Capítulo 02
— Mas o estagiário Shin gosta mais de ir embora do que de dinheiro.
— Correto. E nesse sentido, vou indo.
— Que vontade de te fazer virar a noite trabalhando.
Saebyeok fez cara de choro com a boca, mas arrumou suas coisas com calma.
Hoje também precisava ter um encontro incrível. Porque era sexta-feira.
Saebyeok e Gong Pyeonghwa tinham combinado de ir a um escape room para maiores de 18 anos hoje. Será que não é ruim para a gestação? — pensou, mas bom… quão adulto poderia ser? Saebyeok confiava na censura coreana.
Antes disso, precisava alimentá-lo, mas o que dar de comer?
Gong Pyeonghwa ainda estava com enjoos. Ainda assim, como os enjoos estavam ficando mais leves, ultimamente ele andava com algum apetite.
— Saeeebyeoook-aaaa.
Nosso Pyeonghwa é o homem mais bonito quando está na casa dos 100kg, mas depois de um tempo registrando dois dígitos perigosos, agora estava num dois dígitos estabilíssimo.
Preciso engordá-lo logo.
— O que você quer comer hoje?
— Por quê? Vai pagar?
— É. Recebi o salário.
Exibindo um salário menor do que os rendimentos de juros, Saebyeok abriu a carteira.
— Aaah. O que vamos comer? O que vou comer com o dinheiro que meu marido ganhou se matando de trabalhar?
Gong Pyeonghwa desenhava corações com o dedo no peito de Saebyeok, fazendo charme.
É por isso que ganho dinheiro.
O projeto e o namoro iam bem. Como uma autobahn.
☆(*^о^)乂(^-^*)☆
Faltando uma semana para o fim do contrato de estágio. Será que o desenrolar tipo autobahn tinha acabado?
— O que fazer se nem o básico funciona? Eu falo porque me preocupo mesmo. Com esse padrinho, talvez eu não devesse me preocupar? Mas incompetência não dá para encobrir, né?
Não se sabia que rancor ele guardava, mas bastava ficarem sozinhos um instante para ele soltar uma dessas.
Não só isso: mesmo ao passar por ele, xingava às suas costas, chamando-o de vagabundo, de filho da puta. Mas era tão patético que dava pena, e nem raiva dava.
Justamente porque só fazia isso quando não havia ninguém.
Só lhe ocorria pensar “por que essa pessoa vive assim?”.
Quer xingar mas fica com receio, fica com receio mas quer xingar, é isso?
— Porque tenho dinheiro suficiente para encobrir a incompetência. Obrigado pela preocupação.
Sem necessidade de gastar energia, Saebyeok deu de ombros e seguiu seu caminho, mas o assistente Hwang o seguiu de propósito e se agarrou às suas palavras.
— Está falando sozinho alto o bastante para ouvirem?
— Eu estava respondendo. Já que o senhor se preocupava comigo.
Sou tão educado, algum problema? Quando Saebyeok inclinou a cabeça, o assistente Hwang, com o rosto vermelho, apontou o olhar de Saebyeok. Disse que ele era simplesmente mal-educado. Não há o que responder.
— Ha… Sim, desculpe.
Que cansaço. Que cansaço. Saebyeok sacudiu a cabeça de um lado para o outro, deixando bem visível seu cansaço. Aquele cara também só era educado com quem lhe convinha, então por que ele teria que ser respeitoso?
— Você acha que eu sou fácil?
— Imagina.
Escolheu logo o dia de hoje? Está implicando demais.
— Mas porra, que jeito mal-educado de falar é esse? Hein? Só eu viro o babaca. Eu, pra um subordinado, falei alguma coisa que não podia?
Hwang Jincheol ficava irritado só de ver a nuca de Shin Saebyeok — não, só de ver sua sombra.
Uma fúria ardia por dentro.
O que você tem de tão bom? Do que você tem tanto orgulho? Sendo um adúltero. Se metendo com homem.
Se o gerente Dok não tivesse se metido, ou melhor, será que ele também não está se metendo com aquele desgraçado do gerente Dok? Era óbvio que aquele vagabundo andava puxando o saco de todo mundo.
Aquele filho da puta era tão arrogante que, por mais que tentasse quebrá-lo, ele não quebrava — era quase nojento.
— O senhor falou coisas que não podia, sim. E por que põe a mão no corpo dos outros sem permissão? É desagradável.
Mesmo agora, ele retrucava com todas as forças e afastava sua mão. Aquele nojento, que só se achava por causa de uma cara bonita, dava vontade de matar.
Vamos ver até quando você consegue andar de cabeça erguida.
Logo chegará a hora do julgamento.
☆(*^о^)乂(^-^*)☆
Por que ele mexe na cabeça dos outros? Que raiva! Foi humilhante.
Que tipo de pessoa é essa? Por que vive assim? Detesto de verdade.
Saebyeok voltou ao seu lugar e sacudiu a testa onde o dedo do assistente Hwang tocara. Parecia sentir cheiro de cigarro na própria testa. Queria terminar bem o pouco tempo de contrato que restava.
Preciso ir embora logo.
O único jeito de compensar esse estado de espírito era Gong Pyeonghwa.
Saebyeok mexeu o mouse porque o monitor havia se apagado. A proteção de tela sumiu e no mensageiro apareceu uma notificação que não havia antes.
[Diretor-Gong Jeong: Reunião com o presidente~^^~]
[Diretor-Gong Jeong: Vem rápido~~]
[Diretor-Gong Jeong: hehe o Roun vem também~]
Chamar durante o expediente e não no horário do almoço quer dizer que é assunto de trabalho? Mas que motivo haveria para chamar um estagiário…?
Como falta pouco tempo de contrato, será uma reunião sobre o contrato?
Quando Saebyeok se levantou, o assistente Hwang soltou um “pff” de riso. Era um sujeito cujo som do riso também era irritante.
☆(*^о^)乂(^-^*)☆
— Sente-se.
Saebyeok cumprimentou com uma mesura e sentou-se. Nesse meio-tempo, o diretor Gong Jeong virou o avatar de Gong Pyeonghwa e empilhou morangos bem lavados diante de Saebyeok.
— Com esse tempo de casa, é isso que eu estou fazendo.
Saebyeok, honrado demais, nem conseguia levar um morango à boca.
Saebyeok, com a coluna reta como uma criança de castigo, espiava de canto de olho. Não conseguia ler de jeito nenhum a expressão do sogro.
Não vai me mandar terminar o namoro a essa altura. O que será que ele vai dizer?
“Você trabalha pior do que parece, então não precisa vir a partir de amanhã.”
Isso talvez arranhasse um pouco a autoestima.
“Realmente não posso aceitar um genro homem. Entregue a guarda e arrume outra pessoa.”
Eu processo.
Por mais que pensasse, parecia ser uma das duas coisas. O que seria? Incapaz de ler a expressão do sogro, Saebyeok descartou a suposição anterior de que seria uma reunião sobre o trabalho e ficou matutando.
— Hum, então. Aquele Gong Pyeonghwa ainda está com aquilo, enjoo, aquilo? Todo magrelo. Hein?
— Ah… Sim. Mas parece que já está quase acabando, ultimamente o apetite dele voltou, então estou tentando fazê-lo comer o máximo possível. Se o senhor quiser, posso compartilhar o cardápio desses últimos…
— Ei, deixa! Deixa! Que me importa saber o que aquele fedelho come!
Não foi porque estava curioso sobre o que “aquele fedelho” come que o senhor me chamou?
— Bom, enfim, estão bem?
— Sim. Graças ao senhor, estamos bem. Obrigado.
Puxando o saco como nunca fizera na vida, Saebyeok agradava o presidente Gong, que atravessava a andropausa.
— Hum, certo. E o segundo está crescendo bem?
— Quer ver a foto do ultrassom?
— Hum… Deixa eu ver. Esse moleque, já tem uma presença tão marcante, vai virar uma grande figura quando crescer.
O presidente Gong riu, de bom humor.
— Certo, certo. Ahem. Ahem. Enfim, eu chamei você porque, não é outra coisa, eu recebi uma coisa.
O que ele teria recebido?
— Você tem vergonha do meu filho?
— Como?
Claro que, às vezes, bem às vezes, meu marido é vergonhoso onde quer que se apresente. Mas é literalmente só um pouquinho de vergonha. Fico só um pouco tímido.
Mas qual a intenção da pergunta nesta situação?
Saebyeok girou e girou a cabeça para dar a resposta perfeita, mas não conseguia saber qual seria a certa.
— …Ocasionalmente, há momentos em que ele apronta eventos vergonhosos… Mas, como dizer. Acho admirável esse lado criativo. É uma qualidade que eu não tenho, então penso “meu marido é mesmo diferente, preciso observar e aprender muito”.
Gong Jeong, que estava quieto, fingiu ter ânsia de vômito.
Quando o presidente Gong o encarou, Gong Jeong recuou e saiu da sala da presidência.
— Enfim, hum. Certo. Bom, não sei que louco fez isso, mas chegou uma carta estranha para mim.
— Carta?
— Estava enfiada entre os documentos de aprovação, achei que fosse algo e…
Sem saber o que dizer, ou talvez de puro absurdo, o presidente Gong soltou um riso seco e, em vez de falar, mostrou um pedaço de papel.
Depois de ler com atenção, Saebyeok riu com um canto da boca torcido.
— Sim. É uma denúncia dizendo que eu vou me casar com minha cunhada e, enquanto isso, estou tendo um caso com o meu marido; entregaram até fotos como prova, de maneira meticulosa, e como não bastasse, ainda montagens maliciosas…
— Não chamei você porque desconfiei do conteúdo; chamei porque quis saber que tipo de louco se enfiou por aqui para que isso chegasse até mim. Achei que você deveria ao menos saber que existe um sujeito desses.
O presidente Gong ficara bastante perturbado quando recebeu a carta pela primeira vez. Até hoje, quando aparece uma cena picante num filme, ele acha que não deveria deixar a criança ver — e esse filho, que ainda é criança para ele, tendo contato físico pegajoso com alguém do mesmo sexo?
Havia até algumas fotos que ele censurou por conta própria, achando que não deveria mostrar a Saebyeok, que estava grávido; eram elaboradas, mas por mais que pensasse, não lhe parecia que seu genro fosse usar uma cueca de couro daquelas.
Era montagem mesmo. A tecnologia hoje em dia melhorou até demais.
— Para que isso não aconteça…
Quanto custa um assassino de aluguel?
Saebyeok ficou tão furioso que a cabeça girou por um instante, e apertou os olhos.
Na visão momentaneamente escurecida, parecia ver o assistente Hwang com aquele sorrisinho podre olhando para ele.
— Como?
— Como?
— Estou perguntando como você vai fazer para que isso não aconteça.
Posso matar? Saebyeok piscou inocentemente, escondendo a intenção verdadeira.
O presidente Gong estalou a língua por dentro. Sendo tão inocente assim, como pretende viver neste mundo cruel?
Preciso deixar o máximo de dinheiro possível para ele. Neste mundo bruto, quase tudo se resolve com dinheiro.
— Tsc, você sabe quem é? Um sujeito que faz uma coisa dessas seria alguém normal? Fuçando por aí sem preparo, você pode acabar se machucando. E ainda por cima não está sozinho no corpo.
O presidente Gong sentia que faria qualquer coisa quando pensava no neto que nasceria em cerca de trinta semanas.
— Se tem alguém de quem você suspeita, escreva o nome dele quietinho e fique descansando até isso ser resolvido.