Capítulo 04
Autobahn Romance Vol 3 — P4
Ao retornar para o local do jantar de empresa, Shin Saebyeok sentiu um leve choque de realidade.
“Isso que é a elite?”
Havia funcionário mergulhando o cabelo na tigela de sopa, funcionário falando sozinho olhando para o nada, e até funcionário tentando fazer uma ligação usando o próprio sapato.
Humph. Como era o cartão corporativo, eles viraram a garrafa com um destilado de quarenta graus em vez do soju tradicional da garrafa verde.
Por outro lado, o pessoal do setor, que bebeu tanto quanto os novatos, mantinha as feições intactas. A tranquilidade que demonstravam ao cuidar dos novatos enquanto continuavam a beber deixava transparecer a maturidade deles. Seria essa a diferença de experiência?
O líder de equipe Dok também retornou trazendo Saetbyeol naquele momento.
— É melhor eu levar a funcionária Kim para casa agora. Vou indo na frente.
— Até mais.
Quando Shin Saebyeok se despediu, o líder de equipe Dok ficou olhando para ele em silêncio, ou melhor, encarando. O que foi.
— O senhor tem algo a dizer?
— …Não. Não cabe a mim dizer nada. Não estamos na empresa, afinal.
O que é. Será que ele ainda está de olho na minha miniatura? Se for isso, ele é bem persistente.
— Nos vemos na empresa.
Como ele achou que daria um jeito de fazer alguma coisa com Pyeonghwa se despachasse o líder de equipe Dok rapidamente, ele tentou apressar a saída dele, mas Saetbyeol, que parecia estar meio morta, soltou um grito do nada:
— Ei. O que, o que eu fiz de tão errado assim?
Ela estava mesmo bêbada.
— Caramba… O que eu…
O líder de equipe Dok soltou um suspiro e amparou Saetbyeol. O visual das costas do líder de equipe Dok e de Saetbyeol se afastando parecia um tanto… digno de pena e, ao mesmo tempo, transmitia companheirismo.
Shin Saebyeok também ia saindo do local do jantar quando deu de cara com rostos conhecidos.
— Irmão.
— Noeul.
Atrás de Noeul estava a senhora Lee também. Gong Pyeonghwa, que estava agitado segurando o antiácido, também ficou surpreso ao cruzar os olhos com os dele, agindo como se fosse alguém que estava vendo pela primeira vez hoje.
Ele exibia uma expressão tão assustada que ficava difícil acreditar que, há poucos instantes, os dois estavam trocando um beijo daqueles no beco.
A senhora Lee ficou feliz em ver o filho, mas como alguém que não deveria permitir o encontro de Gong Pyeonghwa e Shin Saebyeok, ela hesitou sobre como reagir e acabou seguindo o que o seu coração desejava.
— Saebyeok. Você já comeu? O que aconteceu com o seu rosto? Está reduzido à metade.
— Eu estou comendo bem. Como o meu sogro sempre compra algo para eu comer se eu pular alguma refeição, não se preocupe tanto.
A senhora Lee, que olhava para Shin Saebyeok olhando de relance para Gong Pyeonghwa, e para Gong Pyeonghwa que parecia que ia chorar olhando para Shin Saebyeok, sentiu apenas compaixão no coração.
“Os dois estão morrendo de amores, quem sou eu para impedir…”
— Se você não comeu, Saebyeok, quer jantar com a gente também?
— …Tudo bem agir assim?
— Tudo bem agir assim? Tudo bem agir assim? Tudo bem agir assim?
Gong Pyeonghwa começou a pular agitado como um molusco ao receber sal. Diante da vivacidade do genro que não via há tempos, a senhora Lee sorriu com compaixão e assentiu com a cabeça.
— Com certeza. Quem vai dizer algo se uma mãe quer dar comida para o próprio filho.
— Ah… Sério, a minha sogra é maravilhosa demais… Tenho tanto orgulho da senhora ser a minha sogra. É a melhor.
Graças à escolha corajosa da senhora Lee, um segredo surgiu entre os quatro.
Os quatro terminaram uma refeição que deixaria qualquer observador satisfeito, tiraram fotos em uma cabine de adesivos nas proximidades e compraram meias em uma barraca de rua.
Gong Pyeonghwa, que ultimamente andava muito aéreo em casa, hoje demonstrava uma excelente reação para cada pequena e simples coisa.
Embora aquele rosto sorridente tenha mudado para uma expressão de choro na hora de se despedir de Shin Saebyeok, tirando esse momento, Gong Pyeonghwa manteve o rosto sorridente o tempo todo.
“Será que é tão bom assim?”
Durante o trajeto dirigindo, e mesmo ao chegar em casa e tomar sorvete de sobremesa, o sorriso não saía do rosto de Gong Pyeonghwa. Ao pensar que ele andava tão deprimido nos últimos dias mesmo sorrindo fácil assim, ela pensou que deveria ter permitido o encontro antes.
O sorriso de Gong Pyeonghwa continuou até o presidente Shin chegar do trabalho.
— O senhor chegou! Sogro! Já jantou? Jantou, certo? Quer uma sobremesa? Quer que eu descasque algumas frutas?
— …Você…
O que há com ele. O presidente Shin, dominado pela energia de Gong Pyeonghwa, buscou a esposa com o olhar.
A senhora Lee conteve o riso a duras penas ao ver a expressão confusa do marido.
— Parece que ele está de bom humor porque fomos comer fora.
O que é isso. O humor dele melhorava tão fácil assim? Como ele passou os dias suspirando e aéreo, ele estava pensando intimamente em encerrar a estadia dele na casa dos sogros e permitir a mudança para a casa própria… O presidente Shin, que se preocupou internamente, resmungou por dentro.
Ele se sentiu um tanto sem graça por ter se preocupado à toa.
“Por que eu fui me preocupar com um sujeito daqueles?”
Chocado com o fato de ter amolecido o coração sem perceber e, como reação a isso, tomado pelo desejo de cobrar Gong Pyeonghwa com rigor, o presidente Shin analisou Gong Pyeonghwa como um gerente de RH rigoroso.
Foi então que algo capturou o olhar do presidente Shin.
— Que tipo de meia é essa para um homem usar?
Eram meias de cano curto com uma estampa cafona.
O presidente Shin, que jamais imaginou ver na própria casa meias com personagens que nem garotas do colégio usariam, franziu a testa e encarou as meias.
Gong Pyeonghwa, com uma expressão natural e piscando os olhos com inocência, disse:
— São meias de casal.
— …
Olhando de perto, a sua filha Noeul e a esposa também usavam meias semelhantes.
Noeul e a senhora Lee desviaram o olhar discretamente do presidente Shin e esconderam os pés. No entanto, o presidente Shin já tinha cruzado os olhos com o personagem grosseiro estampado no peito do pé das duas.
— Eu também comprei uma para o senhor, sogro.
— …
Apareceu o primeiro grande obstáculo na vida do presidente Shin, que quase nunca tinha usado outro tipo de meia além das meias sociais de terno.
— Meia de casal. Meia de casal. Hum, hum. Meia de casal. É fofa, não é?
A meia que Gong Pyeonghwa comprou demonstrando um excesso de consideração, alegando que o sogro poderia se sentir excluído, tornou-se um item de casal exclusivo dos quatro. Essa meia seria mencionada brevemente na autobiografia futura do presidente Shin. Sendo apontada como a maior adversidade que o presidente Shin já enfrentou na vida.
—
Mesmo no horário em que todos dormiam, o presidente Gong recebeu Shin Saebyeok com o jornal aberto, parecendo não ter o menor sono.
— Cof, cof. Como foi o jantar de empresa?
“Foi uma bagunça, e o encontro foi maravilhoso.”
— Bem, foi um tempo proveitoso. O pessoal do setor veio conversar sobre o trabalho, compartilhou o conhecimento deles e também nos deu mentoria.
— É mesmooo?
— No entanto… — Shin Saebyeok hesitou se falava ou não, mas decidiu falar. Embora fossem empresas concorrentes, ele queria uma disputa justa. — Fiquei com uma leve preocupação se o senhor não teria selecionado os funcionários focando excessivamente na competência.
— Se trabalharem bem, basta.
— Isso é verdade. Acho que falei bobagem. Peço desculpas.
Como Shin Saebyeok se desculpou rapidamente, o presidente Gong ficou ansioso. O que ele realmente queria ouvir não era aquilo. Como Shin Saebyeok não falaria algo sem motivo, ele estava curioso para saber o que ele testemunhou para soltar um comentário daqueles.
— …Mas hoje em dia, sabe? Trabalhar bem e só? Existe todo aquele falatório sobre meritocracia exacerbada ou monstros gerados pelo capitalismo, então realmente precisamos de talentos com um perfil um pouco mais humanista. Não acha?
— Afinal, estamos na era da sensibilidade. No entanto, o que eu vi hoje… Não é nada.
“Fale logo! Se não quiser ver alguém perder o fôlego aqui!” O presidente Gong estava curioso sobre a própria empresa sob a perspectiva de Shin Saebyeok. Não um elogio vazio, mas um feedback sincero.
— Aconteceu alguma coisa?
— Bem, acho que foi por causa da bebida, mas teve alguém que me chamou de prostituto do nada, e também pessoas preocupadas em criar linhas de contatos… Bem, em qualquer organização existem pessoas habilidosas em política corporativa, então não estou criticando isso especificamente.
O quê? Qual desgraçado se atreveu a chamar o meu terceiro filho de prostituto. Um sujeito que se atreve a falar uma coisa dessas trabalha na minha empresa?
O presidente Gong, que já tinha adotado Shin Saebyeok no coração, fechou a cara com uma expressão assustadora.
— O fato de funcionários novos com menos de um ano de casa estarem agindo assim foi um tanto… decepcionante. Não estou exigindo erudição, mas há intenções internas que jamais deveriam ser demonstradas.
— Não precisa dizer mais nada para eu entender. Hoje em dia? Sabe? Tem uns sujeitos que ficam postando textos em fóruns anônimos corporativos por aí!
“Espere, sogro, isso…”
Shin Saebyeok, que respondeu sinceramente à pergunta descompromissada do presidente Gong, acabou tendo que passar por uma consultoria individual com o presidente Gong que foi mais difícil do que uma entrevista de diretoria.
Até quando?
Durante a madrugada inteira.
— …Portanto, incluir um teste adicional durante a avaliação de caráter também seria uma alternativa. É claro que os funcionários atuais não apresentaram problemas no teste psicotécnico e por isso foram aprovados, então o ideal seria refinar a entrevista profunda além dos documentos…
— Bem. Sim, sim. Nada mal.
Sem demonstrar compaixão ao ver Shin Saebyeok com a voz rouca e os olhos semicerrados, ou talvez por estar tão concentrado a ponto de não enxergar mais nada, o presidente Gong continuou a bombardeá-lo com perguntas.
Só quando Isul veio engatinhando e se agarrou à canela do presidente Gong chorando as pitangas, foi que ele cessou o bombardeio de perguntas.
— A nossa Isul quer papá, é? Hein? É?
Livre das garras do presidente Gong graças à devoção filial de Isul, Shin Saebyeok dormiu direto por vinte e quatro horas sem acordar nenhuma vez.
No meio da rotina agitada após um sono profundo que não tinha há tempos, Isul acabou indo para a casa do papai Pyeonghwa, e Shin Saebyeok queimou o pouco que restava do fim de semana pescando com o sogro.
Por conta disso, sem que ele fizesse nada de muito grandioso, o fim de semana acabou.
Ao ir trabalhar com o corpo dolorido, o diretor-executivo Gong Jeong massageou os seus ombros pessoalmente.
Porque graças a Shin Saebyeok, ele não foi arrastado para o pesqueiro. Ele parecia muito mais um irmão mais novo do que Gong Pyeonghwa, que sacrificou o irmão mais velho visando apenas a própria segurança.
“Será que não daria para as famílias trocarem de filhos de uma vez?”
Gong Jeong pressionou os ombros tensos de Shin Saebyeok colocando toda a sua sinceridade. Ele queria que Shin Saebyeok o acompanhasse na viagem de negócios da próxima semana também.
— Por que, por que está fazendo isso. Cunhado.
— Ora essa. Um cunhado não pode massagear os ombros do irmão mais novo!
“Afinal, eu não sou o seu irmão mais novo. O seu irmão mais novo é o meu marido.”
Diante da cena sublime de um diretor-executivo massageando os ombros de um estagiário em uma cansativa manhã de segunda-feira, os funcionários cochichavam entre si.
Após receber a massagem cheia de segundas intenções, Shin Saebyeok teve que checar mensagens também cheias de segundas intenções no aplicativo de comunicação interna.
[Diretor Executivo – Gong Jeong: Haha tem algum estagiário querendo acumular milhas aéreas? Haha]
[Diretor Executivo – Gong Jeong: Ah, tem um itinerário realmente excelente e proveitoso disponível~]
[Diretor Executivo – Gong Jeong: Ah~ tem gente que iria até pagando, será que não tem ninguém querendo ir recebendo para isso~]
[Diretor Executivo – Gong Jeong: Ah, é uma excelente oportunidade mesmo haha~~~]
Ele não tem o que fazer desde a manhã? Shin Saebyeok, que passou a vida inteira como um cidadão exemplar, respondeu dizendo que o seu passaporte tinha sido apreendido por motivos de força maior.
Bastava enviar uma resposta para que vinte novas mensagens se acumulassem. Ele era tão obstinado quanto Gong Pyeonghwa e digitava muito rápido.
Dando um corte nas mensagens do diretor como quem lida com uma reclamação de cliente difícil, ele encerrou o trabalho da manhã, e quem o aguardava era Saetbyeol.
— Bem, Saebyeok.
— Sim?
— Quer almoçar junto comigo? Eu pago…
Almoçar do nada?
Como ela falou hesitando e demonstrando um claro desconforto, recusar seria uma desfeita, então Shin Saebyeok se levantou do lugar.
— O que você vai pagar para mim?
—
Existe um ditado que diz o seguinte:
Carne de porco significa sinceridade, carne de boi significa segundas intenções. Sendo assim, pagar um domburi de bife no horário de almoço seria sinceridade? Ou seriam segundas intenções?
Isso também é carne de boi…
Shin Saebyeok olhou para o domburi de bife pensando no que haveria entre a sinceridade e as segundas intenções.
— Bem… No jantar de empresa, eu fui uma tremenda mala, não fui?
— Bem.
Apenas… foi uma situação que gerou um pouco de preocupação, mas… uma mala desse tanto? Ela não arrumou briga, não xingou ninguém, não quebrou o patrimônio e nem vomitou.
Pelo contrário, o comportamento dela quando bêbada era até bem comportado, o bizarro era o fato de as pessoas ao redor não prestarem atenção.
É claro que isso não significa que ela agiu bem. Não se deve beber a ponto de perder o controle do próprio corpo. O mundo é muito perigoso.
— Ouvi dizer que o líder de equipe e o Saebyeok cuidaram de mim… Eu não me lembro de quase nada…
— Não, bem, foi algo natural e não teve nada que se possa chamar de cuidar especificamente. Bem. Mas acho que seria bom você ficar mais alerta.
— Eu sei. Eu sei… Mas eu fiquei com tanta raiva que acabei agindo assim sem perceber. Hum.
Saetbyeol exibiu uma sutil variação de expressões, parecendo desolada, com o orgulho ferido e também sufocada.
Deixando que Saetbyeol organizasse os próprios sentimentos sozinha, Shin Saebyeok comeu o domburi de bife.
Originalmente, Shin Saebyeok não gostava de carnes cobertas com esse tipo de molho adocicado, mas hoje a comida estava descendo incrivelmente bem.
Shin Saebyeok preferia alimentos que preservassem o sabor original dos ingredientes. Comidas repletas de temperos artificiais e sabores estimulantes não eram familiares para ele, e ele não gostava muito.
No entanto, hoje o sabor parecia se ajustar perfeitamente ao seu paladar. Não sabia se o restaurante era excelente ou se o seu paladar tinha mudado, mas a comida descia com facilidade.
Diante de Shin Saebyeok que engoliu a comida num piscar de olhos, Saetbyeol também acabou engolindo a comida às pressas na esteira dele. Shin Saebyeok bebeu água sem jeito, pensando se tinha comido rápido daquele jeito.
Saetbyeol também terminou de comer de certa forma e se levantou do lugar, dizendo com uma voz fraca como se estivesse dando uma desculpa para Shin Saebyeok:
— De qualquer forma, me desculpe. É que eu sou formada apenas no ensino médio, então sofro uma espécie de exclusão, por assim dizer. Por isso acabei bebendo muito. Obrigada por cuidar de mim.
Ah. Foi por isso. Por isso ela ficava isolada no meio daqueles materialistas.
Pensando bem, ela passou pelo mesmo processo de seleção às cegas, superou a terceira etapa de entrevistas e ainda passou pela entrevista de diretores para ser contratada, e mesmo assim sofria discriminação por causa do nível de escolaridade.
Será que a maior conquista da vida deles foi terem entrado em uma boa faculdade? Ele ficou pensando no que pessoas daquela idade estavam fazendo da vida.
Felizmente sobrou um pouco de dinheiro, então Shin Saebyeok comprou café para Saetbyeol em uma cafeteria e os dois subiram para o escritório.
Por que o horário de almoço é tão curto, e por que o horário de almoço não está incluído nas horas de trabalho.
Shin Saebyeok resistiu à sonolência pós-prandial que se aproximava com a ajuda da cafeína.
Bastou comer e respirar um pouco para já ser o trabalho da tarde. Como a segunda-feira estava tranquila e sem visitas externas, a Equipe 1 de Vendas Internacionais aproveitou a oportunidade para fazer um jogo de traçar linhas.
Daria para fazer através de um jogo online, mas insistindo em resgatar a nostalgia analógica, eles desenharam linhas aleatórias no quadro branco de brainstorming para criar o jogo.
Os assistentes com os olhos sem vida acrescentaram mais algumas pernas bizarras ao desenho com risadinhas.
Como resultado disso, o destino selou que, usando o cartão do assistente Kang, Shin Saebyeok e o líder de equipe Dok deveriam ir comprar o café…
— Eu irei sozinho.
— Deixa disso. Embora eu tenha sido pego por causa de alguns traços que o assistente Jang e o assistente Kang adicionaram no último momento, o que foi definido está definido.
Ao contrário das palavras que pareciam carregar um ressentimento, o líder de equipe Dok vestiu o paletó sem contestar.
Shin Saebyeok também recebeu o cartão do assistente Kang e vestiu o paletó.
— Assistente Kang.
— Sim?
— Posso passar trezentos mil won?
— Líder de equipe. Posso denunciá-lo por assédio moral no trabalho?
O teor das piadas dessas pessoas simplesmente não permitia entender onde estava a graça.
Shin Saebyeok organizou os pedidos da equipe em um post-it.
— Vamos.
Mesmo com o assistente Jang implorando para ir no lugar dele, o líder de equipe Dok ignorou as súplicas dizendo que não podia ignorar o veredito dado pelo deus do jogo de linhas.
Nesse tempo todo já teríamos ido e voltado. Shin Saebyeok sentiu o cansaço e seguiu atrás do líder de equipe Dok.
Como os pedidos estavam acumulados e a previsão era de quinze minutos de espera, Shin Saebyeok e o líder de equipe Dok sentaram-se nos assentos e aguardaram sem fazer nada.
Os dois ficaram em silêncio por um longo tempo. Nem o líder de equipe Dok e nem Shin Saebyeok eram do tipo que falavam muito.
— Eu, vejo você. — Quem abriu a boca primeiro foi o líder de equipe Dok. — Geralmente não tenho interesse na vida privada dos outros. Ou seja, mesmo que o administrador da Equipe 2 de Vendas Internacionais cometa adultério no ambiente de trabalho e a empresa fique de cabeça para baixo, eu não tenho interesse.
Não, o quê?
Para o romântico Saebyeok, o adultério era um pecado que ele não conseguia entender e nem queria entender.
— No entanto, se isso acontecer dentro da minha equipe, a história muda um pouco.
“O administrador da nossa equipe também está cometendo adultério?”
— Se a equipe for desfeita devido à conduta errônea de alguém, ou se os setores parceiros passarem a evitar a colaboração conosco, não haverá como não se importar, não é?
— Com certeza.
Como Shin Saebyeok respondeu sem hesitação, o líder de equipe Dok olhou fixamente para ele.
— Acabei ouvindo sem querer na semana passada que o estagiário Shin vai se tornar o genro da família proprietária.
Naturalmente que sim. A boca dele se abriu em um sorriso interno ao pensar que em breve seria reconhecido como o marido de Gong Pyeonghwa e genro da família.
— Ah, bem, sim. É isso mesmo.
— Espero que a nossa equipe não seja feita de joguete pelas suas aventuras emocionantes.
“Feita de joguete por aventuras emocionantes?” Shin Saebyeok quase imaginou os dois fazendo algo na empresa de repente, bem, de qualquer forma, mas conteve o pensamento com força.
— Cof, cof. Com… com certeza. Eu conheço o pudor e prezo pela minha reputação social.
— Alguém assim… — O líder de equipe Dok olhou para Shin Saebyeok com uma expressão incrédula, mas Shin Saebyeok estava ocupado abanando o rosto com as mãos, encabulado com a própria imaginação.
— Alguém assim trai a noiva e fica se beijando com outro alfa na rua? — O líder de equipe Dok disse horrorizado.
— O quê? — Shin Saebyeok também elevou a voz, confuso.
Noiva? Noiva? Traindo a noiva e se beijando com outro alfa na rua? Eu? Eu?
— Quem disse que eu tenho uma noiva.
— Você não está noivo da filha do presidente? Todos comentam isso.
— Eu?
Com a Gong Sarang? Eu? Eu com a irmã mais nova do meu marido? Que tipo de absurdo sem cabimento, que árvore genealógica maluca… Que ofensa sem tamanho o senhor está dizendo?
— Bem, deve ter muito exagero no meio, mas todos estão sabendo da história da Cinderela e tudo mais. Menos eu, todos.
— Eu não sou a Cinderela.
A minha família também tem posses. Olha o respeito. O herdeiro da empresa concorrente sentiu a irritação.
— Então qual é a história da filha do presidente, e quem era aquele homem com quem você se beijou no jantar de empresa?
Beijo com outro homem, do que ele está falando. Eu sou, hein? Um homem de fidelidade inabalável como um girassol.
—
— …E parece que o líder de equipe viu você e eu nos beijando. Acho que todos pensaram que a cunhada e eu tínhamos esse tipo de relação.
— O quê, então eu sou o amante?
Com uma vida de girassol, o romântico Gong Pyeonghwa sentiu a mente rodar ao receber o rótulo desonroso de “amante” que jamais tinha sido associado a ele na vida.
— Passar por uma humilhação dessas na minha vida…
O pai de Isul tremeu de indignação. Da outra vez impregnou o marido dos outros com feromônio, e hoje transformou o cônjuge legítimo em amante?
Não havia um único ponto que agradasse naquele líder de equipe.
“Quando eu herdar a empresa do meu pai, você com certeza estará na lista de corte da reestruturação…”
Ele alimentou pensamentos dignos de um filho mimado e cruel de um capitalista, rangendo os dentes por dentro.
— E tem mais uma coisa. Parece que eu fui bem demais na apresentação…
— Eu já sabia. Um resultado natural. Você faz tudo bem feito.
“Foi bem. Foi bem!” Foi bem, mas por que ficou tão cabisbaixo. Gong Pyeonghwa o consolou com carinho.
No entanto, isso também durou pouco.
— Eu… acho que vou fazer uma viagem de negócios internacional…
— …
Diante de Shin Saebyeok que abaixou a cabeça parecendo culpado, Gong Pyeonghwa perdeu as palavras e logo começou a tremer ao aceitar a realidade.
— Que tipo de estagiário faz viagem de negócios. — E então ele tentou falar de forma racional… — Peça demissão agora mesmo dessa empresa de bosta. — Não conseguindo conter a fúria que cegou os seus olhos, ele difamou a empresa do próprio pai.
— É a empresa da sua família.
Mesmo que Gong Pyeonghwa descartasse o amor pela empresa, Shin Saebyeok tentava recolher os cacos de qualquer jeito.
— Não é a minha empresa.
O efeito foi mínimo.
— Não, por que vão levar você? Onde já se viu uma empresa enviar um funcionário novo em uma viagem internacional? Com quem você vai? Vai sozinho?
— …Com o presidente…
— Enlouqueceu? O meu pai está doente por acaso? Por que, por que uma coisa dessas…
Por que o líder de um grande conglomerado faria uma viagem internacional com um funcionário novo, não, nem funcionário novo, com um estagiário. Isso faz algum sentido agora. Será que há tanta falta de talentos assim. Gong Pyeonghwa bufou de indignação o tempo todo.
— Quem faz o genro trabalhar tanto assim? Vou denunciar ao Ministério do Trabalho. Não, vou convocar uma coletiva de imprensa!
— Pare de falar coisas que vão fazer as ações caírem.
Gong Pyeonghwa parecia não conseguir conter a indignação sozinho e continuou a bufar.
Só depois que Shin Saebyeok continuou a colocar bolos e tortas na sua boca foi que Gong Pyeonghwa desfez as rugas da testa e perguntou com um tom mais brando:
— Quando você vai?
— Amanhã…
“Por que você só fala isso na hora de se despedir…”
— 𓇼 —— 𓇼 —— 𓇼 —
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna