⌀ — Capítulo 6.2
↫─Capítulo 6.2
Como seu sorriso era gentil, mas seus olhos eram afiados, Tennessee mal engoliu as palavras e apontou para o corredor.
— Saia.
Amber se levantou com um resmungo leve.
— Você está usando o anel?
Tennessee, abrindo a porta do escritório, olhou reflexivamente para a mão esquerda.
Inicialmente, Tennessee não ficou empolgado com a ideia de Amber trabalhar. Amber, que alegava estar ocupado com as aulas e trabalhos da faculdade, fora questionado quando dividiu seu tempo para trabalhar, dizendo: “Quero comprar anéis combinando.”
— Anéis?
— Sim, dizem que o preço de um anel deve ser equivalente a cerca de três meses de salário.
“Ele estava falando de um anel de noivado?” Tennessee já tinha ouvido isso incontáveis vezes.
— Você não precisa trabalhar até tarde; é cansativo.
— Está tudo bem.
Com um sorriso radiante, Amber preparava o café da manhã de acordo com o horário em que Tennessee acordava e depois ia trabalhar, seguido pelas aulas. Tennessee não podia simplesmente assistir a isso passivamente.
— Vamos comprá-los. Os anéis.
Foi assim que o anel foi parar em seu dedo. O próprio Amber escolheu a aliança.
— Eu te darei o anel de noivado assim que me estabilizar, economizando três meses de salário. Até lá, podemos fazer assim?
Diante disso, Tennessee não tinha como vencer.
Quando o anel, ajustado ao tamanho do seu dedo, finalmente chegou, Tennessee se pegou esfregando os lábios várias vezes, inconscientemente.
— O que foi?
— Nada.
— Tennessee.
Incapaz de explicar seus sentimentos, Tennessee passou a mão pelo cabelo novamente.
— Você… está se arrependendo?
— Amber.
— Me diga.
— Não é isso.
Tennessee vivera muito tempo se escondendo. Sem saber por onde começar ou o quanto dizer, Tennessee às vezes optava por permanecer em silêncio.
Amber esperou pacientemente por Tennessee.
Amber tinha todo o tempo do mundo para estar com Tennessee, então podia esperar o tempo que fosse necessário por ele.
Amber pressionou os lábios contra a testa exposta de Tennessee por um longo tempo e o abraçou. Em algum momento, Amber achou a reticência de Tennessee comovente. O fato de alguém que falava o que pensava sem se importar com a opinião dos outros se calar diante dele era tanto tocante quanto preocupante.
Tennessee franzia a testa para tais palavras, mas Amber se sentia assim. Era uma emoção avassaladora que vinha do fato de amá-lo.
— Está tudo bem. Você não precisa dizer nada.
Às vezes, a comunicação sem palavras era suficiente.
— Eu também te amo.
Os anéis que compartilharam após tal momento.
Tennessee, não acostumado a joias, dissera que talvez não usasse o anel com frequência, mas, ao contrário de suas palavras, Amber nunca viu seu anelar descoberto. Mesmo indo trabalhar hoje, ele estava usando a aliança.
— Eu vi o dedo da Elizabeth, e havia a marca de um anel.
— É.
— Espero que o meu dedo fique assim também.
Amber colocou sua mão sobre a de Tennessee na maçaneta.
— Vai ficar.
Amber ergueu suavemente a mão de Tennessee e beijou as costas dela.
Um som curto e úmido ecoou.
Tennessee sorriu levemente e abriu a porta. Enquanto Amber o seguia para fora, ele olhou de relance para o escritório.
Havia persianas. Não era necessário cobrir a janela inteira. Apenas um pouco para bloquear a visão dos edifícios de ambos os lados seria suficiente. A porta trancava bem e não havia câmeras.
— Amber.
— Sim.
Caminhando em direção a Tennessee, que já esperava no corredor, Amber sorriu sinceramente.
O almoço foi em um restaurante de comida asiática que Amber gostava. Estritamente falando, era uma mistura de culinária japonesa e coreana, um restaurante que perdera sua identidade além do “orientalismo” — até o dono era marroquino —, mas Tennessee ia lá ocasionalmente porque Amber gostava.
Bebendo Mountain Dew do restaurante, Amber perguntou:
— Seus colegas de trabalho costumam demonstrar tanto interesse em você?
Não era imaginação dele. No caminho de saída do prédio para o almoço, até mesmo no saguão, Amber encontrou olhares curiosos.
— Um pouco.
— Por quê?
— Quem sabe.
Fingindo ignorância, Amber já sabia por que eles estavam tão interessados em Tennessee. Ele tinha um jeito de aceitar as pessoas como se fosse deixá-las aproximarem-se para, de repente, traçar um limite.
Se essa mudança ficara clara após se tornarem amantes ou se ele sempre fora assim, Amber não sabia, mas tendo passado por uma experiência similar há mais de dez anos, ele tinha uma ideia desse contraste. Um homem que deixava as pessoas ansiosas. Por que ele provocava os outros quando poderia simplesmente me provocar? Amber sentia a necessidade de deixar uma marca firme.
Na entrada do saguão, Tennessee permaneceu parado com as mãos nos bolsos do terno, observando Amber.
— Eu venho te buscar depois da sua aula hoje à noite.
— Tudo bem.
Mas Amber não se despediu. Aos olhos de Tennessee, Amber se sobrepunha a Nashville, que provavelmente estava esperando em casa. Tanto Amber quanto Tennessee eram muito perspicazes, mas Tennessee preferia ouvir diretamente o que Amber queria.
— Me diga se há algo que você quer.
Amber morde o anzol rapidamente.
— Você não vai me apresentar aos seus colegas de trabalho?
— …
Tennessee olhou para o elevador sem perceber.
— Não, tudo bem. Eu vou indo. Eu estava brincando.
Amber acenou com a mão, despedindo-se.
— …Suba.
— Não, eu não quis dizer isso.
A audácia de perguntar se ele não o apresentaria havia sumido, e Amber apressou-se em segurar Tennessee.
— Um primo ou alguém que você conhece, assim já está bom. Sério.
Sem dizer uma palavra, Tennessee se dirigiu ao elevador.
— Tennessee.
Foi Amber quem o parou.
— Me desculpe.
— Pelo quê?
— Eu fui precipitado.
— Então, pelo quê?
Não havia sinal de raiva no tom de Tennessee. Amber, ansioso, passou a mão pelo cabelo. Em retrospecto, fora impetuoso demais. Poderia ter soado como se estivesse dizendo: “Se você me ama, assuma nosso relacionamento no trabalho.”
Um absurdo. Embora já tivesse revelado àqueles ao seu redor que estava morando com um parceiro, essa fora uma escolha exclusivamente sua. A escolha de Tennessee era inteiramente dele. Ele não deveria ter pressionado desse jeito.
— Tennessee, não, não é isso.
Amber, que viera para pará-lo, fez Tennessee sair do elevador. Embora Amber fosse uma cabeça mais alto, ele não conseguia encarar os olhos de Tennessee, parecendo muito menor.
Amber queria voltar cinco minutos no tempo e selar a própria boca.
Assumir um relacionamento na faculdade e no trabalho eram coisas diferentes. A faculdade tinha uma mistura de pessoas, a maioria das quais ele nunca mais veria, mas o trabalho era diferente. Quem sabia como os boatos se espalhariam?
— Eu vou indo. Eu deveria ir.
— Amber.
Tennessee virou Amber de frente, segurando seu pulso. Ele olhou nos olhos confusos de Amber e passou a mão pelo próprio cabelo.
— …Amber.
— Sim, Tennessee.
Em momentos como esse, Tennessee lamentava sua falta de eloquência. Amber sempre esperava pacientemente quando ele se encontrava em um beco sem saída. Ele nunca desistia facilmente. Embora fosse um amante jovem, era um professor persistente quando se tratava de arrancar algo de Tennessee.
Por que ele não podia fazer o mesmo? Mesmo quando esperava pacientemente, o silêncio parecia mais com pressão; Tennessee sabia bem disso. Velhos hábitos e a atmosfera única de uma pessoa eram inevitáveis. Ainda assim, Tennessee sabia como expor uma verdade profunda.
— Exija. Se eu não puder fazer, eu te aviso.
Porque Amber era precioso, ele tinha tanto medo.
— Vamos.
Após o almoço, Payton, que retornara à sua mesa, sentia-se como um hamster pendurado no bico de uma águia. Ele nunca esperou por este momento em que Chase de repente o chamou.
— Este é Ryker Daxley. Pode chamá-lo apenas de Ryker.
Payton olhou inconscientemente para Chase em busca de um sinal. Mesmo após conhecê-lo por dois anos, Payton nunca o vira com um olhar tão feroz. O que havia de errado? Do que ele não gostara?
Enquanto sua mente corria, Payton percebeu tardiamente que Ryker estendera a mão para um aperto de mão. Ele rapidamente a segurou, apertou e soltou. O olhar feroz de Chase pareceu suavizar um pouco.
— Ouvi dizer que você conhece o Chase há mais de dois anos.
— É verdade.
“Chase?” Em dois anos, Chase Hartson nunca dissera a ninguém para chamá-lo pelo primeiro nome. Era sempre Sr. Hartson. Durante dois anos, esse fora o tratamento consistente. Alguém até brincara: “As pessoas podem pensar que o primeiro nome dele é Mister.” No entanto, aqui estava alguém chamando-o de Chase. A boca de Payton formou um “O” de surpresa.
Algo brilhou nos dedos de Ryker enquanto ele coçava a cabeça, sem jeito. Um anel.
— …Oh.
“Oh?*
…”Oh!”
“Oh oh!”
Payton experimentou um momento de harmonia cósmica, onde tudo fazia sentido e as lacunas lógicas foram preenchidas.
— …Hã?!
Foi o mesmo para Connor, que entrou após uma ligação telefônica, e Lucas, que voltou de uma pausa para fumar.
— …Que diabos…
— Uma coisa está feita.
Foi o que Tennessee disse quando desceu ao saguão para se encontrar com Amber. Amber, devolvendo o crachá de visitante, pareceu confuso. Feita? Ele estava falando da lista de desejos? Eles nem tinham chegado ao “s” de sexo no escritório, muito menos ao “escritório”. Do que ele estava falando?
Embora fosse uma conquista confirmar a possibilidade de sexo no escritório, Amber nem sequer desabotoara as calças de Tennessee, muito menos os botões de sua camisa. É claro que faria isso em breve.
— Você disse que queria apresentar um ao outro para as pessoas ao nosso redor. Agora só preciso conhecer seus amigos.
Ah, certo. Esse era um dos objetivos secundários. Era um item importante, mas para Amber, a prioridade hoje era sexo no escritório.
— É verdade. Da próxima vez, é a minha vez.
Embora Amber conhecesse muitas pessoas, ele nunca apresentara Tennessee formalmente a elas. Ele pensava vagamente que Tennessee ficaria desconfortável. Mas não havia relutância ou constrangimento na atitude de Tennessee quando ele o apresentou aos seus colegas de trabalho.
— Pode entrar.
— Sim.
Abraçando Tennessee naturalmente, Amber habitualmente beijou sua bochecha.
— Vejo você daqui a pouco para o jantar.
Tennessee acenou levemente.
Depois de se despedir de Amber, Tennessee retornou ao andar do escritório. Assim que as portas do elevador se abriram, ele quase levou um susto a ponto de sacar sua pistola com a horda de zumbis avançando em sua direção. Ele teve que ceder pequenos trechos de sua vida privada durante todo o caminho até a sala.
— Sr. Hartson, aquele é o seu parceiro?
— Sim.
— Faz muito tempo que moram juntos?
— Faz alguns anos.
— Vocês são casados?
— Ainda não.
— Quando planejam se casar?
— Quando o Ryker estiver pronto.
— Ele parecia jovem. Qual é a diferença de idade*?
{*N/T:16 fucking years (: }
A última pergunta veio de Payton.
Segurando a maçaneta do escritório, Tennessee ficou em silêncio. Uma consciência e uma ética que ele nem sabia que possuía vieram à tona. Não, não fora Amber quem fora pego pela corte fervorosa; fora ele mesmo. Ele não seduzira um garoto inocente para devorá-lo, então por que deveria se sentir culpado?
Alheios à luta interna de Tennessee, eles pensaram que ele estava hesitando.
— Qual é, nós somos os “colegas próximos” que o Ryker mencionou.
— Eu não sabia que o Chase pensava da gente desse jeito. Ah, podemos te chamar de Chase agora? Já que conhecemos o seu parceiro.
— Não, não podem.
↫─☫ Continua….
ᯓ★ Nenhuma das situações apresentadas neste capítulo referem-se/ se baseiam em fatos reais.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr