⌀ — Capítulo 6.1
↫─Capítulo 6.1
Uma empresa prestadora de serviços militares com sede no Reino Unido possuía filiais em várias grandes cidades, e uma delas ficava em Chicago. Payton, que trabalhava lá há 12 anos, já havia interagido com os mais diversos tipos de pessoas: de mercenários a desenvolvedores de armas, engenheiros de software e contadores.
Naturalmente, trabalhar em um mesmo lugar por tanto tempo significa conhecer muita gente. Você rapidamente assimila as funções, históricos e características de cada um. No entanto, havia uma pessoa com quem Payton trabalhava há dois anos e cuja verdadeira natureza permanecia um mistério: Chase Hartson.
Chase Hartson tinha um cargo tão misterioso quanto sua personalidade. Havia boatos de que fora contratado diretamente pelo vice-presidente, mas ninguém sabia exatamente quais eram suas funções. Alguns diziam que ele recrutava novos agentes de segurança ou avaliava mercenários e guarda-costas com base em suas missões e desempenhos, mas eram apenas rumores; ninguém conseguia confirmar nada.
Chase Hartson tinha um porte físico alto, cabelos pretos que brilhavam com um tom avermelhado sob a luz do sol e olhos azuis como safiras.
Ele era acessível se você iniciasse uma conversa, mas raramente falava sobre si mesmo. Parecia sociável, porém nunca comparecia a encontros pessoais, estabelecendo um limite claro enquanto continuava a ser simpático, um homem difícil de definir em uma única palavra. Ele já era amplamente conhecido na maioria dos departamentos.
Dois anos atrás, as pessoas diziam: “O Sr. Hartson parece tímido.” Agora, estavam tão curiosas que prestavam atenção a cada movimento dele. Em resumo, ele era uma celebridade na massiva filial de Chicago. O próprio Chase parecia alheio ou indiferente a isso.
Sempre que o interesse diminuía, *Chase inadvertidamente jogava uma lenha na fogueira prestes a se apagar da curiosidade alheia.
A lenha mais recente fora esta: o anel de Chase.
{*N/T: Chase Hartson é o nome que Tennessee usa no ambiente de trabalho e com desconhecidos}
— Ele não parecia ser casado nem ter filhos.
Recentemente, Chase começara a usar um anel simples no anelar esquerdo. As pessoas, especialmente o pessoal da contabilidade do andar de cima, sedento por fofocas, especulavam ansiosamente sobre o significado da aliança.
— Será que ele é gay?
Todos balançaram a cabeça diante da sugestão de alguém. Era um sentimento vago e sem forma de que ele não parecia gay. Se perguntassem o que “parecia gay”, ninguém saberia responder.
— Talvez tenha se cansado das pessoas amolando ele por ser solteiro?
“Isso parecia plausível”.
— Ou talvez ele realmente tenha se casado.
Se fosse qualquer outra pessoa, duvidariam, mas Chase Hartson bem poderia ter tido um casamento discreto sem convidar um único colega de trabalho.
— Se ele é casado, quem é o cônjuge?
Sorbendo o café, esticaram o pescoço para ver Chase saindo da sala do vice-presidente.
— Ele parece novo para a experiência que tem, mas pode ter três filhos.
— Três filhos? Ele era um mercenário; teria tido tempo para isso?
— Mercenário? Eu ouvi dizer que ele era do FBI.
— Do que vocês estão falando? Ouvi dizer que ele era dos *Navy SEALs.
{*N/T: Navy SEALs são a principal força de operações especiais da Marinha dos Estados Unidos}
Apesar de alguma interação, devido ao seu cargo, Chase trabalhava com pouquíssimas pessoas, então todos continuavam repetindo rumores não verificados. A maioria não levava as fofocas a sério, sabendo que elas tendem a se distorcer.
Trabalhando eles próprios em uma empresa militar, estavam acostumados a ver boatos surgirem. Mas como Chase fornecia tão poucas pistas, não era de se admirar que houvesse tantas teorias. Todos concordavam que, se ele apenas respondesse a algo claramente, as coisas poderiam se acalmar.
— Pessoas como ele se apaixonam?
Briana, que se interessara por Chase desde o primeiro dia, mas desistira devido às defesas inexpugnáveis dele, fez a última pergunta. Sua voz ainda transbordava sentimentos remanescentes.
— Quem sabe? Ele pode ser romântico e gentil.
O escritório de Chase ficava no andar de baixo. Conforme ele descia as escadas de vidro, seu terno preto lhe caía incrivelmente bem. Aqueles que observavam suas costas impecáveis, sempre deixados com perguntas sem resposta, encerraram o intervalo do café e retornaram às suas mesas. Mas Payton franziu os olhos e o observou por mais um tempo.
“Romântico e gentil?” Payton pensava que ele poderia ser gentil, se não romântico. Embora nunca fosse ter a chance de descobrir.
Perdendo o interesse, Payton jogou fora seu copo de café e voltou à sua mesa.
Mas ele não sabia. Em poucos dias, Chase jogaria uma nova lenha na fogueira.
— Quem é aquele?
Connor apontou para um homem impressionantemente atraente ao lado de Chase. Payton se ergueu como um suricato e olhou para onde Connor apontava. “Cada qual com seu igual.” O homem parecia mais jovem que Chase, mas tinha uma aparência de chamar a atenção. Seu sorriso radiante contrastava com o rosto inexpressivo de Chase.
— Nunca vi ele por aqui.
Trabalhando ali há mais de dez anos, Payton nunca tinha visto aquele homem. Mais importante, ele parecia jovem demais para trabalhar em uma empreiteira militar. Quando Chase e o homem passaram, as pessoas se levantaram sem jeito e fingiram não os estar observando. Briana, que os observava há um tempo, notou algo preso à camisa do homem, um crachá de visitante vermelho.
— Ele está usando um crachá de visitante?
Com isso, começaram a murmurar entre si.
Chase apontou para seu escritório no final do corredor limpo. O homem, seguindo sua indicação, encontrou os olhos daqueles que os encaravam.
Ops.
Payton, Connor e Briana rapidamente esconderam os rostos, mas era tarde demais.
— Quem são eles?
Um breve silêncio se seguiu, e Chase respondeu:
— Colegas de trabalho.
— Impressionante.
O homem, com um sorriso radiante, pareceu prestes a se aproximar deles. Então aconteceu.
— Amber.
— Sim.
“Amber?”
Connor quase cuspiu a salada que estava comendo. Não havia nenhuma mulher por perto que combinasse com o nome Amber. E, com certeza, o nome daquele homem forte e alto não poderia ser Amber. Ou poderia? Nunca se sabe. Existem pessoas chamadas Cheeseburger no mundo.
— Você queria dar uma olhada ao redor.
Surpreendentemente, fora Chase quem disse aquilo.
— Mas se eu pudesse cumprimentar seus colegas de trabalho…
— Não há nada para ver aqui. Venha.
— Sim.
“Que tipo de conversa é essa?” Connor e Payton trocaram olhares.
Chase se virou primeiro e desapareceu em seu escritório, e o homem hesitante o seguiu rapidamente. Pouco antes de a porta se fechar, eles pensaram ter ouvido algo.
— Você não ouviu algo como Tennessee?
Parecia que sim. Mas por que o nome de um estado do sul surgiria do nada?
— Devo ter ouvido errado.
— É, né?
Assentindo, eles começaram a especular sobre o homem.
Payton se concentrou nos gestos dele. O jeito como ele passava a mão pelo cabelo parecia similar ao de Chase.
— Seriam eles parentes ou irmãos?
Connor resmungou, e Briana soltou um arfar de deboche.
— Só porque têm cabelo preto e olhos azuis são da mesma família? A Megan Fox é irmã dele por acaso?
— …
── ⋆⋅☆⋅⋆ ──
— Tennessee.
Assim que entrou, Amber abraçou Tennessee fortemente. Apesar de ter dito que queria ver o escritório, ele na verdade não olhou ao redor. Não havia muito para ver de qualquer forma. Tennessee só estava trabalhando ali há cerca de dois anos, então não havia muitos objetos, e ele não era do tipo que decorava o escritório.
— Então é aqui que você trabalha.
— É. Os papéis.
— Aqui.
Amber puxou uma pasta que estava segurando. Não era algo urgente, apenas documentos para checar se estavam na biblioteca, mas de alguma forma a persuasão de Amber o levara a trazê-lo para o escritório.
Tennessee parou de pensar em como aquilo tinha acontecido e passou a mão pelo cabelo. Amber se tornara tão astuto ao longo dos anos que conseguia manipular Tennessee facilmente sem piscar os olhos.
Assim que Tennessee pegou os papéis de Amber, guardou-os em uma gaveta. A gaveta vazia ecoou com um som oco. Amber estava sentado no sofá oposto à mesa de Tennessee. Do escritório de Tennessee em um andar alto, podia-se ver o Rio Chicago e a paisagem urbana da cidade.
— Bela vista, vale a pena dar uma olhada.
— Eu não venho muito ao escritório.
— Mesmo assim.
Amber, cruzando as pernas, olhou Tennessee de cima a baixo enquanto ele se preparava para sair para o almoço.
— …O quê?
— Hum?
— Por que você está lambendo os lábios?
— Não estou.
Tennessee soltou uma risadinha discreta, lembrando-se da declaração bombástica de Amber alguns dias atrás.
“Fora na última segunda-feira?” Enquanto estavam deitados no sofá assistindo à TV, eles compartilharam suas listas de desejos, coisas que queriam fazer pelo menos uma vez na vida. Tennessee, que afirmava não ter nenhuma, fora pressionado a inventar algo na hora. Amber dissera algo como:
— Sexo no escritório.
Os itens inocentes da lista, como mergulho livre e terminar uma maratona, eram apenas o contexto para lançar a bomba do sexo no escritório; Tennessee só percebeu tarde demais.
— O que você disse?
— Sexo. No. Escritório.
Amber sussurrou, gentilmente pausando cada palavra.
— Eu também queria crescer mais e apoiar meu queixo na sua cabeça, mas isso já fiz.
Amber explicou sua lista de desejos, contando nos dedos.
— Caminhar de mãos dadas com o Tennessee por um longo tempo, beijar na beira da estrada, aprender a atirar com o Tennessee, apresentar você aos meus pais e conseguir anéis de noivado combinando — tudo feito. Nós até brincamos ao ar livre da última vez. Também tem uma viagem de carro de duas semanas e apresentar um ao outro para os amigos, mas essas podem ser feitas devagar.
Tennessee não sabia com o que ficar mais chocado.
— Fora isso, tem fetiches de BDSM, mas o Tennessee parece treinado para separar dor e razão. E duvido que me deixaria te bater.
Os desejos eram todos absurdos, mas o julgamento era surpreendentemente preciso.
— Fazer um strip-tease para o Tennessee, oh, e ter o Tennessee fazendo um para mim também está na lista, mas isso parece realmente difícil.
Amber brincou que Tennessee provavelmente sacaria uma arma no momento em que ele lhe entregasse um traje de strip-tease, o que era 99% preciso.
— Então, entre os viáveis, sexo no escritório é um deles.
Tennessee riu baixo, empurrando a cabeça de Amber que descansava em sua coxa. Mas Amber nem se mexeu. Depois de viver com as barreiras de ferro de Tennessee por tanto tempo, tal persistência era natural.
— Não tem nada que você queira fazer comigo?
— Na verdade não.
— Você é demais.
— …
Apesar de dizer “na verdade não”, Amber achava que Tennessee era um parceiro muito compreensivo, que aceitava de bom grado até mesmo pedidos não razoáveis. Tennessee, no geral, especialmente em questões de sexo, não era de recusar ou demonstrar relutância.
Por isso, Amber esperava que a fantasia no escritório fosse possível. Embora não tivesse um escritório como estudante universitário do terceiro ano, ele se lembrava de Tennessee mencionar que conseguira um escritório dois anos atrás quando começara no novo emprego.
— Não.
— Por quê?
— Porque é tudo de vidro. Dá para ver tudo.
A razão para a recusa ser “porque dá para ver” era típica da falta de preocupação ética de Tennessee.
— E as persianas?
Tennessee empurrou Amber com força, sinalizando para que parasse de falar, mas Amber rapidamente subiu de volta no sofá.
— Tennessee.
E a voz lamentável chamando seu nome.
Relembrando o súbito apelo de Amber, Tennessee voltou à realidade. Amber estava olhando para os arranha-céus além do vidro, mas seu sorriso parecia saber exatamente o que Tennessee esteve pensando.
— Vamos almoçar.
— Por que você continua tentando me mandar embora?
↫─☫ Continua….
ᯓ★ Nenhuma das situações apresentadas neste capítulo referem-se/ se baseiam em fatos reais.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr