⌀ — Capítulo 4
↫─Capítulo 4
Para Elizabeth e David, Amber sempre fora um ponto sensível no coração. Embora não haja filho de quem não se goste, ao contrário de Annie e Cody, que foram adotados ainda pequenos, Amber fora adotado no ensino fundamental e sempre foi o filho com quem mais se preocupavam.
Diferente de Annie e Cody, que davam birras como qualquer outra criança, Amber levou um longo tempo para abrir seu coração. Agora, ele era parte da família como qualquer outro, mas a memória do jovem Amber ainda permanecia no coração dos dois.
O aniversário de Amber chegou logo após seu primeiro amor florescer e, naturalmente, eles queriam dar uma grande festa de aniversário. No entanto, em vez de mandarem Amber para a família que o esperava ansiosamente em Michigan, Tennessee convidou a todos para irem a Chicago.
Com quatro pessoas, excluindo Amber, eles esperavam muita bagagem, mas David apareceu com um bolo de aniversário gigantesco que Tennessee nunca tinha visto antes. Era grande o suficiente para quase vinte pessoas.
Contudo, aquele bolo grandioso não durou muito.
— Venha cá, Amber.
Com o rosto coberto de bolo, Amber correu até Tennessee.
— Sim?
Atrás de Amber, Cody e Annie vinham correndo animados. Annie estava eufórica com o bolo especial que Elizabeth e David haviam preparado. Ela já estava exigindo um bolo de três andares com a foto de um cantor de uma famosa boy band para o aniversário dela. Cody, ainda mais animado, pedia um bolo em formato de moto de motocross.
Tennessee, segurando uma gravata, olhou para Amber. O rosto e as roupas dele estavam salpicados de bolo, como se tivessem travado uma guerra de comida. Os culpados eram, sem dúvida, Annie e Cody.
— Me chamou?
Em vez de uma resposta, uma gravata preta cobriu os olhos de Amber, deixando uma ponta de dúvida em sua mente. Tennessee amarrou a gravata frouxamente.
Teria sido melhor se estivessem dentro de casa.
Poderia ter sido um tipo diferente de brincadeira, mas, infelizmente, a família de Amber estava reunida conversando e aquela era a sala de jantar, então provavelmente não era a diversão exclusiva para adultos que ele esperava.
Amber estava curioso sobre as intenções de Tennessee, mas, de certa forma, desapontado.
Tennessee segurou seu pulso e o guiou para o quintal. Era um pequeno pátio, e o som dos sapatos batendo no piso de madeira fazia um barulho alegre. Amber ouviu os passos de várias pessoas os seguindo e ficou confuso.
— Vire-se.
“Ahn?”
Tennessee falou. Amber, parado sem entender nada, foi girado gentilmente por Tennessee, que o segurava pelos ombros. As risadas de Annie e Cody ecoavam levemente pelo espaço, achando a cena divertida.
Após girar três ou quatro vezes, algo frio e duro pousou na mão de Amber. Se fossem apenas os dois e outra coisa estivesse em sua mão, teria sido ótimo, mas Amber percebeu que era um taco de beisebol.
— Bata nele.
— …Ah.
Naquele momento, Amber compreendeu.
Uma piñata.
Aquele homem ainda se lembrava do sonho de infância que ele havia mencionado casualmente. Ele era frio, porém gentil e atencioso. O fato de aquilo ser feito exclusivamente para ele deixava Amber eufórico.
— Devo bater com força? Saia da frente, Tennessee, você pode ser atingido.
— Não se preocupe comigo, apenas bata.
Ele sabia que Amber jogava beisebol no ensino médio. A voz de Tennessee estava tão perto que Amber moveu o taco com cuidado, preocupado em não acertá-lo. Mas nada parecia se conectar. Conforme ele se atrapalhava no ar, a risada baixa de Tennessee podia ser ouvida. Até Elizabeth não conseguiu esconder o quão divertida achava a situação.
— Quando é que você vai quebrar isso desse jeito?
— Aqui, Ryker!
Annie bateu palmas. Guiando-se apenas pelo som, Amber desferiu o taco.
— Aqui?
— Mais alto! Para cima!
As palmas pareciam vir de mais alto.
— …A piñata não está pendurada alta demais, Lizzy? — David murmurou baixinho.
— …Parece até um pouco com um enforcamento — Elizabeth respondeu e, finalmente, algo se chocou na ponta do taco. É isso! Sem hesitar, Amber desferiu o taco com força. Algo colidiu com um som satisfatório, e a piñata se arrebentou. Foi o momento em que seu talento, que lhe rendera uma bolsa de estudos esportiva de quatro anos na faculdade para o beisebol, brilhou intensamente.
— Uau! Doces!
— Chocolate! Tem muito!
Estava feito. Assim que esse pensamento cruzou sua mente, uma luz brilhante preencheu sua visão. A gigante piñata, com a boca escancarada, chovia doces e chocolates, mas o olhar de Amber foi direto para Tennessee. Segurando a gravata, Tennessee ostentava um leve sorriso.
Cody e Annie se jogaram alegremente para recolher os doces. Observando-os com carinho, Elizabeth pegou um chocolate que rolou até seus pés. Checando a embalagem, ela deu um toque em David.
— Meu Deus, piñatas de adultos são diferentes. Tem chocolate recheado com rum aqui.
David pegou um chocolate do chão também.
— Lizzy, este aqui é chocolate *Godiva?
— Este é com bebida alcoólica?
— …Vamos pegar também.
{*N/T: Godiva é uma marca multinacional belga de chocolates finos, reconhecida por seus produtos de luxo, principalmente os chocolates alcoólicos)
Até Elizabeth e David se apressaram para recolher doces e chocolates, contagiados pela extravagância de Tennessee. Tennessee apontou para a frente. Amber voltou o olhar para onde o dedo dele indicava. Só então Amber prestou atenção na piñata.
Ah. Ele tinha batido tão forte que a piñata, incapaz de suportar o impacto, balançava como um pêndulo, espalhando doces por todos os lados. Pequenos confetes flutuavam junto. Papéis dourados e prateados reluzentes caíam. Com um som leve, as embalagens de chocolates e doces colidiam ao cair.
Era uma cena espetacular de se ver.
Amber observava em transe o momento com o qual sonhara desde a infância. Apenas naquele instante Amber percebeu o quanto tinha ansiado por aquilo. Era um desejo que ele nem teria reconhecido se não fosse por Tennessee.
— Parabéns, Amber.
“É um aniversário maravilhoso.”
Tennessee disse, com um sorriso lindamente desenhado. Impossível não amar. Sob a chuva de chocolates, Amber o puxou para um abraço intenso, segurando seu amado parceiro que voluntariamente o acolhia.
— Obrigado.
A mão fria de Tennessee segurou o queixo de Amber. Os lábios se desceram.
Confetes coloridos, como chuva, caíam sobre suas cabeças. Uma infância de conto de fadas que ele não havia vivido despejava-se sobre ele. Sonhos puros e inimagináveis, memórias e a vida comum pela qual tanto ansiara. Naquele momento, Amber se lembrou do sonho que havia se dissipado no passado.
Finalmente, além do armário, passado o castelo sombrio, ao longo do caminho tortuoso, além da humilde terra natal de Tennessee.
↫─☫ Continua….
ᯓ★ Nenhuma das situações apresentadas neste capítulo referem-se/ se baseiam em fatos reais.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr