gong Pyeonghwa beijou a nuca de Saebyeok e disse, como se aquilo fosse absurdo:
— Ei. A gente não é um escândalo.
Shin Saebyeok, com cócegas nos lábios que tocavam sua nuca, perguntou com a voz cheia de riso:
— Então?
— É só romance.
— Então o nosso amor é um romance autobahn.
Na última noite da lua de mel, no céu, uma lua doce como mel se encheu.
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Fim da História Principal
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna