Capítulo 06
Autobahn Romance Vol 3 — P6
— Sogro, olhe isso. É fofo, não é?
Assim que chegou do trabalho, Gong Pyeonghwa ficou se gabando enquanto usava um chapéu ridículo.
— Por isso comprei um para o senhor também.
Comprando um chapéu ridículo desses com o meu dinheiro. Quando o sogro tentava demonstrar seu descontentamento, ele usava Isul como escudo ou trazia a esposa e a filha dele para que ele não pudesse dizer nada.
Ele parecia ter uma personalidade mais política e estratégica do que aparentava. Realmente, não se podia julgar as pessoas pelas aparências.
— Tcharam!
Como Gong Pyeonghwa colocou um chapéu de pinguim ridículo na cabeça dele sem permissão, o presidente Shin quase deu um tapa na nuca de Gong Pyeonghwa sem perceber.
A mão do presidente Shin, que nunca esteve perto da violência em toda a sua vida, tremeu.
A mão do presidente Shin, que nunca havia cometido um único ato de violência física em 28 anos criando o filho, coçou pela primeira vez na vida, ansiando por um ato violento.
— Sogra, olhe para cá. O sogro não ficou ótimo?
— Ah, é, bem, é, hum…
O rosto dela demonstrava claramente que estava segurando o riso.
Poder fazer a esposa sorrir deve ser algo realmente gratificante para um marido. Mas, mas, e se aquele sorriso fosse um esforço para não rir do meu estado ridículo? A confiança como homem, o orgulho e a vergonha como chefe da família…
— Sogro, olhe para cá. Vamos tirar uma foto. Xis.
— …
Será que devo levá-lo para algum lugar e dar uma surra nele?
O apelido do presidente Shin era Buda Vivo.
Como ele tinha muita paciência e não demonstrava oscilações emocionais, a mídia frequentemente o chamava nas manchetes de “O Buda Vivo, Presidente Shin Do-hyeok”.
— Oh. Olhe isso. Ficou ótima. Que tal imprimir e pendurar? Vamos tirar uma foto de família no fim de semana!
Mas agora, as emoções dele ferviam por causa de um rapaz que não tinha vivido nem metade da sua vida.
Certamente, a intenção inicial era “fique longe do meu filho e sofra um pouco também. Vamos ver o quanto você aguenta, vamos ver até onde você vai!”. No entanto…
— Quem estava sendo testado era eu?
A cada momento, ele precisava se segurar à razão diante de impulsos primitivos. Não, mas ele… não dava para apontar exatamente o quê… mas por que ele era tão irritante?
Será que ele nasceu para ser detestável? O presidente Shin conteve a custo a raiva que não passava enquanto olhava para o rosto radiante de Gong Pyeonghwa.
Fazia um dia desde que Shin Saebyeok havia viajado.
Ainda não havia contato e seu corpo parecia dormente. Estranhamente, ele sentia como se tivesse um pouco de febre.
Gong Pyeonghwa pediu licença à sogra e a Noeul para que cuidassem de Isul.
Como ele disse que estava preocupado em transmitir um resfriado para ela, a sogra e Noeul concordaram de bom grado em cuidar de Isul, embora estivessem preocupadas com Gong Pyeonghwa.
Gong Pyeonghwa ficou deitado na cama apenas mexendo no celular.
Para garantir que o celular não descarregasse caso houvesse algum contato, ele o manteve conectado ao carregador enquanto atualizava a caixa de entrada de e-mails intermitentemente.
Novos e-mails recebidos: 0. E-mails enviados, mas não lidos: 40. Ele acabou de escrever mais um, totalizando 41…
Gong Pyeonghwa estava deprimido, extremamente deprimido.
Mesmo praticando ioga quatro vezes por semana, dando passeios de carro e caminhadas, tendo refeições de qualidade todos os dias e vivendo em um ambiente confortável tanto higiênica quanto economicamente, a depressão ainda podia surgir.
— Genro Gong, posso entrar?
Ao ouvir a voz após três batidas honestas na porta, Gong Pyeonghwa hesitou na cama antes de abrir a porta.
— Se está doente, deve ir ao hospital. A febre está alta?
O rosto dele certamente não parecia bom, mas, ao colocar a mão na testa dele, não parecia haver febre.
Como o genro, que costumava fazer barulho e correr por toda a casa todas as manhãs, estava silencioso, era impossível não se preocupar.
Gong Pyeonghwa deu um sorriso forçado diante da preocupação da sogra e disse que estava bem.
Seu corpo estava um pouco dolorido e sua mente não estava bem, mas não era como se estivesse doente a ponto de ir ao hospital. Apenas…
— Acho que estou sofrendo com a chegada da primavera.
Será que era a inquietação pela mudança de estação? Gong Pyeonghwa não conseguia pensar em outra razão além dessa.
A primavera havia chegado, mas seu amor não estava ao seu lado, então certamente era a doença do amor.
Dias em que o sentimento de melancolia e o mal-estar físico vinham juntos eram raros. Ele devia usar isso como uma oportunidade.
O otimista Gong Pyeonghwa, acreditando que os céus estavam apoiando sua greve de fome, decidiu intensificar o movimento a sério.
— Hum, pois é. Como você é sensível, pode ser isso. Mas precisa comer.
A senhora Lee, incapaz de ler as segundas intenções de seu genro, serviu-lhe uma canja de abalone que havia cozinhado com todo o cuidado desde a manhã, esperando que ele recuperasse as forças.
Olhando para aquela refeição de enfermo caprichada, com carne desfiada finamente, brotos de alho-poró temperados com um toque azedinho para abrir o apetite, uma salada crocante de acelga-chinesa e até lula em conserva salgadinha e de boa textura, Gong Pyeonghwa tentou lembrar se teria salvo o país em sua vida passada.
Naturalmente, nada lhe veio à mente.
Gong Pyeonghwa provou uma colherada da canja de abalone. Ele achou que estaria espetacularmente deliciosa… mas não tinha gosto de nada.
Estava um pouco com gosto de peixe… pegajosa… adstringente, nem água nem arroz, algo totalmente desagradável.
Ele queria comer como se estivesse gostando, mas Gong Pyeonghwa era um homem honesto diante da comida.
Ele podia exagerar dizendo que uma comida gostosa estava deliciosa, mas não conseguia mentir dizendo que uma comida ruim estava boa.
Ele comeu apenas a carne desfiada e mastigou o resto à força, mas acabou desistindo por achar difícil demais.
A senhora Lee, que confiava no próprio tempero, recolheu a tigela com uma expressão chocada e provou cada um dos alimentos novamente.
Gong Pyeonghwa sentiu-se culpado, mas realmente não estava bom.
Não era possível que os dotes culinários da sogra tivessem piorado de repente, então devia ser um problema no seu próprio paladar.
Ele não teria perdido o paladar de uma hora para outra. Certamente deveria haver alguma relação de causa e efeito…
— Caramba.
Será que eu fiz uma marca com o Saebyeok?
Se fosse isso, fazia sentido.
Ele havia feito uma marca com Shin Saebyeok inconscientemente. Por isso seu estado físico havia piorado desde o momento em que Saebyeok partiu para um país estrangeiro com um fuso horário de 13 horas de diferença.
Que coisa, que coisa. Com tantas noites quentes ainda pela frente, e já terem uma marca… Ele sentiu uma mistura de alegria e lamentação.
Se eu estou sofrendo tanto assim… o quão difícil deve estar sendo para o Saebyeok? Ao pensar em Saebyeok em um lugar distante junto com o pai dele, os olhos de Pyeonghwa se encheram de lágrimas.
—
— Sogro, posso comer mais?
— Coma bastante! Sabe que temos que ir a uma festa hoje à noite, não é?
Ignorando as preocupações de Gong Pyeonghwa, Saebyeok estava comendo bem e passando bem. Talvez até melhor do que na Coreia.
—
Dois dias se passaram desde a partida de Saebyeok. Ainda não havia notícias. O roaming não funcionou ou o hotel não tem Wi-Fi?
Gong Pyeonghwa foi definhando aos poucos.
Não tinha disposição nem forças. Naturalmente, também não tinha apetite.
— Obrigado pela comida…
Sem que ninguém percebesse, um estado de alerta se instalou na casa.
Pode parecer um pouco rude dizer isso de uma pessoa, mas Gong Pyeonghwa era mais parecido com um cachorrinho saltitante do que com um ser humano naquela casa. No entanto, ele não andava pela casa, não implorava para passear e apenas ficava trancado no quarto em silêncio.
Além disso, em dois dias, o que equivalia a seis refeições — e calculando ao estilo de Gong Pyeonghwa, o tempo em que ele deveria ter devorado um total de 32 tigelas de arroz —, ele havia apenas beliscado míseras nove tigelas no total.
Comer apenas uma tigela por refeição? Gong Pyeonghwa limpava quatro tigelas cheias de arroz a cada refeição desde o primeiro dia até pouco tempo atrás.
Por conta disso, a senhora Lee havia trocado a panela de pressão para três pessoas por uma panela de grande capacidade, do tamanho de um caldeirão. Tudo para garantir as refeições ininterruptas de Gong Pyeonghwa!
Mas a panela ainda estava cheia de arroz! O genro! Não quer! Comer! Ele disse que já terminou! Algo assim nunca havia acontecido.
Por que será? Minha comida está ruim?
A senhora Lee perdeu subitamente a confiança na sua culinária.
— …Me dê mais arroz. Está ainda mais gostoso hoje.
Graças a isso, o presidente Shin acabou comendo demais. Ele tentava demonstrar que não havia problemas com a comida dela comendo mais, mas comer em excesso era realmente um suplício.
“Aquele sujeito astuto domesticou as pessoas do jeito que queria e agora se recusa a comer? Esse canalha está manipulando psicologicamente a minha esposa?”, esse pensamento lhe ocorria, mas ver o rosto dele tão abatido tornava difícil dizer qualquer coisa.
— Cunhado, vamos sair para comer sorvete?
— …Hoje eu não tenho nenhum apetite… Vamos amanhã…
— Cunhado, eu comprei bolo, você quer?
— Fico feliz pela intenção…
— Cunhado, por garantia eu também comprei tteokbokki, frango frito, rosquinhas e bingsu!
Achando que ele desejaria pelo menos um deles, ela lançou a isca, mas Gong Pyeonghwa recusou terminantemente dizendo que estava sem apetite.
Que coisa.
Noeul agora havia se tornado apenas a pessoa que comprou bolo, tteokbokki, frango frito, rosquinhas e bingsu.
— Deixe-o. Ele vai melhorar logo.
Encorajando a filha que exalava o cheiro de comida em vão, o presidente Shin olhou para o volume de Gong Pyeonghwa encolhido sob o cobertor. Embora não gostasse dele, ver o rapaz antes tão animado agora deprimido o deixava intrigado.
Bem, deve ser apenas o que ele disse, a melancolia da primavera.
Ele estava mais preocupado com a esposa que havia perdido a confiança na cozinha do que com Gong Pyeonghwa. Talvez pela idade, comer demais não era algo saudável. Ele não podia continuar comendo em excesso para sempre…
O presidente Shin tomou um digestivo secretamente, pensando que amanhã traria algo que aquele sujeito gostasse ao voltar do trabalho.
— 𓇼 —— 𓇼 —— 𓇼 —
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna