⌀ — Capítulo 5
↫─Capítulo 5
Em algum momento, Tennessee ganhou não oficialmente o status de noivo do filho mais velho da família Daxley. Como ele conhecia Amber desde que este fora adotado e agora era seu amante, não era estranho que Tennessee estivesse na casa deles em Michigan quando eles não estavam lá.
Tennessee observava Cody e Annie correndo de um lado para o outro em suas fantasias de animações famosas. Era Halloween.
Para alguém como Tennessee, que esquecera que tal dia existia por anos, era um evento que só valia a pena celebrar se você tivesse crianças. Ele achou que esqueceria disso este ano também, mas Amber dissera de repente, alguns dias atrás:
— Se você não estiver ocupado, pode passar uns dias em Michigan?
— Claro, mas por quê?
— Elizabeth e David vão viajar. Eles poderiam contratar uma babá, mas parecem querer que eu fique com eles pelo menos um dia.
— Tudo bem.
E assim, Tennessee acabou se tornando uma babá inesperada.
Se Amber tivesse ouvido, ele poderia ter dito: “Apenas sentar na frente de uma criança não é cuidar dela”, mas Amber estava ocupado cuidando das crianças de verdade.
Amber discursava seriamente que há momentos no ano em que as crianças ficam verdadeiramente eufóricas:
1. Natal, 2. Aniversários, 3. Halloween, 4. Aniversário dos outros.
Pela lógica de Amber, o Halloween era um grande dia, ocupando o terceiro lugar entre 365 dias. Tennessee achava difícil de entender.
— Até alunos do ensino fundamental saem para pedir doces?
Annie, que escutava por perto, olhou com genuína incredulidade para a pergunta de Tennessee. Exibindo o desdém típico de uma adolescente, Annie respondeu:
— Tennessee, o que a idade tem a ver com ganhar doces e chocolates?
E, com isso, Annie saiu com o namorado.
— Tennessee, estou indo!
Cody, fantasiado de um personagem de uma animação famosa que Tennessee já tinha visto por aí, acenou com a mão. Tennessee acenou de volta. Mesmo sendo um gesto descompromissado, as amigas de Cody, garotas da mesma idade, deram grinhos de deleite.
Assim que Cody e Annie saíram com os amigos, a mansão de três andares de repente ficou assustadoramente silenciosa.
O riso das crianças ainda parecia ecoar em seus ouvidos. Tennessee espalhou alguns documentos sobre a mesa. Não era urgente, mas havia trabalho a ser feito. Ele não gostava de desperdiçar tempo livre. Enquanto isso, Amber ainda se movimentava como se tivesse mais o que fazer.
— O que você está fazendo?
Amber entrou depois de checar se as luzes da varanda, o jardim cheio de figuras de múmias, esqueletos móveis e bruxas gargalhando estavam todos funcionando.
— As crianças da vizinhança vão chegar logo.
“…Ah, certo.”
Tennessee fechou os documentos organizadamente.
── ⋆⋅☆⋅⋆ ──
Morgan (7 anos, estudante) olhou para as decorações deslumbrantes do jardim com o coração disparado. O esqueleto se movia com um som assustador, e a bruxa se erguia com raios estranhos.
— Kyaa! — Harley gritou ao lado dele, e Morgan também gritou, mas deu uma risadinha. Começando do final da rua, eles deram a volta, e a cesta já estava bem cheia de guloseimas. Pulando as casas com as luzes apagadas, Morgan e as crianças eventualmente chegaram a uma grande casa de três andares.
As crianças conversavam sobre a quantidade de chocolate que ganharam, mais ou menos do que no ano passado. Esperando enquanto mexia nos doces, Morgan estendeu a mão quando as crianças se calaram. Era a vez de Morgan tocar a campainha.
Ding dong.
Não muito depois de apertar, passos foram ouvidos. Que chocolate eles vão ganhar desta vez? “Não tinha muitos Twix antes. Eu quero esse.”
Até a porta se abrir com um clique, Morgan não conseguia conter a empolgação.
— …
E Morgan congelou diante da visão do homem desconhecido e de olhar frio parado à sua frente. “Ahn?”
As pupilas dos pais, que esperavam por Elizabeth e David, passaram por um terremoto momentâneo.
Após um breve silêncio constrangedor, as crianças se olharam e gritaram:
— Do-doces ou travessuras…
Mas a empolgação tinha sumido, ao contrário de antes. Hesitantes, as crianças se esconderam atrás de suas mães ou amigos. O homem encostado na porta apenas os encarava com um olhar indecifrável.
— Er…
Os pais estavam igualmente sem jeito. “A luz da varanda estava apagada? Não estava, né?”
Um segundo movimentado se passou com todos perdidos em seus pensamentos, e então uma palavra fluiu da boca do homem atraente e de aparência indiferente.
— Travessura.
E uma Era do Gelo feroz e sombria vinda da Sibéria chegou.
As crianças se olharam, à beira das lágrimas.
— Eu disse travessura.
Ele reforçou o ponto.
Com um rugido, as decorações de Halloween no jardim enlouqueceram, sem saber o que se passava no coração das crianças. Com luzes piscantes, decorações imitando pessoas torturadas torciam seus corpos, causando o caos.
Após o que pareceu uma eternidade de dois minutos, uma criança finalmente desabou em lágrimas.
— Waaah!
— Tennessee? Por que você está fazendo as crianças chorarem?
Justo quando os pequenos estavam prestes a se juntar ao choro, alguém saiu de trás do homem. Ao contrário do homem que saíra primeiro, ele segurava três cestas cheias de doces. Ele pareceu entender a situação imediatamente ao ver as crianças chorosas e o homem casualmente encostado na porta.
— Haha, então ele fez vocês chorarem, é? Desculpe, crianças.
Doces caíam de suas mãos grandes.
— O que você fez para fazê-los chorar?
— Nada.
— Se não fez nada, por que estão chorando?
— Exatamente.
O homem o repreendeu enquanto colocava não apenas um, mas dois punhados de doces e chocolates nas sacolas deles. Quando chegou a vez de Morgan, ele abriu sua cesta de doces.
Recebendo as guloseimas que caíram em montes, Morgan olhou para cima, para os dois homens. Ele se lembrava daquele olhar frio de quando a porta se abrira pela primeira vez. Tinha-o congelado como se visse um leão pronto para se lançar sobre a presa, mas vendo-os conversar agora, parecia que aquela sensação fora um engano. “Ele não estava sorrindo gentilmente agora? Fiquei com medo por nada.” Morgan agradeceu e desceu da varanda.
Enquanto todas as crianças recebiam seus doces e se viravam para ir embora, a porta se fechou suavemente. Mesmo assim, as vozes murmurantes deles podiam ser ouvidas.
— Travessura? Você disse apenas travessura? Hahaha! Não é à toa que eles choraram.
— Foi uma piada.
— Hahaha!
Sim, definitivamente fora um engano.
Mesmo para o jovem Morgan, as vozes deles soavam gentis, suaves e…
Comuns.
── ⋆⋅☆⋅⋆ ──
“O que aconteceu com Megan naquele dia?”
Depois que Tennessee entregou a arma e desapareceu, Amber mordeu os lábios com nervosismo. Quanto tempo fazia desde que ele seguira Megan para aquele lugar? Conforme a tensão diminuía, uma sonolência repentina o tomou. Mas despertando, Amber ajustou a pegada na arma e examinou ao seu redor.
— Está carregada?
— Sim.
— Me dê isso aqui, ou você vai estourar sua própria cabeça.
Amber torceu o corpo para esquivar da mão estendida de Megan. Era uma mensagem clara de que não a entregaria. Megan ficou boquiaberta. Não havia nada mais tolo do que colocar uma arma nas mãos de uma criança. Megan estalou a língua, sem saber o que Tennessee estava pensando ao dar aquilo a ele.
— Você sabe atirar?
— Vou descobrir se tentar.
Diante da resposta atrevida, Megan suspirou. Ele achava que eles estavam alimentando e abrigando ele por diversão?
O humor de Megan começou a azedar.
— O Tennessee te ensinou a atirar?
— Sim.
Amber assentiu, sentado com os joelhos erguidos. Ele olhou mais uma vez para o relógio para o qual já tinha olhado umas cento e cinquenta vezes hoje.
— O Tennessee te ensinou a matar? Que belo professor; claro, um assassino como o Tennessee faria isso.
O olhar de Amber, que estava se movendo em direção ao relógio, voltou para Megan. Ele encarou fixamente por um momento, depois virou a cabeça como se não fosse dar trela. Foi Megan, a muito mais velha, quem ficou irritada com a falta de reação dele.
— É mais fácil você estourar a própria cabeça com essa arma do que se defender.
Com essas palavras, a raiva nos olhos da criança se acalmou ainda mais.
“Ah, entendi.”Percebendo a fraqueza da criança, Megan mudou o alvo.
— O Tennessee provavelmente sabia disso e te deu a arma mesmo assim. Ele é um homem sem um pingo de responsabilidade.
Amber baixou o olhar como se tentasse reprimir sua raiva, mas não conseguiu evitar completamente os olhos de Megan. Megan continuou abanando as chamas com um sorriso cínico. Ela era realmente uma adulta infantil.
— Você não sentiu isso estando com ele? Mesmo agora, ele te deixa comigo. Sem moral, sem responsabilidade, tudo em que ele pensa é em como matar alguém melhor.
— Não diga isso!
Diante da resposta ríspida, Megan apenas riu com vontade. “Não é uma pessoa boa. Por que o Tennessee anda com alguém assim?”
Se Tennessee estivesse lá, teria descartado isso como “não é uma amiga nem nada”, mas, infelizmente, Tennessee não estava lá, e Amber apenas mordeu os lábios novamente. O gosto de sangue preencheu sua boca.
— Você está bravo porque eu falei mal do Tennessee? Mas não é verdade?
Megan não tinha intenção de fazer o mal. Ela era apenas maldosa de um jeito ruim e um pouco distorcida, diferente de Tennessee.
— Você deveria saber. Pense no que o Tennessee te ensinou além de atirar. Dar uma arma para você e te deixar sozinho no deserto faz dele um salvador?
— Pare com isso.
— Tenho certeza de que ele nem te ensinou direito. Você sabe como destravar a trava de segurança? Como carregar? Você nem sabe como atirar, sabe?
— Eu sei.
— É, sei! Hahaha! Então atire, aposto 50 dólares que você não consegue—
…Bang!
— Droga!
Megan deu um pulo, gritando com a dor repentina. Por sorte, não a atingiu em cheio, mas deixou uma grande marca na parede e até a raspou. Megan acalmou o coração acelerado. “Aquele moleque desgraçado…!”
— …Eu disse que atiraria.
— Estúpido, é por isso que não se deve dar uma arma para uma criança!
Xingando, Megan habilmente tomou a arma antes que Amber pudesse resistir e removeu o carregador. Ela não se esqueceu de jogá-la descuidadamente aos pés de Amber.
— É, droga, o Tennessee te ensinou bem. E se eu não tivesse me esquivado?!
Graças à sua longa experiência como mercenária, ela se moveu por instinto. Caso contrário, teria levado um tiro. A ideia de depender de analgésicos para extrair uma bala sozinha em um lugar como aquele era enlouquecedora.
“Droga, dói.”
Havia um arranhão longo sobre a tatuagem em seu braço. Apesar de sua raiva, Megan não xingou mais Tennessee, sabendo que tinha provocado aquilo.
— É por isso que crianças não deveriam chegar perto de armas.
Amber comprimiu os lábios em insatisfação e encarou Megan.
Megan ameaçou contar a Tennessee. Amber, que estava prendendo a respiração, exalou profundamente.
Pensando bem, Tennessee provavelmente não ficaria com raiva.
…Ele pode até dizer que fiz bem.
E Amber olhou para o relógio pela centésima quinquagésima vez. Ele sentia a falta dele.
↫─☫ Continua….
ᯓ★ Nenhuma das situações apresentadas neste capítulo referem-se/ se baseiam em fatos reais.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr