Capítulo 04
Com as contrações mais cedo do que a data prevista e a bolsa que estourou de repente, Gong Pyeonghwa esperava, ansioso, na sala de acompanhantes. Só podia entrar pouco antes do parto. Deveria ter trocado de hospital antes!
Gong Pyeonghwa roía as unhas nervosamente e andava de um lado para o outro, aflito.
Pouco depois, os pais de ambas as famílias chegaram de supetão.
Gong Pyeonghwa, que parecia ter ganhado peso nos últimos meses e agora estava de novo com olheiras fundas, era a própria imagem de um destroço. Quem o visse pensaria que Saebyeok tinha recebido um diagnóstico terminal.
Como Gong Pyeonghwa entrou em pânico e não conseguia fazer nada, a senhora Kang atendeu o interfone por ele.
— Ei, mandaram você entrar.
— Eu? Eu? Eu? Eu? Vou? Vou? Vou? Vou? Vou?
— Vai!
Gong Pyeonghwa entrou na sala de parto com as pernas bambas.
O cheiro dos feromônios de Saebyeok misturado ao cheiro de sangue formava um odor estranho que invadia o nariz. Gong Pyeonghwa se aproximou de Saebyeok com calma.
Segurando a mão de Saebyeok e respirando devagar, liberou seus feromônios.
Ao ver Saebyeok, os olhos de Gong Pyeonghwa se encheram de lágrimas. Mas ele segurou com todas as forças. Quem realmente tinha motivo para chorar era outro; quem era ele para chorar!
Gong Pyeonghwa cerrou os lábios.
Apenas em silêncio, enxugava o suor e liberava feromônios sem parar, na esperança de aliviá-lo nem que fosse um pouco.
Saebyeok, com o rosto mais tranquilo, sorriu com dificuldade.
Diante daquele sorriso forçado, uma emoção subiu-lhe até a garganta. Gong Pyeonghwa engoliu firme os sentimentos.
As contrações de Saebyeok continuaram e, ao fim de uma dor que parecia uma maratona, irrompeu o choro de um bebê.
Gong Pyeonghwa cortou o cordão umbilical de Roun com as mãos trêmulas.
— Uáááh! Uááh!
Uma vida vermelha, gordinha, pequena e maravilhosa havia nascido. Roun nascera.
Gong Pyeonghwa finalmente desatou a chorar e se aproximou de Saebyeok.
Exausto, Saebyeok sorriu ao ver Gong Pyeonghwa e Roun banhados em lágrimas. Isso é o tipo de coisa que se deve registrar em foto.
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— Já tinha sentido isso com a Isul, mas mais uma vez: parece que é isso que se sente ao virar pai.
— Só descobriu isso agora?
Gong Pyeonghwa, depois de perder toda a água do corpo em lágrimas e ranho, repunha os líquidos enquanto se lembrava do peso de Roun em seus braços.
Emocionou-se e maravilhou-se com o milagre da vida. Parecia que as mãos ainda tremiam.
Gong Pyeonghwa perguntou, com a voz ainda trêmula, ao presidente Gong — o presidente da empresa que abandonara o trabalho por conta própria para ver o neto recém-nascido:
— Pai, você chorou quando me pegou no colo?
Um discurso de ódio do nada? Com o tremor cessado de vez, Gong Pyeonghwa olhou para o pai como se aquilo fosse absurdo.
— Você fez minha esposa sofrer…
Que coisa… Isso é fala de quem engravidou alguém?
Diante da frase romântica de época remota, Gong Pyeonghwa fez um sorriso podre.
— Então devia ter feito vasectomia. E a Gong Sarang? E a Gong Sarang? Eu, tudo bem, mas como a Gong Sarang nasceu? Foi catada debaixo das pernas da mamãe?
Quando Gong Pyeonghwa exigiu explicações, o presidente Gong fingiu não ouvir.
— Aiii…
— O que foi?
— Pensar que ele vai passar a vida inteira com um troço como você me dá pena… Meus pecados são muitos, ai. Não vou para o céu por sua causa.
Como assim, falar desse jeito? O que eu tenho? Pai, você é o meu pai! Não é pai do Shin Saebyeok!
— Dizem que até para o ouriço o filhote dele é bonito.
— Ouriço é bonito. Eu também acho filhote de ouriço bonito. Mas você… Eita.
O presidente Gong estalou a língua. Quando foi que ele cresceu virando esse bandoleiro?
— Já reservou a casa de repouso pós-parto?
— A reserva já está fechada. Fiz há muito tempo. Eu, hein? Diferente de certas pessoas que nem sabiam o que era “casa de repouso pós-parto”, eu resolvi tudo háááá muito tempo, tá?
— Esse moleque.
O presidente Gong deu um cascudo na cabeça de Gong Pyeonghwa.
— Ai!
O presidente Shin, que recebera a notícia com atraso, ao chegar deparou-se com o genro apanhando do pai.
Aquele sujeito ousa bater no meu genro. Quem ele pensa que é.
Claro, ele próprio já quase levantara a mão sem perceber quando Gong Pyeonghwa se fazia de esperto. Ainda assim, nunca levantara a mão.
O que Isul e Roun aprenderiam com um avô materno assim?
Quando o presidente Shin pigarreou, o presidente Gong escondeu o punho atrás das costas.
— Sogro! O senhor chegou!
Por que bater num sujeito que até cumprimenta com tanta energia? Enfim, achou até admirável que ele tivesse crescido bem sob um pai daqueles.
— O Saebyeok ainda está descansando, e disseram que dá para visitar o Roun daqui a pouco.
Gong Pyeonghwa mostrava fotos de Roun, já babando como um pai coruja.
— A sogra foi comer com a minha mãe; quando voltarem, podem ir ver o Roun juntos.
— E você?
— Eu vou ver o Saebyeok primeiro.
Não puxou o lado atrevido; é claro que puxou o lado da família materna. Sim, primeiro se cuida do próprio par.
O presidente Shin olhou Gong Pyeonghwa com satisfação e, então, ficou sério ao olhar para o presidente Gong.
— Consogro. Nos encontramos.
Diante de uma etiqueta implacável, que não dizia nem por educação que era um prazer, o presidente Gong retrucou à altura.
— Sim. Consogro.
Os dois apenas se encararam em silêncio até que as esposas voltassem.
Achando os dois igualmente insuportáveis, Gong Pyeonghwa correu para Saebyeok.
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Saebyeok abriu os olhos segurando com dificuldade a consciência nebulosa. Parecia ter dito alguma coisa dormindo.
Viu a nuca de Gong Pyeonghwa, com os cabelos da parte de trás levemente arrepiados. Assim que abriu os olhos, a imagem que mais queria ver estava diante dele.
— Acordou?
Gong Pyeonghwa, num traje confortável — uma camisa com dois botões abertos e um tricô por cima —, sorrindo com o rosto um pouco inchado.
— Como está o corpo?
— …Bem…
— Não tem como estar bem! Por que estou perguntando o óbvio! Sou idiota?
Assim que ele acordou, começou a sessão de autoflagelação de Gong Pyeonghwa.
— Tirando o cansaço, estou bem. E a Isul?
— Minha mãe e a sogra levaram ela agorinha para dar comidinha. Você não está com fome? Deve estar. Quer sopa de algas?
— Aham. Estou com um pouco de fome.
Saebyeok tomou aos poucos a sopa de algas com carne e a sopa de algas com ouriço-do-mar que Gong Pyeonghwa trouxera das duas famílias. Estava exatamente na temperatura morna ideal para comer. Era a temperatura de que Saebyeok gostava, e a temperatura que fora o estopim para ele se apaixonar.
— Está gostoso?
— Sim. Come você também.
— Não. Come e olha isto aqui.
Gong Pyeonghwa espalhou a caderneta do bebê, o carimbo dos pezinhos e as fotos já reveladas. Havia tantas fotos assim? Quando ele tirou tudo isso? Entre uma colherada de sopa e uma foto, logo esvaziou a tigela.
Era como se tivessem misturado um estimulante na sopa: os olhos e a cabeça ficaram mais claros.
— Uau. Agora somos uma família de quatro. De verdade.
— Pois é. Minhas mãos ainda tremem. O Roun é pequeno demais! Ele é um triceratops, é?
O Roun é uma pessoa. O sonho de gravidez é que foi de triceratops.
— Você se esforçou muito. Ainda está meio zonzo?
— Sim… Eu disse alguma coisa agora há pouco?
— Não? Você não disse nada.
Achou que tinha soltado o embargo enquanto dormia e ficou na dúvida, mas era mesmo impressão sua. Claro. Eu sou muito discreto.
— Por quê? Tem alguma coisa para me dizer?
— Hã? Não? Não? Eu, parece, que tenho, algo a dizer?
— Sim. Um pouco.
— Impressão sua. É impressão. Você deve estar cansado. Normalmente você distingue as coisas com precisão, mas hoje está meio desajeitado.
Diante da tática de Saebyeok, que, temendo ser descoberto, disparava acusações antes que Gong Pyeonghwa dissesse qualquer coisa, Gong Pyeonghwa riu e deixou passar, achando que talvez fosse verdade.
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Saebyeok recusou completamente Gong Pyeonghwa alegando que queria descansar confortavelmente. É que havia algo que ele precisava resolver secretamente, escondido de Gong Pyeonghwa, dentro de duas semanas.
[Assunto: Casamento de renovação de votos Gong Pyeonghwa♡Shin Saebyeok]
Doía no coração, mas era um passo atrás para dez à frente.
Saebyeok mandava os e-mails atrasados para a empresa de casamentos e a agência de publicidade, checava pela babá eletrônica se Roun dormia bem e esperava apenas o dia D.
Roun já parecia ter herdado o nariz do pai, com o dorso bem definido.
Ha… Ficou preocupado do que fazer se ele já fosse tão bonito. Não era por ser filho dele, mas era visivelmente lindo entre os recém-nascidos. Bem, os dois pais eram bonitos. Era uma genética que só podia nascer excepcional.
Tinha o destino de nascer bonito puxando a quem quer que fosse. Sendo os pais Gong Pyeonghwa e Shin Saebyeok, não havia como.
Ficava um pouco preocupado que já não o deixariam em paz. Mas, como Roun era menino, achou que talvez ficasse bem; a preocupação era com Isul…
— Senhor, sua filha veio visitá-lo.
Nossa Isul já está nessa idade? Não pode ser.
— Papai! A Isul veio visitáá.
Como esperado. Usando Isul de desculpa, Gong Pyeonghwa veio visitá-lo.
Saebyeok escondeu a pilha de documentos debaixo da cama e fechou o notebook.
Assim está perfeito, não?
— Chegou?
— Ah, eu não ia vir para você descansar em paz, mas a Isul chorou tanto dizendo que estava com saudade. E a sogra disse pra ir ver, pra ir ver, então, ai, não teve jeito, eu vim.
Falou demais, então é mentira.
— Então deixa só a Isul e vai.
— Por que você fala assim?
— O que eu fiz?
— Por que você fala de um jeito magoado, como se não tivesse sentido saudade de mim? Eu vou embora, hein? Vou mesmo? Eu dirijo bem. Sou capaz de ir embora assim de verdade.
Atrás de Gong Pyeonghwa, parecia ver um Gong Pyeonghwa com uns 50% de transparência dizendo “não manda eu ir embora”. Se mandasse ir de verdade, ele ficaria emburrado com certeza. Preciso falar direito.
— Não é hora de trânsito agora?
— Né? Não tem jeito. Então a gente pode ir para casa junto depois. Né? Hein?
— Sim…
Ah, droga. Eu queria fazer o ensaio hoje. Ter um marido apaixonado também traz suas dificuldades às vezes.