Capítulo 05
— Ah, que fofura.
— É um anjo. Um anjo.
Gong Pyeonghwa e Shin Saebyeok tapavam a boca ao ver Roun se remexendo no cobertor e Isul abraçando esse Roun.
Um bebê cuidando de um bebê. Meu Deus, minha nossa. Unbelievable.
— Acho que vou começar um blog.
— Não é má ideia.
Saebyeok era do tipo que achava que coisas boas se aproveitam sozinho, mas isso era diferente. Guardar algo tão fofo e adorável só para ele e sua família era egoísta demais.
“Não vai dar mesmo.”
Saebyeok decidiu modificar um pouco o plano.
— Ah, será que tudo bem deixar esses anjinhos adoráveis e sair para passear só nós dois?
— Daqui pra frente vamos só trabalhar até nos aposentarmos. Precisamos aproveitar o último período de desempregados.
— Argh. Que fala antiética e cruel.
Às vezes a realidade é mais cruel. Agora vamos passar a vida administrando empresas e tirar férias raríssimas, minguadas, chamando isso de férias.
Então, antes disso, vamos criar mais uma lembrança.
— Vou cuidar bem deles, então não se preocupem e aproveitem.
Gong Pyeonghwa, quando ia sair, virava-se e olhava Isul e Roun com olhos ternos. Repetiu isso não sei quantas vezes.
No fim, só conseguiram sair depois que Saebyeok e a senhora Lee empurraram as costas de Gong Pyeonghwa.
— Até sair é difícil.
— Não, mas é que eles são lindos demais. Fico pensando neles o tempo todo. É como no dia em que dei o primeiro beijo em você.
— …
Sinceramente, Saebyeok não desconhecia esse sentimento. Se hoje não fosse o dia D, ele também teria passado o dia inteiro tirando fotos de Isul e Roun.
— Saebyeok, o que a gente come mais tarde? Tem alguma coisa que você queira comer?
— Ah! Tenho!
— Então vamos comer isso. O que você quer comer?
— Primeiro vamos cumprir toda a programação da manhã e comer à noite. Quero comer carne. Carne.
Carne? Carne é ótimo! Gong Pyeonghwa respondeu radiante, sem nenhuma desconfiança. Saebyeok riu com maldade por dentro, prometendo criar um dia impossível de esquecer.
— Hihi. Vamos logo.
— Vamos de táxi na ida e de metrô na volta. Na hora do rush o trânsito fica horrível.
O metrô no horário de pico é ainda mais sufocante. Gong Pyeonghwa achou que dirigir seria melhor, mas, pensando em quando teriam outro encontro de metrô juntos, concordou com a cabeça.
O casal Gong Pyeonghwa e Shin Saebyeok decidiu ter um encontro no Palácio Gyeongbokgung hoje. Porque Gong Pyeonghwa conseguiu, na dificílima disputa, os ingressos para o Saenggwabang.
Vestidos com belos hanboks, caminharam juntos ao redor do Gyeongbokgung.
— O que é isso, nosso Saebyeok. O que é isso. O vermelho de Sua Majestade cai bem em você.
— Achei que você fosse de verde, já que gosta de verde.
— Mesmo assim, eunuco é meio… Meu marido é Sua Majestade e eu sou eunuco? Hein? Amor proibido? Até que pode ser bom.
— Que isso.
Gong Pyeonghwa parecia não ouvir Saebyeok, sério, perdido em seus delírios.
— E se o eunuco Gong Pyeonghwa, que desde cedo servia ao lado do jovem rei Shin Saebyeok, acabasse exercendo a regência e visitasse os aposentos de Sua Majestade todas as noites?
— Se é regência, meus pais morreram?
— Opa.
Saebyeok olhou Gong Pyeonghwa de esguelha.
— Eu não estou vestido de eunuco. Não estou dizendo que sou eunuco. Eu não posso ser eunuco. Toda noite, hein? Não é brincadeira.
Seu marido, que oscilava entre um garoto e um tiozão safado, era ao mesmo tempo asqueroso e engraçado.
— Você não vai virar algo parecido logo, logo?
— Amor, por que você fala assim? Não é extrair os testículos, é o canal deferente, hein? É a mesma coisa? Não é. E ainda temos planos para o terceiro.
— Por isso, logo, logo.
— …A gente vai transar hoje? Não vamos para casa hoje? Não é brincadeira? Sério? Ai, como você fala isso em lugar público! É hanbok, isso, isso, hein? Aparece? Hein? Ai, eu? Está aparecendo um pouco?
Gong Pyeonghwa juntou as mãos humildemente à frente. As mangas longas cobriram o meio de suas pernas.
— Ah, aonde você vai. Espera até eu cantar o hino inteiro. Por que está indo sozinho. É um encontro. Por que está indo sozinho!
Por mais que Gong Pyeonghwa gritasse, magoado, Saebyeok mantinha distância social dele.
Gong Pyeonghwa, o patriota que ainda tinha o vigor de um garoto, cantou o hino nacional por dentro no Gyeongbokgung.
— Agora eu sou um erudito íntegro. Sério. Não tenho nenhum desejo sexual. Majestade, vamos juntos antes que eu envie um memorial? Rápido, antes que eu escreva trinta páginas em fonte tamanho 9. Depressa, antes que eu envie o memorial em fonte Gulim.
— Está bem.
Saebyeok caminhou com Gong Pyeonghwa fingindo ceder.
— Majestade. O senhor vai conceber esta noite? Não está se esforçando demais?
— Não dá para falar nada com você. Sério.
Gong Pyeonghwa riu às gargalhadas com a reação de Saebyeok.
O dia estava bem fresco, mas o sol era quente e dava vontade de caminhar. Como era dia útil, também não estava lotado.
— Ei.
— Sim.
— A gente devia transar hoje com isso vestido? Será que existe hotel com decoração estilo Joseon?
Se for isso, era melhor procurar numa vila hanok… Ops, quase fui levado.
Saebyeok decidiu se concentrar. Hoje era um dia com plano.
— Eu disse que quero comer carne.
Eu tenho tudo planejado, viu?
— Então é só comer costela cozida à moda da corte.
— Q-quero comer à moda ocidental!
— Oh. Se Sua Majestade fala assim, não me resta senão tornar-me Heungseon Daewongun. Majestade, o senhor deve proteger o que é nosso e adotar a política de isolamento.
— Não quero ouvir! Retire-se!
Hoje não posso me deixar enrolar por Gong Pyeonghwa.
Mesmo que ele o acuse de tirano, hoje não. Só hoje, tenho que ser tirano mesmo.
Saebyeok era do tipo que se dobrava até ao vento que agita as folhas, quando se tratava de Gong Pyeonghwa, mas hoje precisava seguir apenas seu próprio plano. Ainda mais porque não pudera ensaiar.
— Uuu. Abram os portões do steak! Uuu!
Gong Pyeonghwa, animado com a ideia de comer steak, fingia que não e acusava o cônjuge de tirano.
Sem chance de vencer Gong Pyeonghwa em fabricação e propaganda, Saebyeok carregou o título desonroso e mastigou um yakgwa.
Ria enquanto pode, Gong Pyeonghwa.
Hoje eu vou te fazer chorar.
Sem falta.
Depois de comerem os doces, voltaram a caminhar ao redor do palácio. Como Gong Pyeonghwa reclamou de fome, comeram um espetinho de tteokgalbi ali perto.
— Você não vai comer?
— Carne, nem tanto.
— Você disse que queria comer carne hoje.
— …Não é essa carne, é outra carne que eu quero comer. Sabe, no sentido de reverência ao estrangeiro; você entendeu. Você sabe e está fazendo isso. Você. Hoje está bem pouco cooperativo, né?
Saebyeok falou demais por medo de ser descoberto.
Gong Pyeonghwa, olhando para ele, fingia indiferença e mordia a parte interna da bochecha.
“Não posso rir. Não posso rir.”
Recitando o mantra por dentro, Gong Pyeonghwa pediu desculpas dizendo que devia estar se empolgando demais por sair de casa depois de tanto tempo.
— Não é bem me empolgar, é que estou animado demais.
— Snif. A criação dos filhos foi tão pesada. Snif…
Era uma história que não se podia ouvir sem lágrimas. Saebyeok, quando dormia, não acordava nem se o carregassem, mas Gong Pyeonghwa era mais sensível do que parecia. Quando Roun chorava, o primeiro a correr era Gong Pyeonghwa.
— Desculpa… Por que eu não consigo acordar de madrugada…
— Se qualquer um levanta e cuida das crianças, está bom, por que pedir desculpa? Vamos jantar logo, não?
Gong Pyeonghwa e Shin Saebyeok trocaram de roupa. Gong Pyeonghwa, que gostou tanto das roupas de hoje que até as comprou, sorria com malícia.
— Hoje não vou deixar você dormir. Eu declarei. Hoje este servo desleal vai despir Sua Majestade e devo…
— Que insolência.
— Como assim usar a hierarquia para me esmagar? Aí deixa de ser um amor proibido e imoral e vira uma revolução contra a classe dominante.
— …Está dizendo que vai me matar? Agora.
Gong Pyeonghwa sorriu com malícia.
— Ah. Hoje eu vou te matar de tanto…
— Não dá para falar nada.
Saebyeok tapou os ouvidos e foi para o restaurante que reservou antes. Gong Pyeonghwa correu atrás dele com atraso.
☆(*^о^)乂(^-^*)☆
— Ai, meu Deus. Por que só tem a gente de cliente?
— De quem você está imitando agora?
— É que parece que eu precisava fazer isso pelo menos uma vez.
Ele quer isso? Saebyeok pigarrou baixinho e decidiu agradá-lo.
— H-hoje nós, o n-nosso bebê… Não consigo. Enfim, eu aluguei.
— Oh. Por quê?
— Para parecer romântico.
Com a chegada do inverno, os dias longos ficaram bem mais curtos. Graças a isso, era só hora do jantar e já se via uma vista noturna bem convincente.
— Oh. Eu já sou um peixe fisgado, mas você quer causar boa impressão em mim?
— Isso é óbvio. Se não for para você, para quem eu vou querer parecer bem?
— …Meu coração acabou de disparar.
Ainda não é hora de o coração disparar.
Saebyeok fizera um pedido especial, escolhido a dedo, para hoje. O steak com tamanho e textura capazes de fazer o coração de Gong Pyeonghwa disparar, o bolo feito exatamente para o paladar de Gong Pyeonghwa — nem a sombra deles tinha aparecido ainda. Não pode disparar já. Falta muito para o clímax.
Será que ele sabia que era um menu completo que Shin Saebyeok montou a dedo só para Gong Pyeonghwa?
— Hum, a sopa esfriou, meio ruim.
Ei! Eu ajustei a temperatura de propósito. Porque você sempre come rápido demais e queima o céu da boca!
Isso tudo foi preparado pensando em você. Você disse que ficava com vergonha de sentir o céu da boca liso quando se beijavam.
— Salada… Hum…
Nem precisa comer, é só olhar! É uma salada decorada com a sua flor de nascimento! Olha os detalhes! Não tira! Deixa ao lado!
— Oh. Carne.
Gong Pyeonghwa, com a expressão bem mais animada, cortou a carne.
— Oh. Estilo texano.
Só isso?
— Oh. Gostoso.
Só isso?
Você dispara o coração com o óbvio e reage ao menu que eu preparei com tanto cuidado feito um funcionário sem alma? Uma reação sem espírito, um efeito exatamente proporcional à causa.
Se fosse pelo plano original de Shin Saebyeok, Gong Pyeonghwa deveria estar fazendo o maior alarde. Ele esperava uma voz exaltada dizendo que a textura era assim, que o aroma da carne era incrível, que a mordida era insana. Essa reação sem sabor não estava no plano.
— A textura não está? Boa? Né? Eu? Acho que sim.
— Parece uma carne prime comum.
— …
Não deixava de ser verdade.
— Mas parece que dá aquela sensação de ser algo que a gente não come muito no país.
— Eu nunca te levei ao nosso hotel?
Gong Pyeonghwa baixou a voz e falou baixinho.
— O nosso hotel é mais gostoso. Vamos juntos da próxima vez.
— …
Como a reação era decepcionante, ele não conseguiu dizer logo que sim. Saebyeok respondeu baixinho, com atraso, que fariam isso.
Depois disso, as reações decepcionantes continuaram o tempo todo. Mesmo mudando os pratos, Gong Pyeonghwa mantinha aquela reação morna.