Capítulo 07
Autobahn Romance Vol 3 — P7
No terceiro dia após a partida de Shin Saebyeok, ainda não havia contato.
No primeiro dia era compreensível, por causa do cansaço.
No segundo dia também era aceitável. O cansaço, a viagem de negócios e, por causa do fuso horário, o atencioso Saebyeok não queria ligar para não incomodar, não ligar…
Não seja atencioso. Não seja. Sinto sua falta. Quero ouvir sua voz. Quer me ver enlouquecer? Quer me ver virar um paciente psiquiátrico? Seus dedos quebraram? O que custa enviar um e-mail? O Wi-Fi não funciona? Ou você sofreu um naufrágio? Por que não liga? Por que não entra em contato? Hein?!
A raiva fez as lágrimas virem aos olhos. Ele conteve o choro a custo e desceu para preparar o café da manhã.
Não estava picando cebola ou alho, estava apenas limpando brotos de feijão, mas as lágrimas insistiam em cair.
Será que a vida de um alfa sem ômega era tão cheia de tristeza assim? Ele sentia-se extremamente infeliz e infeliz.
Mesmo refogando o bulgogi alegremente, ele se sentia triste. O cheiro adocicado e saboroso o deixava irritado.
Até salpicar sementes de gergelim no final o deixava com raiva.
Quem deveria estar esbanjando doçura agora éramos nós, o casal. O marido não está por perto e eu estou aqui sozinho refogando carne e sentindo cheiro de óleo de gergelim.
Talvez por isso, mesmo com a sogra desfiando a carne de caranguejo em conserva e Noeul empurrando o rocambole de ovo com ovas de tainha em sua direção, Gong Pyeonghwa não sentia apetite.
O próprio ato de comer era um sofrimento.
— Obrigado pela comida…
Mesmo tirando o caranguejo em conserva como um golpe de misericórdia, não adiantou.
A qualidade de vida da senhora Lee despencou. Ou melhor, desabou.
Agora não havia mais ninguém que batesse na testa a cada mordida, ou que dissesse que a comida estava tão gostosa que a testa não desfranzia, ou que fizesse a dança dos ombros de tanta alegria ao comer!
Não havia recompensa em fazer uma comida gostosa.
Na verdade, ela não tinha confiança para cozinhar algo saboroso.
— Você está doente em algum lugar?
Observando a esposa murchar em tempo real, o presidente Shin perguntou sugestivamente.
Certamente o problema não era a comida, a culpa era daquele sujeito.
— Não… Não dói nada… Tirando o corpo forte, sou um cadáver, então o que haveria de doer… Acho que é apenas a melancolia da primavera… Eu nunca passei por isso antes… Desde o ensino médio até hoje, nunca fiquei solteiro por um único momento…
Grande coisa. Uma resposta sarcástica quase saiu da boca dele, mas ele a segurou e disse com uma voz terna e compreensiva:
— Mesmo assim, por garantia, vá ao hospital. Nem todo mundo fica assim com a primavera. Quem sabe não existe outra razão.
— Sogro, não acha que nós podemos ter feito uma marca?
— O quê?
O quê? O que você disse, seu moleque? O quê? Algo que eu não fiz nem com a minha esposa, por que eu faria com você, seu moleque?
— Sabe, antes de me separar do Saebyeok, nós… bem, nós fizemos.
Só de lembrar daquele momento, he… Hehe. Foi um pouco quente. Gong Pyeonghwa sorriu com uma expressão ambígua entre a malícia e o orgulho.
Diante disso, o presidente Shin se acalmou a custo.
Ah. Ele fez a marca com o meu filho, não comigo… Esse moleque se atreveu a fazer uma marca com o meu filho?
— Dizem que quando se faz a marca, se o parceiro não está por perto, fica difícil. Acho que o meu rut também está chegando… Ah, eu tomei o supressor. De qualquer forma. Acho que é isso.
De fato, era possível.
Hum? Pensando bem, aquele sujeito não começou a recusar comida justamente quando Saebyeok viajou? A reação vinha proporcional à distância?
O presidente Shin, tendo nascido alfa e se casado com uma esposa beta, quase não sabia nada sobre marcas.
De qualquer forma, se fosse por causa da marca, seu filho também poderia estar queixando-se de sintomas semelhantes.
O presidente Shin perguntou imediatamente no chat do grupo “Vida de Casado na Casa dos Sogros 101”.
Ele não costumava olhar o celular ou ler o jornal durante as refeições, mas hoje era uma exceção.
Shin Do-hyeok
O nosso filho está comendo bem?
Considerando o fuso horário, a resposta provavelmente viria apenas algumas horas de…
Gong Son-hwan
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Estou alimentando ele bem.
Você achou que eu o deixaria passando fome por aí?
A resposta veio como se estivesse esperando. Esse sujeito vive grudado no celular?
Gong Sa-rang
Parece gostoso.
Gong Jeong
Parece gostoso.
Kang Seong-ah
Parece gostoso mesmo.
Será que o vício em smartphone é uma característica hereditária daquela família?
Shin Noeul
Parece delicioso 😀
Noeul, até você?
De qualquer forma, seu filho parecia não ter problemas. Na verdade, ele não estava comendo em excesso por aí? Então não era uma marca. Ou seria uma marca unilateral daquele sujeito sozinho?
Fosse o que fosse, seu filho parecia bem, o que trouxe alívio. No entanto, ver aquele sujeito sem comer e definhando em sua casa causava desconforto.
Ele queria dar-lhe um estimulante de apetite para trazê-lo de volta ao seu estado comilão original. Mas como não podia medicá-lo por conta própria, faria isso de forma moderada…
O presidente Shin agiu como um viciado em smartphone durante todo o caminho para o trabalho, pesquisando coisas como “comida de primavera”, “comida para quando se está sem apetite” e “comida que faria até um genro fugitivo voltar”.
—
A quantidade que ele comia diminuía progressivamente. Ver o esforço dele para engolir a comida era doloroso para quem assistia.
A senhora Lee estava genuinamente preocupada.
Se não soubesse, seria uma coisa, mas sabendo o quão saudável e guloso ele era, vê-lo reduzir drasticamente a quantidade de comida e demonstrar depressão de repente tornava impossível não se preocupar.
A senhora Lee organizou os dados dos últimos três dias, incluindo os sintomas apresentados nas três semanas anteriores.
Com base no dia da partida de Saebyeok, antes de viajar ele era alegre, animado e comia com gosto. No entanto, após a viagem, a quantidade de comida diminuiu drasticamente e os sintomas de depressão se intensificaram.
Ver isso em números tornou o impacto ainda maior.
A senhora Lee anexou os dados organizados e enviou uma mensagem cuidadosa para a consogra, buscando ajuda.
Olá, consogra.
O frio rigoroso finalmente diminuiu e a primavera com as suas forsítias florescendo está se aproximando. Como a senhora está?
O motivo de entrar em contato separadamente é falar sobre o seu filho, que também é o nosso genro.
Ultimamente, a quantidade de comida e o nível de atividade dele diminuíram visivelmente, o que me deixa preocupada. Ele diz que é por causa da primavera…
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Como pode ver, parece ser um declínio acentuado demais para culpar apenas a estação.
Pensei que pudesse ser uma marca, mas o nosso Saebyeok parece estar comendo ainda melhor…
Estou preocupada com o meu genro. Gostaria de saber se ele costuma ficar assim a cada primavera.
A senhora Lee roeu as unhas enquanto esperava pela resposta.
“E se a consogra me culpar? E se ela achar que estou maltratando o genro? Será que estou causando uma preocupação desnecessária? Não, os pais precisam saber…”
Antes que os pensamentos da senhora Lee se aprofundassem, a resposta veio rapidamente.
Kang Seong-ah (Consogra)
Dê carne a ele.
Uma resposta curta que ignorava as preocupações.
Kang Seong-ah (Consogra)
Certamente ele está fazendo isso para protestar por alguma coisa.
Não ligue muito. Mesmo que finja estar doente, deve ser corpo mole.
Na época de escola, ele dizia que não queria ir à excursão escolar e ficava sem comer em casa, e um dia chegou a quebrar o próprio braço por causa disso.
Bem, se era assim, era melhor não tê-lo enviado…
Kang Seong-ah (Consogra)
Depois de tanto implorar para ir passear, não sei por que agiu daquele jeito de repente.
Enfim, não deve ser nada. É corpo mole, corpo mole.
A senhora está tendo muito trabalho ㅠㅠ
Sinto muito por isso. Ele é um filho que dá muito trabalho… O seu filho não faz birra com comida como certas pessoas, é dedicado e impecável, então peço desculpas de verdade…
As desculpas foram despejadas como uma enxurrada, dizendo que sentia muito por ser a única a ter facilidade.
A senhora Lee também se desculpou e encerrou a conversa, indo fazer compras secretamente, sem contar nada a Gong Pyeonghwa. Ela preparou um tempero secreto que passava de geração em geração na família.
Ela disse para dar carne, não foi?
Vou mostrar o sabor do meu ensopado de costela, minha técnica secreta guardada a sete chaves.
A senhora Lee foi tomada pelo desejo ardente de ver Gong Pyeonghwa comendo com gosto novamente de qualquer maneira.
—
No primeiro dia, a viagem longa o deixou cansado, e no segundo dia ele esteve realmente muito ocupado. Ele cumpriu a agenda e desabou imediatamente. Parece que o corpo sofreu um pouco para se adaptar ao fuso horário.
E, embora tudo estivesse ótimo, o olhar do sogro era tão persistente que não sobrava tempo nem para enviar um e-mail.
Mas isso significava que ele estava sufocado? Não era o caso. Não era isso, mas havia reuniões com clientes durante o dia e encontros de executivos à noite, restando pouquíssimo tempo para ficar sozinho.
Bem, o que poderia acontecer em apenas um ou dois dias? Mas não era assim no início do casamento ou do namoro?
A pessoa não sentia que morreria se não entrasse em contato com o parceiro?
É claro que Saebyeok e Gong Pyeonghwa já viviam como um casal há muito tempo para ser considerado o início do casamento, e o período de namoro era longo demais para ser o começo. Se o namoro contasse como experiência, seriam 10 anos, mas, segundo eles, eram apenas estagiários.
O estagiário Shin Saebyeok, em seu décimo ano de período de experiência, conseguiu finalmente dar sinal de vida a Gong Pyeonghwa apenas no quarto dia.
Para: Pyeonghwa
—
Eu cheguei bem e estou tendo dias ocupados. Acho que o corpo está um pouco pesado devido à adaptação ao fuso horário, mas estou bem. Você está passando bem?
O meu sogro comprou muitas comidas gostosas para mim. Fazia tempo que eu não comia as rosquinhas daquela loja que você gosta, o que me fez lembrar muito de você.
Quero comprar muitas coisas que você gosta no caminho de volta. Tem algo em especial que você queira muito que eu traga?
Eu queria passar um pouco na nossa casa nos Estados Unidos, mas realmente não tenho tempo. Mesmo assim, acho que vou conseguir um tempinho antes de voltar para a Coreia.
Devo levar mais alguns álbuns de fotos que esquecemos? O gramado deve ter crescido bastante. Vou dar uma olhada para ver se está bem cuidado.
Eu estou bem, então não se preocupe de forma alguma. O meu sogro cuida muito bem de mim. Na verdade, ele cuida tão bem que acho que engordei bastante. Ele disse que vai me comprar peru amanhã. Ele até pesquisou com antecedência.
Saebyeok queria escrever detalhadamente tudo o que queria dizer, mas o sogro já estava rondando por perto.
— Bem, hum, genro. Está tomando banho?
— Ah, sim, sim! Já estou saindo!
Saebyeok, que escrevia o e-mail secretamente no banheiro, enviou a mensagem com pressa sem colocar uma saudação final e jogou água no rosto.
— Hum. Sabe que temos uma festa mais tarde, não é? Vamos comprar uma roupa para você.
— Sim!
—
Finalmente, após 90 horas, o e-mail chegou.
Gong Pyeonghwa leu o e-mail em um piscar de olhos. Ele leu a mensagem curta tantas vezes que quase a gastou.
Eu cheguei bem e estou tendo dias ocupados. Acho que o corpo está um pouco pesado devido à adaptação ao fuso horário, mas estou bem. Você está passando bem?
Se estou passando bem? Não. Eu pareço estar passando bem? Estou morrendo de desidratação sem você.
O meu sogro comprou muitas comidas gostosas para mim. Fazia tempo que eu não comia as rosquinhas daquela loja que você gosta, o que me fez lembrar muito de você.
É mesmo? Eu não estou conseguindo engolir nada. Só consigo pensar em você a cada momento!
Quero comprar muitas coisas que você gosta no caminho de volta. Tem algo em especial que você queira muito que eu traga?
Apenas venha logo! Venha o mais rápido possível! Venha apenas você!
Gong Pyeonghwa respondeu ao e-mail em voz alta, fungando, embora ninguém estivesse olhando.
Ele precisava do calor de Shin Saebyeok. A voz de Shin Saebyeok, o cheiro dele, os feromônios, não deveria haver pelo menos um deles por perto?
Gong Pyeonghwa abriu a porta do guarda-roupa de Saebyeok, entrou e se encolheu lá dentro. Como o guarda-roupa, por maior que fosse, não era um espaço que pudesse acomodar confortavelmente um homem adulto cujo físico superava em muito a média, a cena era um tanto ridícula.
Não dava para sentir grandes feromônios em um guarda-roupa de roupas que não eram usadas há 10 anos. Longe de feromônios, parecia haver cheiro de naftalina, mas ele se hipnotizou dizendo que era o feromônio de Saebyeok, extraindo-o como quem espreme vinho de uma uva passa.
Parecia que ele conseguia sentir o feromônio de Saebyeok, mesmo que muito sutilmente, no tecido que carregava as marcas do tempo.
Gong Pyeonghwa puxou as roupas do guarda-roupa alheio sem permissão e fez um ninho com elas.
Será que era por não ter dormido direito devido à insônia dos últimos dias, ou por ter sentido o feromônio de Saebyeok de forma muito fraca, mas seus olhos se fecharam estranhamente.
Gong Pyeonghwa insistiu em espremer o corpo naquele guarda-roupa estreito e com cheiro de naftalina para tentar dormir.
No sonho, Saebyeok apareceu carregando Isul.
Ele viu as costas de Saebyeok entrando em um avião com Isul. Não! Não vá! Se for, me leve junto! Por que está me deixando para trás e indo vocês dois sozinhos!
Gong Pyeonghwa estendeu a mão, mas ela não alcançou, e Saebyeok partiu sem olhar para trás.
—
— Onde está aquele sujeito?
O presidente Shin, que ainda não queria chamar Gong Pyeonghwa de genro, usou uma expressão indireta.
“Aquele sujeito”, o hóspede que vivia na casa dos sogros, o segundo filho do inimigo e o desgraçado que havia engravidado o seu filho. Ele estava se referindo a Gong Pyeonghwa.
— Nossa? Verdade. Onde ele está? Será que está no quarto?
O rapaz que costumava rondar perto da sapateira sempre que dava o horário de ele voltar do trabalho não foi visto hoje. O modo como ele corria em sua direção no instante em que abria a porta da frente parecia o de um cão de corrida correndo após ouvir o sinal de partida, o que o fazia sentir que valia a pena voltar para casa.
O presidente Shin, que havia se acostumado com as boas-vindas ao estilo de Gong Pyeonghwa ultimamente, achou estranho não ver o rapaz que costumava pegar seu paletó e sua pasta enquanto tagarelava como de costume.
— Vovô.
Isul se agarrou às pernas do presidente Shin e começou a desferir socos na pasta de documentos. Seus punhos que pareciam patinhas de algodão batiam de leve na pasta.
— Quer a pasta?
— Pasta!
— Não pode. Esta é pesada.
— Pas! Ta!
— Eu disse que não pode.
— Dá!
Como ela não recebeu a pasta mesmo estendendo as mãos, Isul, emburrada, fez “hunf” e começou a andar a passos miúdos, deixando o presidente Shin para trás.
Aquela cena era tão fofa que o presidente Shin e a senhora Lee morderam os lábios com força.
— Papai!
A bebê Isul andava a passos miúdos e, ao subir as escadas, ia engatinhando. Temendo que ela se machucasse, o presidente Shin e a senhora Lee a seguiam de perto.
— Papai. Papai. Papai!
Engatinhando até o quarto de Saebyeok, Isul foi barrada pela porta.
No entanto, sabendo que os adultos estavam atrás dela, apontou para a porta com o dedo. Ela estava emburrada com o vovô, mas isso era uma coisa, e quando precisava de ajuda, ela a aceitava.
Diante do pedido fofo e ousado, o presidente Shin bateu na porta e disse que entraria, abrindo-a em seguida.
Mas não havia ninguém visível no quarto. Será que estava tomando banho? Não parecia haver barulho de água.
O presidente Shin, assim como a senhora Lee, aproveitou a oportunidade para procurar Gong Pyeonghwa. Ao revistarem o quarto de Saebyeok, ele não estava no banheiro, nem no escritório, nem na cama.
Quando a suspeita de “será que ele fugiu?” começou a surgir, ouviu-se a voz de Isul.
— Papai. Pa! Pai! Pa! Pa! Pa!
Pés descalços apareciam para fora do guarda-roupa. Isul estava choramingando enquanto dava socos naquelas solas de pé descalças.
“Mas por que aquele sujeito está enfiado no guarda-roupa do filho dos outros?”
Ele não seria um pervertido? Por que estava agindo assim no guarda-roupa… Como a senhora Lee também estava perplexa, abriu a porta do guarda-roupa com cuidado.
Dentro do guarda-roupa, viu-se Gong Pyeonghwa fungando, tendo juntado as roupas que estavam penduradas para usá-las como um cobertor.
— Soluço… Saebyeok… me leve junto também… Eu sou o pai da Isul…
O que ele está fazendo. O presidente Shin não conseguiu dizer nada e apenas mexeu a boca sem emitir som.
— Eu também tenho passaporte… Vamos juntos… Eu te amo… Soluço…
O fato de um homem tão grande estar espremido ali já causava pena, mas as palavras que ele resmungava entre lágrimas eram o auge da comiseração.
— Meu Deus…
Era uma situação digna de pena, mas que estranhamente dava vontade de rir.
Era triste, era melancólico. Mas era um pouco engraçado. A senhora Lee e o presidente Shin morderam os lábios com força para não soltar uma risada.
— Você não me vê? Não me vê… Estou a um passo atrás de você… Soluço! A um passo atrás, sempre…
Ah, por favor. Por que ele está cantando? Por favor.
Os sogros de Gong Pyeonghwa, que mordiam os lábios a ponto de quase cortá-los, fecharam os olhos com força.
Se aquilo fosse uma atuação, não seria apenas uma mentira boba, seria uma farsa de alto nível e carregada de sinceridade que os teria enganado completamente.
— Querido, deixe-os se encontrarem secretamente apenas uma vez. É tanta pena que…
Embora dissesse que sentia pena, a voz dela estava cheia de riso.
O presidente Shin também acabou amolecendo o coração, pensando: “Se o Pastor e a Tecelã se encontram uma vez por ano, por que não deixá-los se encontrar uma vez?”, e seu coração tendeu um pouco para isso, mas logo ele recuperou a razão.
— Acorde-o para que ele coma.
— Tudo bem.
O presidente Shin e a senhora Lee chacoalharam Gong Pyeonghwa, que estava espremido no guarda-roupa, para acordá-lo.
Gong Pyeonghwa se levantou fungando e parecia não se lembrar do sonho que tivera.
— Caramba. O que eu faço? Sogra, sogro.
— O quê?
— Acho que desenvolvi rinite…
Não. Não mesmo. Você não desenvolveu.
— Será que tem muita poeira por ser um guarda-roupa? Nossa, meu nariz está escorrendo.
Cobrir o rosto demonstrando sem-vergonhice como se estivesse sem graça era ridículo. Diante daquela palhaçada que divertia até o final, o presidente Shin e a senhora Lee finalmente caíram na risada.
Isul também riu, soltando gargalhadas.
Após toda a confusão, a senhora Lee cozinhou pratos de carne com dedicação, conforme as palavras da consogra.
— Hum… Logo hoje…
O ensopado de costela especial exigia muita preparação, então só estaria pronto amanhã à noite, mas de qualquer forma, pratos de carne foram servidos hoje também.
— Tem muita carne.
Cerca de doze tipos.
Era a primeira vez que a esposa, que sempre buscava uma dieta equilibrada e alimentos naturais, preparava uma refeição digna de uma tribo primitiva.
Pato assado, bulgogi de porco com lula, costelinha de porco, porco picante refogado, bulgogi de carne bovina, bossam, carne bovina desfiada em conserva, frango ensopado, kimchi cozido com carne de porco, bife de lombo, almôndegas…
Será que peixe não era carne? A refeição composta estritamente por proteínas e sódio de origem animal chegava a dar medo.
— Sogra… Será que tudo isso é por minha causa…?
Gong Pyeonghwa, cujas lágrimas haviam se tornado fáceis ultimamente, perguntou com os olhos marejados.
— Não, não é por isso… Coma logo antes que esfrie.
— Obrigado pela comida! Vou comer muito bem!
Diante do cheiro apetitoso de carne, o apetite de Gong Pyeonghwa voltou imediatamente. Carne suculenta e firme!
Gong Pyeonghwa pegou um pedaço de bossam brilhante com o coração trêmulo.
Como todos fingiam não ligar, mas estavam claramente prestando atenção nele, Gong Pyeonghwa sentiu-se envergonhado e, ao mesmo tempo, pressionado.
“Será que eu vou conseguir fazer uma reação que atenda às expectativas deles? Aplausos de pé? Um mortal para trás? Fazer malabarismo com as costelas?”
Com preocupações que nem um comediante teria, Gong Pyeonghwa colocou a carne na boca com cuidado.
O gosto adocicado e salgadinho envolveu sua língua exatamente como quando ele havia provado antes. Ao mesmo tempo, sentiu-se o sabor intenso da carne. Era um sabor celestial que derretia a língua a ponto de a palavra “magnífico” ser insuficiente.
Isso não seria digno de um patrimônio cultural humano? Gong Pyeonghwa achou que a Blue House poderia roubar sua sogra para os banquetes presidenciais. Sendo sincero, ele achou seu próprio pensamento ridículo, mas a comida estava realmente maravilhosa a esse ponto.
Estava tão gostoso que as lágrimas vieram aos olhos…
— Você está chorando agora?
A começar pela pergunta do perplexo presidente Shin, a senhora Lee e Isul também falaram com ele.
— Nossa.
— Cunhado, não chore.
As palavras que misturavam preocupação e espanto vinham acompanhadas de riso e orgulho.
No entanto, isso durou pouco, e o ambiente que havia se descontraído de repente virou de cabeça para baixo.
— Vomito…!
Gong Pyeonghwa cobriu a boca e conteve a ânsia de vômito, mas não demorou muito para que sangue escorresse por entre os seus dedos.
Era uma cor vermelha extremamente viva e exalava um forte cheiro de sangue.
Gong Pyeonghwa desabou ali mesmo.
Assustados, os familiares começaram a se desesperar e a andar de um lado para o outro. Gong Pyeonghwa tossia sem parar e, a cada tosse, mais sangue jorrava.
A primeira a recuperar a razão foi Noeul. Ela ligou para o 119 exatamente como havia aprendido na escola. Enquanto realizava os primeiros socorros conforme as instruções da equipe de resgate, a ambulância chegou em pouco tempo.
Foi o momento em que a grandeza da educação pública brilhou.
Gong Pyeonghwa fechou os olhos, achando um alívio que Isul tivesse ido para a casa dos avós paternos.
— 𓇼 —— 𓇼 —— 𓇼 —
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna