Capítulo 06
Não arregalava os olhos, não tapava a boca, não marejava os olhos, não batia os pés de empolgação.
Mas ainda não tinha acabado. Só acaba quando acaba.
Restava o bolo que Gong Pyeonghwa tanto amava — o bolo cheio daquela fruta que ele havia abandonado desde que passaram a se beijar.
— Ah…
E aí, gostou? Gostou, mas não quer comer porque acha que não vai poder me beijar?
— Eu tomei antialérgico hoje.
— Agora estou tão emocionado que meu coração vai sair pela boca.
— Coloca de volta.
— Amor, que virilidade insana…
Finalmente emocionado, Gong Pyeonghwa cortou o bolo com as mãos trêmulas. A manga que preenchia o recheio escorreu.
O aroma adocicado invadiu o nariz. Mesmo sabendo que não era possível, Saebyeok teve a impressão de que sua garganta inchava.
— Eu quero muito comer, mas não vou. Só sentir o cheiro já basta.
— Não é um altar de oferendas, para que só cheirar? Come.
— Ah, não quero. Eu vou beijar você com segurança. Vou te morder e chupar a noite inteira.
Diante de uma aspiração tão determinada, não dava nem para insistir que comesse.
— …Está bem.
— Mas o clima aqui é muito bom. Restaurante normalmente tem uma banda?
Essa é uma formação e um setlist que eu preparei especialmente para você! Finalmente você está reparando! Saebyeok, com o coração aos pulos, esperou a próxima reação.
— Oh. Um clima sentimental. Eu gosto desse tipo de coisa, né.
— É? Acho que você gostava mesmo disso.
Claro. Eu não te conheço? Saebyeok comeu o sorbet fingindo indiferença. Os cantos da boca se contorciam de tanto segurar o riso.
Era um menu unicamente de Gong Pyeonghwa, por Gong Pyeonghwa, para Gong Pyeonghwa.
A trilha sonora, os ingredientes dos pratos, a temperatura e a umidade do salão, a temperatura e a sequência dos pratos — tudo fora planejado por Shin Saebyeok.
Como havia mais sobremesas do que pratos principais, nutricionalmente estava bem desequilibrado, mas o estômago e o pâncreas ainda estavam firmes e não havia preocupação com açúcar.
— As sobremesas daqui são muito boas.
— Sabia que você ia gostar.
— Você veio pensando em mim? Que emocionante!
Sentiu os ombros se encherem de orgulho.
— Ah, é tão bom que dá vontade de chorar.
Né? Mas ainda é cedo para chorar. Saebyeok deu um sorrisinho por dentro.
— Se já terminou, vamos?
— Agora estou tão empolgado que as lágrimas sumiram.
Gong Pyeonghwa, dizendo de repente que estava com calor, abriu os botões da camisa. Ei, não é isso.
Saebyeok ajeitou a gola de Gong Pyeonghwa e o arrastou, conforme o plano, para o rooftop bar.
— Ah, não pode.
— O que não pode?
— Se eu beber eu fico muito bruto. Aê!
— Q-que isso…
Realmente era um pouco assim. Ele agia como se estivesse no cio, e por que de repente ficou tão quente?
Pensou em modificar o plano e ir direto para o quarto, mas, como o ícone da razão que era, venceu o desejo com uma razão firme.
— Mas o comércio daqui faliu? Que é isso, não tem nenhum cliente.
Ele alugou para atingir o objetivo tranquilamente. Normalmente, o casal Pyeonghwa e Saebyeok curtia encontros públicos, com densidade populacional normal, bem longe de encontros privados.
— A economia anda meio ruim.
Dizendo descaradamente que não havia clientes por causa da economia ruim, num espaço de serviço de luxo que fica ainda mais cheio quanto pior está a economia, Saebyeok sentou Gong Pyeonghwa.
— Dizem que o drink signature daqui é bom.
— Oh.
Claro que o signature era, só por hoje, um coquetel feito sob encomenda de Shin Saebyeok.
— Ai, os negócios não vão bem ultimamente.
O bartender, um ex-ator, mentiu descaradamente.
— Vir num momento tão difícil como este… Vou fazer com que não se arrependam de ter vindo!
A manhã passada com um aeróbico leve e animado, doces caprichados, um jantar magnífico no restaurante e coquetéis num bar com clima agradável — tudo perfeito.
Como o encontro especial de um casal comum qualquer.
— Vou ao banheiro rapidinho.
— Sim.
Vendo Gong Pyeonghwa se afastar, Saebyeok fez sinal ao bartender.
O tempo era vital.
Os bartenders se moveram em perfeita sincronia. O bartender que já acendia as velas escondido embaixo do balcão montou as velas em formato de coração com uma cara de “isso está certo mesmo?”.
Quando outro bartender lhe entregou o buquê de lírios-do-vale conseguido a duras penas, Saebyeok o recebeu com uma expressão determinada.
Na verdade, Saebyeok pensara em colocar Gong Pyeonghwa num cruzeiro de luxo, fazer uma festa só para os dois com fogos de artifício, aproveitar o clima e depois ter um momento extremamente íntimo e picante.
Mas hoje ele queria, incondicionalmente, criar um dia de que Gong Pyeonghwa gostasse, um dia para Gong Pyeonghwa.
Gong Pyeonghwa gostava bastante de coisas clássicas.
Um chão coberto de pétalas de rosa, balões flutuando, velas em formato de coração e um buquê, e ainda um letreiro de neon com a frase decisiva.
Os bartenders que montavam a cena se moviam com cara de dúvida sobre se aquilo estava certo.
Terminada até a montagem da câmera, ele chamou outro bartender pelo rádio, e o bartender-sentinela, que bloqueara a porta do banheiro assim que Gong Pyeonghwa entrou, respondeu.
O alvo voltará em breve.
Os bartenders nunca tinham visto, desde a fundação da Coreia, um pedido de casamento tão clássico.
Bolhas de sabão e pétalas de rosa, balões de hélio e velas em formato de coração, tudo bem, mas aquela frase no neon era demais…
Será que ele está falando sério?
— Vai fazer isso mesmo?
— Sim.
Mas o cliente era irredutível. Parecia uma pessoa com sensibilidade peculiar, apesar da aparência normal.
O bartender disparava a pistola de bolhas rezando para que aquilo não terminasse em ruína.
Sob a iluminação suave, Saebyeok, segurando o buquê, sentia o coração prestes a saltar pela garganta.
Achou Gong Pyeonghwa admirável de um jeito novo. Então ele venceu essa pressão e se declarou para mim. Pediu para casarmos.
Saebyeok engoliu em seco.
Gong Pyeonghwa voltará a qualquer momento.
O cheiro de cítricos invadiu o nariz.
— Acho que a porta do banheiro quebrou. Desculpa a dem…
Finalmente a porta se abriu e Gong Pyeonghwa entrou.
— Ora…?
Gong Pyeonghwa, confuso com o clima do bar que mudara num instante, olhava fixamente para certa presença luminosa que roubava sua atenção.
Os dizeres do letreiro de neon, que brilhavam de forma tão ofuscante que doía nos olhos, eram os seguintes:
Eu pensei até em ser enterrado com você♥
Diante da frase intensa e do neon que brilhava de forma tão espalhafatosa que doía nos olhos, Gong Pyeonghwa não conseguia desviar o olhar.
“Aquilo está escrito ‘enterrado junto’ e não ‘devoção pura’, né?”
Sob o neon magenta com “enterrado junto” escrito nitidamente, Saebyeok, bem-vestido e segurando um buquê branco, era a própria emoção.
Era o pior pedido de casamento possível, algo que teria sido cortado logo na fase de planejamento, algo que até o pior inimigo teria desaconselhado.
Era uma situação em que qualquer um veria o esforço evidente daquele Shin Saebyeok, tudo em nome dele.
“Até onde você vai por mim? Você está arrepiado agora. E mesmo assim vai continuar? Sério? Você, você me ama de verdade!”
Gong Pyeonghwa, olhando o “enterrado junto” que ainda brilhava num magenta que doía nos olhos e Saebyeok tingido de um rubor bonito, mal conseguiu acalmar o coração que batia forte.
— Nós passamos por muita coisa, né. Já faz mais de dez anos.
— Sim, sim…!
— Nesse tempo nos formamos na faculdade, tivemos filhos, casamos, e por pouco tempo até moramos na casa dos meus sogros… Ficamos juntos tempo demais, quase até enjoar, e vamos passar o resto da vida juntos, direto, até enjoar, mas não sei por que não enjoa nem um pouco.
Dez anos. Um pouco menos da metade de uma vida de 28 anos, mas nem por isso um tempo curto.
Se fosse para expressar os dez anos de Gong Pyeonghwa e Shin Saebyeok, em dias passavam de 3.650, em horas passavam facilmente de 87 mil. Fisicamente, 52 álbuns cheios; em dados, uns 12 teras de HD externo.
— Ainda resta mais tempo do que o que vivemos; vamos ficar juntos durante todo esse tempo.
Saebyeok se aproximou de Gong Pyeonghwa e se ajoelhou sobre um joelho. Sentia até o coração se arrepiar.
— Você se casa comigo mais uma vez?
Mas dava para aguentar o arrepio, os dedos das mãos e dos pés se retorcendo de vergonha.
— Inacreditável…
Vendo Gong Pyeonghwa emocionado, com os olhos úmidos, tapando a boca e sem saber o que fazer, parecia que fazer isso não era assim tão ruim.
— Eu agora, eu agora, agora eu estou tão, tão feliz…
Gong Pyeonghwa recebeu o buquê e gaguejou sem parar. Olhava o buquê, olhava Shin Saebyeok, alternando o olhar como um avarento que come um peixe seco pendurado, e então abraçou Saebyeok de repente.
Enquanto se desenrolava o beijo apaixonado dos amantes, os bartenders de bico diário, escravos do capitalismo, assobiavam e jogavam confete sobre a cabeça do casal.
“Isso funciona mesmo.”
“Mentira.”
“Sinto que o mundo está me enganando.”
Os dois se beijaram apaixonadamente por um bom tempo, e qualquer um veria que os sinais de que agora teriam um momento quente só deles estavam completos.
Vendo aqueles olhos completamente apaixonados um pelo outro, meio fora do ar, o bartender ofereceu com calma o cartão-chave do hotel.
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Os dois esfregavam os lábios com fúria. Pedaços de carne cobertos de saliva se enroscavam. Tiravam as roupas às pressas enquanto se devoravam sem parar.
Gong Pyeonghwa, enquanto tirava a parte de cima de Saebyeok, esticava a língua e sugava a pele nua. Os lábios de Gong Pyeonghwa roçaram o mamilo levemente inchado.
— Hnn…
Saebyeok arfou e cruzou as pernas.
Sabia que ele ia gostar, mas não sabia que ia gostar tão intensamente. Isso é motivo para tanta excitação?
Saebyeok empurrou o peito de Gong Pyeonghwa e gemeu. Queria que ele se acalmasse um pouco.
Se fosse pelo plano de Saebyeok, a essa altura eles deveriam estar numa cama coberta de pétalas de rosa vermelhas, bebendo champanhe e olhando a vista noturna lá embaixo, dando um beijo leve, depois se olhando profundamente nos olhos e trocando carícias suaves.
Não caídos assim na entrada, sendo chupados!
— E-espera! Espera! Pyeonghwa! Olha ali!
— Ah, não quero…
Gong Pyeonghwa, com o rosto enterrado no peito nu de Saebyeok, chupava fazendo barulho. Já era um mamilo inchado e sensível, e como ele arranhava a aréola, um gemido dolorido escapou involuntariamente.
Gong Pyeonghwa se colava ao peito dele e se esfregava, como se fizesse manha. A mão que passava pela lombar e apalpava a lateral do corpo entrou por dentro da calça.
Logo forçou a passagem pelo elástico da cueca e agarrou com força a nádega. Amassou-a com ganância, tomando uma mão cheia, e depois deslizou para o vão entre as nádegas.
— Ah…!
A ponta do dedo que forçava entrada se curvou como um gancho e arranhou as paredes internas.