⌀ — Capítulo 7.1
↫─Capítulo 7.1 – Guerra Fria
20h30. Era o horário em que Amber ficava incomumente sonolento e Tennessee se sentava no sofá com uma lata de cerveja.
Amber se aconchegou ao lado de Tennessee, que estava sentado no meio do sofá. Quando Nashville, o cachorro, veio correndo com o som das garras estalando, Tennessee naturalmente se moveu para a ponta do sofá.
Amber se deitou com a cabeça na coxa de Tennessee. Embora a coxa de Tennessee, enrijecida por nunca perder um treino, não fosse o travesseiro mais confortável, Amber achava até mesmo essa firmeza adorável.
Amber moveu o braço relaxado de Tennessee para envolver seu pescoço e suspirou satisfeito. Ele gostava de quando Tennessee se deitava com a cabeça em seu colo, mas Tennessee, sendo um homem difícil, raramente permitia tal posição. Por isso, Amber muitas vezes se pegava nessa posição aconchegada.
Tennessee, vendo Amber abrindo e fechando os olhos preguiçosamente, abaixou o volume da TV.
Enquanto assistia à TV, Amber de repente se lembrou de algo e ergueu a cabeça.
— Estou me formando em breve, Tennessee.
— Eu sei.
— Se as coisas correrem bem, posso até ser o orador da turma.
Tennessee acariciou suavemente o cabelo de Amber. Amber, que nunca se juntou a uma fraternidade ou bebeu como outros estudantes universitários, era do tipo que lidava com suas responsabilidades, então Tennessee achava que era possível.
Embora ainda restasse um semestre, Amber queria dar a Tennessee algo de que se orgulhar. Ele se lembrava de como David marejava os olhos sempre que Amber recebia uma bolsa de estudos por suas boas notas.
Elizabeth, orgulhosa de Amber, se gabava para os parentes sempre que tinha oportunidade. Todos o parabenizavam sinceramente. Claro, pessoas como Xander eram exceções.
— Vencendo os asiáticos, hein? Deve estar orgulhoso, Amber.
Quando Xander debochou, Annie, que estava escutando, gritou.
— Mãe! O Xander está fazendo piadas racistas de novo!
Mas Elizabeth estava no quintal e não ouviu o fofocar de Annie.
Amber simplesmente ignorou o sarcasmo de Xander, sabendo que Xander se calaria no momento em que Tennessee fizesse sua presença ser notada. Annie deve ter pensado o mesmo, pois começou a chamar por Tennessee.
— Ei, por que você está chamando ele!
No momento em que Xander, que tinha ficado pálido, gritou, Tennessee, com suas orelhas afiadas, apareceu logo em seguida. Um namorado gentil que, apesar de ser bombardeado com inúmeras perguntas dos parentes todos os anos, não demonstrava seu cansaço por medo de fazer Amber se sentir mal.
Quando Tennessee entrou na sala de estar, seu olhar mudou de Amber e Annie, alinhados no sofá, para Xander. Os olhos de Tennessee se estreitaram. Então, olhando para Annie, ele perguntou gentilmente.
— Você chamou?
Annie, com um sorriso travesso, disse:
— Não, Tennessee.
como se estivesse dando uma colher de chá a Xander.
Xander, que havia calado a boca imediatamente, suspirou aliviado.
“Quando foi isso, durante as férias de inverno?”
— Amber.
Amber, que estava adormecendo lentamente com suas recordações, voltou à realidade. Tennessee, que estava acariciando sua franja, o chamava.
— Sim, Tennessee.
— O que você quer fazer no futuro?
Falando de repente sobre aconselhamento de carreira, Amber nunca pensou que teria tal conversa com Tennessee. Ele sorriu suavemente, esfregando a parte de trás da cabeça contra a coxa de Tennessee, saboreando a sonolência.
— Você sabe.
Tennessee teve uma influência significativa na escolha do curso de Amber. Mesmo estando juntos desde que seus corações se conectaram, os objetivos de Amber só se tornaram mais claros.
— Me diga.
— Não é diferente de antes. Meus sentimentos não mudaram.
— Diga você mesmo.
— Eu quero trabalhar para o FBI.
Assim que Amber disse isso, o barulho da TV parou abruptamente. Amber olhou para Tennessee. Tennessee tinha desligado a TV. Ele estava esfregando os olhos como se estivesse exausto.
— Tennessee?
— Amber.
Mesmo sendo um barulho pequeno, o desaparecimento do som da TV trouxe um silêncio não familiar.
Tennessee esfregou as têmporas e passou a mão pelo cabelo.
— Você não pode fazer outra coisa?
Amber se sentou, ouvindo o tom ponderado.
— Como o quê?
— Como você mencionou antes, psicologia, ou talvez faculdade de medicina.
Vendo que Tennessee não encontrava seu olhar, Amber tentou sorrir.
— Ou algo como contabilidade?
— É, algo assim.
— Ha, David adoraria isso.
Ele tentou brincar, mas a atmosfera não dava sinais de melhorar. Amber, observando-o, chamou.
— Tennessee.
— Eu sei que não tenho o direito de dizer nada sobre a sua carreira. Eu sei, mas…
“Nenhum direito?” Amber declarou que Tennessee tinha mais direito do que qualquer pessoa. Afinal, não era Tennessee quem estava pagando sua mensalidade?
Amber nem tinha se candidatado à Universidade de Michigan ou Dartmouth. Elizabeth e David só tinham concordado em apoiar a mensalidade de Amber no primeiro ano, então Amber teve que trabalhar em dois empregos de meio período por dia até Tennessee ficar doente.
Mesmo depois que a reabilitação de Tennessee terminou, ele tentou trabalhar em meio período espremendo o tempo, mas Tennessee não parecia gostar. Então, quando ele aceitou um emprego que começava de madrugada, Tennessee ficou ainda menos satisfeito. Era raro Tennessee demonstrar uma desaprovação tão aberta.
— Você quer me deixar em casa e trabalhar fora?
Ele até fez perguntas provocativas como essa.
Enquanto Amber lidava com preocupações práticas, Tennessee se levantou e se aproximou bastante de Amber. Ele sussurrou um número em seu ouvido. Era o primeiro dígito do dinheiro que Tennessee tinha economizado para Amber.
— …O quê?
Amber perguntou novamente, e Tennessee deu uma risadinha, dando a ele o número exato.
Naquele momento, Amber teve o pensamento tolo de que poderia ter ganhado na loteria.
— É escolha sua. Se você quiser escolher o caminho difícil, você pode.
Comparado com a quantia que Tennessee mencionou, a mensalidade da faculdade não era nada.
Amber imaginou passar o tempo com Tennessee em vez de trabalhar. Às vezes dando passeios, fazendo viagens, correndo com ele e passando um tempo pleno juntos. Claro, ele adicionou um pouco de imaginação maliciosa.
Tennessee não era alguém que compartilhava suas coisas facilmente. Amber estava feliz por Tennessee ser generoso com ele, mas hesitou por um momento. Como se conhecesse seu coração indeciso, Tennessee deu um sorriso raro e fez um gesto. Amber, como se encantado, se aproximou dele.
— Amber.
— Sim, Tennessee.
— Você é um bom garoto, não é?
Apenas aquelas palavras foram suficientes para nocautear Amber. Com sua racionalidade derretendo, Amber assentiu e obedeceu, largando seu emprego de meio período. Amber não tinha mais motivos para recusar. Tennessee argumentou que, como o dinheiro foi economizado trabalhando com o FBI, não era “dinheiro de sangue”.
Desde então, Tennessee vinha pagando a mensalidade de Amber. No entanto, ele nunca perguntou sobre suas notas. Como se elas não fossem importantes. Tennessee estava mais preocupado com a taxa de criminalidade ao redor da universidade do que com as notas de Amber.
Foi a primeira vez que Tennessee demonstrou uma oposição tão aberta à sua carreira. Amber se aproximou de Tennessee.
— Tennessee.
Tennessee, esfregando o queixo, hesitou antes de falar.
— Há muitas outras coisas.
Era como se ele estivesse perguntando por que tinha que ser aquilo.
— Agente de imigração, funcionário do DMV, esse tipo de coisa.
Tendo vivido com Tennessee por bastante tempo, Amber sentia que entendia as intenções de Tennessee sem precisar de uma longa explicação.
— Que tal um policial?
— Não.
— Você sabe que a chance de morrer em serviço é menor do que a chance de suicídio?
— Amber.
Vendo a reação de Tennessee, Amber teve certeza.
— Por que você não disse nada todo esse tempo?
Tennessee permaneceu em silêncio.
— Você pensou que meu objetivo poderia mudar.
Amber respondeu à sua própria pergunta com um suspiro.
— Você pensou que poderia me convencer antes que eu fizesse vinte e cinco anos e pudesse me candidatar.
Sentindo a atmosfera tensa, Nashville escorregou silenciosamente do sofá e, após observar os dois, recuou para a cozinha.
— Tennessee, eu vou ficar bem.
Tennessee tinha seus motivos.
Fosse a CIA, o FBI ou a Interpol, não havia diferença. Tennessee tinha testemunhado muitos serem sacrificados, peões de bom grado descartados pelo bem maior. Ele preferia ser odiado e parar Amber a vê-lo ser descartado daquela forma.
— Não estou tentando me tornar algo grandioso. Não vai ser perigoso.
Tennessee queria perguntar o que Amber sabia, mas segurou a língua. Por onde ele deveria começar a explicar? Parecia não ter fim. A estrutura absurda? A mentalidade das instituições que usam e descartam pessoas facilmente? A doutrinação tola de que é tudo pelo país?
Tennessee esteve perto de cometer traição muitas vezes. Ele se lembrou dos inúmeros agentes e soldados que tinha matado indiretamente. O quanto ele deveria contar a Amber?
Pensando até aí, Tennessee suspirou. Convencer com explicações longas não combinava com sua natureza.
— Não.
Amber, que ele pensou que ficaria chateado com sua resposta prepotente, em vez disso deu um sorriso fraco.
— Não.
Ele repetiu, mas Amber não demonstrou agitação.
— Vou dizer ao Caelan para rejeitar suas candidaturas todas as vezes.
— Tudo bem. O caminho vai se abrir algum dia.
Era uma afirmação subentendendo que a mente de Tennessee mudaria eventualmente.
— …Vamos conversar mais tarde.
Perdendo a compostura, Tennessee se levantou.
Observando as costas de Tennessee se afastando enquanto ele ia para o quarto, Amber suspirou. Nashville, como se refletisse o humor de Amber, aproximou-se e arranhou o sofá com um gannido. Amber passou a mão pelo cabelo. Eles tinham brigado. Era a primeira vez em anos. Se eles tivessem discutido com mais frequência, ele poderia ter aprendido a se reconciliar.
Não era que ele não entendesse os sentimentos de Tennessee.
Embora a frequência tivesse diminuído notavelmente e a intensidade tivesse diminuído, Tennessee ainda tinha pesadelos ocasionalmente. Ele era alguém que tinha testemunhado a morte de muitos. Não é algo que se possa superar facilmente. É uma responsabilidade como uma pessoa viva que tomou um caminho diferente dos mortos.
Amber preparou o café da manhã com um rosto que mostrava que ele não tinha dormido. Tennessee tinha que sair para o trabalho cedo uma vez por semana, e hoje era esse dia.
— Você não precisa fazer o café da manhã.
Enquanto quebrava ovos para fazer uma omelete, Tennessee, já vestido, entrou na cozinha e disse isso. Depois de fazer um café simples, Tennessee se virou como se aquilo fosse tudo o que ele precisava dizer.
— Você deve estar com fome.
— Estou bem.
E então ele saiu. Deixando Amber para trás.
Escutando o som da porta se fechando, Amber começou a pensar em centenas de maneiras de convencer Tennessee. Ao mesmo tempo, reprimindo a onda repentina de ressentimento, Amber verificou a hora. Ele tinha aulas em algumas horas. Se jogando no sofá, Amber suspirou.
Se ao menos ele pudesse ser consumido por essa desolação e virar poeira. Não, assim ele não conseguiria ver Tennessee. Isso não serviria.
Com um suspiro, Amber pegou o celular.
[Me desculpe.]
Assim que enviou a mensagem, uma resposta veio.
[Por que você está se desculpando?]
[Eu só não consegui comer porque surgiu algo 40 minutos mais cedo.]
[Amber.]
Apesar das mensagens contínuas, a mente de Amber estava complicada.
Ele estava pedindo demais? Ele tinha se tornado ganancioso?
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr