⌀ — Capítulo 7.2
↫─Capítulo 7.2
Ele deveria ter seguido Tennessee naquele dia sem fingir que não sabia.
Essa foi a percepção que Amber teve depois de passar duas noites no sofá.
Ele deveria simplesmente ter seguido ele para dentro.
Ele não conseguiu dormir naquele dia, e no dia seguinte se sentiu deprimido porque as costas de Tennessee pareciam frias, então ele cochilou no sofá. Antes que percebesse, já estava usando camas separadas por dois dias, e, a essa altura, havia se tornado uma situação em que estavam usando quartos separados de propósito. Agora, o clima era tal que ele não podia simplesmente segui-lo para dentro sem se importar.
Tennessee pensava que, se fosse direto para o quarto e se deitasse, se machucaria se Tennessee dissesse, “Por que você está aqui?”. Como ele poderia se reconciliar?
[Como diabos eu vou saber?]
Megan cuspiu as palavras, sem esconder seu incômodo.
[Por que você está me contando sobre a sua briga?]
Meio-dia. Era o horário em que Megan estava num sono profundo. Gerenciando uma boate, os dias e as noites de Megan há muito tempo estavam invertidos. Ela acordava por volta do horário em que os outros jantavam e dormia por volta do horário em que os outros iam trabalhar.
— Então para quem eu deveria contar?
O som de Megan acendendo um isqueiro e inalando algo pôde ser ouvido pelo telefone. Era óbvio. Ou um cigarro ou maconha. Pelo que ele percebia, Megan ocasionalmente usava drogas como ecstasy e habitualmente bebia em excesso, mas não parecia que ela tinha chegado ao fundo do poço por causa das drogas.
[Mas você ao menos tem permissão para entrar em contato comigo? Você pediu permissão para a sua babá?]
— Ele disse que tudo bem.
Tennessee não se importava se Megan usava drogas ou participava de orgias, mas não gostava que Megan entrasse em contato com Amber porque não queria que essa influência se espalhasse para Amber. Ainda assim, ele não os impedia de conversar como costumava fazer.
[Vá e faça um charminho, ou use o seu corpo.]
Amber franziu a testa para o conselho inútil.
— Eu vejo por que você não tem uma namorada.
[O quê? Ei!]
Ignorando Megan, que estava explodindo de irritação, Amber desligou e tentou encontrar um conselho que fosse praticamente útil. Megan ficou irritada, se perguntando que tipo de desgraçado ele era, e voltou para a cama.
Depois de ligar seu laptop por cerca de uma hora, Amber teve que desligá-lo sem obter nada.
Ele pensou que seria mais produtivo dormir profundamente e conversar com Tennessee do que ouvir o conselho de idiotas.
Por volta dessa hora, Tennessee estava exalando uma aura perigosa que fazia as pessoas ao seu redor recuarem cerca de dez jardas. Seu humor, que vinha despencando em direção ao fundo como os preços das ações durante a crise financeira nos últimos dias, finalmente atingiu o fundo do poço hoje. Até as pessoas no estande de tiro, que estavam atirando com armas, foram contagiadas pelo clima assustador de Tennessee e o observavam com cuidado.
Eles eram claramente os que estavam segurando os fuzis, mas de alguma forma parecia que eles eram os alvos.
— Sr. Heartson.
— Sim.
Foi Luther, o chefe do estande de tiro, quem falou com ele.
— Com licença, mas, hum, parece que o senhor está avaliando incorretamente. É na seção de pontaria.
— É mesmo.
Luther ficou confuso com o tom excessivamente calmo, se perguntando se estava enganado. Nos quase três anos em que trabalhou lá, ele nunca tinha visto o Sr. Heartson cometer um erro. Deveria haver um motivo para o homem, que sempre realizava seu trabalho como uma máquina sem um centímetro de erro, estar marcando algo diferente dos itens habituais.
— Sr. Heartson.
— Sim.
— Mas hoje é o dia da avaliação? Eu ouvi dizer que era amanhã.
Originalmente, ele teria perguntado com mais confiança, mas parecia que Chase Hartson teria um motivo para vir mais cedo.
Heartson colocou a caneta no balcão sem cuidado e apertou o botão. O carrinho do alvo se moveu com um barulho alto que podia ser ouvido mesmo com os protetores auriculares.
— Você está certo. Não é hoje, é amanhã.
— ……Como?
Haa.
Luther rolou os olhos envergonhado enquanto observava Chase dar um suspiro profundo.
— Com licença.
E Chase Hartson se virou e saiu como sempre.
“…O que acabou de acontecer?”
Luther piscou em torpor.
Tennessee voltou para casa por volta das duas da tarde. Não era seu horário habitual de voltar para casa, mas ele tinha decidido descansar em casa porque tinha cometido todos os erros que cometeria em sua vida hoje. Ele teria perdido a cabeça agora que estava sob o sol? Tennessee deu uma risadinha. Se ele estivesse tão distraído quando fazia trabalho contratado no passado, ele já seria um cadáver jogado na rua a essa altura.
Depois de tomar um banho, Tennessee se deitou na cama, planejando tirar uma soneca pela primeira vez em muito tempo.
“Ele deve estar com fome.”
Ele se lembrou de Amber, que tinha um rosto que mostrava claramente que não tinha dormido, cuidando do seu café da manhã. Ele deveria ter falado com mais gentileza. Ele não conseguia se livrar da expressão no rosto de Amber, que não conseguiu esconder seus sentimentos feridos quando ele disse que estava bem. E em vez de discutir, ele até enviou uma mensagem de texto dizendo que sentia muito.
Sua cabeça ficou pesada. Ele estava tendo pensamentos autodepreciativos de que, se fosse hipotecar o futuro de Amber e balançar sua vida como bem entendesse, ele deveria pelo menos dar a ele o que ele queria. Mas ele não queria negociar sobre a segurança de Amber.
Tennessee tinha presenciado tanta morte que tendia a pensar na morte como algo mais fácil e mais iminente do que os outros.
Ele não deveria ter feito aquilo com Amber.
Tennessee suspirou, cobrindo os olhos com as costas da mão. E lentamente, ele caiu em um sono leve.
[Olá]
Tennessee comprimentou em *pashto. Crianças chutando uma bola de futebol com chinelos gastos correram. Algumas o cumprimentaram de volta em inglês. Hi, hello, coisas assim.
{*N/T:O pashto (também grafado como pastó, pachto ou pashtu) é uma língua pertencente à família indo-europeia (ramo indo-iraniano oriental).}
Ele tinha algumas barras de chocolate no bolso. Ele tirou uma e começou a entregar para a menor criança, mas uma mulher gritou e afastou as crianças. Ela gritou em uma língua que Tennessee não conseguia entender e cuspiu no Humvee com os soldados americanos dentro.
— É por causa do bombardeio.
A pessoa no banco do motorista disse isso.
— O bombardeio recente destruiu completamente o vilarejo.
— Bombardeio?
Isso não podia ser. O bombardeio ainda não tinha acontecido.
Foi até onde Tennessee pensou.
O som de um tiro explodindo quando o gatilho foi puxado, e a segunda explosão quando a bala encontrou o estrondo sônico.
— Abaixem-se!
— Leandre!
Tennessee encarou algo que tinha caído bem na sua frente.
— ……Amber?
Amber, com um buraco no peito, encharcado de sangue. Quantos anos você tinha? Cabelo preto coberto de poeira no solo estéril. A luz se esvaiu de seus olhos estrelados. Eles perderam a luz e se transformaram em contas de vidro opacas.
— Tennessee……
— ……Amber.
— Por que…… você não me salvou?
— Amber!
— Tennessee!
Tennessee abriu os olhos. O som do seu coração preenchia seus ouvidos. Seus pulsos, assim como seus punhos, estavam fortemente fechados, e todos os músculos de seus braços estavam contraídos. O braço que segurava o pulso de Amber tremia.
— Tennessee. Sou eu.
— ……Amber.
— Está tudo bem.
Os dedos de Amber tocaram sua testa, que estava encharcada de suor. Ele acariciou a testa de Tennessee e puxou seu cabelo molhado para trás. Tennessee soltou a força de sua mão. O pulso de Amber ficou branco, e depois vermelho com as marcas. Não ficaria roxo, mas Tennessee olhou para sua mão confuso.
— Você teve um pesadelo?
Sua respiração não se acalmava.
— Você não tem tido eles com tanta frequência ultimamente. O que foi, aconteceu algo ruim?
Foi o primeiro pesadelo em quase três meses.
— Amber.
— Sim, Tennessee.
— ……Eu não quero que você faça esse ttrabalho
— Você nem sabe que tipo de trabalho eu vou fazer.
Mesmo que ele tivesse tocado no assunto de repente, Amber não ficou desorientado. Pelo contrário, ele recebeu suas palavras como se estivesse esperando por elas.
— Você sabe que não é seguro.
A maioria das agências de investigação não contrata estudantes desajeitados. Para trabalhar no Departamento Federal de Investigação, você tinha que ter um histórico em uma agência policial ou de aplicação da lei. Ele imaginou Amber em um uniforme de polícia ou uniforme militar. Toda vez que ele pensava nisso, o uniforme de Amber estava sempre coberto de sangue.
— Você sempre presume o pior.
— É! É por isso que eu ainda estou vivo!
Mais de cem policiais morrem nos Estados Unidos a cada ano. As pessoas estão morrendo assim até no território nacional, sem mencionar os soldados que participam da guerra.
Tennessee perdeu a calma só de pensar em deixar Amber em um lugar onde balas estavam voando.
— Eu não consigo entender você.
O próprio Amber não entendia. Ele sabia que era ganância. Desde que se tornou amante de Tennessee, Amber vinha tendo a época mais feliz de sua vida. Vendo os olhos de Tennessee, que raramente se curvavam quando olhava para ele, ele sabia que ele se sentia da mesma forma. Mas Amber também sabia que às vezes um pântano profundo estava segurando seus tornozelos e não o soltava. Ele nunca dizia isso em voz alta, mas sempre que Tennessee olhava para o passado e demonstrava sinais de arrependimento, Amber queria algo.
Sempre que ele passava um dia cheio de pesadelos e às vezes tirava fragmentos que Amber não conseguia entender, Amber ansiava por promover alguma mudança. Agora que ele tinha acabado de superar seus pesadelos, não seria tudo bem querer algo maior? Como um encerramento?
— Amber. Eu não vou discutir sobre a sua segurança.
— Não seja teimoso e me escute.
— Teimoso?
— Não tenha medo e me dê uma chance.
— Nem vale a pena escutar!
Tennessee não podia fazer a menor concessão, mesmo sabendo que isso machucaria Amber.
— Você sabe que eu posso fazer tudo por você. Você pode estudar o que quiser, e se quiser tentar algo novo, você pode fazer! Eu só não quero que você siga os meus passos. Sabendo como eu sou, você vai seguir por esse caminho, e quer que eu apoie de bom grado?
Amber molhou os lábios. Sim, ele só precisava dele. Se ele tivesse apenas Tennessee. Mas……,
— Nem todo eu de onze anos no mundo tem você.
Ele teve a sorte de ver o fim do túnel, mas haveria mais pessoas que não teriam.
Quando ele era jovem, Amber esperou por muito tempo. “Para alguém me salvar. Para me tirar daqui. Para me dizer que valia a pena viver”. Se não estivesse Tennessee ali, ele não teria chegado tão longe.
— E…… se eu, como adulto, estivesse ao seu lado quando você era criança, você não teria passado por uma experiência tão terrível.
Ele não podia mudar o passado, mas Amber tinha fantasias absurdas como essa. Quando pensava no jovem Tennessee que tinha murchado nas fendas do chão do mundo, em um lugar onde ninguém sabia, ele se sentia ressentido. Os momentos em que ele teve que cobrir seu corpo com os crimes que cometeu para sobreviver e embalá-los como sua natureza.
— Amber. Crie juízo, você não pode salvar todo mundo.
Por que você tem que fazer isso?
Sempre que Tennessee queria lhe dar qualquer coisa, sempre que tentava compartilhar o que tinha de bom grado, Amber se sentia da mesma forma. Ele queria compartilhar e compartilhar de alguma forma, fosse algo grande ou pequeno. Era uma possibilidade para o futuro.
— Você já pensou que pode morrer?
Tennessee, cuja respiração tinha começado a se acalmar, perguntou.
Na verdade, Amber não conseguia definir se isso era ganância ou um desejo natural. Ele só queria aliviar a culpa de Tennessee, se possível.
Você me criou, e graças a isso, eu vejo o mundo como um lugar melhor.
Você não precisa fazer nada. Você não tem que se arrepender, não tem que ser autodepreciativo, só tem que ficar como está.
Ele queria dizer isso para ele, que já estava imaginando o pior cenário, ele mesmo deixado sozinho, e a culpa que estava se esgueirando, mesmo que ele nem tivesse começado ainda.
— Você se lembra do momento em que capturou meu coração pela primeira vez? Eu pensei que tinha aberto a caixa de Pandora naquela época.
↫─☫ Continua….
ᯓ★ Nenhuma das situações apresentadas neste capítulo referem-se/ se baseiam em fatos reais.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr